
Capítulo 241
O Ponto de Vista do Vilão
– Ponto de vista de Frey Starlight –
Bocarra
Vestindo o uniforme oficial da elite do Templo, segui em direção à sala de aula.
Tudo parecia um sonho... como se eu tivesse voltado um ano no tempo, à época em que pisei neste lugar pela primeira vez. Mas qualquer um percebia que o Frey que agora caminhava por esses corredores já não era mais o mesmo de antes… de jeito nenhum.
Os sussuros ao meu redor eram provas vivas disso.
"É ele… aquele que venceu a Victoriad."
"O homem que derrotou o herói."
"Não olhe nos olhos dele! É um criminoso."
"Ouvi dizer que ele saiu da Alcatraz… há poucos dias."
"Assustador…"
Graças às minhas sensações aprimoradas, ouvia cada palavra com uma clareza dolorosa.
Repetiam meu maldito nome tantas vezes que quase tive vontade de mudá-lo.
Frey, Frey, Frey, Frey… juro, se mais uma pessoa disser isso—
"Frey!"
…
"Haha, voltou! Olha só você!"
Bate!
Danzo bateu com a palma na minha costas... foi só uma palmada, mas me jogou dois metros para frente, até eu me segurar.
"Faz tempo, Danzo."
"Pois é. E aí, como foi a Alcatraz? É realmente o inferno que todo mundo fala?"
Já fazia um tempo que não o via, mas senti uma estranha sensação de vazio ao perceber como ele passava por cima fácil do fato de eu ser um criminoso que tinha acabado de sair da prisão mais notória do Império. Em vez disso, ele tratava como se eu tivesse voltado de férias.
Esse pensamento retrógrado… acho que é por isso que nunca me importei muito com ele.
Endireitando a postura, respondi.
"Além do distorção do tempo, foi bem normal."
"Sério? Ouvi dizer que lá dentro as pessoas enlouquecem."
"E você? Acha que eu pareço louco?"
"Você parecia louco antes de entrar! Haha!"
Bate!
Ele me acertou novamente enquanto caminhávamos em direção à sala de aula, falando o tempo todo.
"Isso aí, Frey."
"Como assim tudo isso é 'bom pra mim'?"
"Agora você tem ficha criminal. Isso provavelmente te faz parecer mais durão… Talvez eu deva finalmente largar o rótulo de 'bonitão'."
Outra vez…
"Agradeceria bastante isso."
"Sua cara não ajuda. Mesmo com as olheiras, você ainda parece a maldita princesa."
De algum modo, a conversa acabou entrando nela agora, o que me fez perguntar instintivamente:
"A princesa?"
Percebendo que não tinha entendido o que ele quis dizer, Danzo esclareceu.
"Ah, é que você acabou de voltar. Não é nada demais, de verdade. A princesa tem estado meio dispersa ultimamente. Está com olheiras ainda piores que as suas."
Ele fez uma pausa por um momento antes de acrescentar:
"Ver ela assim… de alguma forma, lembrou de você."
Essas últimas palavras fizeram eu me perguntar... como os outros me viam? Não tinha pensado muito nisso nos últimos dois anos. Nunca liguei para o que as pessoas pensavam de mim.
Mas pelo que Danzo falou… algo definitivamente estava acontecendo com Sansa.
"Todo mundo tem suas próprias batalhas," murmurei.
Danzo assentiu.
"Você tem razão."
A princesa…
Pensar na Sansa inevitavelmente fazia me lembrar de Aegon.
Me perguntava o que ele estaria tramando agora, especialmente porque eu cresci e me tornei algo muito maior do que ele provavelmente imaginava.
Nosso relacionamento tinha ficado ambíguo, mas uma coisa era certa... ele era meu inimigo.
E eu tinha plena intenção de resolver as coisas com ele muito em breve.
Depois de tudo… agora eu tinha a carta que me permitiria jogar o jogo dele do meu jeito.
Perdido em meus pensamentos, finalmente chegamos à sala de aula.
A maioria dos colegas da Turma B já estavam lá. A única novidade era Daeon Valerion, que aparentemente preferia participar das sessões com a nossa turma do que na Turma A.
Chegamos na hora, então não tive chance de conversar com mais ninguém além de Danzo.
Antes de seguir para seu lugar, ele se virou para mim com um sorriso.
"É melhor cuidar da sua retaguarda, Frey. Tô chegando pra pegar o primeiro lugar."
Quando olhei para seu cartão, notei que ele agora ocupava a quarta colocação na turma.
'Por que não desafiar o segundo e o terceiro primeiro… e depois vir me atrapalhar?'
Suspirei e me apoiei na mesa do fundo do salão.
Antes do professor chegar, examinei rapidamente os alunos na sala.
Ragna, Seris e a princesa.
Ela parecia exausta, com olheiras assim como as minhas.
Hawkeye percebeu algo mais... uma mudança estranha em seus cabelos dourados. Eles tinham ficado um pouco mais escuros.
Enquanto a observava, ela percebeu e encontrou meu olhar. Acenei, e ela devolveu, embora sua expressão permanecesse indiferente.
Só de vê-la novamente, lembrei do poder que ela já demonstrou...
De algum modo, ela tinha uma força geralmente reservada a demônios.
Podia facilmente parecer com a característica de Sombra Suprema, mas eu sabia que havia algo mais. Havia alguma coisa que ela escondia.
O que exatamente ela estava escondendo?
Pensei nisso, mas fui interrompido pelo ranger da porta... e pela chegada de uma face que imediatamente me surpreendeu.
Aquele cabelo violeta… ela entrou vestindo um longo casaco preto, com uma expressão severa... um contraste marcante com a imagem que tinha dela antes.
"Sophia…"
Recuei no intuição ao dizer seu nome sem perceber. Aparentemente, ela me ouviu… porque seus olhos se fixaram imediatamente em mim.
"Oh, Frey Starlight. Então, você finalmente voltou."
Balancei a cabeça em concordância com suas palavras.
"Sim…"
"Ótimo. Agora sua turma pode retomar o treino adequado."
Ela foi direta e objetiva, começando a aula sem delay.
Considerando o estado atual do Império, as lições do Templo tornaram-se quase totalmente práticas. Raramente ficávamos sentados para teoria.
Sophia nos fez treinar em duplas, intervindo apenas para dar dicas ocasionais.
Ela era especialmente eficiente com os Controladores de Ondas… sua especialidade.
Mas, quando se tratava de mim, ela apenas assentia e passava adiante. Parecia que não havia mais nada que pudesse me ensinar agora.
Para ser honesto, não esperava que ela voltasse.
Depois do incidente de infiltração, era para Sophia deixar o Templo de vez.
Na época, ela desmaiou quando Aegon apareceu e derrotou Kai Luc... ela nunca testemunhou o massacre que se seguiu.
Eventualmente, ela deveria investigar, até descobrir que o verdadeiro culpado… era o próprio príncipe.
Ela se voltaria contra ele em busca de vingança, só para acabar sendo manipulada e descartada.
Esse era seu destino trágico.
E, ainda assim, aqui estávamos… o futuro havia mudado mais uma vez, e Sophia tinha retornado como nossa instrutora.
Não pude deixar de sentir uma pontada de curiosidade. Que tipo de futuro a aguardava agora?