
Capítulo 491
O Ponto de Vista do Vilão
A atmosfera de guerra era realmente única.
Se assemelhava a uma provação... uma que só um grupo seleto de humanos passava a cada vez.
Algumas almas desafortunadas eram arrastadas para ela mais de uma vez, enquanto outras tinham sorte suficiente para escapar ilesas todas as vezes.
A Guerra das Sombras ainda estava no começo. Muitos ainda não tinham compreendido a escala de trevas que ela lançaria.
Pelo menos… ainda não.
Do lado do Império,
as forças principais finalmente chegaram, pondo os pés em solo inimigo — Continente de Ultras.
Uma força de 70.000 guerreiros... um exército composto pelos melhores e mais ferozes.
Um exército assim, espalhado por uma vasta terra, com o espírito ardendo alto… alimentado por pessoas desesperadas por trazer glória à sua pátria.
Porém, muitos deles eram meramente ingênuos amadores, seduzidos por sonhos e ambições que os levavam a acreditar que guerra era uma coisa simples.
Era apenas uma questão de tempo até que chocassem de cabeça com a amarga realidade… mais cedo ou mais tarde.
No acampamento do Império,
sentado sobre um tronco com uma pequena fogueira acesa à sua frente, Frey frequentemente tinha vislumbres desses soldados.
Pessoas que provavelmente morreriam sem ninguém jamais saber que existiam.
Mas ele não se importava muito. São poucas as almas que realmente desejava ver sobreviver.
Este era um dos raros momentos em que Frey ficava sozinho desde que voltou ao acampamento.
Na maior parte do tempo, permanecia próximo ao comando superior, discutindo seu papel na guerra… especialmente agora que ocupava a posição de vanguarda.
Não era incomum encontrar Ghost, Snow ou até Phoenix próximos a ele. E quando voltava para sua tenda, que servia como seu quartel, geralmente passava um tempo com Sansa… que raramente se afastava devido à sua forma demoníaca.
Tudo isso fazia sua solidão parecer ao mesmo tempo rara e valiosa.
Frey sempre viveu sozinho… sem depender de ninguém, imerso no isolamento.
E nesses momentos, ele frequentemente se perdia em profundos pensamentos, revisando-se várias vezes, tentando alcançar a versão ideal de quem deveria ser.
Sentado ali junto à modesta fogueira,
Senhor Estrela-Reluzente parecia um guerreiro experiente que havia perdido o seu caminho em batalhas intermináveis.
Ninguém ousava se aproximar dele. Muitos olhares estavam fixos nele, mas poucos tinham coragem de dar o primeiro passo.
No entanto, isso não se aplicava à velha mulher que se aproximou por trás… seus passos leves e quase inaudíveis.
Mas é claro, Frey não a deixou passar despercebida. Não havia como ela escapar de seus sentidos.
"Perdoe a intromissão, Senhor Estrela-Reluzente… Posso perguntar se uma senhora idosa pode se juntar a você?"
Olhando para ela e ouvindo seu pedido, Frey reconheceu-a naturalmente.
Uma senhora idosa, que parecia estar na casa dos setenta anos. Seu rosto marcadp pelo tempo… profundas rugas, mas seu cabelo platinado preso em uma rabo de cavalo e seu uniforme militar único faziam-na se destacar.
Frey desconfiou que seu uniforme preto fosse de uma era muito antiga… indicando que ela já estava na linha de frente há bastante tempo.
A cicatriz brutal que cortava o lado direito do rosto dela era prova suficiente.
Com um sorriso suave, Frey abriu espaço e disse:
"Infelizmente, não consigo dizer não para você."
Ao ouvir suas palavras, a velha mulher riu e se acomodou ao lado dele.
"Você talvez esteja tímida por causa da diferença de idade entre nós? Que educação, Senhor Estrela-Reluzente."
"Frey basta," ele interrompeu calmamente.
Ela fez um gesto de concordância.
"Então, me chame pelo nome também... é Zenith."
Frey assentiu em concordância.
A mulher à sua frente era uma das Oito… aquelas que permaneceram com ele até o fim. Uma das poucas que escolheram encarar a morte ao seu lado.
"Então, Zenith… me diga. O que te trouxe aqui para compartilhar minha fogueira?"
Frey perguntou, aproveitando a oportunidade para aprender mais sobre ela. Já havia decidido estudar essas Oito com mais profundidade… para entender as peças que tinha em mãos.
