O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 72

O Ponto de Vista do Vilão

Sansa não se apressou, chegando ao local mencionado na carta depois de quase meia hora.

Ela nem sabia que tal lugar existia.

A instalação subterrânea era vasta, mal iluminada, com arquibancadas imponentes cercando várias arenas de batalha.

Parecia um campo de batalha de uma era esquecida.

Analisando a área, ela procurou por qualquer sinal de movimento, qualquer presença.

Nada.

Ela estava sozinha.

Caminhou lentamente pelas arenas enormes, cada uma parecendo estar esperando para testemunhar uma luta até a morte.

O ar estava denso com uma pressão estranha.

No entanto, não havia ninguém ali.

Sansa ficou parada por um momento, um mal-estar crescendo em seu peito quando seu smartwatch de repente desligou.

"Sem sinal, hein?"

Soltando um suspiro silencioso, ela subiu nas arquibancadas vazias, sentando-se para observar toda a arena enquanto esperava que o remetente da carta aparecesse.

Embora o lugar estivesse escuro, sua visão permanecia nítida.

Por um momento, a arena à sua frente estava vazia.

Então, num piscar de olhos, uma figura apareceu no centro dela.

Sansa se endireitou bruscamente, os olhos se arregalando ao contemplar o jovem parado diante dela.

Ele se curvou elegantemente, com um olhar estranho nos olhos.

"Minhas desculpas por fazê-la esperar... minha querida Sansa."

Suas sobrancelhas se franziram.

"Feyrith?!"


"O que você está fazendo aqui?"

Sem hesitar, Sansa saltou das arquibancadas para a arena, sua expressão se tornando sombria.

"O que *eu* estou fazendo aqui?"

Como se a resposta fosse óbvia, Feyrith riu.

"Por que eu não estaria aqui? Afinal, fui eu quem a convidou."

"Você escreveu aquela carta?"

Ela nunca esperava que o remetente fosse um de seus próprios colegas de classe.

"Se isso é algum tipo de piada, não tem graça."

Ela permaneceu tensa.

O jovem diante dela sabia coisas que não tinha razão para saber.

No entanto, Feyrith parecia totalmente encantado, aproximando-se com um sorriso brilhante.

"Isto não é uma piada, Sansa. Estou falando completamente sério."

No momento seguinte, sua figura desapareceu — apenas para reaparecer bem ao lado dela.

Sansa instintivamente recuou, seu corpo reagindo antes que sua mente pudesse registrar seu movimento.

"Você deve estar se perguntando: 'Como ele descobriu sobre mim?'. Estou certo?"

Enquanto ele brincava com ela, a mente de Sansa corria para dar sentido ao que estava acontecendo.

Feyrith sempre foi um dos principais suspeitos.

No entanto, todas as vezes, ele conseguia escapar da suspeita.

Aura rodopiava em torno de seu corpo enquanto ela se preparava.

Vendo isso, Feyrith suspirou.

"Por que tanta hostilidade, minha querida Sansa?"

Ela levantou a mão, vapores negros subindo de suas pontas dos dedos.

"Você é o Contratado… não é?"

Feyrith riu suavemente.

"Que título adorável você me deu. Mas sim... eu sou."

Ela não lhe deu chance de dizer mais nada.

Um corte negro, mais rápido que o som, disparou em direção a ele.

No entanto, inexplicavelmente, o ataque — um que era impossível de rastrear a olho nu — foi desviado com facilidade.

"Agressiva e feroz… mas essa é uma das razões pelas quais eu a amo."

"Deto! Vamos derrubá-lo juntos e arrancar respostas dele!"

Sansa continuou seus golpes rápidos, seus ataques mais afiados e rápidos.

Ela chamou por seu guarda pessoal—

Mas Deto nunca apareceu.

Feyrith, como se percebesse algo, de repente parou de se esquivar e suspirou divertido.

"Deto, Deto, Deto… Oh, você quer dizer o cara que veio com você?"

Uma onda fria de pavor atingiu Sansa quando ela viu o que ele estava segurando.

Um cadáver mutilado.

Feyrith continuou rindo, sua expressão perturbadoramente alegre.

"Este é o nosso momento especial, minha querida Sansa… Seria terrivelmente rude se alguém o interrompesse."

O corpo em suas mãos estava desfigurado além do reconhecimento.

Mas as vestes do templo manchadas de sangue não deixavam dúvidas.

"Impossível..."

O choque a paralisou.

Deto Norman — um Desperto de rank B, um estagiário do último ano no templo...

Feyrith realmente o derrotou em tão pouco tempo — sem um único ferimento?

Lâminas escuras se materializaram ao redor de Sansa enquanto ela entendia a gravidade da situação.

Ela as atirou contra ele.

Mas desta vez, Feyrith nem se preocupou em se esquivar.

Ele as bloqueou com as próprias mãos.

"Eu não entendo… Como você escapou da detecção da Igreja?"

Os vapores negros ao redor de Sansa se intensificaram, seus ataques ficando mais ferozes.

