
Capítulo 443
O Ponto de Vista do Vilão
Capítulo 443: Ponto de Virada (3) -Fim do Volume II-
Nessa noite,
a neve caía incessantemente do céu, enquanto o sol lentamente surgia no horizonte, anunciando o começo de um novo dia para o Império.
[Tempo restante até o prazo da missão final: 1 hora.]
A notícia refletia friamente nos olhos de Frey enquanto ele caminhava lentamente, com passos firmes, arrastando uma cadeira de rodas pelas encostas de uma colina distante.
Como esperado, a Corte das Sombras tinha agido com precisão impecável e velocidade assustadora, cumprindo a tarefa que Frey Starlight lhes havia confiado, com Ghost pessoalmente liderando a operação.
Sem resistência, eles se infiltraram na sede da Guilda do Dragão de Prata e resgataram Danzo de dentro dela, trazendo-o para perto de Frey.
Danzo permanecia inconsciente em sua cadeira de rodas, seu corpo cuidadosamente envolto em roupas quentes, mantas grossas cobrindo suas pernas paralisadas para garantir o máximo de conforto possível.
Frey deduziu que tudo era obra de Ghost.
Um gesto silencioso e atencioso.
Ghost mesmo permanecia próximo, mas optou por não aparecer, deixando Frey sozinho com Danzo para o que fosse necessário.
Em outro lugar, os assassinos da Corte das Sombras vigiavam toda a região, garantindo que nada interferisse no que estava por acontecer.
Mesmo estando longe da Capital Imperial, Belgrado,
a Guilda do Dragão de Prata já tinha descoberto o desaparecimento de Danzo.
A capital provavelmente estava em caos agora, e era só questão de tempo até rastrearem sua localização.
Não havia muito tempo sobrando.
E, a cada segundo que passava, o rosto de Frey ficava mais escuro, mais carregado de peso,
até que finalmente o cume apareceu à vista, onde o sol matinal lançava seus raios distantes sobre eles.
Danzo parecia extremamente fraco.
Durante toda a jornada, ele despertava brevemente, apenas para voltar à inconsciência alguns momentos depois.
Provavelmente, era efeito dos sedativos que Ghost e sua equipe tinham usado... garantindo que tudo prosseguisse sem problemas.
Frey preferia assim.
Ele não queria encontrar o olhar de seu amigo.
Mas, como se o destino zombasse dele, com menos de uma hora restante...
Danzo lentamente abriu os olhos, sua consciência retornando no pior momento possível.
À medida que seu pensamento se esclarecia, uma expressão de confusão se espalhou por seu rosto.
Para Danzo, há poucos momentos, ele tinha estado dormindo em seu quarto.
Agora, se encontrava em um lugar estranho, isolado, que não reconhecia.
Então, neste momento, avistou Frey empurrando sua cadeira de rodas.
Ver seu amigo aliviou seu coração, trazendo um pouco de paz, mesmo que fosse por um instante.
"Frey... onde estamos?"
A voz de Danzo estava fraca, ainda turva pelos efeitos remanescentes do sedativo.
Isso o deixava ainda mais miserável do que antes.
Sem receber resposta, tentou novamente.
"Frey, o que está acontecendo? Por que estamos aqui?"
Ele perguntava, confuso, e a ansiedade crescia a cada segundo.
Mas Frey não respondeu.
Simplesmente continuou caminhando silêncio, com o rosto sombreado, os círculos escuros sob os olhos pesados.
Ele parecia completamente destruído. Exausto.
Quando finalmente chegaram ao topo,
Frey soltou a cadeira de rodas, deixando-a parada na neve.
Depois, ficou andando de um lado para o outro por um tempo, circulando em círculos...
perdido.
De vez em quando, parava para olhar o nascer do sol, com a mente claramente dispersa, pesada por milhares de pensamentos.
Danzo percebeu as leves tremores que agitavam os ombros de Frey de tempos em tempos.
Foi então que ele percebeu...
que algo estava muito errado.
"Frey..." chamou suavemente, mas Frey o interrompeu antes que pudesse dizer mais alguma coisa.
"A Semente do Demônio."
Com as costas voltadas, sem conseguir encará-lo, Frey falou... sua voz tremia, desconhecida.
"Há uma entidade maligna dentro de você.
Uma Semente do Demônio. Ela está fundida ao seu corpo. Vocês se tornaram um só."
Sem aviso, Frey revelou tudo.
Falou da Semente do Demônio, e do que tinha infectado Danzo.
Sem pausas, despejando toda a verdade à vista de todos.
Ouvindo em silêncio, Danzo se lembrou de todas as vezes que Frey tinha perguntado se ele sentia algo estranho no corpo.
