O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 220

O Ponto de Vista do Vilão

-Ponto de vista de Frey Starlight-

“Maldito seja você.

Maldito seja você.

Maldito!!”

Eu amaldiçoo, repetidamente, sem parar.

Balerion, seu bastardo traiçoeiro!

A serpente amaldiçoada se enroscava ainda mais ao redor de mim do que as correntes jamais poderiam,

asfixiando-me, sufocando até mesmo o menor vestígio de aura que eu pudesse ter liberado.

Silenciado, acorrentado na escuridão, eu continuei amaldiçoando sem parar.

“Me solta!”

Deixe-me explodir tudo!

Deixe-me morrer...

É só isso que peço.

Não exijo muito.

Apenas a morte.

Deixe-me morrer, pelo amor de Deus!

Não tinha mais motivo para continuar vivendo.

Nem agora.

Como poderia eu continuar respirando em um mundo que massacrou minha família, destruiu minha vida e ainda me torturava mesmo após minha reencarnação?

Era para ser só uma história.

Um maldito romance que escrevi no auge de uma inspiração descontrolada.

Um maldito romance!

Então como...

Como diabos isso chegou a esse ponto?!

Uma vazio insuportável me corroía, asfixiando-me ainda pior do que as correntes.

Meu corpo estava destruído após a última utilização de “Ignição”.

Se não fosse aquele filho da mãe do Balerion, eu teria explodido tudo em pedaços...

Até minha própria arma me traiu.

O que me sobrou agora?

Questionava seriamente, minha mente completamente vazia.

Quem sabe o Império decidisse me executar.

De qualquer forma, eu havia matado trinta e oito NPCs inúteis.

Gostaria apenas de ter me levado junto com eles.

Eu expose tudo.

Talvez...

talvez eles realmente fossem me matar.

E mesmo antes disso, embora Balerion tivesse me salvado, meu corpo já tinha sido danificado além do reparo.

Não estava mais cicatrizando.

Talvez...

talvez eu simplesmente morresse sem mais fazer nada.

Sim!

Morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte!!!

Quero morrer.

Deixe isso acontecer logo.

Morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte, morte!!!

Eu murmurava como um louco,

esperando pela salvação.

---

---

O Templo.

Mais precisamente, lá embaixo, no subterrâneo, dentro da prisão temporária onde a destruída Frey Starlight era mantida.

O número de guardas era imenso.

Eles estavam em alerta máximo,

todos eles guerreiros poderosos.

Centenas deles,

lotados com uma única finalidade:

Vigiar um garoto.

-Passo-

Seus passos silenciaram suavemente sobre a pedra enquanto descia,

passo após passo, devagar e deliberadamente.

Ele passou pelos guardas como se nem estivesse lá.

Todos ao redor dele... cada guarda que cruzava... congelaram no lugar, como se suas próprias vidas tivessem sido temporariamente roubadas, só para permitir que ele passasse em silêncio absoluto.

Em poucos segundos, chegou à cela fortificada.

Como se tivesse parado o próprio tempo,

ele chegou lá como se fosse uma caminhada casual pelo parque,

não uma das instalações mais seguras do Império.

Seu corpo passou pela porta de ferro maciça,

como se atravessasse ela de verdade,

e apareceu dentro da cela.

Naque lugar escuro e desolado, existiam apenas duas figuras.

Frey Starlight, que passava seus dias em um estado de névoa..

às vezes amaldiçoando e cuspindo raiva no mundo, às vezes caindo em silêncio vazio.

Ele estava ali, sentado, agora,

olhando fixamente para o chão.

A figura se aproximou dele.

Envolta em preto, com um braço faltando.

Naquele momento, Frey Starlight levantou a cabeça.

E o que entrou em sua visão...

era a verdadeira forma daquele ser.

Uma figura estranha,

vestida de preto do cabeça aos pés.

Somente os olhos azuis penetrantes eram visíveis…

olhos que pareciam orbes de vidro brilhando.

Os olhos de Frey se arregalaram lentamente.

Ele não precisava de evidências.

Ele não precisava de explicações.

Aqueles olhos azuis diziam tudo.

