
Capítulo 198
O Ponto de Vista do Vilão
– Ponto de vista de Frey Starlight –
Hoje…
O primeiro dia do torneio.
"Fôôh... fôôh..."
O suor escorria pelo meu rosto enquanto continuava fazendo flexões sem parar.
"500... 501... 502..."
Eu me movia sem parar, decidido a afastar a sensação de lentidão que insistia em agarrar meus músculos.
Precisava estar no auge da forma se quisesse ao menos ter uma chance de vencer—especialmente quando meus oponentes eram os melhores entre os melhores.
Na noite passada, voltei ao Templo em segredo.
Fiquei acordado a noite toda, trabalhando com Carmen para restaurar meu corpo.
Não precisava mais dormir. Já tinha dormido quase uma semana.
E hoje…
Enfrentaria Seris Moonlight.
Não a via há tempos—e, ironicamente, no momento em que a encontrasse, teria que sacar minha espada contra ela.
Continuei me movimentando.
Hoje, aquela parte do Templo finalmente seria aberta.
A Arena Mundial—o local que sediaria as finais da Victoriad.
Ela se assemelhava a um coliseu, mas em escala muito maior. Um espaço gigante que dava total liberdade aos guerreiros para lutar.
Podia acomodar mais de 300 mil espectadores, e as próximas lutas seriam transmitidas para todos os cantos do mundo.
Não estava acostumado a esses combates grandiosos e teatrais—mas isso não mudava o que eu precisava fazer.
As partidas começariam em breve—exatamente daqui a uma hora.
A minha era a última, o que só tornava a espera mais torturante. Então, afoguei a tensão numa enxurrada infinita de flexões.
"Hooof..."
Exaltei profundamente.
"Acalme-se…"
Precisava de clareza.
Revisei tudo o que tinha.
Todas as minhas técnicas… cada carta na manga que ainda guardava.
Não sabia se seriam suficientes.
Até minha arma mais forte—a Chama Vigorosa—agora era um recurso de último caso.
Usá-la com uma arma que não fosse Balerion enfraqueceria bastante—aliás, a própria arma se despedaçaria sob a tensão de canalizar a aura do meu corpo.
Ou seja, se meu adversário conseguisse sobreviver a ela… terei acabado para mim.
Pelo menos, não podia usá-la até a fase final.
Falando em Chama Vigorosa… lembrei da quantidade imensa de aura que Balerion absorvera na última vez.
Fechei os olhos e concentrei—
Algumas instantes depois, me vi flutuando acima de um mar infinito de aura dentro de mim.
Lá, observei uma cratera gigante no centro daquele oceano violeta—que lentamente se preenchia com o tempo.
Mesmo extraindo toda aquela energia… o total de aura dentro de mim praticamente não tinha mudado.
Ou seja, ainda não conseguia controlar essa força de forma adequada.
Este corpo meu é um mistério em si mesmo.
Até a Adaptação às Sombras tinha se recusado a responder até o último momento.
Tudo aquilo… perguntas sem resposta.
Até o conselho do sistema—palavras que repeti várias vezes—já não significavam quase nada agora.
"Olhe no espelho… e entenda sua reflexão."
O que diabos isso queria dizer?
Queria ter sabido antes que fosse tarde demais.
…
…
…
18h.
Os tambores retumbaram.
A terra tremeu sob o barulho ensurdecedor de mais de 300 mil espectadores.
No centro da Arena Mundial, o estádio colossal já estava preparado para o combate.
O recinto era cercado por quatro arquibancadas altíssimas que se estendiam até o céu, exibindo a arquitetura mais avançada da geração.
Acima das arquibancadas gigantescas, quatro telas enormes pairavam no ar, exibindo uma rotação de imagens e dados. Elas transmitiriam todas as lutas que se aproximavam, para que nenhum momento fosse perdido.
Agora, duas imagens apareceram nesses monitores.
Um jovem de cabelo preto e olhos rubis…
O outro, porém, tinha se tornado o centro das atenções—o símbolo não oficial do Império.
Snow Lionheart contra Dawn Polaris.
Primeira quarterfinal.
A atmosfera estava carregada.
Este não era um evento comum—era algo monumental.
Em todas as áreas do estádio, havia cabines VIP reservadas às figuras mais influentes do império: os poderosos de alto nível, mestres de guilda e líderes das casas nobres.
Os magos trabalharam incessantemente para preparar tudo. Uma barreira de proteção de nível S—classificada como confidencial—foi instalada para impedir que ataques vazassem para fora do palco.
Tudo foi organizado para proporcionar a maior imersão possível aos espectadores.
Porém, a maior atenção estava fixada em uma seção VIP específica—uma reservada aos titãs do império, aos líderes das grandes casas… e ao assento mais importante:
O trono do Imperador, que assistiria ao evento pessoalmente.
Os dirigentes das famílias já haviam chegado.
Frost Moonlight, representante da família Moonlight fragmentada.
Um jovem que assumiu o título simplesmente porque não havia mais ninguém sobrando. Conseguiu recentemente a classificação S, e dizem que treinava dia e noite sem parar.
Ao seu lado, sua mãe, Eleanor Moonlight, uma poderosa de classificação SS.
A família Moonlight estava bem diferente do passado.
Do outro lado, a Casa Starlight, liderada por Ada Starlight, com Carmen Starlight ao seu lado.