Ele pensava que Frey só se preocupava com sua saúde.
Mas agora...
ele entendeu o porquê.
"A entidade dentro da semente é incrivelmente poderosa.
Quando ela despertar completamente, assumirá o controle do seu corpo e desencadeará uma catástrofe capaz de matar milhares.
Não há cura. Quando a semente enraizar, ela não poderá ser removida do hospedeiro."
A voz de Frey falhava de vez em quando, mas, no final, conseguiu explicar tudo claramente.
Com a Espada Sombria, agora irradiando energia sagrada, Frey se colocou na frente de Danzo... cara a cara.
"Não consegui te salvar.
Não encontrei uma maneira de curar você.
Então, agora... só resta uma opção.
Se eu quero parar o Demônio dentro de você,
tenho que te matar."
Assim que soltou essas palavras, os olhos de Danzo se arregalaram... mas durou só um instante.
Depois, a calma voltou,
enquanto Frey continuava falando em um tom acelerado, sem fôlego.
"Por isso, te trouxe aqui.
Para acabar com isso... longe de todos.
Em um lugar onde ninguém possa te alcançar.
Com esta espada... vou tirar sua vida."
Segurando firme a Espada Sombria, Frey olhou para Danzo.
Este permaneceu em silêncio por alguns segundos, tentando processar o que acabara de ouvir.
Era absurdo, não era?
Seu melhor amigo aparecendo do nada, dizendo que um demônio vivia dentro dele, e que matá-lo era a única solução para parar aquilo.
Quem poderia acreditar nisso?
Mas Frey tinha que contar a verdade.
Se Danzo acreditava ou não, não importava.
Ele só...
queria que ele soubesse por que estava prestes a morrer pelas mãos dele.
Frey esperava várias reações possíveis.
Negação.
Raiva.
Riso.
Ou talvez Danzo chamando-o de louco, mandando ele parar com essa besteira.
Mas Danzo não fez nenhuma dessas coisas.
Ele simplesmente respondeu com calma.
"Eu entendo."
Essas duas palavras, ditas suave e calmamente...
estremeceram Frey mais que qualquer grito.
Seus ombros tremeram descontroladamente enquanto ele gritava sem pensar...
"O que você quer dizer com 'entendo'?!
Você vai me matar, e responde assim?!“
Ele não conseguia entender.
Por que seu amigo aceitou isso tão facilmente?
Se apenas Danzo tivesse reagido, gritado, xingado...
teriam sido mais fáceis as coisas.
Mas aceitar tão calmo assim...
O que Frey tinha que dizer a isso?
Danzo permaneceu calmo, observando a agonia de Frey por um tempo.
Deixando que ele exprimisse tudo, Danzo esboçou um leve sorriso.
"É simples, Frey. Eu acredito em você. E, para ser honesto... talvez assim seja até melhor."
"O que você está dizendo...?" questionou Frey, em uma voz tensa, mas Danzo continuou, naquele mesmo tom silencioso...
... uma calma que não lhe cabia.
"Já morri uma vez. O que sobrou de mim agora é só uma casca vazia.
Deixei para trás na batalha tudo de mim."
Sorrindo com dificuldade, Danzo lançou um olhar para seu corpo paralisado...
um corpo que ele não conseguia mais mover.
"Sabe, Frey... desde que voltamos do Continente Ultra, sempre me perguntei... por que fui eu que sobrevivi?"
De todos os estudantes de elite que morreram,
por que eu era o único que viveu?
"Deixei tudo para trás... meu sangue, minha força, minha vontade, tudo pelo que vivi.
Perdi tudo naquela batalha. Eu deveria ter morrido lá.
Mas, de alguma forma, sobrevivi."
"Ou melhor... só uma pequena parte de mim permaneceu."
Ao ouvir essas palavras, Frey entendeu exatamente o que seu amigo quis dizer.
Quem era Danzo Smasher?
Um amigo. Um guerreiro. Um homem que sempre carregou aquela energia explosiva,
que uma vontade inquebrável de ferro.
Foi aquele que desafiou gênios muito mais talentosos que ele, confiando apenas em sua esforço incessante.
Ele era barulhento, forte, uma presença fundamental na vida de Frey.
Mas agora?
"Já queimei a vela da minha vida... até virar cinzas."
Ele estava fraco. Silencioso. Acorrentado a uma cadeira de rodas.
Aquela vontade de ferro? Quebrada como vidro quebrado.
O jovem ambicioso que um dia viveu para a luta...
não tinha mais nada pelo que viver neste mundo duro, onde só os fortes importam.
