
Capítulo 279
O Ponto de Vista do Vilão
Ele poderia me matar — ou matar todas as pessoas que eu amo —
Em qualquer momento.
"Adeus, Frey Estrelar. Espero ansiosamente seu próximo ato."
Como se estivesse se despedindo de um animal de estimação...
Um brinquedo que poderia quebrar quando quisesse.
Então a pressão foi embora.
As cores voltaram ao mundo.
Os olhos vermelhos de Ada desapareceram, voltando ao preto.
Ela ofegou e segurou o pescoço, confusa, apenas percebendo a dor.
Ela olhou para mim... perdida, sem entender o que acabara de acontecer.
"Frey?"
Ela chamou meu nome.
Mas eu já tinha desmaiado.
Deitado de bruços no chão, tremendo inteiro.
Agaroth…
Fechei os punhos até o sangue escorrer entre os dedos.
Como pude esquecer?
Aquela criatura amaldiçoada…
O Rei Demônio possuía poderes inimagináveis…
E entre eles, uma habilidade se destacava acima das demais…
A maldita Possessão.
A capacidade de tomar o corpo de qualquer alguém que não estivesse em um determinado nível…
Um nível que nenhum humano neste planeta jamais alcançou.
Ou seja…
Agaroth podia controlar qualquer pessoa que quisesse.
Quando quisesse.
Sem esforço.
Ele realmente poderia matar todos que eu amo —
Sem nem levantar um dedo.
"Frey?! O que há de errado?!"
Ada me segurou, desesperada com meu estado.
Mas eu não consegui falar.
Nem uma palavra.
O que… eu deveria fazer agora?
Pensei.
Por que essas entidades tão poderosas estão tão interessadas em mim?
O que elas veem em mim?
Mal consegui sobreviver àquele ser dentro da Sansa...
e aquilo era só um fragmento do poder do demônio de terceiro nível acima.
Enfrentar o verdadeiro? É impensável.
O que elas acham que eu sou capaz de fazer?
"Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga.
Droga. Droga. Droga. Droga. Droga!!!"
Bati os punhos no chão, quase pirando.
O que elas querem de mim?
Por que eu?
Por que agora?
Justo quando eu estava chegando perto…
Justo quando achei que tinha encontrado…
Por que agora?!
Devo chorar?
Devo rir?
O que eu faço quando o ser mais poderoso do mundo segura uma lâmina contra minha garganta?
Nem consigo imaginar vencê-lo nos meus sonhos mais loucos…
Então, como vou me manter firme na gaveta que é a realidade?
Malhei com força, violento…
Depois bati a cabeça no chão, de frustração impotente.
Ada tentou me acalmar, mas não adiantou.
Não há nada que eu possa fazer.
Não contra ele.
Nem quando o adversário é Agaroth.
Com os olhos vazios, encarei o chão.
Ele me conhece demais.
Sabe que eu desejo a morte.
Por isso, nunca ameaça me matar…
Ele ameaça as pessoas ao meu redor.
Antes que eu percebesse, comecei a rir…
Uma risada vazia, quebrada, que ecoava naquela sala destruída.
"Não adianta…"
Este é o fim.
Foi o que pensei…
Até que uma notificação surgiu repentinamente diante dos meus olhos.
O sistema se abriu sozinho, brilhando em vermelho com um texto urgente que eu nunca tinha visto antes.
E quando li as duas primeiras palavras… pisquei, boquiaberto.
"Missão de Emergência."
Nunca tinha visto nada assim.
Até então, só tinha recebido missões secundárias… principais…
E uma missão final.
Mas nunca uma emergência.
O sistema parecia prestes a explodir na minha cara.
E tudo aconteceu como uma resposta direta à aparição repentina de Agaroth…
Como se até quem criou esse sistema amaldiçoado não tivesse previsto isso.
Então lá estava ela.
Me dando uma missão.
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Missão de emergência: Retornar à Seita das Sombras
Requisito: Traga força suficiente.
Recompensa: Nenhuma.
Punição: Morte de Ada Estrelar, Danzo, Sansa e todos os personagens principais.
