
Capítulo 309
O Ponto de Vista do Vilão
Passado o momento, os três percorremos o castelo saqueando tudo que parecia útil.
Depois de procurar um pouco, encontrei a arma perfeita para Ghost.
Ele ficou completamente fascinado pelas gêmeas adagas pretas, cada uma emitindo uma aura violeta que se levantava como vapor escuro no ar.
Ele girou as adagas nas mãos, testando seu peso e equilíbrio.
"São leves... mas na real são bem pesadas," observou.
"Provavelmente são feitas do mesmo metal das minhas espadas," eu disse com um sorriso maroto, compartilhando o pouco que sabia.
"Elas também combinam perfeitamente com atributos de trevas e sombra—fazendo delas ideais pra alguém como você."
Ghost assentiu com reconhecimento, silenciosamente grato. Todo aquele troca-troca não parecia mais uma conversa entre amigos…
Mais parecia uma entre alguém que havia cruzado um limiar... e outros que ainda não tinham.
Tudo que aconteceu deixou marcas nas nossas relações, mudando-as completamente.
Parecia que anos haviam se passado… quando na verdade só tinham sido algumas horas.
Ghost foi o maior vencedor—agora empunhando uma arma de classe SS.
Quanto a Snow e eu, cada um pegou um conjunto de armadura negra que uma vez foi usada pelo culto dos Sem Nome.
Vestidos na mesma roupa escura, de cabelo branco e tudo… ficávamos assustadoramente parecidos.
"A escuridão combina contigo," disse Snow.
"Não tanto quanto combina com você," respondi.
Ele, que antes sempre carregava uma aura brilhante e alegre, agora parecia mudado. Depois de enfrentar as profundezas do submundo ele mesmo… sabia que essa era uma experiência que ele nunca esqueceria.
Há incontáveis tesouros por toda parte... pegamos o máximo que conseguimos encaixar nos nossos anéis.
Ainda deslumbrados com tudo o que tinham visto, Snow e Ghost não puderam deixar de perguntar:
"De verdade, o que é esse lugar?"
Uma pergunta simples, mas que eu não tinha uma resposta fácil.
"Este lugar… é um túmulo."
Um túmulo enorme que guarda a história de um rei.
Depois de colher o máximo, finalmente partimos do castelo.
"E agora?" perguntou Snow—uma questão válida.
Mesmo depois de tudo que passamos, nosso maior problema ainda permanecia:
Como diabos voltar pra casa?
Mas isso já não era mais um problema.
"Por aqui."
Apontando para o caminho, ambos me olharam com curiosidade.
"Sei que parece estranho, galera… mas prometo que logo darei as respostas. Agora, só preciso que confiem em mim e sigam."
Sabia que era egoísta pedir isso depois que arriscaram suas vidas por mim.
Mas minha cabeça quase explodia com tanta informação sendo jogada nela.
Não conseguia pensar direito mais. Só precisavam de tempo.
"Sem problema," disseram ambos.
Entenderam.
"Obrigado… mesmo. Muito obrigado."
E assim começou nossa jornada de volta.
"Existem vários portais de teletransporte por esse lugar," expliquei. "Um deles estava quebrado antes… mas agora, é só encontrar outro."
Eu sabia onde todos estavam.
Não tinha ideia de como calibrá-los para nos retornar à Terra, mas suspeitava que os seguidores do Engenheiro já tinham preparado um.
A viagem foi silenciosa... cada um imerso em pensamentos, tentando assimilar tudo que tinha visto e vivido naquele lugar amaldito chamado Londor.
Ninguém falou.
De vez em quando, criaturas pesadelo surgiam no nosso caminho. Mas—
"Gosma!"
Foi preciso só alguns golpes da minha espada para triturar aqueles seres em forma de cavalo.
Meu corpo se sentia incrivelmente leve. Minha força tinha aumentado sem eu perceber.
Comecei a corrigir pequenas mudanças desnecessárias no meu estilo de luta—de forma instintiva, com base no conhecimento que tinha absorvido.
E também havia a Adaptação às Sombras, agora no nível três.
Ainda não entendia exatamente o que essa habilidade me proporcionava.
No nível um, ela me permitia adaptar ao estilo de luta do oponente e desenvolver contra-ataques instantâneos. Era uma habilidade tão potente que desbloqueei o elemento Sombralto assim que atingi ela.
Acredito que os níveis dois e três me darão poderes similares—ou quem sabe, completamente diferentes.
Mas, na honestidade… ainda não sei.
Tenho certeza de que encontrarei a resposta com o tempo.
O enorme aumento na minha força não passou despercebido—Snow e Ghost perceberam de imediato.
