
Capítulo 140
O Ponto de Vista do Vilão
De sob seus pés, vinhas de gelo irregulares irromperam, rasgando o chão enquanto avançavam em direção a Baylor.
Em resposta, ele conjurou uma barreira transparente, canalizando todo o seu poder para bloqueá-las. Mas, em vez de se estilhaçarem, as vinhas se enrolaram em sua defesa, contorcendo-se como cobras furiosas.
Os espinhos se apertaram. As rachaduras começaram a se formar.
“Isso é sério?”
A risada de Baylor ecoou, inabalável mesmo com a pressão aumentando.
“Essa garota… ela está irradiando uma pressão próxima ao Rank-S… e aquele ataque dela… parece vivo.”
Um brilho de admiração cintilou em seus olhos.
“Ela está realmente quebrando… quebrando a barreira de alguém como eu… que está quase em SS+!”
Quando sua defesa desmoronou, Baylor disparou para trás, mas as vinhas o perseguiram imediatamente.
“Hah… Seris, eu sempre soube que você era especial… mas quem diria que você era *tão* especial?”
Ele se moveu rapidamente, evitando as vinhas amaldiçoadas sem fazer contato.
Algo lhe dizia — não, o alertava — que tocá-las seria um grave erro. E ele estava certo.
Enquanto isso, filetes de sangue escorriam pelas bochechas de Seris como lágrimas carmesim.
Seu rosto, distorcido em fúria e agonia, havia se tornado algo monstruoso.
Ela queria apenas uma coisa.
A morte dele.
Baylor, no entanto, soltou um profundo suspiro de arrependimento.
“Ah… que pena.”
Desde o princípio, sua decisão havia sido tomada.
Além de seu filho — que ele ainda podia manipular — todos aqui tinham que morrer.
Eles tinham visto demais.
Seu único lamento… era que Seris havia excedido suas expectativas *demais*.
“Se ao menos houvesse um jeito…”
Um jeito de continuar brincando com ela.
Mas ele nem sempre podia ter o que queria.
Com um sorriso irônico, Baylor finalmente liberou todo o seu poder.
“Hora de matá-la.”
À medida que sua aura de gelo aumentava, uma mão massiva começou a tomar forma…
Com um único golpe decisivo, Baylor atacou Seris, com a intenção de enterrá-la ali e acabar com ela completamente.
Um golpe carregando toda a sua força.
Seris deveria ter morrido.
Mas a realidade era diferente.
“Hah?”
Baylor sentiu algo o empurrando para trás.
De sob sua colossal mão, as vinhas de gelo surgiram violentamente, apunhalando sua carne enquanto o forçavam para trás.
Agora, aquelas coisas estavam entrelaçadas ao redor de Seris, como se fossem uma criatura viva protegendo-a.
Baylor não percebeu o perigo — até que uma das vinhas perfurou seu braço direito.
Naquele instante, algo queimou dentro dele, chamuscando-o por dentro como se ele tivesse sido empalado por uma barra de fogo.
Era… antinatural.
Rapidamente, ele arrancou a vinha e recuou.
A lógica havia deixado de existir.
“Morra, morra, morra, morra, morra, morra, morra, morra, morra, morra, MORRA!”
Ela havia perdido a cabeça completamente.
E pior…
A pele antes pálida de Seris agora estava manchada de vermelho.
As tatuagens de flores em ambos os braços, o sangue jorrando de cada centímetro de seu corpo…
Ela parecia possuída.
No entanto, sua aura — sua presença esmagadora — só continuava a crescer.
Baylor finalmente entendeu.
Seris estava prestes a desencadear um ataque que o apagaria da existência.
Mas, ao mesmo tempo, ela estava sangrando profusamente, encharcando o chão sob seus pés.
Se isso continuasse, ela morreria de perda de sangue antes mesmo de conseguir desferir o golpe final.
Baylor se preparou para dar tudo de si. Ele tinha que fazer isso. Aquilo não era algo que ele podia se dar ao luxo de levar levianamente.
Mas Seris… nunca teve a chance de liberar seu ataque.
Aquele poder… estava muito além do que ela podia suportar.
As vinhas se apertaram ao redor dela, engolindo-a por completo.
Seu próprio poder a estava consumindo.
Baylor observou, cativado pelo absurdo da cena diante dele.
“O que diabos está acontecendo?”
E então—
Tudo desapareceu.
Uma névoa de gelo se espalhou pelo ar enquanto Seris desabava, a cena assustadoramente bela.
“É muito cedo.”
Uma voz ecoou.
De pé diante de Seris estava uma garotinha — delicada, como uma boneca.
Ela estava calma como sempre, sua expressão ilegível. Ela não parecia ter mais de cinco anos, mas suas palavras carregavam um peso muito além de sua idade.
Era Azura.
A garotinha estendeu a mão e tocou Seris, fazendo as marcas sangrentas desaparecerem. A pele de Seris retornou ao seu pálido natural e vibrante.
“Nada é mais perigoso do que o poder dado livremente. Poder além do controle.”
Baylor olhou fixamente para Azura.
“E o que exatamente você é?”
Azura sorriu.
“Apenas uma velha… enterrada pelo tempo.”
