
Capítulo 79
O Ponto de Vista do Vilão
O Templo
Nas profundezas dos corredores do templo, uma jovem de óculos redondos lutava para sobreviver.
Adriana segurava sua lança com firmeza, seu olhar cauteloso varrendo os arredores.
Inúmeras vezes, figuras mascaradas de preto a emboscaram, mas ela conseguiu se manter viva… até agora.
Onde quer que olhasse, cadáveres cobriam o chão. Alguns pertenciam a inimigos. Outros… a seus colegas.
“Que diabos está acontecendo…?”
Um arrepio percorreu sua espinha, mas antes que pudesse juntar seus pensamentos, um novo grupo surgiu à frente.
Liderando-os, estava um homem alto e musculoso de cabelos grisalhos, vestido de preto. Seus lábios se curvaram em um sorriso presunçoso no momento em que seus olhos se encontraram.
“Tragam-na.”
E assim, a caçada começou.
Adriana disparou, forçando suas pernas ao limite enquanto respirações ofegantes queimavam sua garganta.
“O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço?!”
Lutar não era uma opção. Mesmo sem confrontá-lo, ela podia sentir: a pressão que emanava apenas de seu líder era esmagadora. A distância entre eles era intransponível.
No momento, tudo o que ela podia fazer era correr.
“Aonde você vai, querida?”
“Venha brincar conosco um pouco.”
Duas das figuras mascaradas atacaram por trás, seus ataques rápidos e implacáveis. Adriana conseguiu aparar alguns com sua lança, mas não teve sorte o suficiente para escapar ilesa.
Sangue escorria pelo seu braço.
“Chega. Matem-na.”
O homem de cabelos grisalhos observava de trás, sua expressão de puro tédio.
Seus perseguidores se aproximaram para matar.
Mas antes que pudessem dar o golpe final, Adriana se jogou pelas portas de um salão próximo, fechando-as atrás de si.
Os assassinos riram.
“Ela acabou de se aprisionar?”
Divertidos, eles alcançaram a porta.
E então…
Bang! Bang! Bang!
Seus corpos se contorceram, crivados de inúmeras balas de alta velocidade antes que pudessem sequer reagir.
Eles desabaram, sem vida.
“Que por—?”
Sentindo o perigo, a aura de seu líder explodiu: energia cinzenta o cercando. Mas antes que pudesse fazer um movimento, uma explosão devastadora de aura aquática rasgou a parede ao seu lado, envolvendo seu corpo em um instante.
Em meros segundos, ele foi reduzido a um monte disforme de carne.
Adriana mal podia acreditar no que via.
Há poucos momentos, ela estava à beira da morte. Ela tinha fugido para esta sala puramente por instinto, desesperada para ganhar mais alguns segundos.
Mas isso… isso estava além de tudo o que ela esperava.
Lentamente, ela virou a cabeça—
E ali, sentado calmamente com uma xícara de macarrão instantâneo nas mãos, estava um velho de terno preto.
“Professor Luca?!”
Ao ouvir seu nome, Luca Bonatiro lançou-lhe um breve olhar antes de voltar à sua refeição.
Lágrimas encheram os olhos de Adriana.
Depois de todo o horror, todo o desespero… ela finalmente havia encontrado um fio de esperança.
“Professor!~”
Ela tentou se aproximar dele, mas uma força invisível a manteve afastada.
“Fique para trás, garota. Não vê que estou comendo?”
Seu tom era de leve aborrecimento, mas Adriana não se importou.
“Professor Luca! O templo foi infiltrado! Eles mataram muitos de nós! Nós temos que—”
“Pode ficar quieta por um momento? Você está falando muito rápido. Além disso… eu já sei o que está acontecendo lá fora.”
Suas palavras a silenciaram.
Adriana olhou ao redor. O salão estava vazio, exceto pelo professor e sua preciosa coleção de artefatos—artefatos sobre os quais ele sempre falava com grande orgulho.
Reunindo sua coragem, ela fez a pergunta que pesava em sua mente.
“Professor… se você sabe o que está acontecendo, por que ainda está aqui?”
“E por que eu sairia?”
Uma resposta rápida e imediata.
Ela hesitou, pega de surpresa pela contrapergunta.
“Os professores não deveriam proteger seus alunos?”
Luca soltou um suspiro ao terminar sua comida, então se virou para ela.
“Tudo o que me importa neste mundo amaldiçoado está dentro deste salão.”
Ele gesticulou ao seu redor—em direção aos artefatos e relíquias que ele tanto valorizava.
“Cada um deles tem um valor muito maior do que vocês, alunos inúteis. Eles são meus preciosos filhos. Eu não a ajudei antes—eu estava simplesmente eliminando ameaças à minha coleção.”