"Acredito em você, Frey. Sou apenas um espectro do que já fui.
Deveria ter morrido naquele dia. Mas vivi."
E, para surpresa de Frey,
Danzo sorriu... um sorriso agridoce.
"Mas sabe... estou meio feliz com isso."
Frey involuntariamente deu um passo para trás.
"Danzo..."
"Se morrer por sua mão significa evitar uma catástrofe...
então talvez esse seja o melhor jeito, não é?"
"Danzo..."
"Faça o que precisa ser feito, Frey.
E obrigado... por me contar a verdade até o fim."
E isso foi o que mais machucou Frey...
pois, nos olhos de seu amigo, ele viu o olhar de um homem que já aceitou seu destino de braços abertos.
Danzo tinha enfrentado isso.
Mas Frey...
ainda não conseguia agir.
Segurando a Espada Sombria, que brilhava com luz sagrada, Frey tremeu no lugar, incapaz de dar o passo final.
E ele sabia... essa hesitação,
essa fraqueza...
era uma ofensa à determinação que Danzo tinha demonstrado.
Mas, por mais que tentasse, não conseguia avançar.
"Não hesite, Frey. Isso não é sua culpa."
"Sei que você está sofrendo.
E talvez essa dor fique com você por muito tempo.
Mas você sempre teve força para seguir em frente... não foi?"
Danzo sorriu suavemente, tentando incentivá-lo.
Mas Frey não conseguiu retribuir o sorriso.
"Acabe com isso, Frey.
Não é por isso que você me trouxe aqui?
Faça isso!"
Danzo tentou gritar com toda a força—
mas, mesmo assim, sua voz era fraca, delicada.
"Conclua, meu amigo."
...
O sol nasceu ao longe,
enquanto a neve continuava a cair sobre seus ombros...
como se estivesse lamentando o que estava por acontecer.
Frey levantou sua espada, colocando-a suavemente contra o coração de Danzo.
A entidade demoníaca dentro de seu amigo ainda não tinha despertado, então matar Danzo também destruiria esse demônio.
Um golpe limpo, usando uma arma impregnada de energia sagrada poderosa.
E a Espada Sombria era mais do que suficiente para isso.
Com a lâmina posicionada no peito de Danzo, Frey tremeu.
A própria Espada Sombria tremia em suas mãos.
"Em comparação à sua dor, minha dor terminará em um instante.
Então, não hesite."
Só faltavam minutos até o fim da missão.
Sabendo disso,
Frey rangeram os dentes, suas mãos apertando a espada com tanta força que quase rasgava sua pele.
Forçando-se a agir, lentamente empurrou a lâmina para frente.
Ela tocou o peito de Danzo...
perfurando-o, centímetro por centímetro, com agonia.
Apontando para seu coração.
Contando que esse golpe final terminasse com seu sofrimento.
Naquele instante, Frey estava prestes a concluir.
Mas não conseguiu.
O espaço ao redor dele de repente congelou...
como se alguma defesa ocultada tivesse sido ativada por suas ações.
O tempo em si parou.
E então, sem aviso...
do lado direito do rosto de Danzo, junto ao pescoço e ao ombro direito, explodiu uma violência de sangue.
Uma mão negra ensanguentada emergiu de dentro de Danzo, mirando diretamente no rosto de Frey.
Tudo desacelerou até ficar em câmera lenta.
Frey observou a mão se expandir em sua visão, cada detalhe nítido graças aos seus Olhos de Falcão.
Era uma mão carregada de malícia... uma que tinha força suficiente para explodir seu rosto e acabar com sua vida.
Ele sabia.
Talvez o demônio dentro de Danzo tivesse percebido o perigo e desencadeado isso como um último ato de defesa.
Ele ainda não tinha despertado totalmente, o que significava que Frey poderia facilmente ter evitado o ataque.
Mas ele não o fez.
Frey permaneceu ali, imóvel, enquanto a mão se aproximava para tirar sua vida.
'Tudo bem...'
Ele pensou por um momento.
Estava tudo bem.
Morrer ali, pelas mãos de Danzo, não era um destino tão ruim.
Era bem melhor do que matar seu amigo com as próprias mãos e carregar esse peso pelo resto da vida.
Era um caminho mais fácil.
E Frey o aceitou sem hesitar.
A naquele momento, ele não se importava com o que aconteceria se morresse.
Ignorando o mundo inteiro, só queria descansar. Terminar tudo, enfim.
Mas o destino não lhe concederia essa misericórdia.
A mão escura parou, a meros centímetros do seu rosto.
Ela tentou avançar—matar Frey—mas não conseguiu.
E foi então que Frey percebeu o que tinha acontecido.
