O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 189

O Ponto de Vista do Vilão

—Dia 28 na Ilha—

Faltam dois dias para o final...

Estava encharcado de suor.

O tempo tinha mudado de repente no último dia, ficando extremamente ensolarado sem motivo aparente.

Eu ainda corria feito louco, derrotando Criaturas Pesadelo, e depois capturando as zonas obrigatórias…

Estava ficando assustadoramente fácil, com tão poucos estudantes restantes. Isso significava que a competição tinha afinado.

Às vezes, outros me alcançavam antes e eu nem chegava a ver quem eram. Supunha que fossem Snow ou Daemon, ou algum dos outros jogadores de alto nível ainda lutando por uma vaga entre os oito melhores.

Ding!

Atualização do ranking:

1 – Daemon Valerion: 6.300 pontos

2 – Snow Lionheart: 6.240 pontos

3 – Frey Starlight: 4.300 pontos

4 – Seris Moonlight: 4.180 pontos

9 – Dawn Polaris: 3.500 pontos

Além do primeiro e do segundo lugar, o resto tava bem apertado.

Eu já tinha garantido quase uma das oito posições superiores.

Apenas mais um pouquinho…

Corri entre as árvores enormes na velocidade máxima, mirando na próxima zona alvo.

Mas o caminho não estava livre. Do nada, uma enxurrada de Criaturas Pesadelo pulou à minha frente—sendo aquelas que eu mais odiava enfrentar.

"Ganado…"

Eles estavam escondidos, rodeando-me de todos os lados.

Estava pronto para cortá-los e seguir em frente—mas não precisei.

Sem aviso, um inferno flamejante se acendeu acima das cabeças deles, devorando todos de uma só vez.

Como aquelas chamas surgiam por círculos mágicos…

Reforcei meus sentidos, escaneando a área. Foi então que finalmente percebi.

"Saia."

Virei para um canto sombreado entre as árvores.

Silêncio caiu por alguns segundos…

Até que o som de saltos de salto contra o chão quebrou o silêncio.

Ao sair das sombras, a reconheci instantaneamente.

"Selena?"

A jovem bruxa que tinha se juntado à nossa turma não faz muito tempo.

Escondida debaixo do seu chapéu pontudo, seus olhos vermelhos olharam direto para mim.

"Faz tempo… Frey."

Quase tinha me esquecido dela. A bruxa que uma vez andou comigo pelos corredores da Moonlight.

"De fato, faz tempo… mas será que devo chamar isso de coincidência?"

Selena claramente tinha preparado aquele feitiço de fogo com antecedência… então, era difícil acreditar que esse encontro fosse por acaso.

Ela não negou.

"Não… Eu procurava por você."

A jovem bruxa parecia perturbada.

"E qual seria exatamente o motivo?"

Selena era forte—uma das principais heroínas, afinal. Mas bruxas, em geral, eram vulneráveis contra alguém como eu.

Se ela tentasse qualquer coisa… eu estava preparado para neutralizar a magia dela.

Selena congelou por um momento. Nem olhou na minha direção.

Então, sem aviso, abaixou a cabeça.

"Desculpe, Frey. Sinto muito por tudo que aconteceu… e pelo que ainda virá."

Elevei uma sobrancelha, sem saber bem como reagir às palavras dela.

"Desculpa por quê exatamente?"

Fiquei confuso.

Mas, ao pensar melhor, algo fez sentido.

Algo relacionado à situação em que eu estava—como tudo virou de cabeça para baixo da noite para o dia.

"Aegon..."

A expressão de Selena escureceu no momento em que ouviu aquele nome.

Para mim, tudo ficou claro com um pouco de raciocínio lógico.

Um Aegon Valerion nunca age sem ter certeza de algo ao cento por cento.

Para chegar a essa certeza, ele precisaria de alguém bem próximo de mim. Mas ele nunca apareceu perto.

Os únicos que fizeram isso… foram Seris, Ghost, Danzo—e Selena.

Os três primeiros estavam totalmente fora de questão. Só restava um.

