
Capítulo 74
O Ponto de Vista do Vilão
Sansa estava ofegante, lutando para se recuperar da batalha implacável.
Feyrith, se ajustando à sua forma monstruosa, mal conseguia juntar frases coerentes.
Mas então, sua expressão se contorceu quando olhou para mim.
Ele me agarrou pelos cabelos, levantando-me com uma fúria ardente nos olhos.
— Você... Diga-me, o que diabos é tão engraçado?
Mesmo com o rosto ensanguentado, meu sorriso não vacilou.
Sansa estava igualmente confusa.
Nossa derrota era óbvia.
Mas Feyrith não conseguia aceitar.
Ele continuava gritando, cuspindo sua frustração na minha cara.
— Responda-me, droga! Olhe!
Ele apontou para si mesmo, ainda gritando.
— Todos aqueles seus ataques brilhantes? Já curados. Sua força? Tem diminuído desde o início, e mesmo assim você não conseguiu me matar. Diferente de você, eu fico mais forte a cada segundo!
— Essa espada que você tanto se orgulha? Não fez nada! Contra a bênção concedida a mim pelo Alto Demônio Astaroth... você não é NADA!
Ele não estava errado.
Um Rank A desperto estava além de mim — mesmo com Balerion.
Eu conseguia me manter em breves escaramuças...
Mas uma luta até a morte?
Impossível.
— Você já sabia de tudo isso... Então me diga — por que diabos você ainda está rindo?
— Heh... Cara, eu já te disse...
Respirei fundo, reunindo os últimos vestígios de minha força.
— Você fala demais.
Em um instante, me soltei de seu aperto, mudando para minha postura.
Balerion recuou, pronto para desencadear um golpe final, tudo ou nada.
— Dez Mil Passos da Sombra: Escuridão Infinita.
O mundo de Feyrith foi engolido pela sombra enquanto meu golpe devastador o atravessava — junto com o coliseu atrás dele.
Minhas mãos tremiam violentamente. Se não fosse por Balerion se fundir comigo, eu a teria deixado cair.
Aquele foi meu último ataque.
Eu ainda tinha uma reserva infinita de aura dentro de mim... mas meu corpo havia atingido seu limite.
Na minha frente, Feyrith jazia em meio aos escombros, com um ferimento enorme se estendendo do pescoço ao abdômen.
Se eu fosse um pouco mais forte... poderia tê-lo cortado ao meio.
Mas o destino era cruel.
Eu observei enquanto sua carne se juntava novamente, seus órgãos se realinhando lentamente, runas negras pulsando por todo o seu corpo.
Sua regeneração havia diminuído para um ritmo lento — mas eu não podia mais tirar proveito disso.
— Haha... Olha para você, Feyrith. Mesmo com todo esse poder, você ainda está deitado aos meus pés... Patético.
Lentamente, ele se levantou novamente, sua ferida ainda lutando para se fechar.
— Vamos ver por quanto tempo você continua rindo...
Uma lâmina enorme, vermelho-sangue, se formou em suas mãos.
Era tão grande que ele tinha que arrastá-la atrás de si enquanto se aproximava.
Com seu pescoço meio decepado e corpo encharcado de sangue, ele parecia mais monstruoso do que nunca.
— Então, e agora, Frey Starlight? Outra técnica oculta? Uma carta na manga? Qual é o seu próximo movimento?
Eu simplesmente levantei ambas as mãos.
— Agora? Eu me rendo.
Silêncio.
Tanto Feyrith quanto Sansa me encararam, estupefatos.
— Por que tão surpresos? Não é esta a hora perfeita?
— Que por—
Feyrith começou a falar, mas eu o interrompi.
— Não você. Eu não estava falando com você.
Naquele momento, a sombra de Feyrith se aprofundou.
E de dentro dela, uma figura emergiu.
Serpentes escuras de sombra se contorciam ao redor dele, e em suas mãos — duas adagas aterrorizantes, completamente consumidas pelo poder da escuridão.
Com um único golpe de suas adagas, Ghost enviou a cabeça de Feyrith voando pelo ar — seu corpo finalmente sucumbindo aos danos que eu havia infligido.
— Hein?
Enquanto sua cabeça decepada girava no ar, a mente de Feyrith lutava para processar o que acabara de acontecer.