Mesmo com metade do rosto destruído pela explosão, Danzo, com o pouco de consciência que lhe restava, ainda o encarava com seu único olho que permaneceu aberto.
Com a última gota de sua vontade, Danzo havia detido a mão, salvando a vida do amigo.
Danzo não conseguia falar naquele estado, mas Frey o entendeu claramente.
"Acabe com isso."
Era isso que ele lhe dizia.
Então, Frey sorriu.
Deu a ele um sorriso final... um que esperava ser a última coisa que Danzo veria, ao invés de seu próprio rosto marcado pela dor.
Depois, cravou a Espada Sombria no peito do amigo.
Tudo aconteceu num instante.
A lâmina perfurou limpidamente.
A carne rasgou, sangue jorrou.
E a luz nos olhos de Danzo se apagou, deixando para trás um corpo destruído, metade consumido pelo braço demoníaco que ainda saía do seu peito.
Quanto a Frey...
Seu mundo desabou.
Seu peito queimava e congelava ao mesmo tempo. Sentiu uma dor insuportável ao cair de joelhos ao lado do corpo sem vida de Danzo.
Encharcado de sangue de Danzo, seu corpo tremia descontroladamente.
Naquele momento caótico, ouviu gritos, soluços e choros.
E, à medida que a realidade lentamente retornava,
Encolhido sobre o cadáver de Danzo, Frey chorou.
Acreditava que suas lágrimas tinham acabado há muito tempo...
Mas agora, jorravam livremente, misturando-se ao sangue do amigo caído.
E, em meio a tudo isso...
a notificação do sistema apareceu.
[A Missão Final foi Concluída.]
Ele tinha conseguido.
Mas a que custo?
Colapsado ao lado de Danzo, completamente destruído,
Ghost finalmente apareceu das sombras.
Quando seus olhos se fixaram no corpo sem vida de Danzo... e na monstruosa braçadeira que saía de seu peito...
uma expressão de dor cruzou o rosto de Ghost.
Naquele instante, ele soube:
Frey tinha contado a verdade o tempo todo.
Quando virou o olhar para Frey,
ele viu o quanto seu amigo estava destruído, devastado.
"Precisamos ir, Frey. O Império vai descobrir esse lugar em breve."
A voz de Ghost carregava tristeza apertada,
mas Frey não respondeu.
Ele apenas segurou o corpo de Danzo, recusando-se a largar.
Ao ver isso, Ghost finalmente deu um passo à frente e o puxou à força.
E, ao assistir seu amigo em tamanha agonia, uma dor aguda atravessou o peito de Ghost.
'Eu deveria ter feito isso no lugar dele.'
Ele já estava acostumado a perder pessoas.
Ele nunca deveria deixar Frey carregar esse peso.
Mas o que foi feito, está feito.
Sem ter escolha, para consolar seu amigo quebrado, Ghost enterrou sua dor fundo no coração.
E assim, os dois recuaram, deixando o corpo de Danzo para trás...
com seu sangue tingindo a neve branca em vermelho vívido.
Nem sequer puderam dar um sepultamento digno a ele.
E quanto a Frey, a dor que agora carregava o consumia ainda mais fundo do que antes...
um abismo infinito rasgando sua alma.
O que quer que acontecesse a seguir...
essa tragédia lançaria sua sombra sobre o futuro.
E sobretudo sobre Frey.
...
...
...
Nota do Autor:
Há algum tempo, pessoal. Este marca o fim do Volume 2: Convergência.
O próximo capítulo dará início ao tão aguardado Volume 3... A Guerra das Trevas.
Este romance passou por muitos altos e baixos... momentos de sucesso e fracasso também.
Mas essa história é muito especial para mim. Foi a primeira coisa que escrevi... o primeiro mundo que criei. Apesar de todos os seus defeitos iniciais, e de ter se inspirado bastante em outras obras por minha inexperiência, continuei porque realmente acredito que essa história merece mais atenção.
Por isso, recentemente, tenho dedicado a ela não só 100% do meu esforço, mas 300%. Não vou economizar, nem que isso me quebre. Vou continuar lançando seis capítulos por dia até esse romance alcançar o topo. Acredito nesta história... e acredito que ela vai chegar lá. Mas se chegar, o mérito será seu... leitor. Se você gostou da jornada até aqui, espero que continue apoiando esse trabalho. Em troca, farei o meu melhor para torná-lo ainda melhor.
Apesar de já estar trabalhando no meu segundo romance, este aqui sempre terá um lugar especial no meu coração. Sempre vou me esforçar para melhorar e dar o meu melhor por vocês.
Muito obrigado a todos!