O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 278

O Ponto de Vista do Vilão

– Punto de vista de Frey Starlight –

Senti como se todas as funções do meu corpo fossem simplesmente serem desligadas sem aviso prévio.

Quando isso aconteceu?

Eu tinha certeza... há poucos momentos, eu estava sentada ao lado de Ada.

Só nós duas, compartilhando um momento tranquilo de família... livre do caos, livre do mundo.

Eu estava perto.

Tão perto…

De viver a vida que meu pai já sonhou para mim.

Antes, eu tinha tudo.

Depois, recomecei do zero neste mundo...

Reconstruindo tudo, pedaço por pedaço.

Foi brutal. Mas consegui.

Então por quê?

O mundo se transformou em cinza.

Cada pelo do meu corpo se arrepia, como se um raio tivesse me atingido.

Não conseguia parar de tremer.

O queixo tremia com um medo que eu não conseguia controlar.

Estava tão perto.

Tão perto…

De viver a vida que meu pai uma vez sonhou para mim.

Uma vez, eu tinha tudo.

Depois, recomecei do nada neste mundo...

Reconstruindo tudo gradualmente.

Foi brutal. Mas eu consegui.

Então por que?

O mundo virou cinza.

Todo o pelo do meu corpo se arrepiou, como se uma descarga elétrica tivesse me atravessado.

Eu não conseguia parar de tremer.

O queixo baixava, tremendo de medo que não podia reprimir.

Estava tão perto.

Então por que…?

Por quê?!!

Incapaz, olhei para Ada.

“Por que você está olhando assim pra mim?”

Aqueles olhos...

Vermelhos carmesim, brilhando intensamente… eram a única coisa que não tinha sido engolida pelo mundo sem cor.

“Olá, ****.”

Era a voz dela.

A voz da minha irmã.

Mas a presença sufocante que pressionava meu peito…

Aquela sensação de queimar no coração…

Não era o aura dela.

Eu já sabia quem era.

E assim, tremendo, a única coisa que consegui dizer foi…

“Por quê?”

Por quê agora?

Ada… sorrindo calmamente, com o olhar vermelho fuzilante, sentada como se estivesse em um trono feito só para ela.

“Por que? Você realmente me pergunta isso… ****?”

A única pessoa que eu nunca ousei desafiar.

Aquela cuja presença sozinha poderia me destruir.

E ouvir meu verdadeiro nome… aquele que eu tinha antes de reencarnar… só me embrulhou o estômago com ânsia.

A pressão que me esmagava não chegava a um por cento do seu verdadeiro poder.

Ele estava longe, apenas manipulando o corpo de Ada como uma marionete.

E mesmo com tudo o que eu tinha…

Mal conseguia respirar.

“Por quê… você está aqui?”

O que você quer de mim?

Eu queria perguntar centenas de coisas.

Mas o tremor… a respiração desigual… tudo isso me sufocou.

Mesmo assim, eu precisava saber.

Por que Agaroth, o próprio Rei Demônio, escolheu aparecer agora?

Sentado confortavelmente no corpo de Ada, ele cruzou uma perna sobre a outra, apoiando o braço no apoio da cadeira… sorrindo sem se importar com nada.

“O que você está fazendo, ****—

Não, acho que devo dizer Frey Starlight.

É isso que quero saber.”

Ele fez uma pergunta que eu não conseguia entender nem de longe.

“O que… você quer dizer?”

Lutei para não desabar, lutando para ficar de pé sob o peso opressor de sua vontade.

“Você realmente não sabe, não é?”

Agaroth suspirou.

“Uma vida normal.

Amigos normais.

Uma família normal…”

Ele gesticulou na minha direção.

“Uma pessoa normal.

Desde quando você virou tão… insuportavelmente sem graça de se olhar, Frey Starlight?”

O sorriso dele foi desaparecendo lentamente.

E eu…

Ainda não entendia.

