
Capítulo 225
O Ponto de Vista do Vilão
Ele revelou a verdade que eu tinha passado dois longos anos tentando descobrir.
Porém, diferente de mim, Pai não entregou à esperança.
Pelo contrário, ele ficou ainda mais decidido..
mais convicto de que, eventualmente, nos encontraria.
No fundo, acreditava que não era o único que recebeu uma segunda chance na vida.
Ele acreditava que o destino distribuiu as oportunidades de forma igualitária entre todos os nossos familiares.
E assim… ele seguiu em frente.
Então, no momento em que aceitou completamente a realidade do mundo em que vivia...
"Uma missão chegou do sistema."
Uma missão final.
Que o comandava a entrar nas Terras do Pesadelo Oriental…
e chegar ao seu fim.
"Soube imediatamente… que essa tarefa era de um nível totalmente diferente de qualquer coisa que já enfrentara."
Na época, as Terras do Pesadelo eram governadas por quatro Senhores do Pesadelo…
não três, como na minha era.
Cada um era uma entidade monstruosa cuja força excedia o nível SS+.
Sem falar nas milhares de criaturas do pesadelo que percorriam aquelas terras.
Mas nada disso impediu Pai.
Ele levou apenas uma espada,
encheu um anel dimensional com provisões suficientes para sobreviver por um tempo,
e partiu em sua jornada.
Ao contrário de mim… que fui jogado diretamente nas Terras do Pesadelo…
Pai entrou pelo leste, pelas Montanhas Oclas,
e avançou em busca da verdade.
…
…
…
A missão pedia apenas que ele atingisse o fim das Terras do Pesadelo Oriental…
mas não dava mais instruções.
Seria apenas para atravessar o continente?
Ou havia algo específico que ele precisava realizar?
Pai não tinha como saber.
Então, fez a única escolha lógica:
exploraria completamente as Terras do Pesadelo até encontrar a resposta.
Passaram-se dias.
Depois semanas.
"Perambulei por um longo tempo pelas Terras do Pesadelo.
Durante esse período, matei inúmeras criaturas do pesadelo…
e quase morri dezenas de vezes."
Ele enfrentou toda criatura monstruosa imaginável…
de bestas com membros afiados como navalhas, a aberrações humanas e horrores que atacavam a própria mente.
Uma batalha em especial chamou minha atenção mais do que as outras.
Um dia, um nevoeiro espesso engoliu Pai,
fazendo-o ter alucinações violentas.
Da minha perspectiva, vi claramente a entidade que o assombrava:
Uma figura gigantesca, vestida com mantos negros…
o cérebro exposto no alto da cabeça…
orbes vazios, sem olhos… e uma boca cheia de dentes irregulares.
Ela circundava Pai como um predador pronto para atacar.
Eu estremeci ao perceber…
que já tinha enfrentado aquilo também.
Será que realmente sobrevivi a algo assim?
Pai estava a segundos de cair na ilusão, mas seu raciocínio rápido o salvou.
Assisti, atônito, enquanto ele perfurava a própria lateral com sua própria espada…
utilizando a dor intensa como âncora mental para resistir à alucinação.
Foi uma jogada brilhante, especialmente por não ter descoberto a estratégia mais fácil: simplesmente fechar os olhos.
Depois de se libertar da ilusão,
Pai liberou seu verdadeiro poder…
oito estrelas flamejantes girando violentamente ao redor do seu coração.
Uma força semelhante à do Segundo Lorde da família Luz Estelar na época.
E com um golpe único e devastador de sua espada, ele lançou uma onda de luz cegante… que obliterou o Caçador de Névoa instantaneamente.
Ao ver a destruição deixada para trás enquanto recuava, ofegante…
Percebi mais uma vez o quão assustadoramente forte meu pai era de verdade.
A jornada seguiu.
Eu era apenas mais um observador a testemunhar,
pairando rapidamente de cena em cena,
quase sem perceber o passar do tempo…
até notar a barba espessa e áspera crescendo no rosto de Pai.
Seu voz logo confirmou:
"Seis meses dentro das Terras do Pesadelo…
Seis meses de sangue, sujeira e luta contra o desconhecido… e ainda assim a missão continua, igual ao primeiro dia."
Em meio ano, graças ao fato de ter atingido o nível SS e desenvolvido habilidades muito além de qualquer um de sua idade,
Pai já tinha explorado a maior parte das Terras do Pesadelo Oriental,
enfrentando quase todos os tipos de criaturas que por ali vagavam.
Todos eles…
Exceto por um.
"Fiquei evitando… esperando não ter que confrontá-lo."
Observei de longe…
quando uma das piores criaturas do pesadelo que já tinha visto se revelou diante de mim.
Um monstro que eu sequer tinha escrito...
Um ser que até eu não conhecia.
Os Senhores do Pesadelo que criei eram apenas três.
Era isso que escrevi.
Era isso que acreditava.
Mas a coisa que agora estava diante de mim não era nenhuma delas.
Seu rugido era algo que eu nunca tinha ouvido…
um grito de tristeza, raiva e ódio.
Só o som já secou minha garganta.
Era um animal gigante, com corpo coberto de pelagem espessa e preta, com dois chifres coronando a cabeça de forma torcida.
O rosto… ou o que deveria ser seu rosto…
não passava de uma cavidade vazia, onde deveria estar a mente.
A criatura segurou a cabeça e gritou novamente…
um clamor desesperado, agonizante, que parecia tremer até o próprio céu.
