O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 78

O Ponto de Vista do Vilão

O campo de batalha tinha ficado estranhamente silencioso. Apenas Aegon, seus cavaleiros e um punhado de estudantes e professores sobreviventes permaneciam.

Enquanto isso, o Exército Imperial estava eliminando metodicamente os últimos remanescentes dos Ultras, sinalizando a inevitável conclusão da batalha.

Choupo Moting, ainda gravemente ferido, lutava para se mover em direção ao corpo inconsciente de Sophia.

Por alguma razão, um pressentimento sinistro o atormentava, recusando-se a dissipar.

Em outro lugar, os estudantes suspiravam de alívio, alguns até torcendo pelo príncipe.

Eles estavam hipnotizados pelo jovem que, apesar de ser mais jovem que todos eles, havia realizado o que eles nunca poderiam.

Claro, eles desconheciam a conversa que acabara de acontecer entre Aegon e Kai Luc. O feiticeiro havia selado todo o som, garantindo que ninguém ouvisse a troca arrepiante. Se soubessem, suas reações seriam drasticamente diferentes.

Muitos entre eles estavam feridos, especialmente os professores. Choupo Moting e Sophia estavam nas piores condições — Sophia já estava à beira da morte.

'Meu príncipe... devemos ajudá-los?'

O feiticeiro perguntou cautelosamente, tendo avaliado a gravidade de seus ferimentos.

Aegon ainda sorria enquanto se virava para os alunos que torciam por ele.

'Oh... eles?'

Ele fez uma pausa brevemente antes de emitir seu próximo comando.

'Matem todos eles. Morreram em batalha.'

Pela primeira vez, até os Cavaleiros da Távola Redonda congelaram no lugar.

'...Como?'

O feiticeiro perguntou, a incredulidade evidente em sua voz. Diferente de antes, ele não havia selado o som desta vez. As palavras de Aegon foram ouvidas por todos, e aqueles com sentidos aguçados enrijeceram instantaneamente.

'Não me façam repetir. Matem-nos. Não tenho utilidade para peças inúteis.'

Um silêncio pesado pairou sobre o campo de batalha, o peso de seu comando afundando.

'Entendido, meu senhor.'

Os cavaleiros obedeceram.

Fleming deu um passo à frente, sua voz firme.

'Aegon... o que você quer dizer com isso?'

Slash!

Fleming nunca teve a chance de terminar. Sua cabeça separou-se limpa de seu corpo, o sangue pintando a terra em um arco carmesim.

A lança moveu-se em seguida, empalando várias pessoas em um movimento rápido.

Gritos e clamores agonizantes encheram o ar quando o massacre recomeçou.

As mesmas armas que antes os protegiam... agora se tornaram os instrumentos de sua execução.

'Por quê?'

'Por que você está fazendo isso?'

'Você não está do nosso lado?'

As mesmas perguntas desesperadas ecoavam em meio ao caos.

As mãos do espadachim e do lanceiro tremiam levemente enquanto cumpriam suas ordens... mas eles nunca hesitaram.

Aegon observava com desinteresse.

'Por quê?' Ele zombou. 'Que utilidade tenho para pessoas que nem sequer conseguiram lidar com um único homem?'

Muitos imploraram por suas vidas, pedindo misericórdia, mas Aegon permaneceu impassível.

Para ele, eles já eram inúteis. Nem humanos nem ferramentas — apenas lixo a ser descartado.

Se havia uma pessoa que ele hesitava em matar, era o homem olhando para ele agora.

'Que pena... Choupo Moting.'

Aegon avançou, desembainhando sua espada enquanto tentáculos de relâmpago crepitavam ao seu redor.

'Você era uma peça importante... Eu tinha grandes expectativas para você.'

Ele balançou a cabeça em desapontamento.

'Mas você arruinou tudo. Você escolheu proteger essas pessoas... e agora, você está assistindo-as morrer diante de seus olhos.'

'Nossas escolhas nos definem, Choupo. E a sua... foi a errada.'

Choupo Moting havia sido um guerreiro formidável, mas ele destruiu seus próprios caminhos de aura quando bloqueou aquele ataque devastador antes.