"Foi você. Você foi quem me denunciou ao Aegon."

Selena segurou o punho devagar.

"…Isso mesmo."

Calmamente, coloquei a mão na empunhadura da minha espada, sentindo o couro áspero da bainha.

Selena não disse nada.

Parecia estar se preparando—talvez para uma luta.

Eu não precisava de nenhuma habilidade especial para perceber que ela estava lutando contra uma tempestade de pensamentos na cabeça.

Seus olhos refletiam um turbilhão de emoções conflitantes.

'Frey Starlight… Eu te arrastei por um ciclo de sofrimento que te causou tanta dor—e que ainda pode continuar. Independente dos meus motivos, não posso justificar o que fiz. E o que vou fazer a seguir, seguindo as ordens daquele príncipe sombrio…'

'Se você quiser me machucar, faça isso. Se quiser me derrotar, vá em frente. Talvez assim, a culpa que aperta meu peito possa aliviar… nem que seja um pouco.'

Para mim, seus pensamentos ficaram cristalinos.

Mas, desculpe, Selena. Isso é hipocrisia.

"E aí? Como ele conseguiu exatamente?"

"O quê?"

"O príncipe. Com que ele te ameaçou pra te convencer a ficar do lado dele?"

Surpresa com minha serenidade, Selena não soube como responder.

"Ele te machucou? Ou… levou alguém de você? Seus pais, talvez?"

Observei o rosto dela de perto.

"Então, o último, hein..."

Aegon era exatamente esse tipo de manipulador.

Aquele que compreendia as emoções humanas com uma precisão assustadora—que conseguia mover as pessoas como se fossem peças de um tabuleiro.

Passei lentamente ao lado da jovem bruxa.

Selena não aceitou. De repente, perdeu toda a compostura.

"Por quê?! Por que você não fica bravo?! Por que está agindo como se nada tivesse acontecido?! Sou a razão do seu sofrimento—por que está tão calmo?! Se você chegar a enfrentar isso… o que é que eu faço?!"

Pensando bem, a garota à minha frente—e todos meus colegas—eram apenas jovens de 17 anos.

"Por que não me ataca?! A sua vingança já devia estar na hora—por favor!"

A jovem bruxa quebrou em lágrimas.

Como a vida dos pais dela agora dependia do capricho de alguém mais demoníaco que os próprios demônios…

De como ela trazia tanta dor a um garoto da mesma idade…

Antes mesmo de tudo isso acontecer, ela descobriu que seu mentor de respeito, Kai Luc, era um traidor…

Seus velhos colegas tinham morrido… e agora, sobrava apenas uma pessoa.

Era demais para ombros tão pequenos carregarem. Até demais.

Ela queria que eu a atacasse. Que a amaldiçoasse.

Talvez assim, a culpa que a dilacerava pudesse diminuir.

Mas eu não tinha intenção de fazer nada disso.

"Bravo? …Desculpe, mas esse nível de sofrimento virou parte da minha rotina diária."

Sorri enquanto continuava andando.

"Sei que não é sua culpa. Eu entendo. Mas não me importa."

Nunca fui o tipo de herói que se preocupa com os sentimentos das pessoas.

"Contanto que você fique fora do meu caminho, eu não faço nada com você. Mas se aparecer de novo como inimiga—

Vou te derrubar com tudo que tiver."

Sempre foi assim, simples assim."

Selena assistiu às minhas costas enquanto eu me afastava.

Aquela figura… carregava fardos muito maiores do que ela podia imaginar.

Muito mais do que ela já tinha visto na vida—mas mesmo assim, seguia em frente.

"Como você consegue suportar tudo isso?"

Era uma pressão que desafiava a razão.

"Como consegue ficar assim… quando é jogado no meio de tamanha confusão?"

Em resposta, apenas sorri para ela sem dizer uma palavra—e continuei andando.

Outros já teriam quebrado. A própria ideia de suportar algo assim era loucura.

Mas eu resistiria. Porque podia. Porque o fim que buscava… valia a pena.