Essa família ressurgiu das cinzas, agora unificada sob a liderança daquela jovem perspicaz. Graças a ela, já tinham alcançado a segunda colocação entre as casas nobres.
Já a casa mais forte atualmente era do velho de barba flamejante.
Iris Sunlight ria alto ao ver as novas caras ocupando os assentos.
"Ah... Parece que sou um estranho no meu próprio tempo. Será que a era de velhos como eu finalmente acabou?"
Na última Victoriad, ele estivera ao lado de Baylor e Leonides Starlight. Agora, se via cercado por jovens nem na faixa dos trinta anos.
"Talvez seja hora de eu passar o bastão também. Não acha, Phoenix?"
Atrás de Iris, estava Phoenix Sunlight.
Ele entendia as entrelinhas das palavras de Iris e respondeu com a mesma resposta de sempre.
"Enquanto eu não conseguir te derrotar, ainda está qualificado para liderar, velhote. Aproveite enquanto pode."
"Tsc… Jovens de hoje, sem respeito…"
Iris balançou a cabeça, olhando para a Arena.
"Mas, sério… quem diria que o Herói realmente apareceria? Aquela galera da igreja agora tem uma arma poderosa nas mãos."
Com o Herói surgindo de dentro do próprio grupo, dá pra dizer que a Igreja reforçou ainda mais seu controle sobre o povo.
E, se aquele Herói chegasse ao nível do lendário Kazis Valerion, quem poderia ficar no caminho?
Mesmo que suas preocupações fossem só especulações, o Império claramente caminhava cada vez mais para a influência da Igreja.
"O que você vai fazer, Maekar?"
Se as coisas continuarem assim, o imperador pode virar apenas uma marionete—controlada pelos astutos sacerdotes da Igreja.
O fato de as cadeiras da Igreja estarem separadas, do outro lado do estádio, é o sinal mais claro desse aumento da divisão.
As arquibancadas estavam lotadas—300 mil pessoas assistindo ao grande espetáculo.
E, poucos minutos depois, o Imperador Maekar chegou, vestindo suas roupas régias tradicionais, acompanhado por Oliver Khan com máscara.
Assim que entraram, a explosão de aplausos tomou conta do lugar.
Afinal, com que frequência as pessoas têm a chance de ver o Imperador tão de perto?
Maekar levantou a mão em sinal de saudação aos presentes, sorrindo com confiança.
Seu semblante parecia nobre e calmo—mas quem o conhecia bem sabia que aquilo não era alegria de verdade.
Aquele olhar… ninguém poderia dizer o que o homem mais forte do Império estava pensando, enquanto assistia do alto.
Enquanto isso, a primeira luta estava prestes a começar.
O diretor Ivar avançou para dar o discurso de abertura.
Enquanto o mundo aguardava para presenciar a estreia do segundo Herói do Império…
…
…
…
Quanto a mim—caminhava pelos corredores internos do estádio.
Depois de apresentar minha identificação aos guardas, fui conduzido até uma sala privada.
Ela tinha uma grande tela e uma área espaçosa para aquecimento.
Decidi não assistir à primeira luta entre as cadeiras do público—quero evitar encontrar alguém conhecido.
Prefiro ficar nas sombras… até o momento de minha própria luta começar.
A cada instante, o som dos tambores e os gritos ensurdecedores da multidão ecoavam nos meus ouvidos, fazendo o tempo parecer lento.
Finalmente, a espera acabou quando dois jovens entraram na arena ao mesmo tempo, vindo de lados opostos.
Ambos vestiam armaduras especialmente feitas para o evento.
Desta vez, Snow Lionheart estava usando a armadura cerimonial branca da Igreja—exuberantemente ornamentada, superando em esplendor até as das casas nobres.
Já Dawn Polaris, vestia a armadura preparada pelo Templo.
Snow ainda parecia um pouco atordoado, como se não compreendesse completamente o peso de sua nova condição, ou estivesse acostumado com a atenção esmagadora da plateia.
"O Herói!"
Esse era o nome cantado por todos.
Dawn Polaris deu uma risada constrangedora, observando a atenção totalmente focada no adversário.
"Você parece uma pessoa completamente diferente agora, senhor Herói."
"Não lembre disso… isso tudo é sufocante."
Eles conversavam casualmente—afinal, eram amigos.
Para Dawn, Snow ainda era o mesmo estudante que conhecia antes de toda essa história de Herói existir.
"Sabe que, se perder, vai causar um rebuliço, né?"
Só de imaginar o Herói perdendo depois de toda aquela hype—que escândalo seria esse?
Era uma pressão enorme para Snow.
Mas ele parecia nem um pouco incomodado… como se a possibilidade de derrota não existisse.
"Não se preocupe. Não tenho intenção de perder."
"Hã?"
Nesse momento, Ivar apareceu entre os dois combatentes ansiosos.
Após examiná-los, confirmou:
"Sua armadura está equipada com o mesmo sistema usado na prova da Ilha, só que muito mais forte. Em caso de dano fatal, a armadura ativará um mecanismo de proteção capaz de impedir ataques até a classificação S."
"Ao receber um dano potencialmente letal, a armadura emitirá uma onda de impedimento que te deixará inconsciente—resultando na sua derrota. O combate também termina se algum de vocês se render ou ficar impossibilitado de continuar. Entendido?"
Ambos assentiram ao mesmo tempo.
Satisfeito, Ivar desapareceu novamente.
Seconds later, the signal was given.
"Que comece a primeira luta!"