Ela ter vindo sozinha tinha poupado-lhe o trabalho.
Zenith ficou em silêncio por um momento, olhando para a fogueira, antes de puxar um cigarro fino de seu casaco militar.
"Para ser sincera… vim ver que tipo de pessoa você é."
Ao ouvir sua resposta, Frey sorriu suavemente… já tinha adivinhado isso.
"Suponho que sua cabeça já esteja cheia de ideias."
Zenith não negou.
"Claro. Você é diferente de qualquer um. Nem mesmo seu pai… Abraham Estrela-Reluzente."
Logo que pronunciou esse nome, Frey se interrompeu involuntariamente.
"Você conhecia meu pai?"
"Exatamente," ela respondeu.
"Impressionante," disse Frey sinceramente, oferecendo a ela um elogio honesto.
Um leve brilho iluminou seus olhos… ele já tinha intuido o nível de poder dessa velha mulher.
Sua aura certamente era pelo menos SS-.
Sua força não era algo para ser subestimado.
E Zenith não se importou em esconder isso desde o começo.
"Às vezes, você parece uma estrela radiante enviada para reviver uma era de milagres…
Outras vezes, parece uma fera ferida, sedenta para derramar o máximo de sangue possível no campo de batalha.
Às vezes, até percebo uma fome estranha por morte dentro de você… uma fome que faz você querer matar os outros… e, eventualmente, a si mesma."
Ao ouvir a avaliação estranha de Zenith, Frey soltou uma risada seca.
"Você tem ideias bem estranhas sobre mim, Zenith… mas parte do que você disse é verdade."
Frey respondeu de maneira vaga, deixando que ela se perguntasse qual parte ela havia acertado.
Mas Zenith não parecia incomodada.
Com um leve estalo de dedos, uma faísca azul de eletricidade dançou em sua mão, iluminando suavemente seu rosto marcado pelo tempo.
"Meu nome é Zenith. Apenas Zenith. Não tenho título, ninguém que me reivindique, Senhor Frey… Sou uma mulher que já perdeu tudo. Todos que eram queridos a mim estão mortos, e tudo que me sobrou é o vazio."
"Todos morreram… enquanto eu, de alguma forma, sobrevivi a esses longos anos. Para ser honesta, já nem sei mais por que ainda continuo lutando."
Suavemente apagando a faísca, Zenith voltou o olhar para Frey.
"Senhor Frey, tenho certeza de que você está se perguntando por que escolhi lutar ao seu lado de forma tão voluntária.
Deixe-me ser clara… não tenho uma razão. Não tenho mais nada a perder. E é isso que me torna útil para você."
"Uma feiticeira classe SS-, sem ambição, sem desejos… apenas um vaso vazio procurando um fim digno."
Com um sorriso frio, ela olhou fixamente para Frey.
Por algum motivo… seu olhar ficou preso na cicatriz grotesca que atravessava seu rosto.
"E por essa razão, sinto que talvez encontre o que procuro ao seguir você nesta guerra… Senhor Frey."
Zenith…
Uma feiticeira que deixou para trás somente cadáveres.
Uma guerreira que passou a maior parte de sua vida vagando de um campo de batalha a outro, aparecendo quando a guerra começava, desaparecendo silenciosamente quando ela terminava.
Às vezes, ela era vista perambulando pelos becos da capital, ou pelas cidades maiores… às vezes até pelas vilas menores… sem propósito algum, apenas passando.
Ela rejeitava as pessoas. Já tinha perdido demais.
Nos olhos de Frey, ela parecia uma mulher carregando o peso de todas aquelas almas mortas, continuando a viver em seu lugar.
Talvez tudo o que ela realmente quisesse fosse morrer.
Morrer de uma maneira que fizesse aqueles que partiram antes dela se orgulharem do jeito que ela terminou.
Era por isso que ela optou por segui-lo… porque a morte sempre a acompanhava, onde quer que Lord Estrela-Reluzente fosse.
Compreendendo tudo isso, Frey… de alguma forma, viu-se nela mesma na velha mulher sentada ao seu lado.
Ela era como ele… carregada pelo peso de vidas que foram perdidas por seu esforço.
Ela tinha perdido o direito de morrer há muito tempo. Agora, tudo o que restava era um corpo exausto procurando o lugar certo para cair.