Memórias inundaram sua consciência — sua vida, as escolhas que o levaram até ali, o momento em que tudo saiu do controle.
Ele nem sequer sabia de onde Ghost tinha vindo.
Não o viu se mover.
Não entendeu como sua cabeça havia se separado de seu corpo.
Deitado no chão frio, seu olhar enfraquecido pousou em uma figura familiar.
— San... sa...
E com isso, a vida esvaiu-se de seus olhos.
Eu desabei no chão, lutando para recuperar o fôlego.
— Droga... se isso não tivesse funcionado, não tenho ideia do que teria feito.
Este tinha sido meu último recurso.
Desde o início, eu sabia que não poderia derrotar Feyrith — não como eu estava. Ele era simplesmente mais forte.
Mas eu não estava sozinho.
Nós não éramos apenas um Espadachim e uma Controladora de Ondas... Nós tínhamos um Assassino.
Ghost estava à espreita na sombra de Feyrith o tempo todo, esperando o momento perfeito — o momento que eu havia criado para ele.
Se recebesse a configuração certa, Ghost era imparável.
Meu papel era simples: enfraquecer Feyrith o suficiente para que ele pudesse desferir o golpe mortal.
E agora... tinha acabado.
Todos estavam no chão, exaustos, exceto Ghost.
Ele ficou parado, com os olhos fixos no cadáver mutilado de Feyrith. Então, ele se virou — seu olhar se voltando para minha mão esquerda.
Ou melhor... para Balerion.
Naquele momento, minha espada desapareceu em sua forma tatuada.
Coloquei um dedo sobre meus lábios.
— Vamos manter isso entre nós, sim?
Ghost assentiu antes de se aproximar para me ajudar a levantar.
— Não esperava que você captasse meu sinal.
— Como não captar? Com a quantidade de intenção de matar que você estava jogando em mim?
— Você é mais esperto do que parece, Frey Starlight.
Eu me abaixei ao lado da princesa, que mal se agarrava à consciência.
Ghost, notando sua condição, puxou algumas poções de cura.
Tanto Sansa quanto eu bebemos avidamente, nossos corpos se curando em uma velocidade visível.
Finalmente, ela conseguiu falar.
Ela se virou para mim, exaustão estampada em seu rosto.
— Obrigada, Frey... por me salvar... por tudo.
Eu odiava ouvir aquelas palavras.
Eu a dispensei rapidamente.
— Não precisa me agradecer. Eu não fui o único que te salvou — nós o derrubamos juntos.
— Mas—
— Sem "mas"... Ah, e se você está realmente grata, esqueça o que viu aqui. Estou falando sério.
Eu toquei a tatuagem na minha mão.
Sansa assentiu imediatamente.
— Bom. Então está tudo certo.
O rugido distante de explosões continuava, sacudindo o chão acima de nós — a batalha lá fora ainda estava furiosa.
— As coisas não estão boas lá em cima.
Ouvindo o comentário de Ghost, inclinei minha cabeça para trás antes de me concentrar nele novamente.
— Qual é o seu plano?
— Estou indo para cima. Meu irmão precisa de mim. E você?
Eu gesticulei em direção a Sansa.
— Eu tenho assuntos inacabados. Posso contar com você para cuidar da princesa?
— Eu não preciso de proteção.
Sansa franziu a testa, mas eu simplesmente ri e pressionei um dedo contra sua lateral.
— Deixe de teatro. Seus ferimentos podem estar curados, mas sua força não se recuperou. Esse é o preço de queimar suas reservas de aura.
Tanto Sansa quanto Ghost me lançaram olhares estranhos.
Porque, é claro, a mesma lógica se aplicava a mim.
— Não me olhem assim. Eu ainda posso lutar por um tempo antes de acabar.
— Frey... Você tem certeza de que não é um Contratante [1] oculto?
Ignorando a pergunta, levantei meu punho em direção a Ghost.
— Esqueça isso. Ghost, que tal uma rodada de pedra-papel-tesoura?
O que se seguiu foi a reação de Ghost e Sansa — seus rostos se contorcendo em confusão.
[1] - Indivíduos que fazem um pacto com seres de outra dimensão, ganhando habilidades em troca.