Era só isso.

Desapareci entre as árvores, deixando a jovem confusa para trás—sem uma resposta.

Sempre me perguntei por que o nome dela nunca aparecia na classificação.

Agora eu entendia.

O corpo dela estava aqui conosco—mas a mente, completamente em outro lugar.


—Dia 29 do Desafio na Ilha—

Faltava um dia.

O momento final se aproximava.

E muitas coisas aconteciam por baixo dos panos.

Dentro de um domínio sombrio…

Uma garota de cabelo branco e rosto marcado por traços de maturidade—uma das terceiranistas—jazia indefesa.

Seus olhos tinham sido arrancados, e ela chorava lágrimas de sangue.

Gritava de dor… mas ninguém podia ouvi-la.

À sua frente estava Ghost—que finalmente atingira seu limite com todas as últimas descendentes da família Moonlight.

"Filhos da puta… todos feitos do mesmo molde podre."

O assassino silencioso tinha permanecido ativo pelo todo o período na ilha.

Ghost já tinha eliminado mais de trinta vítimas relacionadas ao plano de matar Frey—

Exceto pelo professor Kaizer.

A garota na sua frente era a última.

Um assassino com habilidade assustadora, que deixava rastros inexistentes. Cada morte parecia um incidente causado pelas criaturas do pesadelo.

Seu domínio sobre manipulação de sombras permitia esconder as transmissões de vigilância da ilha, mantendo todos os assassinatos ocultos do mundo exterior.

Essa precisão toda… era aterrorizante.

Mas Ghost sabia que algo estava por acontecer.

E sua ansiedade só aumentava à medida que os segredos da linhagem Moonlight tentavam ficar enterrados para sempre.

Ele estava prestes a desabar.

Segurando a garota pelos cabelos—uma das últimas relíquias da facção extremista enraizada na família Moonlight—

Falou com voz fria.

"Ouça bem cada palavra, e grave-as fundo na sua mente."

Estava exausto de tanto sangue.

"Matei seus camaradas."

A garota soluçava.

"Matei várias pessoas—inocentes… e arrogantes como você."

Seus olhos mortos tinham um olhar fixo na face trêmula dela.

"Posso te matar agora, e depois ir atrás dos seus pais. Seus irmãos, se tiver. Tudo que você valoriza na sua vida miserable—vou acabar com isso. A escolha é sua."

Ele respirou fundo, fazendo a mesma pergunta pela milésima vez.

"Qual é o seu plano? O que vai acontecer ao final dessa provação?"

Como exatamente eles planejavam atacar Frey Starlight?

Sua paciência já estava no limite.

A adaga na sua mão passou lentamente pelo pescoço da garota, enquanto seu sangue e lágrimas se misturavam numa mistura grotesca.

A garota finalmente quebrou.

"Por favor… não machuque minha família… Eu imploro… Estamos apenas vingando aqueles que foram injustiçados—"

"Não quero ouvir isso."

"Não! Pare! Eu vou te falar!"

Ela era a última. Assim, ironicamente, a mais fraca.

E então começou a falar.

A cada palavra que saía dos seus lábios, a expressão de Ghost ficava mais sombria—até que, ao terminar, ele amaldiçoou alto—

"Filhos da puta!"

—Corte!

A cabeça da garota caiu no chão.

Ghost saiu das sombras num piscar de olhos, visivelmente abalado.

"Eles realmente estão indo até esse ponto? Tudo… por um homem?"

Ele precisava encontrar Frey Starlight. Imediatamente.

Antes que fosse tarde demais.

Ghost ajustou seu relógio—

"Tem certeza de que quer gastar 500 pontos para localizar outro jogador?"

Ele aceitou sem hesitar.

Precisava avisar ele.

Precisava.

Senão, Frey seguiria caminhando direto para a morte…

Digitou apressadamente o nome:

"Frey Starlight."

Mas seu rosto desmoronou ao ver o resultado.

"Nenhum jogador com esse nome foi encontrado."

Já era tarde demais.

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