Baylor estava sem palavras.
Uma criança — alegando ser uma velha?
“Isso… não tem mais graça.”
As mudanças estavam se tornando intoleráveis.
Ele se moveu puramente por instinto agora.
Eles tinham que morrer.
Aqui e agora.
Os últimos momentos haviam deixado uma coisa clara — Seris e Azura eram as maiores ameaças neste campo de batalha.
Ele as via como a maior ameaça, e era exatamente isso que aquela pessoa estava esperando.
Baylor não viu a sombra que havia se arrastado atrás dele.
De dentro da escuridão, um raio branco radiante disparou, carregando uma força imensa.
Quando Lorde Luarlimpida percebeu — já era tarde demais.
“Poeira Estelar: Supernova!”
Uma mão carmesim irrompeu através do peito de Baylor, emergindo de suas costas.
Carmen estava atrás dele, implacável.
Seu braço havia mergulhado direto através dele, e sua aura de luz das estrelas continuava a destruí-lo por dentro.
“Este é o fim… seu Lorde imundo.”
De longe, Frey Luz das Estrelas observava, sua expressão vazia.
Mal consciente.
Mas ele se forçou a testemunhar aquilo — a ver o destino de um de seus maiores inimigos.
Baylor cuspiu sangue, incapaz de compreender o que estava acontecendo.
“Como… Onde você…?!”
Ele tinha certeza — Carmen não deveria ser capaz de lutar contra ele.
Ela deveria estar completamente esgotada.
Então como…? Como ela estava lutando com força total novamente?
Aproveitando-se de Rem, que o havia exaurido, e de Seris, que havia chamado sua atenção…
Carmen conseguiu acertar um golpe fatal, graças à ajuda de Ghost.
A dama sorriu.
“Parece que você ainda está subestimando ele.”
Baylor percebeu então.
Frey Luz das Estrelas…
Aquele garoto ainda estava escondendo mais?
“O que há com essa geração amaldiçoada?!”
Seris, Frey…
Será que ele realmente seria derrubado por crianças que não tinham vivido nem metade de seus anos?
“Não me faça rir!”
O corpo de Baylor explodiu, liberando dezenas de espinhos de gelo, forçando Carmen para trás.
Seu sangue demoníaco tentava freneticamente consertar o buraco em seu peito enquanto ele soltava um rugido furioso.
“Todos vocês estão tentando me derrubar, mas todos vocês vão falhar!”
O gelo continuou a surgir de seu corpo, atacando Carmen implacavelmente.
“Eu sou o vitorioso! Eu sempre fui aquele que vence! Até o final deste dia, eu vou escrever o destino desta família como sempre fiz! Essa é a mentalidade de um verdadeiro conquistador!”
Baylor cambaleou enquanto forçava seu corpo a se curar com tudo o que tinha.
“Astaroth! Maldito… me dê mais!”
“Mais, mais, mais, mais!”
Enquanto ele se regenerava, ele continuava a atacar Carmen simultaneamente.
Ela lutava em meio ao seu ataque implacável.
“Droga… ele ainda consegue lutar nesse nível mesmo com um ferimento desses?!”
“Eu vou matar todos vocês!”
Até… onde Baylor iria?
Não parecia que ele iria parar tão cedo. Pior, seu ferimento já havia cicatrizado significativamente.
A situação estava longe de ser promissora.
No entanto, em meio a todo o caos, uma garotinha caminhava através dos destroços.
O gelo de Baylor não conseguia tocá-la.
Ela não parou até chegar aos fragmentos de gelo espalhados.
“Por quanto tempo mais você pretende dormir aí, Rem?”
Com um único toque, Azura enviou uma aura estranha para um dos fragmentos de gelo.
Dos destroços, tudo começou a se reformar — Rem emergiu como se tivesse renascido.
Ao mesmo tempo, Azura desabou em seus braços.
“Não falhe desta vez.”
Com essas palavras, Azura adormeceu completamente nos braços de Rem.
Rem curvou a cabeça profundamente.
“Entendido.”
Então, ela levantou o olhar em direção a Baylor, que finalmente a havia notado.
“Como?! Por que diabos você ainda está viva?!”
“Cale a boca… e morra.”
-Manifestação de Gelo-
O gelo de Rem estilhaçou o poder de Baylor por completo — não parou por aí, ele o dominou.
Lanças glaciais empalaram seu corpo impiedosamente, despedaçando-o enquanto ele lutava para sobreviver.
“Eu… eu estou perdendo?”
Não, ele não estava apenas perdendo — ele ia morrer.
Pela primeira vez em sua vida, ele havia sido forçado a tal situação.
Este era…
“O fim.”
Rem estava prestes a acabar com ele.
Mas, naquele instante, algo inesperado aconteceu.
O vazio se rachou.
Uma fenda se abriu — uma que alguém estava esperando.
“Oh, meu… ❣️”
Uma mulher.
“Finalmente, este lugar enfraqueceu o suficiente.”
Uma mulher aterrorizante entrou em cena — cabelos negros como a noite, olhos carmesim.
Ela examinou o campo de batalha.
“Eu cheguei bem na hora~ ❣️”
Era Madame A.