
Capítulo 253
O Ponto de Vista do Vilão
– Ponto de vista de Frey Starlight –
Levou um minuto inteiro de silêncio—eu e todos os outros—apenas para processar o que tinha acontecido, antes que a multidão explodisse em aplausos para a princesa que acabara de fazer uma demonstração de tirar o fôlego.
"De onde saiu tanta gente?"
Snow murmurou ao meu lado, ainda tentando se recompor.
Nenhum de nós tinha sofrido ferimentos fatais, exceto pela ferida profunda no peito do Daemon... mas estávamos bem machucados.
Os estudantes do templo que testemunharam a luta ficaram encantados com Sansa. Ela acabara de derrotar os estudantes considerados os mais fortes de sua geração.
A luta não tinha sido transmitida aos cidadãos do Império, era limitada a alguns poucos... mas rumores se espalhariam, inevitavelmente. E, sem perceber, Sansa acabara de marcar pontos importantes contra Aegon na corrida pelo trono.
Falando no príncipe... ele estava de pé, aplaudindo junto aos outros, com um sorriso calmo no rosto.
O que aconteceu foi claramente um golpe para ele. Porque, por mais inteligente ou astuto que um imperador possa ser, essas qualidades são inúteis sem uma força esmagadora.
Um imperador é, antes de tudo, o escudo e a espada do Império. Sua única exigência é ser forte o suficiente para derrotar qualquer um.
E Sansa havia acabado de mostrar esse tipo de força... força digna do trono.
Então por que você está sorrindo, Aegon?
Onde exatamente reside a escuridão na família imperial?
"O que eram aquelas sombras?"
"Não consegui cortá-las... e elas eramRidiculamente rápidas."
Daemon e Snow já começavam a analisar o que tinham acabado de enfrentar.
A habilidade de sombra de Sansa era vasta em alcance, mais dura que o aço, mais rápida que o olho pudesse acompanhar, e extremamente versátil.
Era, sem exageros, um poder absurdamente equilibrado, sem fraquezas visíveis.
Quase poderíamos chamá-lo de uma habilidade de sombra perfeita... se tal coisa existisse.
"A escuridão dela não é natural. Só senti algo assim uma vez na minha vida."
Snow estava se aproximando da verdade.
Ele sentiu esse tipo de poder uma vez... durante sua luta contra o homem mascarado dos Ultras. O homem que manipulava uma chama negra de outro mundo, diferente de tudo que ele tinha visto.
As sombras de Sansa carregavam essa mesma energia.
Era só uma questão de tempo até as pessoas perceberem que ela usava uma habilidade demoníaca... se elas ainda não tinham descoberto.
"E você, Frey?"
A voz de Snow me puxou dos pensamentos.
"As sombras dela definitivamente não se comparam ao Ghost."
"Obviamente," murmurou Daemon, com faíscas de relâmpagos dançando entre seus dedos.
"Os Valerion sempre herdaram luz e relâmpagos. Geração após geração."
Ele fechou a mão, lançando um olhar final para sua prima.
"Mas essa escuridão amaldiçoada... só os deuses sabem de onde ela veio."
Opiniões diferentes, mas do lado de fora? Provavelmente só parecíamos um grupo de perdedores lambendo as próprias feridas.
Não fiquei muito tempo. Aproveitei a primeira oportunidade para me afastar, distanciando-me do barulho dos aplausos e dos gritos de Danzo, enquanto Selena continuava a zombar dele.
Nem sequer tinha certeza de como acabei em um dos jardins privados do templo.
Sentei-me sozinho em um banco, olhando para a tela do sistema e para a única missão que vinha me assombrando há algum tempo:
– Eliminar a Escuridão da Linhagem Imperial –
Tempo Restante: 23 Dias
Era difícil entender exatamente o que essa missão queria de mim.
Se Sansa era a escuridão em questão... isso significava que eu deveria matá-la?
E se a escuridão fosse Aegon? Ou algo completamente diferente?