Levantando-se, ele passeou tranquilamente pelo grande salão.
“A situação lá fora se resolverá em breve. Se você escolher se esconder aqui ou sair correndo para bancar o herói… isso depende inteiramente de você.”
Adriana estremeceu, lembrando-se dos corpos sem vida espalhados pelos corredores do templo.
Ela se viu incapaz de refutar seu raciocínio.
Em vez disso, ela silenciosamente se retirou para um canto do salão, envolvendo os braços em volta dos joelhos.
Luca riu da cena.
“Uma decisão sábia.”
O tempo passou arrastado, cada segundo se estendendo como uma eternidade.
Mais alunos chegaram, um por um.
Luca não fez nenhum esforço para impedi-los, permitindo que se reunissem ao lado de Adriana.
Os assassinos vestidos de preto, no entanto, tiveram um destino diferente. No momento em que pisavam dentro, seus corpos eram triturados como papel molhado.
Enquanto isso, Luca ocasionalmente mexia em seu olho esquerdo.
Cada vez que fazia isso, sua expressão mudava—deixando os alunos ainda mais inquietos.
Depois de várias horas, ele finalmente expirou, seu rosto inexpressivo.
“Então… até você perdeu, Choupo?”
Ele estava observando tudo dentro do templo através de sua habilidade única—manipulando toda a água dentro de seu domínio como uma extensão de si mesmo.
Ninguém havia notado os minúsculos olhos formados de água flutuando invisivelmente por todo o campo de batalha.
“Talvez… seja hora de eu escapar com minha coleção.”
Assim que Luca alimentou o pensamento, ele avistou um certo jovem avançando em direção a Kai Luc.
“Aquele é… o Príncipe Aegon?”
No momento em que o príncipe entrou no campo de batalha, tudo mudou.
Os olhos formados de água de Luca foram abruptamente destruídos por uma força externa, cortando sua conexão com o mundo exterior.
Ao mesmo tempo, soldados imperiais invadiram o templo.
Luca permaneceu congelado por um momento antes de cair na gargalhada.
“Agora as coisas estão ficando interessantes.”
Os alunos trocaram olhares inquietos.
Para eles, o comportamento do professor parecia totalmente insano.
Luca continuou rindo por algum tempo—até que, de repente, todo o salão foi banhado por uma luz azul ofuscante.
Esferas de água se materializaram ao seu redor enquanto ele se preparava para o que estava prestes a surgir.
Então—
Uma mulher caiu violentamente no chão.
Seu corpo estava quebrado, sangue jorrando de um buraco aberto em seu peito.
Luca observou a cena, sua calma habitual inalterada.
“Oh? O que temos aqui?”
Seu tom permaneceu indiferente.
Mas o grito de Adriana quebrou o silêncio.
“Professora Sophia!!!”
...
...
...
Em outro lugar no Templo…
Enquanto Adriana fugia, uma batalha estrondosa rugia em outra parte do templo.
O milagre do templo. O mais forte entre os calouros.
Snow Lionheart—um guerreiro que nunca havia provado a derrota—lutava como uma besta entre bestas, seu ódio profundo alimentando cada golpe contra aqueles que haviam roubado tudo dele.
Em meio ao caos, Lara Croft se viu presa dentro de uma horda massiva de Bestas do Pesadelo. De vez em quando, ela lançava um olhar para o campo de batalha distante, a centenas de metros de distância.
“Snow…”
Ela murmurou, sua voz trêmula. Mas a garota ao lado dela rapidamente a trouxe de volta à realidade.
“Concentre-se, Lara!”
Tudo dentro do domínio de Seris Moonlight congelou em estilhaços de gelo. Ela liderou o ataque, cortando os monstros que tentavam cercá-los.
“Não adianta se preocupar com os outros quando você nem consegue garantir sua própria sobrevivência.”
As bestas eram vorazes, seus números esmagadores.
Felizmente, o restante da classe de elite do primeiro ano havia se juntado à luta.
Ragna, Danzo, Dawn Polaris e outros lutaram implacavelmente, tentando conter os monstros desenfreados.
Lutar contra humanos era uma coisa.
Lutar contra Bestas do Pesadelo era uma provação totalmente diferente.
Eles eram implacáveis—não se abalavam com ferimentos que teriam matado qualquer humano. Seus padrões de combate eram imprevisíveis, suas habilidades monstruosas desafiando a lógica.
Lara apertou seu arco, estabilizando sua respiração.
Se ela hesitasse, morreria.
Ela soltou flechas em cada besta dentro do alcance, sussurrando em voz baixa—
“Ele vai ficar bem…”