
Capítulo 226
O Ponto de Vista do Vilão
A sua mundo virou de cabeça para baixo enquanto seus sentidos lentamente retornavam.
"É ele, não é?"
"Tem que ser ele!"
"A gente esperou tanto tempo!"
Quando o pai recuperou a consciência,
ele não estava sozinho.
Um menino estranho pairava animadamente ao seu redor..
"É realmente ele!"
O menino parecia ter cerca de dez anos,
afogado dentro de uma camisa larga demais para ele,
com um capuz puxado para baixo sobre seus cabelos loiro-dourados,
olhos azul-brilhantes reluzindo com vida.
Ele gritou alegremente ao ver Abraão:
"É ele! Certo, irmã?"
Ele se virou entusiasmado em direção a outra figura.
Foi quando o pai percebeu ela..
uma mulher de pele escura e cabelo negro como a noite,
com uma constituição musculosa, a própria definição de uma guerreira.
Com uma expressão séria, ela murmurou:
"Será que é mesmo ele quem esperávamos há tanto tempo?"
"Com certeza que sim!"
"Calma, você está assustando ele!"
Mais figuras apareceram...
Um homem de cabelo preto comprido e olhos escuros,
carregando uma lança gigante presa às costas.
Um velho mancando com uma bengala, mal conseguindo se manter de pé.
Todos cercaram o pai,
olhando fixamente para ele.
Seus olhos carregavam tudo..
desejo, respeito, obsessão, admiração e reverência.
O pai ficou confuso.
E, na verdade... eu também.
Por mais que eu tentasse puxar na minha memória..
não consegui reconhecer nem um deles.
Nesse momento, ouvi a voz do pai mais uma vez.
"Naquele dia, quando me cercaram... não fiquei assustado por eles."
"Mas fiquei aterrorizado pelo fato de não conseguir sentir nada de nenhum deles."
Depois de atingir o nível SS, o pai desenvolveu um instinto aguçado..
uma habilidade de avaliar instantaneamente a força dos outros, até mesmo daqueles mais fortes que ele, como a Amygdala.
Mas agora?
Nada.
Ele não conseguia detectar esses pessoas de jeito nenhum.
"Quem são vocês? E como eu vim parar aqui?"
No momento em que falou, todos recuaram, dando espaço.
"Viu? Você assustou ele!"
"Não foi minha culpa! Ele provavelmente entrou em pânico por causa da sua pele negra, irmã!"
"O que foi que você acabou de dizer?!"
O pai tremeu ao ver a mulher desferir um soco devastador no rapaz,
liberando uma onda de choque tão poderosa que quebrou tudo ao seu redor.
E ainda assim..
O menino permaneceu ali, completamente ileso.
"Já deu, Evankhell. Você que está assustando ele."
"Até você!"
Aquelas pessoas estranhas começaram a discutir entre si.
Elas pareciam nada mais do que um bando de lunáticos.. loucos vagando pela Seita da Sombra, cercados pelas Terras do Pesadelo.
Eu e o pai…
sentíamos o mesmo vazio enquanto os observávamos.
E, à medida que a briga deles aumentava, uma voz veio de trás..
uma voz que fez todos ficarem em silêncio,
uma voz que me congelou no lugar e escureceu meu rosto.
Todos se viraram de repente.. quando ele apareceu.
O homem envolto em sombras,
com olhos azuis vidrados que brilhavam ominosamente,
igualzinho de antes.
A única diferença que percebi foi…
que agora ele tinha dois braços, não mais um.
Aquele idiota…
"Afastem-se dele,"
ordenou o Engenheiro, sua voz fria e definitiva.
"Ele não é o que vocês estão esperando."
A atmosfera virou do avesso instantaneamente.
Aqueles que pareciam um bando de tolos desbragados momentos atrás..
sua presença toda mudou num piscar de olhos, tornando-se algo… monstruoso.
Eles não liberaram nenhuma aura visível,
mas o vazio ao redor parecia tremer enquanto eles encaravam o Engenheiro com uma raiva fervente.
"O que diabos vocês estão dizendo?! Ele não é o que estamos esperando?!"
Evankhell apertou o punho, avançando, apontando furiosamente para o Engenheiro.
"Não foi você que disse que a hora tinha chegado?! A pessoa que esperávamos há anos! Se não é ele, por que nos reunir aqui?! Malditos!"
A raiva deles transbordou.
"Eu te avisei para não confiar nele! Nem é humano..."
Apesar da tensão crescente, o Engenheiro permaneceu calmo, como se nada pudesse tocá-lo.
De um tom simples, frio e distante, ele falou novamente:
"Este homem é a chave para sua chegada."
Ele apontou para Abraão Estelária, continuando friamente:
"Ele é... necessário."
Consegui enxergar a confusão estampada no rosto de todos eles.
Enquanto isso, o pai instintivamente recuou, distanciando-se deles.
Ele não tentou correr..
em algum lugar fundo, ele já entendia que escapar era impossível contra eles.
"Quem são vocês, seus idiotas?!"
ele exigiu.
"Do que vocês estavam falando antes? 'A chave?' 'A pessoa que vocês estão esperando?' Que besteira é essa?!"
Todos olharam para Abraão.
E quem respondeu..
foi nada menos que o próprio Engenheiro.
"Você não precisa saber disso agora."
disse.
"Abraão Estelária, você quer encontrá-los, não é? Sua família. Por isso veio completando todas as missões até agora."
