
Capítulo 75
O Ponto de Vista do Vilão
Após horas de uma batalha implacável que engolfou todo o templo, o mundo exterior começava a perceber que algo estava terrivelmente errado.
O inferno flamejante, que a princípio se assemelhava a nada mais do que fogos de artifício, já havia provado o contrário há muito tempo.
A essa altura, muitos já haviam tentado entrar no templo, mas a impenetrável Barreira da Cúpula Celeste negou a entrada a todos.
A menos que um Desperto de alto nível interviesse logo, o sofrimento do templo estava destinado a continuar.
Dentro dos terrenos do templo — o campo de batalha mais brutal de todos — um estranho confronto estava se desenrolando.
O céu era uma obra-prima caótica, adornada com corpos celestes e intrincados círculos mágicos, cada um deles lançando uma devastação implacável sobre tudo abaixo.
Kai Luc tinha tentado de tudo. Ele dobrou a realidade, teceu ilusões e até privou seu oponente de seus sentidos.
No entanto, de alguma forma, Choupo Moting havia resistido, enfrentando-o golpe por golpe, apesar da inegável diferença de poder bruto entre eles.
Choupo Moting — o campeão indiscutível da arena — era o maior artista marcial do templo.
Em termos de habilidade, ele superava todos os outros. Mas isso sozinho não era a razão pela qual ele havia durado tanto.
Não, era a luz dourada radiante que envolvia seu corpo.
O Cajado da Guarda da Aurora, há muito perdido, havia se tornado a força fundamental nesta batalha.
Em meio à incessante saraivada, os instrutores permaneceram embaixo, observando em silêncio tenso.
Um peso amargo se instalou em seus corações.
Eles trocaram olhares, apenas para perceber que o mesmo brilho dourado que protegia Choupo agora os cobria também.
Mesmo em seu estado terrível, ele ainda os estava protegendo.
Isso sozinho foi o suficiente para fazê-los esquecer suas feridas, seu cansaço — sua completa depleção de aura.
Cada um deles despejou cada gota de força que lhes restava, desesperados para apoiar o homem que estava lutando em seu lugar.
Kai Luc não estava satisfeito.
Após todos os seus esforços para esmagar seus espíritos, para arrastá-los para as profundezas do desespero, eles estavam de pé novamente.
Isso o enfureceu.
“Tudo por causa de você… seu maldito…”
Por causa daquele guerreiro vestido de preto.
Mais do que ninguém, Kai Luc entendeu que prolongar essa luta por mais tempo não funcionaria a seu favor.
Sua vantagem tinha surgido de anos de preparação meticulosa — moldando este campo de batalha à sua vontade. Isso, e o contrato demoníaco que ele havia feito.
Mas mesmo essas vantagens estavam diminuindo após horas de combate implacável.
Os milhares de círculos mágicos que enchiam o céu estavam começando a desaparecer, um por um.
E ainda assim, ele não entrou em pânico.
Ele só precisava aguentar um pouco mais.
Um enorme círculo de distorção ainda estava se formando ao fundo, um encantamento tão poderoso que consumiria todo o templo e convocaria o verdadeiro exército Ultras.
Ele só tinha que resistir.
Só mais um pouco.
Esse pensamento curvou os lábios de Kai Luc em um sorriso lento e perverso enquanto ele sussurrava em voz baixa:
“Ascensão.”
Seus olhos carmesins brilharam quando seu sorriso se desfez em uma quietude sinistra.
Os corpos celestes interromperam seu bombardeio.
Os círculos mágicos ficaram quietos.
Choupo Moting apertou seu cajado com mais força, seu olhar fixo no feiticeiro à sua frente.
Kai Luc estava abandonando voluntariamente sua vantagem no combate à distância.
“O que ele está fazendo…?”
Deveria ter sido o momento perfeito para acabar com ele.
E, no entanto, anos de instintos endurecidos pela batalha disseram a Choupo que algo estava errado.
“Tem certeza de que quer apenas ficar parado aí?”
“Do que você está falando?”
A expressão de Kai Luc permaneceu desprovida de emoção enquanto ele erguia um único dedo — apontando para baixo.
Abaixo deles, todo o seu arsenal restante havia sido redirecionado, apontado precisamente para aqueles que haviam conseguido sobreviver — incluindo os instrutores.
Um ataque devastador, desencadeando tudo de uma vez, desceu em direção ao chão.
Kai Luc agora estava completamente indefeso.
Talvez, desde o início, esta tivesse sido a melhor oportunidade para derrubá-lo.
E, no entanto, Choupo não conseguia se mover.
“E então?” A voz de Kai Luc gotejava zombaria. “Você vai salvá-los?”
“Ou devemos resolver isso com nossos punhos?”
A resposta era óbvia.
Mesmo um homem que passou a vida inteira escondendo suas emoções… não estava vazio, afinal.
Em um instante, Choupo apareceu diante dos instrutores e alunos sobreviventes.