Ainda assim, duvidava que o sistema me colocaria contra alguém como Maekar... a não ser que quisesse que eu morresse.
Não. Tinha quase certeza de que o alvo desta vez... era a princesa Sansa.
Então, o que fazer?
Não tinha intenção de matá-la. E nem tinha certeza de que conseguiria.
Sempre odiei esse tipo de missão... aquelas que me jogam às cegas no desconhecido.
Mas desta vez, eu tinha as ferramentas para iluminar essa incerteza.
E essa ferramenta era uma das habilidades mais poderosas do sistema:
– Vislumbre do Futuro –
Quanto mais pensava nisso, mais assustador parecia.
Literalmente, permitia-me ver o futuro. Esse tipo de poder quebrava as regras deste mundo.
E, honestamente, não fazia ideia de por que tinha acesso a algo assim.
No Victoriad, evitei usá-lo... tinha medo demais de me ver falhando.
Mas agora? Não havia motivo para não usar. Exceto... o custo era alto. Muito alto.
Porém, tinha pontos suficientes acumulados por ter completado a missão final antes...
Então, após uma respiração profunda e pela primeira vez em muito tempo, usei minha habilidade especial novamente.
A missão de Eliminar a Escuridão da Linhagem Imperial tinha um tempo regressivo:
23 dias restantes.
Não sabia exatamente o que isso significava,
mas decidi olhar 23 dias à frente, para ver como tudo se desenrolaria.
"Mostre-me o destino daquela maldita família... por favor."
Custou-me mil pontos de conquista,
mas a habilidade ativou sem problemas.
A realidade se rasgou ao meu redor... como se alguém tivesse apagado o mundo com uma borracha...
e as cores começaram a se juntar formando a cena que eu queria ver.
Meu pulso acelerou pelo golpe violento de ser arrancado do presente.
No passado, essa habilidade só me mostrava uma imagem.
Mas agora, o que se desenrolava diante de mim era uma cena em movimento... tão vívida, tão real,
que senti como se tivesse realmente viajado para o futuro.
Era noite. Flutuava como um fantasma no céu,
observando de cima da Área Real...
um lugar que só tinha visto antes em fotografias.
Era uma região repleta de castelos majestosos e palácios altos.
Dentre eles, três castelos enormes se destacavam... que eu supunha pertencer ao Maekar e seus filhos.
Tudo estava assustadoramente silencioso.
Apenas mais uma noite de outono clara e sem acontecimentos.
Os segundos passavam. Depois os minutos.
E comecei a pensar que tinha acabado de gastar mil pontos de conquista à toa.
Mas, claro, aquilo era só o calmaria antes da tempestade.
Que coisa estranha, quão facilmente o mundo pode mudar...
como se alguém estivesse manipulando minha visão e meus sentidos.
BOOOOOOOM!
Com uma explosão ensurdecedora, um dos três castelos entrou em chamas.
Sendo queimado no meio da noite, gritos ecoaram por toda parte.
De baixo dos escombros, tentáculos negros como a noite rasgaram o céu,
enquanto fogo e sombras engoliam tudo.
Assistia aquelas trevas rasgando tudo em seu caminho,
enquanto algo rastejava através daquela maldita escuridão.
"Aha... AhahahahahaHAHAHA!!!"
E no centro de tudo,
uma criatura—um demônio—ria como um louco
enquanto massacrava todas as almas ao seu alcance, pintando a terra com sangue.
Ela deslizou pelo chão como uma praga,
trazendo destruição e morte por onde passava.
E seu único alvo era:
De dentro do Castelo Imperial, surgiu... Maekar...
segurando uma lança colossal na mão.
Seu rosto e olhos dourados estavam tão frios quanto sempre.
Sinuosos relâmpagos cortavam o céu, iluminando a noite enquanto o Imperador arremessava sua arma na criatura rastejante.
O relâmpago... um ataque à altura de uma entidade SS+ entrou em confronto com as sombras amaldiçoadas,
liberando ondas de poder destrutivo.
