O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 499

O Ponto de Vista do Vilão

"Uriel. Não esperava que você se juntasse a mim. A Santa não deveria estar atrás do herói profetizado?" ele perguntou.

Uriel assentiu.

"Você não está errado. A Santa realmente segue o herói…

E é exatamente isso que Yurasha está fazendo.

Não há necessidade de duas santas, então escolhi este lado em vez disso."

"Entendi," Frey assentiu, caminhando ao lado dela em direção às linhas de frente do exército.

"Sua presença será de grande apoio às tropas. Fique atrás de mim e tente acompanhar."

As palavras dele fizeram Uriel piscar, surpresa com sua atitude estranha.

"Frey… estou imaginando coisas ou você realmente está empolgado?"

Aquele sorriso estranho que tinha no rosto de Frey não parecia natural.

E ele mesmo parecia alheio a isso.

tentando ajustar sua expressão, ofereceu uma desculpa suave.

"Desculpe. Isso foi… indevido de minha parte."

Uriel rapidamente balançou as mãos.

"De jeito nenhum. Não há por que se desculpar...

É natural que guerreiros lutem por quem amam."

Ela tentou justificar o comportamento dele com gentileza.

Mas Frey riu amargamente.

"Você tem razão.

Ainda assim, não queria mostrar esse lado de mim para você.

Você tem evitado minha companhia por causa disso… não tem?"

As palavras dele fizeram seu rosto se contorcer numa surpresa visível, antes de se transformar em algo diferente... numa confusão silenciosa.

'Fui a única que viu isso…?’

Uriel tinha realmente acreditado que Frey compartilhava da mesma visão estranha.

Ela vinha esperando o momento certo para conversar sobre isso.

Demorou um tempo para superar o medo que lhe apertava o coração —

Afinal, ela tinha se visto morrer às mãos dele.

Mas parecia…

Que ele nem tinha percebido aquilo.

O que a fazia questionar que tipo de poder era realmente aquilo.

Mesmo assim…

Não havia tempo para pensar nisso agora.

Cancelar esse mal-entendido era sua prioridade.

"…Não era por isso que eu estava evitando você," ela disse.

Frey levantou uma sobrancelha.

Ele realmente acreditava que Uriel tinha criado uma aversão ao desejo de sangue dele.

"Se não for por isso…

Então por que?" ele perguntou, genuinamente curioso.

Mas Uriel balançou a cabeça.

"Não posso falar sobre isso aqui.

Se estiver disposto, depois da nossa próxima batalha…

Por favor, me dê um pouco do seu tempo.

Eu te contarei tudo então."

Uriel já tinha decidido que iria contar tudo a ele.

Ela não via mais sentido em guardá-lo para si.

Mas não podia mencionar isso aqui, no meio do exército. Eles estavam prestes a marchar para território inimigo, e Frey era o comandante deles. Não poderia chamá-lo à parte… tudo o que podiam era esperar.

"Depois da batalha, então."

Frey sorriu mais profundamente.

"Então ambos precisam sobreviver. Essa é sua forma de me pedir para te proteger, Uriel?"

Frey mais uma vez interpretou mal, o que fez Uriel abrir os lábios na tentativa de esclarecer… mas ele de repente começou a rir, cortando sua fala.

"Não precisa fazer essa cara, estou brincando. Além disso… já planejava fazer isso mesmo."

Ela não precisaria pedir… ele simplesmente não iria deixá-la morrer.

Frey era direto assim, e Uriel ficou sem palavras.

Nesses momentos, ele parecia mais velho… não o contrário.

A candidata a santa abaixou a cabeça, parecendo perdida em seus próprios pensamentos, os olhos se perdendo nas sombras que se espalhavam sob seus pés.

Essa escuridão lhe trouxe a algum pensamento.

"Aquela menina demônio vai nos acompanhar?"

Frey virou-se na direção dela, seguindo seu olhar até as sombras abaixo.