Era quase como se implorasse a todos que ouvissem:
"Devolvam meu cérebro… devolvam o que me roubaram!"
Essa foi a mensagem que, por instinto, entendi.
E foi a mesma percepção que atingiu Pai.
Essa criatura era…
"Amygdala… um dos Senhores do Pesadelo."
Pai sussurrou seu nome em voz baixa, pesada, enquanto puxava a espada lascada e marcada, que o acompanhou em inúmeras batalhas.
"Para ser sincero… me perguntava se conseguiria até mesmo matá-la."
Pai saltou alto no ar, oito estrelas acendendo-se ferozmente ao redor do coração dele.
A luz das estrelas brilhou intensamente,
penetrando a escuridão eterna das Terras do Pesadelo.
"Não sabia se poderia matá-la… mas tinha certeza de que não tinha escolha."
Para se aproximar ainda mais do seu objetivo… precisava lutar.
Mesmo que isso custasse a sua vida.
A luta entre Abraham Luz Estelar e Amygdala foi um desastre completo.
A besta negra soltou um rugido que tremeu o mundo, vomitando ondas de fogo negro que devoraram até o céu.
Uma onda de trevas… cortada ao meio pela lâmina de Pai.
Com um grito monstruoso, Pai lançou-se direto ao coração do inferno,
colidindo contra a imensa escuridão de Amygdala.
Esse monstro…
Esse pesadelo…
ardeu montanhas, rios e florestas com chamas que nunca se apagariam.
E ainda assim…
a luz das estrelas brilhou de maneira desafiadora na vastidão do escuro sem fim.
A lâmina de Pai rasgou a carne imunda de Amygdala, mas o poder de regeneração da criatura era assustador.
Por mais profundas que fossem as feridas,
ela continuava lutando… movida não por raciocínio,
e sim por puro instinto irracional.
Continuava vomitando fogo negro de cada parte do corpo.
Assisti enquanto Pai se envolvia na aura das estrelas, lutando desesperadamente por sobrevivência.
Um ponto branco contra um fundo infinito de preto.
Eles se enfrentaram repetidamente, por uma eternidade que pareceu não ter fim.
Se passaram três dias.
Suas batalhas sacudiram as próprias fundações do mundo.
A Amygdala não era um monstro de nível SS+ à toa.
Não conseguia entender como Pai conseguiu sobreviver àquele inferno.
Nem como ninguém mais percebeu… dada a dimensão das distorções na aura que eles causavam.
A batalha não estava a favor de Pai.
A Amygdala era uma força da natureza.
Um cataclisma ambulante.
Essas chamas negras não surgiam apenas de sua boca… elas jorravam de todo o corpo, ameaçando reduzir tudo a cinzas.
E, no meio de tudo isso…
a luz de Pai continuava a brilhar.
Se não fosse pelo fato de ele ter destruído seus caminhos de aura e permitido ao corpo manipular aura livremente, ele teria sido vaporizado há muito tempo.
A luta chegou a um impasse.
A Amygdala, coberta de milhares de feridas, recusava-se a cair.
Do outro lado, após três dias de combate brutal, Pai atingira seu limite absoluto.
E então…
reunindo toda a força restante…
ele pulou bem alto no céu, liberando um ataque final, suicida.
Reuniu toda a aura de Estrela de Poeira possível ao redor de sua lâmina aos pedaços, e atacou!
Ao mesmo tempo, Amygdala lançou uma onda de fogo negro para enfrentá-lo.
Quando branco e preto colidiram…
o mundo escureceu.
A espada de Pai se quebrou… mas atravessou Amygdala.
Da outra parte, ele também caiu nas chamas, perdendo a consciência.
A batalha terminou de forma a me deixar pensando…
quem realmente tinha vencido?
Um suor frio me escorreu pelas costas ao testemunhar aquele inferno de batalha.
Seria isso… o que realmente significa enfrentar um pesadelo de nível SS+?
"Amygdala foi muito mais forte do que eu imaginei,"
disse Pai,
"Tive que esgotar cada gota de minha força só para sobreviver… Foi uma luta apertada. A morte quase me tocou."
Tudo escureceu quando Pai desmaiou.
Esperei pacientemente, ansioso por ele acordar para finalmente ver o resultado.
"Depois daquela batalha, nem sei mais o que aconteceu,"
sua voz ecoou novamente,
"Minha mente ficou um caos completo por causa do cansaço e das feridas que sofri durante a luta."
Ele foi passando por momentos de inconsciência,
quase sem conseguir abrir os olhos antes de ser puxado de volta à escuridão.
Normalmente, ele já deveria ter morrido.
Mesmo se tivesse conseguido matar Amygdala, as criaturas do pesadelo certamente teriam consumido seu corpo até os ossos.
Mas isso não aconteceu.
Assisti em choque enquanto o corpo machucado de Pai era arrastado para longe.
Entre as ruínas de morte e destruição…
onde o cadáver de Amygdala agora jazia imóvel após o ataque final de Pai…
eles chegaram.
"Quando abri os olhos novamente… o que me recepcionou foi algo mais estranho que qualquer sonho."
Lá, deitado sobre o chão frio e duro daquela seita antiga…
Arrastado até aquela montanha negra—
a mesma montanha onde uma vez sangrei e quase morri.
O lugar que ainda é um mistério para mim até hoje.
Abraham Luz Estelar acordou…
Dentro da Seita das Sombras.