Acima dele, milhares de projéteis celestiais e círculos mágicos pairavam, prontos para atacar. A pura quantidade de aura reunida era assombrosa, forçando-o a apertar seu cajado com mais força.
A estrutura de madeira se partiu, desmoronando em pó — revelando a elegante haste dourada escondida dentro, sua superfície adornada com intrincadas gravuras de prata.
De seu núcleo, uma aura dourada semelhante a um líquido surgiu para fora, envolvendo-o e todos aqueles atrás dele.
Olhos injetados de sangue cheios de arrependimento se voltaram para ele.
Os instrutores sabiam — cada um deles sabia — que ele havia chegado a este ponto por causa deles.
Se ao menos eles tivessem sido mais fortes…
Se ao menos eles não tivessem se exaurido antes…
Isso nunca teria acontecido.
“Pereçam.”
Com uma única declaração, dezenas de milhares de raios, cada um infundido com um elemento diferente, irromperam.
Era uma visão de tirar o fôlego — uma chuva apocalíptica de destruição, obscurecendo o céu.
“HAARGH!”
Com um rugido que sacudiu os céus, o guerreiro de preto liberou todo o poder do Cajado da Guarda da Aurora, formando um escudo inflexível ao redor daqueles que ele jurou proteger.
E então…
BOOOOOOM!
Em todo o campo de batalha — fossem eles alunos, intrusos ou mesmo aqueles além da barreira —
Todos pararam.
Por um momento fugaz, a luta cessou, enquanto todos se voltavam para o coração da explosão, sentindo a pura magnitude da aura que ela havia liberado.
Um aluno, com a sorte de ter sobrevivido, abriu hesitantemente os olhos, tendo se convencido de que a morte era inevitável.
Ele se viu — junto com alguns outros alunos e instrutores — em pé sobre o único terreno sólido restante, cercado pelos restos do que antes era o templo.
“…Nós sobrevivemos?”
Ele mal podia acreditar.
Mas a que custo?
Diante deles, Choupo Moting estava ajoelhado, seu aperto ainda firme em seu cajado.
Sangue se acumulava abaixo dele, seus caminhos de aura rompidos por terem sido forçados além de seu limite.
Clap. Clap.
Descendo do céu, Kai Luc pousou graciosamente diante dele, aplausos lentos ecoando pelo silêncio.
“Muito bem…” Sua voz gotejava diversão. “Você realmente conseguiu protegê-los.”
Choupo, encharcado de sangue, forçou seu corpo trêmulo a se levantar mais uma vez.
Sua respiração estava ofegante.
Mas ele ainda estava de pé.
Os instrutores restantes, com Alexander Fleming na vanguarda, observaram a cena se desenrolar com expressões sombrias.
O campeão da arena… Choupo Moting.
Com um único olhar, ele entendeu tudo.
Ele havia bloqueado o ataque — sim.
Mas, ao fazer isso, ele havia destruído seus caminhos de aura.
Em outras palavras… ele estava fora da luta.
Ele não podia mais lutar.
Kai Luc viu isso e, no entanto, de alguma forma, ele só ficou mais frio. O brilho em seus olhos permaneceu inabalável.
“Venha, Choupo.”
“Encare-me.”
Kai Luc lançou um soco, seu punho envolto em aura carmesim.
O golpe atingiu o rosto de Choupo, forçando-o a tossir sangue.
“Qual é o problema?”
O campeão da arena tentou resistir, mas seu corpo estava em frangalhos.
Kai Luc desferiu golpe após golpe, sua expressão nunca mudando.
Minutos se passaram em ataque implacável antes que o feiticeiro finalmente parasse.
Então, sob seu comando silencioso, uma das esferas celestiais se moveu — disparando um raio de energia que abriu um enorme buraco no peito de um aluno próximo.
“Lute, Choupo.”
Outro raio atingiu. Um instrutor caiu sem vida no chão.
“Lute… ou tudo pelo que você lutou não terá valido a pena.”
Outro aluno caiu.
Então outro.
E outro.
Choupo Moting rangeu os dentes e avançou para cima de Kai Luc.
Mas foi inútil.
Um massacre unilateral.
A diferença entre um homem que se exauriu completamente e um que ainda tinha muito para gastar era intransponível.
Uma pergunta ecoou na mente de Choupo.
“Quando?”
Quando a maré havia virado?
Kai Luc permaneceu estranhamente composto.
Cada movimento que ele fazia era preciso — impecável.
Era como se ele pudesse ver o futuro.
Com um truque vil, ele havia completamente revertido a batalha.
Choupo era perspicaz o suficiente para perceber que seu oponente estava usando algum tipo de habilidade.
E a cada soco que ele suportava, alguém atrás dele morria nas mãos daquelas esferas flutuantes.
Ele tinha perdido. Total e completamente.
Finalmente, o guerreiro de preto desabou diante de Kai Luc, que calmamente ergueu a palma da mão, energia violenta crepitando dentro dela.
“Adeus, Choupo Moting.”