"A própria Uriel foi responsável por identificar os Contratados. É impossível falsificar a triagem!"

Feyrith parecia estar ficando entediado.

Ele desviou seus ataques sem esforço, então apareceu na frente dela em um instante — agarrando seu pulso.

"Oh, minha querida Sansa… Você não sabe de nada."

Com um único empurrão, ele a jogou no chão, prendendo-a.

Sansa arquejou, mas antes que pudesse reagir, uma força invisível esmagou sua resistência.

"A Igreja não conseguiu me detectar. Uriel não conseguiu me ver — simplesmente porque o demônio com quem eu fiz o contrato está muito além do que aqueles tolos podem perceber."

O aperto de Feyrith apertou em torno dela, seu toque enviando arrepios por todo o seu corpo.

"Todos se obcecam por esquemas… Todos acreditam em alguma grande conspiração, não importa o que aconteça."

"Todos suspeitavam de mim. Era óbvio que eu era o Contratado… mas eles não conseguiram me condenar."

"'Feyrith está seguro. Feyrith passou na triagem da Igreja.'"

"Tudo isso os levou a pensar que havia alguma força maior puxando as cordas."

Ele sussurrou ao lado de seu ouvido, saboreando cada momento.

"Eles se convenceram: 'Não pode ser Feyrith. Deve haver algum mestre oculto à espreita nas sombras… alguém invisível…'"

"Haha, eu deveria agradecê-los por sua estupidez."

O coração de Sansa batia forte quando ela sentiu a mão dele rasgando lentamente suas roupas.

"Eles desperdiçaram seu tempo perseguindo fantasmas, cegos para o verdadeiro perigo…"

Feyrith sorriu.

"Kai Luc estava entre eles o tempo todo."

Ele riu, como se estivesse divertido.

"E, claro… eu tenho que agradecer ao querido Frey. Ele atraiu tanta suspeita quanto eu."

Feyrith riu suavemente antes de puxar Sansa para outro abraço.

"Esqueça todo o resto… Seja o que for que aconteça lá fora, deixe estar. Agora, a única coisa que importa somos nós."

"Você sofreu tanto, minha querida Sansa… e tudo que eu fiz — tudo isso — foi por uma pessoa apenas. Você."

"Você era minha única luz, a única razão pela qual eu suportei a agonia deste contrato amaldiçoado!"

Lentamente, ele tirou a camisa, seus dedos deslizando pela coxa de Sansa antes de deslizar para cima, alcançando lugares que ele não tinha o direito de tocar.

Mas antes que ele pudesse—

Seus olhos escureceram.

Um negro estranho e ameaçador se espalhou por eles e, no instante seguinte—

Uma onda violenta de poder irrompeu de seu corpo, arremessando Feyrith para trás.

"Huh?"

Sansa se levantou instavelmente, lutando para se conter.

A energia que corria por ela agora estava em um nível completamente diferente — muito mais forte do que qualquer coisa que ela já havia empunhado antes.

Ela mordeu o lábio, tentando suprimi-la.

Ela tinha sido avisada para nunca liberar esse poder — um que ela ainda não entendia completamente.

Mas agora, ela não tinha escolha.

A arena escureceu sobrenaturalmente enquanto suas sombras se espalhavam, envolvendo o chão em um círculo perfeito de cinco metros de largura.

Feyrith observou com interesse enquanto sua voz soava, fria e firme.

"Feyrith Eirlet… Como aluna da Classe B, eu falhei em detê-lo antes."

"Mas eu vou assumir a responsabilidade agora — e apagá-lo aqui."

Por um momento, silêncio.

Então, Feyrith soltou uma risada — zombeteira, divertida.

"Então venha para cima de mim~"

De dentro da sombra de Sansa, incontáveis espinhos negros se materializaram, pairando em estranha quietude antes de serem lançados para frente em velocidade alucinante.

Mas ela não tinha terminado.

Mais lâminas escuras se formaram atrás dela, chovendo em uma tempestade implacável que estilhaçou a arena em pedaços.

No entanto—

Nada disso o tocou.

Cada golpe devastador ricocheteou em uma barreira estranha e invisível que cercava Feyrith.

"Incrível… Então este é o poder sobre o qual eles estavam falando."

"Do que você está falando?"

Feyrith sorriu, sua diversão se aprofundando enquanto ele dava um passo à frente.

"Nada, nada… Você nem sabe o que você é, sabe? Isso é normal — eu mesmo não entendo completamente."

Levantando um único dedo, ele conjurou uma pequena esfera negra.

A esfera se contorceu e esticou, transformando-se em uma forma fina, semelhante a uma agulha.

Então, sem aviso—

Ela disparou para frente em uma velocidade impossível, perfurando a mão de Sansa.

Uma vez.

Duas vezes.

Dezenas de vezes.

Seu braço estava coberto de furos antes mesmo que ela percebesse o que havia acontecido.

Um grito pressionou sua garganta, mas ela o engoliu, apertando sua mão sangrando.

Feyrith se aproximou, seu olhar ilegível.