Prazo: 3 dias.
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Uma missão amaldiçoada, obrigando-me a voltar à Seita das Sombras…
Ri como um louco ao ler esses termos.
Principalmente a punição.
Todos agora sabem…
Que ameaçar minha morte não é mais suficiente.
Todos começaram a usar as pessoas ao meu redor para me manipular como uma marionete.
Agaroth.
O Engenheiro.
Sou apenas uma peça no tabuleiro.
Um brinquedo que empurram como querem.
Às vezes tenho vontade de bater a cabeça na parede…
Só para entender por que eles são tão obcecados por mim.
Agaroth entrou sem ser convidado.
E mesmo o Engenheiro — que supostamente sabia todos os meus passos — não viu isso acontecer.
Por isso ele se apressou em criar essa missão.
Gentilmente empurrei Ada de lado e me escondi contra a parede, os olhos fixos no teto.
Senti centenas de fios puxando meus membros, me amarrando, me controlando.
Não tinha força suficiente para resistir.
Nem tinha escolha.
Agaroth quer uma apresentação convincente.
O Engenheiro quer que eu volte para a Seita das Sombras.
Mas o que eu quero?
Não importa.
Não tenho escolha a não ser obedecer.
Seguir o caminho que os outros traçaram para mim.
Mesmo sem entender onde ele leva.
Continuarei avançando.
Continuarei lutando.
Até o fim.
...
...
...
Já faz um dia completo desde a aparição arrasadora de Agaroth —
quando ele usou o corpo da minha irmã como uma marionete descartável, uma ferramenta só para ser usada contra mim.
Ele me trouxe de volta à realidade de forma dura, lembrando que não tenho direito à vida pacífica que tolicei em achar que poderia alcançar.
Desde o começo, eu deveria fugir…
Tropeçar cega e facilmente por um caminho cheio de espinhos que nem escolhi.
Qual é a parte mais irônica?
Eu não entendo nada disso.
Não sei por que estou aqui no futuro,
nem como o romance que um dia escrevi virou realidade.
Fui jogado na escuridão… cego, sem respostas.
E assim, como um cego, não me restou outra alternativa senão seguir a missão de emergência que o sistema me deu…
Até encontrar a verdade que procuro.
Naquela noite…
Sai da casa Estrelar após tranquilizar Ada de que tudo estava bem.
Quando a abracei, minha única irmã… minha última família que me restava…
Percebi o quão frágil ela era.
Tan-tons de vidro.
Um mero pacote de carne que poderia sumir facilmente.
Por mais que tentasse parecer convincente,
Sabia que Ada não acreditava em mim.
Não após me ver desmoronar menos de 24 horas atrás.
Mas até ela desistiu de questionar quando fiquei em silêncio.
Pude perceber que ela se culpava.
Não queria que ela carregasse esses pensamentos…
Mas já carregava dores demais para suportar as de mais alguém.
Após dar um último beijo na testa de Ada,
saí do quintal Estrelar com amargura presa na garganta.
Doeu.
De verdade…
Dizer à pessoa que mais amo que "está tudo bem" quando eu sabia muito bem que não estava.
Meu próximo destino era o templo.
Tinha que me preparar para a missão.
Precisava cumprir uma das condições principais:
'Requisito: Traga força suficiente'
Foi a primeira vez que o sistema me exigiu procurar ajuda externa para completar uma missão.
Isso significava uma coisa:
Que eu não iria mais sozinho.
Assim que li essa frase, pensei em recrutar as pessoas mais fortes que conhecia…
Oliver Khan, talvez até Carmen Estrelar…
Mas nenhuma delas era uma opção.
Oliver era muito próximo do Imperador; não podia contar com ele para me acompanhar.
Carmen, eu precisava que ela ficasse com Ada… para protegê-la.
Quanto a outros como Fênix, ou até minha mestra de espada Melina…
Não confiava deles o bastante para levar a um lugar como a Seita das Sombras.
Restaram poucas opções.
Quando cheguei ao templo,
entrei em meu aposento e sentei na beirada da cama…
Deixando a porta aberta…
Esperando que meus convidados chegassem.