Era ele.

A vida que fora drenada do corpo de Frey se reacendeu repentinamente.

“UMMMMMM!!”

O capuz na boca impedia que ele falasse,

então tudo o que pôde fazer foi lançar seu corpo quebrado para frente, em fúria.

O rangido das correntes ecoou violentamente

enquanto elas se apertavam,

recusando-se a deixar Frey dar sequer um passo adiante.

“...”

Ele lutou ferozmente,

com sangue escorrendo pelos braços por causa da força de seus espasmos,

desesperado para se libertar e atacar o homem à sua frente.

Era ele.

Aquele responsável.

Aquele que o lançou neste inferno.

De pé bem ali na sua frente...

e, no entanto, Frey não conseguiu fazer nada.

Ninguém poderia compreender a dor que Frey Starlight sentia naquele momento.

O Engenheiro parecia nem ao menos se comover com a desesperança de Frey.

Com sua mão restante,

a figura encapuzada se aproximou.

Num piscar de olhos...

*sua mão perfurou o peito de Frey.*

Uma violência vazia o atingiu ao seu peito ser aberto.

Seus olhos pretos e azuis se fixaram.

Frey sentiu uma dor lancinante rasgando-o ao meio,

enquanto linhas de energia azul pulsavam de sua mão do Engenheiro,

se espalhando por todo o seu corpo.

Ele gritou e amaldiçoou pelo capuz,

mas nenhum som chegou até ele.

O Engenheiro cumpriu sua tarefa,

sem hesitar.

Mas mesmo enquanto trabalhava,

sua expressão nunca saiu do rosto de Frey, que estava destruído.

Frey podia sentir.

A impotência absoluta.

Lágrimas escorriam de seus olhos vazios e mortos.

Ele tentou abrir a boca para dizer algo,

suas palavras tão destruídas que não podiam ser entendidas.

Mas o Engenheiro as entendeu de qualquer maneira.

Ele escutou claramente.

A única coisa que Frey queria perguntar:

“Por que eu?”

Por que ele havia sido escolhido?

Por que tinha que sofrer esse pesadelo feito só para ele?

O Engenheiro terminou seu trabalho,

retirando a mão do peito de Frey.

A ferida aberta cicatrizou instantaneamente,

e o corpo de Frey lentamente recuperou alguma vitalidade.

Mas ele já tinha perdido a consciência.

O corpo foi restaurado.

Mas a alma dentro dele carregava feridas que nunca cicatrariam.

O Engenheiro pensou por um momento na pergunta de Frey.

“Por que eu?”

Ele abriu a boca e falou,

sua voz distante e fria.

“Por que eu escolhi você?”

Uma pergunta tão idiota.

“Não fui eu quem escolheu você.

Desde o começo... nunca houve ninguém mais.”

Você era o único.

Você nem compreende as verdades mais simples sobre si mesmo.

Não faz ideia...

há quanto tempo eu esperei…

e esperei…

“Seu sofrimento?”

Eu vi tudo.

Estive lá.

Quando você vagou sozinho pelas Terras do Pesadelo Oriental,

lutando só para sobreviver.

Quem você acha que esteve nas sombras,

afastando os monstros que te perseguiam?

Quem acha que te guiou até a Seita das Sombras,

onde cumpriu seu primeiro destino?

Eu estive lá.

Quando os assassinos vieram por sua cabeça...

seja servindo ao Príncipe ou a outros...

quem desviou suas lâminas, invisível?

Eu estive lá.

Quando a Invasão chegou ao templo,

quem enlaçou os fios,

exibindo aos inimigos um futuro falso,

só para que você pudesse sobreviver?

Eu estive lá.

Quando as Luzes da Lua tentaram sua morte,

quem revelou o futuro para Ada Starlight?

Quem lhe deu a arma para salvá-lo?

Eu estive lá.

Quando você tentou se matar,

quem fez Balerion te impedir?

Eu estou aqui.

Estive lá.

E sempre estarei aqui.

Até você entender.

Até você descobrir a verdade.

Frey Starlight...

Até você aprender quem realmente é...

eu permanecerei.

Comentários