O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 139

O Ponto de Vista do Vilão

De volta ao campo de batalha…

Baylor estava pressionando Rem implacavelmente.

Ambos os seus punhos se transformaram em cabeças de dragão furiosas, formadas de aura de gelo, enquanto ele continuava seu ataque incessante.

Rem, com o rosto cheio de rachaduras e escurecido ao redor dos olhos, ainda resistia.

“Ainda de pé, hein?”

Boom!

“Não importa… é só uma questão de tempo…”

Boom!

“Até você ser completamente despedaçada.”

“Droga…”

Rem estava claramente perdendo.

Na verdade, ela percebeu que Baylor não havia se tornado significativamente mais forte. No entanto, a habilidade de regeneração que ele havia ganho era um problema real.

“Não tenho outra escolha.”

Ela fez um movimento decisivo. Em um instante, todo o fluxo da batalha mudou.

Baylor sentiu imediatamente, e seu sorriso se alargou com loucura.

“Está vindo…”

Ele não sabia exatamente o que Rem estava prestes a fazer, mas sabia que essa luta só seria decidida quando ambos colocassem tudo em jogo. Contanto que suas cartas na manga fossem suficientes para conter todas as armas de Rem, a vitória seria dele.

Essa foi a conclusão que um estrategista como Baylor havia chegado.

E então—aconteceu. O movimento de Rem.

Entre suas mãos, um estranho círculo formado de gelo começou a tomar forma.

“Com este tesouro, eu invoco—”

No momento em que essas palavras saíram de seus lábios, os olhos de Baylor se arregalaram ao máximo.

“Impossível!”

Mas Rem não se importou com sua reação e continuou seu encantamento.

Todos podiam sentir o imenso aumento de aura que ela estava usando.

“Eu invoco o Exército das Sete Espadas—Tibula Sarmagardina!”

No momento em que ela terminou de falar, o chão tremeu.

O que se seguiu foi uma visão de tirar o fôlego—uma falada apenas nas lendas da família Moonlight.

Há muito tempo, dizia-se que a Instituição Semiramis foi sitiada por uma horda de demônios menores.

Naquela época, Semiramis desencadeou uma técnica devastadora, espalhando seu gelo por uma imensa extensão.

Aquele gelo tomou a forma de um exército inteiro—uma força de elite de cavaleiros tão poderosa que aniquilou legiões de demônios inteiras sozinha.

Este era o verdadeiro terror de Semiramis—uma garota solitária que era equivalente a exércitos inteiros.

E agora, ao liberar a aura que ela havia reunido ao longo de incontáveis anos, o Estilhaço de Gelo—Rem—havia revivido essa mesma técnica.

Cercado por centenas—não, milhares—de guerreiros forjados em gelo, Baylor se viu em uma situação terrível.

Arfando por ar, Rem apontou fracamente para ele enquanto a terra tremia sob os cavaleiros que avançavam.

“Esmaguem-no.”

Espadas cortaram. Lanças empurraram. Machados racharam.

Flechas forjadas em gelo rasgaram o ar, todas apontadas para um único homem.

“Aterrorizante…”

De longe, eu observei em espanto.

“Talvez eu não precise intervir afinal…”

Eu nunca imaginei que Rem possuísse tal técnica.

Até o mais fraco entre aqueles cavaleiros era de rank S… Isso é pura insanidade!

Enquanto a saraivada mortal se aproximava de todas as direções, a mente de Baylor percorreu centenas de soluções possíveis.

Mas nenhuma delas era suficiente.

Para sobreviver a isso—para neutralizar uma técnica desencadeada por uma mulher que já esteve no auge do rank SSS—

Ele tinha que arriscar tudo.

Baylor juntou as mãos.

A primeira a notar foi Rem. Então, através dos meus Olhos de Falcão, eu também percebi.

Baylor estava prestes a ativar uma habilidade.

O que ele estava planejando?

Um ataque final?

Como ele possivelmente poderia destruir todos eles?

Enquanto esperávamos a resposta, Baylor desencadeou sua técnica.

“Congele o Vazio.”

De repente, sem aviso, uma onda fria e assustadora se espalhou, congelando até o próprio ar.

A realidade se transformou em uma tonalidade azul gélida enquanto tudo parecia desacelerar, como se estivesse preso em uma dobra no tempo.

Ninguém conseguia se mover.

Baylor, de alguma forma, havia congelado o próprio tempo…

Não—não era apenas o tempo. Ele havia tornado o próprio vazio mais pesado, transformando o movimento em um feito quase impossível.

Uma habilidade como essa era inútil contra alguém do calibre dele.

Mas o exército não dependia da força individual—ele prosperava em números.

O que significava…

Baylor era o único que ainda podia se mover.

Naquele momento—

O som de estilhaços ecoou implacavelmente.

Um por um, os soldados de gelo foram obliterados, uma faixa preta cortando-os como um fantasma.

Baylor se moveu a uma velocidade impressionante, derrubando tudo em seu caminho.

Suas mãos, agora envoltas em lâminas gêmeas de escuridão, rasgaram os soldados com terrível precisão.

Eu podia sentir—

A habilidade de Baylor era temporária.

Logo, os outros seriam capazes de se mover novamente.

Esta era uma aposta—

Uma corrida desesperada contra o tempo.