Se ele tivesse sacrificado os outros naquela época, ele poderia ter derrotado Kai Luc. Mas, em vez disso, ele escolheu salvá-los... e agora, ele estava pagando o preço.

Choupo não respondeu às palavras de Aegon. Mesmo em seu estado debilitado, ele continuou rastejando em direção ao corpo de Sophia.

'Mesmo agora... você está tentando protegê-los.'

Sophia estava inconsciente há um tempo, alheia à carnificina que se desenrolava ao seu redor. Ela pairava entre a vida e a morte, uma ferida profunda esculpida em seu peito.

Choupo cerrou os dentes, usando seu cajado para se levantar uma última vez.

'Você está certo... nossas escolhas nos moldam.'

De seu bolso, ele pegou um artefato estranho e gentilmente o colocou no corpo de Sophia.

'Eu cheguei a uma encruzilhada... e tomei minha decisão. Não tenho arrependimentos.'

Seus olhos manchados de carmesim demoraram-se em Sophia antes que ele jogasse o artefato sobre ela.

'Pelo menos... eu não vou deixá-lo decidir seu destino.'

No momento em que fez contato, o artefato emitiu um leve brilho azul antes de desaparecer completamente — quase como se nunca tivesse estado ali.

Aegon não fez nada.

Ele simplesmente observou Choupo fazer seu movimento final.

'Muito bem.'

O príncipe sorriu antes de levantar sua espada.

Observando a lâmina de Aegon descer lentamente, Choupo murmurou para si mesmo, já sabendo o que estava por vir.

'A nova geração... é verdadeiramente aterrorizante.'

Com um único golpe, Choupo Moting foi cortado ao meio. Sua parte superior do corpo caiu no chão em uma exibição horrível, enquanto sua metade inferior permaneceu de pé.

Sem um pingo de emoção, Aegon limpou sua lâmina e se virou.

'Adeus, Choupo Moting.'

Naquele exato momento, o espadachim e o lanceiro terminaram de massacrar o resto.

O feiticeiro manteve a barreira de som, garantindo que nenhum olho externo pudesse testemunhar os horrores que haviam se desenrolado ali.

'Recupere o cajado da Guarda da Aurora. Será útil no futuro.'

'Entendido.'

O portador do escudo apressou-se para coletar o cajado. Aegon não tinha intenção de respeitar a posse final do chamado 'Rei do Ringue'. Em vez disso, ele reivindicaria tudo de valor para si mesmo.

'Meu senhor... aquele homem conseguiu mandar a mulher embora, mas ela não foi longe. Eu posso rastreá-la agora e—'

'Não precisa.'

Aegon interrompeu, balançando a cabeça.

'Sophia já está à beira da morte. Uma pequena aposta com o destino não vai machucar.'

'Se ela morrer, que assim seja. Se ela sobreviver, ela continuará desempenhando seu papel como sempre. Afinal... ela não viu nada.'

'Mas meu senhor... se ela viver e descobrir o que aconteceu aqui, ela pode se tornar uma ameaça no futuro.'

Aegon riu.

'Então eu terei mais um inimigo divertido para lidar.'

O príncipe riu enquanto os Cavaleiros da Távola Redonda permaneceram em silêncio.

Sua fé nele era absoluta.

Este não foi o primeiro nem o segundo massacre que ele havia orquestrado.

Não importa quão implacáveis fossem suas ações, elas sempre abriram caminho para um futuro maior — algo que eles testemunharam com seus próprios olhos. Foi por isso que eles escolheram segui-lo, não importa o quê.

Sobrecarregados pelo peso de seus pecados, os cavaleiros não disseram nada, pois os pensamentos de Aegon já haviam se desviado para outro lugar.

Quais novas peças substituiriam aquelas que ele havia descartado hoje?

Uma coisa era certa.

Seu nome já havia sido imortalizado como o Salvador do Templo.

Sua influência havia crescido.

E ele havia dado mais um passo decisivo em direção ao trono.

Finalmente... a Batalha do Templo estava se aproximando do fim.

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