Minha mente estava vazia.

Completamente vazia.

“Sobre o que você está falando?”

Que loucura era aquela?

Agaroth exalou novamente e se levantou.

“Frey Starlight… até agora, você foi guiada por um destino forte.

Um destino entrelaçado com inúmeras outras vidas.

Até mesmo sua luz… acabou chegando até mim.”

Ele começou a circundar a sala, falando em enigmas que só aumentavam minha confusão.

“Para ser honesta, sua luta patética pelo bem da sua família…

Por mais ridícula que fosse…

Ainda assim, foi divertida.

Ver sua escalada de uma pequena inseta até uma um pouco maior…

Foi um bom espetáculo.”

Agaroth falou mais agora do que nunca antes.

Muito mais.

E eu?

De joelhos no chão, o coração disparado como se fosse explodir…

Só queria que tudo parasse.

Ele parou na minha frente, encarando de cima.

Aquela expressão…

Me lembrava o quão pequena eu realmente era.

Tão pequena.

“Da minha posição, você não tem mais nada a oferecer… Frey Starlight.”

As palavras dele penetram fundo.

Uma peça de teatro? Uma luta? Algo “feio de se olhar”?

Ele vinha me assistindo…

O tempo todo?

O Engenheiro. Wesker. Agaroth.

Tais seres… rodando ao meu redor.

Mas por quê?

“Sou eu…”

Tudo que suportei até aqui…

Toda aquela sangue.

Todas aquelas lágrimas.

“Sou apenas uma peça?”

Algo patético…

Algo que você assiste de cima quando está entediado?

Um brinquedo inútil que gosta de ver sofrer?

Agaroth, ainda no corpo de Ada, se inclinou para mim com um sorriso que poderia congelar o inferno.

“Exatamente, Frey Starlight…

Você foi uma fonte infinita de diversão.”

Fiquei lá, sem palavras… destruída e vazia.

“Cada luta, cada passo que deu…

Estive lá, assistindo.

Coloquei grandes expectativas em você.

E o que fez com elas?”

A voz dele ficou aguda, cortante.

“Família. Amigos. Sentimentos.

Ele pegou aquela mesma faca maléfica de antes.

“Preste atenção, Frey.”

“Sua vida…

Tudo que você valoriza…

Depende do que você oferecer a seguir.

Essa pequena felicidade que você se agarra, esse mundo frágil que construiu…”

Num instante, pressionou a lâmina contra o pescoço de Ada, fazendo um corte fino que escorria sangue pela pele dela…

E sorriu.

“Não!!”

Gritei, quase sem conseguir me mover, enquanto Agaroth ria.

“Tudo o que você ama… sua família, seus amigos…

Posso acabar com tudo num piscar de olhos.

Você realmente achou que eu não poderia te atingir,

Só porque estou selado longe daqui?”

Suas palavras perfuraram mais fundo que qualquer lâmina.

A pressão ao meu redor era insuportável…

Mordi tanto o lábio que sangrei, e forcei as palavras a saírem:

“Por que eu?!

Por que vocês todos estão obcecados comigo?!!”

Tentei gritar…

Mas ele não respondeu.

Ao invés disso, perguntou:

“Quem é você?”

Mas congelei.

Qual seria a resposta?

Frey Starlight?

Simplesmente uma humana comum?

Uma autora fracassada?

O que eu era?

Agaroth notou a confusão nos meus olhos e sorriu com desdém.

“ Culpe o destino.

Culpe a si mesma.

<>Não importa.”

Ainda segurando a faca na mão de Ada, aqueles olhos vermelhos fixaram em mim.

“Só lembre…”

“Eu estou sempre aqui.

Não importa onde você vá, ou o quão longe corra…

Eu vou te encontrar.

Então, não me decepcione novamente.

Ou então…”

Bati as mãos.

Ele estalou os dedos.

“O show acaba cedo.”

Uma ameaça clara.

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