Podia notar que eu não ficava mais atrás do Formato Guerreiro do Snow. Na verdade, se forçasse agora, talvez até o superasse.
Meu poder se multiplicou várias vezes no instante que coloquei aquela máscara. E mesmo sem ter absorvido tudo que tinha dentro dela, o que peguei foi mais do que suficiente para me elevar a esse nível.
Na minha forma atual, tinha certeza de que poderia enfrentar qualquer lutador de classificação SS sem dificuldades.
Foi um salto gigantesco.
E mesmo assim, não consegui me sentir feliz com isso.
Não enquanto sabia que esse corpo meu poderia ser apenas um vaso emprestado.
A jornada que antes levava mais de um mês… acabou em poucos dias.
Saímos destruindo tudo pelo caminho, até chegarmos ao portal de teletransporte escondido no interior de uma floresta.
"Achei que fosse mais difícil… talvez até encontrar o Lorde dos Túmulos de novo."
Preocupação de Snow não era sem motivo. Mas o Lorde dos Túmulos não estava mais por perto.
Até ele não ousaria ficar na mesma terra que o Lorde da Luz, que ainda permanecia nas redondezas.
"O verdadeiro problema é o que nos espera do outro lado."
Quase três meses se passaram desde que saímos da Terra.
"Temos muito o que explicar…"
"É, —disse Snow com um sorriso irônico— Acho que o inverno já chegou. Quando partimos, era final de ano."
"Aposto que vamos ser expulsos do templo quando voltarmos."
"Pior… talvez nos declarem desaparecidos."
Tinha avisado a Ada que ficaria um tempo fora, mas imaginava o quanto ela deve ter ficado preocupada. Provavelmente procurou por mim em todo canto.
Mas, no fim, isso já não importava mais.
Queríamos mesmo era voltar pra casa.
Entramos no portal sem demora, deixando pra trás a terra devastada de Londor.
Um lugar onde vimos e vivemos demais…
O lugar onde tudo começou.
Quando voltamos à Terra, chegamos de volta à Seita das Sombras... exatamente onde havíamos saído.
Pousei a mão na terra cheia de aura pura e percebi o quanto é uma bênção viver em um planeta que ainda não morreu.
"Nunca imaginei que sentiria saudades da Seita das Sombras," murmurei, observando aquelas paredes sombrias.
"Nada se compara a casa, cara. Vamos em frente," respondeu Snow.
Não demoramos.
A viagem durou apenas alguns dias graças à nossa força atual, que facilitava destruir tudo pelo caminho—especialmente porque os monstros da Terra não eram nem de perto tão perigosos quanto os de Londor.
No começo, achávamos que o círculo mágico que usáramos para chegar já tinha desaparecido... mas, para nossa surpresa, ele ainda estava lá.
"Estranho. O mago contratado era tão forte assim? Para seu feitiço durar tanto assim?" perguntou Snow.
Assenti ligeiramente.
"Na última vez que vim aqui por um portal semelhante, o conjurador precisou emprestar aura de toda a propriedade Estrela-brilhante. Isso… não é normal," contemplei a magia luminosa.
Era suspeito, mas sua presença acabou economizando muito tempo. Em vez de atravessar toda a Terra do Pesadelo Oriental, o portal nos levaria direto para casa.
"Vamos nessa," ordenei, e Snow e Ghost seguiram logo atrás.
Esperávamos sentir a neve assim que chegássemos—mas o clima parecia praticamente igual ao de quando partimos.
Um pouco estranho, mas que não merecia tanto pensar.
Depois de cruzar as Montanhas Oclas…
Estávamos oficialmente de volta no Império após nossa longa ausência.
"Lorde Estrela-brilhante?"
Um dos guardas de fronteira nos atacou por engano assim que avançamos.
Ele acabou atacando… mas eu o derrubei com facilidade.
"Faz tempo…"
Acho que três meses já eram tempo suficiente pra fazerem falta.
Mas a reação do guarda me surpreendeu.
"O que faz aqui, Senhor Estrela-brilhante? Você não voltou há poucos dias com a Lady Ada?"
"…Hã?" pisquei, confuso.
Para confirmar minhas dúvidas, chequei rapidamente a data no smartwatch dele…
O que vi deixou a mim e aos outros boquiabertos.
Certamente, tínhamos ficado fora por três meses inteiros.
Isso era certo.
Mas, de acordo com o relógio…
Nem metade desse tempo tinha passado.
Nesse momento, todos chegamos à mesma conclusão.
"O tempo aqui passa diferente do que lá fora," disse eu.
Só três dias haviam se passado na Terra…