"Você quer dizer Sansa? Sim, ela já está conosco neste momento."

Não era fácil perceber a presença de Sansa, mas Frey não tinha dificuldades nisso.

Observando a expressão séria de Uriel, Frey suspirou, ciente do profundo ódio dela por demônios.

"Sansa é uma aliada. E alguém que me é querida… Uriel, quero que confie nela."

Era um pedido raro vindo de Frey, mas Uriel não respondeu. E ele não insistiu. Já conhecia seu passado.

Mesmo assim, queria plantar a semente — talvez um dia, Uriel pudesse aceitar a demônio que caminhava entre eles.

Frey e Uriel não podiam conversar por muito mais tempo. O barulho dos soldados marchando, o trovão dos tambores de guerra e o chão tremendo sob eles abafavam tudo mais.

Enquanto Iris Luz Solar inflamava o ar com um discurso animador, as tropas rugiam em uníssono, prontas para lançar o primeiro ataque desta guerra.

Infelizmente, Frey prestou pouca atenção ao discurso do velho e perdeu tudo…

Seu foco foi inteiramente atraído pelo que vinha à sua frente.

Ao olhar para o que se aproximava, Frey foi pego de surpresa pela aproximação de uma figura grande, vinda do flanco direito.

Um homem imponente, marcado e robusto, com cabelos castanho-avermelhados presos sob um capacete amassado.

Uma enorme espada larga presa às costas, e olhos impiedosos brilhando com algo perturbador.

"Você…"

Frey o reconheceu imediatamente.

Um dos oito que escolheram seguir Frey até o final amargo.

"Ainda se lembra de mim. Sou honrado… Lorde Luz Estelar."

Com uma voz grave e sombria que fazia muitos evitá-lo por instinto, o homem se apresentou.

"Meu nome é Morval Nox. Um mercenário solitário que passou a vida vagando por zonas de guerra."

Um sorriso distorcido surgiu em seu rosto… um bastante parecido com o de Frey.

"Morval, hein? Está claro o desejo de sangue que emana do seu corpo…"

Ouvindo isso, Morval soltou uma risada rouca, profunda.

"Não é óbvio, Lorde Luz Estelar? É justamente por isso que decidi seguir você."

"Ah? E por quê?" Frey perguntou, embora já tivesse uma suspeita.

"Não vou mentir, Lorde Luz Estelar…

Estou aqui para matar. Quero rasgar e derramar sangue de o maior número possível de pessoas. Passei minha vida pulando de campo de batalha em campo de batalha por esse motivo."

Morval parecia extasiado. Estava claro que não era um humano comum.

Ele era… perverso — de um jeito que o fazia amar o ato de dilacerar carne.

"Ao seu lado, Lorde Luz Estelar, sinto que finalmente poderei satisfazer essa fome… a fome de massacre."

Morval riu mais uma vez, tão alto e violento que os soldados ao redor recuaram instintivamente.

Ele já era famoso.

Não um guerreiro que lutava por família ou país… mas um açougueiro insano que encontrava sentido na carnificina e na destruição.

Ali, e somente ali, ele podia ser seu verdadeiro eu.

Podia-se argumentar que ele era mais perverso que os próprios Ultras…

Ele tinha uma história sombria.

Frey sabia de tudo isso… e mesmo assim, não demonstrou reprovação.

Pelo contrário, recebeu aquilo de braços abertos.

"Ótimo, Morval Knox. Então prepare-se para sujar suas mãos de sangue… porque não vamos poupar ninguém."

Com isso, ele avançou para as linhas de frente e correu adiante.

Momentos depois, a primeira força de ataque rasgou seu caminho até o território inimigo… sob sua liderança e de mais ninguém.

Os exploradores e assassinos já tinham retornado, e Frey agora conhecia a posição de muitos de seus inimigos.

E ele havia tomado uma decisão:

Mataria todos eles… até o último.

Comentários