"Você não sabe o quanto me dói vê-la assim, Sansa…" Sua voz era quase gentil. "Mas eu tenho que fazer isso. Então, por favor, me perdoe."

Ele estendeu a mão para ela—

Mas então—

Um zumbido agudo quebrou a tensão.

Feyrith franziu a testa, puxando um cristal violeta de seu bolso.

"Desculpe-me por um momento… minha querida Sansa. Os negócios vêm primeiro."

Ele pressionou o cristal e uma projeção piscou para a vida — revelando Kai Luc.

"O que diabos você está fazendo, Feyrith?"

"Estou a caminho para terminar o trabalho."

"Eu não vou tolerar atrasos. Eu preciso de você no Núcleo agora — nós vamos incendiar este lugar. Você sabe o que acontece se você falhar."

"Eu sei… eu vou cuidar disso."

"É melhor que cuide."

A imagem de Kai Luc desapareceu.

"Tch. Irritante."

Feyrith exalou bruscamente antes de se virar para Sansa.

"Agora, onde estávamos?"

Com um único movimento de sua mão, a blusa de Sansa foi rasgada e, em um instante, ele estava sobre ela mais uma vez.

Ela envolveu os braços em torno de si mesma, mas foi inútil — ele a dominou completamente.

"Eu não tenho tempo a perder, minha querida Sansa… Então, por favor, apenas me dê minha recompensa."

Enquanto sua mão a alcançava, Sansa cerrou os punhos, seus olhos dourados escurecendo, engolidos por um negro abissal.

Ela estava à beira de algo desconhecido.

Se ela se soltasse agora, se ela liberasse esse poder totalmente — quem sabia o que aconteceria?

Mas ela sabia de uma coisa — qualquer coisa era melhor do que se deixar ser violada por ele.

Sua respiração falhou e ela apertou os olhos com força, rendendo-se à escuridão.

Mas antes que ela pudesse—

Feyrith desapareceu.

Ele reapareceu vários metros de distância, evitando por pouco um golpe de espada apontado para sua garganta.

Os olhos de Sansa se abriram.

Uma terceira figura havia entrado na arena.

Uma silhueta familiar — longos cabelos pretos, ferimentos recentes em seu corpo, evidências de que ele acabara de sair de uma batalha.

Ele ficou ali, completamente imperturbável, seu olhar fixo em Feyrith.

"Parece que eu cheguei bem a tempo… antes do show começar."

"Frey…"

A voz de Sansa era mal um sussurro.

Ele se virou para ela, expressão ilegível, antes de jogar seu casaco em sua direção.

"Você está parecendo um estrago, Princesa."

Feyrith estalou a língua, irritação piscando em seus olhos.

"Por que vocês todos continuam interrompendo? Eu preciso matar todo mundo só para ter um momento sozinho com Sansa?"

O ar ficou mais pesado — uma tempestade pronta para se libertar.

"Desculpe," Frey disse secamente. "Eu só tenho o hábito de arruinar relacionamentos patéticos sempre que os vejo. Então você terá que perdoar minha interferência."

A pressão sufocante que cercava Feyrith não o perturbou.

Em vez disso, ele apenas continuou a provocá-lo.

O peito de Sansa se apertou de medo.

"Corra, Frey! Você não pode vencê-lo!"

Ela nem pensou em si mesma — ela só queria que ele escapasse.

Mas ele nem sequer olhou para ela.

"Não posso vencê-lo?" Frey inclinou a cabeça. "Meio cedo demais para dizer isso, não acha?"

Nessas palavras—

Feyrith estalou.

Seu poder explodiu para fora, distorcendo o ar, sacudindo toda a arena.

"Você deveria ter escutado ela," Feyrith zombou. "Um ninguém como você… não é mais um desafio para mim."

Frey estreitou os olhos.

"Pico da Classe B… e ainda subindo."

Finalmente, ele entendeu o que o sistema queria dizer quando classificou a dificuldade deste mundo como 'Pesadelo'.

Feyrith era muito mais forte do que o antigo Frey — aquele que deveria ser o Contratado.

Talvez… ele tivesse feito um acordo com o Demônio Superior Nº 19… o próprio Astaroth.

Frey se viu se perguntando—

"Eu posso sequer vencer contra ele? Este monstro na minha frente…"

Ele exalou—

Então jogou sua espada de lado.

Levantando sua mão esquerda, ele fez um gesto simples.

Tanto Sansa quanto Feyrith presumiram que ele havia se rendido.

"Tarde demais," Feyrith zombou. "Frey Starlight, eu vou te matar e—"

"Cale a boca por um segundo," Frey o interrompeu.

Um sorriso brincou em seus lábios enquanto a tatuagem em seu braço esquerdo começou a brilhar.

"Nós estamos quase chegando na parte boa."

A tatuagem de cobra brilhou violentamente enquanto ele murmurava um nome.

"Venha adiante, Balerion."

Uma fusão estranha ocorreu — fundindo-se com o seu próprio braço—

Uma espada negra sem punho tremeu violentamente, desejando sangue.

O aperto de Frey apertou.

"Agora então… devemos começar?"

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