A cada segundo que passava, mais soldados caíam, mas Baylor não parava, correndo pelo campo de batalha em um turbilhão de destruição.


Cinco minutos depois—

O tempo voltou ao normal.

De volta ao campo de batalha, uma figura solitária jazia desabada no chão, com o peito subindo e descendo violentamente, como uma máquina à beira do superaquecimento.

O vapor espesso escapando de sua boca era tudo menos humano.

Sentado em meio a um mar de cadáveres de gelo estilhaçados…

Baylor lutou para se levantar, um riso agudo e maníaco ecoando pelas ruínas.

“Hahaha…”

Um suor frio escorreu pelas minhas costas.

“Hahahahaha…”

Ele estava escondendo algo assim o tempo todo…

“Hahahahahahahaha!”

Rindo como um louco, Baylor se levantou mais uma vez.

“E agora? Mais algum truque na manga?”

Hooof—

Ele exalou o resto de sua respiração e caminhou em direção à forma desabada de Rem.

“Um ataque final?”

Passo.

“Uma técnica secreta?”

Passo.

“Ou talvez… algo que sua mestra vadia deixou para você?”

“Nada?”

Os olhos vazios de Baylor encontraram os de Rem.

“Entendo… nesse caso—”

“Morra.”

A lâmina negra formada sobre sua mão, cortando o ar a uma velocidade além da percepção humana.

Naquele instante—

A parte superior do corpo de Rem caiu, quebrando-se com o impacto como um espelho frágil.

A vitória de Baylor foi absoluta.

Mas então—

Boom!

Uma sensação estranha picou suas costas.

“O que—?”

Ele se virou—apenas para ver uma lança de gelo maciça correndo em sua direção.

No entanto, antes que pudesse tocá-lo, ela se estilhaçou sob o puro peso de sua aura.

“E agora?”

Analisando seus arredores, Baylor rapidamente identificou a fonte—

“Seris.”

A estátua de gelo não parecia mais tão fria.

Seu rosto, distorcido de fúria, invocou mais lanças ao seu redor.

“Todo esse tempo… você estava bem ao meu lado… bem na minha frente!!”

Seris lançou seus ataques, mas cada um deles desmoronou antes de alcançá-lo.

“Todos… minha irmã… foi você!”

Ao contrário de sua batalha contra Ghost, desta vez, ela estava falando muito sério.

Mas contra o oponente errado.

“Que adorável.”

Com um sorriso divertido, Baylor caminhou em direção a Seris, imperturbável, como se estivesse dando um passeio casual.

“Responda!”

Seu grito furioso rasgou o campo de batalha, mas Baylor permaneceu inabalável. Sua voz estava estranhamente calma.

“Sim, fui eu.”

“Eu fiz seu pai fazer o que ele fez… Eu sou a razão pela qual sua querida irmã está morta.”

A expressão de Seris mudou continuamente, uma tempestade de emoções passando por seu rosto.

Baylor não pôde deixar de rir—ela era uma obra-prima.

“Eu até forcei o pobre Frey a tentar te violentar… Você era minha favorita, Seris. É por isso que eu gostava de brincar com você.”

“BAYLOR!”

“Você me culpa, Seris? Por tudo que aconteceu?”

Ele soltou uma risada alta e zombeteira.

“A verdade é que… você não me culpa, não é? Você não me culpa. Você nem culpa seu pai, Drogo…”

“Você culpa sua irmã, Rose.”

“Cale a boca!”

“Você a culpa por não ficar ao seu lado. Por escolher a morte em vez de voltar para você.”

“EU MANDEI VOCÊ CALAR A BOCA!”

“Oh, querida Seris, está tudo bem… Sua irmã escolheu seu orgulho acima de você. É natural—tudo neste mundo tem um preço… e parece que você simplesmente não valia a pena.”

Baylor riu.

Seris… tinha ouvido o suficiente.

De repente, sua aura brilhou descontroladamente, seu cabelo brilhando com uma luz etérea.

“Hmm?”

Baylor sentiu algo mudar—algo estranho.

“MORRA!”

Desta vez, Seris desencadeou um raio devastador de aura de gelo. Ao contrário de seus ataques anteriores, este realmente atingiu Baylor… mas ele o desviou com facilidade.

Um sorriso se espalhou pelo seu rosto, excitação brilhando em seus olhos.

“Hoh… o que foi isso?”

Mas Seris não estava ouvindo. Ela mordeu tanto o lábio que uma fina linha de sangue escorreu constantemente dele.

A verdade a havia estilhaçado.

Por anos, ela viveu em uma mentira. Tropeçando na escuridão, sem saber que a própria pessoa que havia destruído sua vida… esteve bem ao seu lado o tempo todo.

“Imperdoável.”

“Inaceitável.”

“Implacável.”

Mesmo que isso a destruísse.

Mesmo que isso a matasse.

Ela tinha que matá-lo.

E assim, seu corpo queimou—enquanto o mundo ao seu redor congelava a uma taxa não natural.

“Sério?”

Baylor riu enquanto sentia a mudança em sua aura.

Ao longo dos braços e mãos de Seris, sua pele se abriu, revelando flores espinhosas de sangue que deslizavam por sua carne como serpentes vivas.

Seus olhos injetados de sangue eram prova suficiente—ela já havia se perdido.

“MORRA!”

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