A expressão do pai embmanifestou-se enquanto a compreensão começava a surgir.
"Você... é o responsável por todo esse sistema, não é?"
Em resposta, o Engenheiro apenas abriu uma tela no ar.
Escrito em letras bem visíveis estavam as palavras que o pai ansiava por ver desde que entrou nas Terras do Pesadelo:
> Missão Final: Alcançar o Fim das Terras do Pesadelo Oriental (Concluída)
Ele tinha cumprido a missão.
E agora era hora de reivindicar sua recompensa.
"Você cumpriu sua missão perfeitamente,"
disse o Engenheiro.
"Agora, pegue seu prêmio."
Além de uma enorme quantidade de pontos de experiência,
o Engenheiro fez um gesto em direção à mulher.
"Evankhell, entregue a ele."
Evankhell hesitou por um momento antes de suspirar pesadamente.
Com uma explosão de aura entre as mãos, algo se materializou.
Uma katana negra e amaldiçoada..
uma espada que irradiava um poder avassalador e sombrio.
"Pegue."
Relutante, Evankhell lançou a espada em direção a Abraão Estelária, que a pegou instintivamente no ar.
No momento em que tocou a bainha,
abraão sentiu...
o poder esmagador contido naquela lâmina.
Até eu olhei para ela com admiração, reconhecendo suas características imediatamente.
Era uma das Sete Espadas Lendárias…
A Irmã Sombria.
"Você não faz ideia do quanto sofri para recuperar essa espada daquele idiota do Avalon,"
reclamou Evankhell.
"E agora você quer que eu entregue para algum desconhecido?"
Ela encarou, enquanto o menino ao seu lado rindo dela.
"De qualquer forma, você nunca precisou dela mesmo. Você é arqueira, não espadachim."
O pai ignorou a discussão por um momento,
concentrando-se na espada em suas mãos..
e então encarou diretamente o Engenheiro.
"Você... o que exatamente é você? Qual a sua ligação comigo? O que você quer de mim?"
Tudo era um mistério para Abraão.
Mas, surpreendentemente, o Engenheiro respondeu de forma simples.
"Sou apenas uma vontade antiga... uma que persiste há tempo demais, esperando que um evento específico aconteça."
"E o que eu quero de você..."
disse ele com frieza,
"é que você cumpra sua missão... preparando o vaso perfeito para a sua chegada. Nada mais."
"Vaso? Para quê?"
"..."
O Engenheiro não respondeu.
Enquanto isso, os outros.. aquelas criaturas estranhas que compartilhavam da mesma essência que ele, seres como ele.. esses observavam-no em completo silêncio.
O pai queria a verdade.
A verdade por trás de tudo que estava acontecendo, e qual era sua relação com ele e a história que seu filho um dia lhe contou.
Segurando firmemente a Irmã Sombria, a aura de oito estrelas do pai acendeu..
toda a força da técnica Stardust surgindo dentro dele.
Preparado para atacar.
"Você vai me dizer a verdade..."
ele rosnou,
"mesmo que eu tenha que destruír essa sua cara estranha em pedaços."
O pai já tinha tido o suficiente.
Chega de enigmas,
chega de confusão que só aumentava ao seu redor.
Então decidiu... se a verdade não vinha até ele, que ele a arrancasse à força.
Usando o poder aterrorizante da Irmã Sombria,
sua aura explodiu violentamente enquanto ele avançava contra o Engenheiro,
liberando uma quantidade monstruosa de energia que sacudiu todo o espaço ao redor.
Os outros presentes não puderam esconder a surpresa com o nível dele.
"Aquele homem..."
"Sem caminhos de aura..."
O que Abraão tinha conseguido..
dominar a lendária espada tão perfeitamente na primeira tentativa... era impressionante até para eles.
Com um golpe devastador, Abraão mirou direto no Engenheiro, querendo matar.
Mas justo antes de sua lâmina chegar..
ela parou, como se o próprio tempo tivesse congelado.
"Você ainda não é digno de lutar nesse nível."
A mão do Engenheiro se acendeu com chamas azuis frias enquanto ele se moveu.
Rápido demais..
Abraão nem conseguiu ver ele vindo.
Com um toque só no peito dele,
Abraão sentiu uma explosão de energia escaldante atravessá-lo, e sua consciência começou a escurecer.
"Você quer encontrá-lo, não é? Seu filho."
A voz do Engenheiro ressoou fraca em sua mente, antes que a escuridão o reivindicasse.
"Então continue o que começou, Abraão Estelária… até o dia marcado chegar."
O pai desabou inconsciente aos pés do Engenheiro.
O Engenheiro, sem se incomodar, voltou sua atenção aos outros ao redor.
"Convidei todos vocês aqui hoje para discutir a próxima fase... para completar os preparativos."
Todos escutaram com atenção, ainda abalados pelo que acabaram de presenciar.
"O dia que aguardamos está próximo,"
disse o Engenheiro,
"e não pode haver erros. Não permitirei mais fracassos como o de Cheon ma."
Ninguém teve coragem de falar.
Especialmente depois de ouvirem o nome... Cheon ma.
O Engenheiro.. geralmente tão mecânico, tão vazio de emoções..
por uma vez, deixou escapar uma pontinha de sentimento.
Saudade.
Expectativa.
Uma fome por um momento que não poderia mais atrasar.
Aquele dia..
as preparações foram concluídas.
Para o que viria a seguir.