
Capítulo 182
O Ponto de Vista do Vilão
–Dia 19 da Prova na Ilha–
Os dias estavam passando rapidamente agora…
O fim começava a se tornar visível,
E os nomes daqueles que avançariam começaram a surgir.
Imersos em suas próprias batalhas,
Os participantes lutavam com tudo o que tinham.
–Perspectiva de Seris Moonlight–
"…"
Quantos dias haviam se passado desde a minha primeira vez nesta ilha?
Gentilmente, arranquei meu cabelo branco, observando a cor dele.
A cor que herdei da minha mãe.
Às vezes, me perguntava—o que as pessoas veem quando olham para mim?
Seus olhos… diziam muito.
Frequentemente ouvia elogios à minha beleza.
Mas, tantas outras vezes… via as adagas em seus olhares.
Olhos cheios de inveja.
Mas inveja do quê?
O que eles viam em mim?
Talvez… se olhassem por dentro, em vez de apenas na superfície—
Teriam percebido como tudo aquilo era vazio.
Podiam ter visto as cordas que têm movido esse corpo durante todos esses anos.
Desde aquele dia… parecia que minha mente prestes a explodir.
Perdi o controle.
E então—usei um poder que eu nem sabia que tinha.
Como se ele tivesse atendido ao meu chamado—
Um chamado nascido de emoções que me dilaceravam.
Minha vida foi construída sobre uma mentira.
Tudo em que acreditava desde a noite em que minha irmã morreu…
Era apenas uma peça de teatro—escrita com maestria.
E quem quebrou essa ilusão…
Foi justamente quem eu odiava.
Com quem estou mentindo agora?
Jamais aceitei a morte do pai que desprezava desde as profundezas da minha alma.
Por isso procurei alguém—
Alguém para descarregar toda essa raiva.
E essa pessoa foi Frey Starlight.
Mas o destino tinha seus próprios planos.
De todas as pessoas, ele foi quem me libertou daquele teatro de marionetes.
Pelo menos…
Aquela vazio que preenchia meu interior—
Agora está preenchido.
Preenchido de ódio.
Mas desta vez—
Para a pessoa certa.
Baylor Moonlight.
Aquele maldito mestre das marionetes.
Nunca saiu da minha cabeça.
Senti que estava perdendo a cabeça…
Ficando louca.
O único momento em que senti alguma espécie de libertação—
Foi quando enfrentei aquelas criaturas da Pesadelo.
Empunhava o gelo com total liberdade.
Senti como se minha perspectiva tivesse se tornado mais clara.
Mais nítida.
Mais forte.
Destruía tudo que se aproximava—
Com lanças, espadas—
E então aquelas vinhas de gelo pontiagudas, que se serpentinavam como cobras, dilacerando meus inimigos.
Andava lentamente, deixando um rastro de arte congelada a cada passo.
Meu poder estava crescendo.
Mas ainda—
Não era suficiente.
Não o suficiente para matá-lo.
Então, passo a passo—
Continuarei reconstruindo as peças quebradas dentro de mim.
Aquele núcleo partido—espalhado em centenas de fragmentos.
E quando chegar a hora—
Vou destruí-lo.
Envolvi-me com asas de gelo puro.
A peça de marionetes acabou.
Mas a apresentação não terminou…
Até que você esteja morto, Baylor Moonlight.
...
...
...
–Perspectiva de Frey Starlight–
–Dia 20 da Prova na Ilha–
Faltam dez dias para o fim da prova.
Segui a localização da Sansa e me dirigia até ela—
Mas tive que parar ao perceber aquela maldita Senhora das Oito Pernas vagando por perto.
Fui forçado a esperar…
Até que aquela maldição passasse.
Sentado no topo de uma árvore gigante, observei a criatura idiota perambulando sem rumo.
"Quanto tempo acha que vai ficar aqui?"
Seja uma boa aranha e vá brincar em outro lugar.
Arranquei meu cabelo frustrado.
Minha condição estava um caos.
Vinte dias na natureza trouxeram à tona memórias vívidas das Terras Pesadelo do Oriente…
Parecia que estava voltando às minhas raízes.
Por causa disso, estava imundo até o osso.
"Preciso de um banho…"
Duvido que alguém consiga chegar perto de mim neste estado.
Se alguém sentisse esse cheiro, poderia até me acusar de homicídio por fedentina.
Provavelmente me arrastariam perante Ivar para explicar como matei estudantes do Templo com minha aura de nojo…
E acabaria expulso e enviado de volta à Casa Starlight para uma longa punição de banho.
"Isso é ruim…"
Frey louco estava começando a emergir.
Ficar na zona de Pesadelo não era bom.
Esse trocinho mental poderia acidentalmente ligar um interruptor e me transformar novamente em uma lunática.
Saltei e corri na direção do lago.
"Primeiro o banho."
Cheguei rapidamente.
Olhando as águas cristalinas, quase tirei minha armadura—
Mas parei ao sentir a presença de alguém próximo.
Um olhar mais atento confirmou.
Ele estava sentado ali.
Cabelos loiros.
Corpo musculoso, ombros largos.
Seu peitoral bem definido estava completamente exposto, junto com os ombros e aquela tatuagem de dragão no braço.
"Daemon…"
Fitei-o por um momento.
Ele fez o mesmo comigo.
Não tinha certeza do que era a atitude correta.
Deveria atacá-lo? Ou evitá-lo?
Mas ele quebrou o silêncio primeiro.
"O que está olhando? Vai entrar, ou só fica me encarando como um pervertido?
Ou será que você é um desses caras que gosta de outros caras?
Se for o último, me desculpe—só para mulheres mesmo."
…
Senti-me estúpida por pensar demais na frente de Daemon.
"Não esperava que você fosse tão tranquilo com alguém que pode te atacar a qualquer momento."
Daemon totalmente nu nem se mexeu, continuou relaxado, como se nada tivesse acontecido.
"Não seja idiota. Tô tomando banho agora—não vou brigar.
Além disso, meu corpo é minha arma.
Posso lidar com o que aparecer."
"Ponto pra você."
Retirei completamente minha armadura, revelando meu corpo nu.
Coxas definidas, peitoral, braços.
Eu tinha tudo isso—
Mas, em comparação com Daemon, a diferença de tamanho era enorme.
Eu parecia um atleta em plena forma.
Daemon parecia um fisiculturista profissional.
Relaxeio do outro lado, deixando meu corpo descansar.
Olhos de Daemon fixaram-se na tatuagem de cobra ao longo do meu braço esquerdo.
Era meio engraçado.
Dois rapazes sem camisa.
Um com uma tatuagem de dragão.
O outro com uma de serpente.
Com um sorriso, fiz um gesto para que ele olhasse para outro lado.
"Deixa de olhar com tanta intensidade. Também gosto de mulheres—não de gorilas como você."
"Desgosta…"
Daemon também sorriu, divertido por eu ter devolvido as palavras dele.
E assim—
Acabei compartilhando um banho com a última pessoa que imaginei.