Fui arrancado daquela realidade distorcida e acordei, de volta ao banco do jardim—
meu corpo suado, com uma mão fria no meu ombro.
Podia sentir o suor escorrendo pela minha pele.
Minha respiração estava descontrolada.
Meu coração batia acelerado contra as costelas, como se tentasse escapar do peito.
Virei-me para ver de quem era aquela mão...
e em questão de momentos, já tinha minha resposta.
"...Sansa?"
"O que aconteceu? Você parece que viu um fantasma."
"Há quanto tempo você está aqui?"
Foi preciso de tudo que eu tinha para manter a compostura, tentando manter o olhar nela enquanto tentava silenciar o instinto primal dentro de mim que gritava para fugir.
Sansa, sempre observadora,
já me observava com atenção.
Tive que fechar minha expressão rapidamente... ou ela perceberia tudo.
"Já estou aqui há um tempo. Chamei seu nome várias vezes, mas não obtive resposta."
"Ah... Acho que me perdi nos meus pensamentos de novo."
"Não tem problema nisso."
"Na verdade, é bom te ver agindo como você mesmo novamente."
"O que quer dizer?"
Perguntei. A resposta dela não foi o que eu esperava.
"Você pareceu... vazio, desde que voltou."
Como sempre, uma percepção aguda da princesa.
"Vazio, é? ...Agora que você mencionou, faz um tempo que não conversamos assim."
Sempre que tentei procurá-la, algo impedia.
Mas quando ela veio atrás de mim? Nada a deteve.
"Sim... Não foi fácil escapar de todos aqueles estudantes mais cedo."
"Não dá pra julgá-los. Você acabou de passar por cima de mim, Snow e Daemon."
"…"
Ela não respondeu imediatamente.
Talvez estivesse pensando em alguma coisa.
Mas não dei tempo... perguntei novamente:
"Como você tem estado ultimamente?"
Sansa inclinou a cabeça e olhou para mim.
"Estou bem... nada fora do comum."
"E sua habilidade? Aquelas sombras…"
Assim que adicionei essa última pergunta e observei sua expressão... durou menos de um segundo... mas, mesmo tentando esconder com graça, notei a pequena carranca na testa dela antes de ela alisá-la.
Ela era incrivelmente hábil em controlar suas expressões faciais.
Pensei que fosse um daqueles hábitos que ela tinha aperfeiçoado ao longo do tempo, provavelmente por causa do seu status de princesa.
Por causa disso, não podia afirmar se estava imaginando coisas ou se realmente tinha visto aquilo.
Em resposta, ela simplesmente levantou a mão... permitindo que finas tiras de aura sombria girassem ao redor dos dedos dela.
"Recentemente, alcancei o ponto de manipulá-la livremente."
Sansa começou a moldar sua aura sombria em diferentes formas.
Começou simples—círculos, quadrados—enquanto continuava falando.
"Pouco a pouco, esse poder se tornou uma parte inseparável de mim."
Devagar, as formas ficaram mais elaboradas: uma espada tridimensional, uma lança feita inteiramente de sombras.
O jeito como ela controlava... tão rápido, tão preciso... parecia quase instintivo.
"Seu controle é incrível," comentei, admirando enquanto ela exibia suas habilidades.
A princesa sorriu suavemente.
"Sim. Agora tenho isso sob controle, então não precisa se preocupar."
"Certo…"
Não preciso me preocupar?
Na verdade, eu não me preocuparia.
Aquele nível de manipulação de aura mostrava o quanto ela havia dominado isso.
Mas…
Aquela visão do futuro ainda me assombrava.
Porque aquela coisa... a monstruosidade sombria que atacou Maekar...
Eu a vi.
Por um instante fugaz, reconheci a figura dentro daquela escuridão.
Aquela criatura, aquele pesadelo que surgiu do nada…
Mesmo que ela parecesse um pouco diferente...
era você, Sansa.
Aquela aberração... mais aterrorizante do que qualquer demônio que eu já tenha visto…
Era realmente você?