O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 66

O Ponto de Vista do Vilão

O tempo passou voando.


O templo finalmente teve uma chance de respirar. Graças aos esforços combinados da igreja e das forças do templo, todos os contratantes [1] foram suprimidos.

Todo esse evento era algo que valia a pena comemorar.

Assim, os estudantes se reuniram no vasto pátio do templo, seus olhares fixos na plataforma à frente.

Sentada em sua cadeira, Sophia Tan soltou um suspiro de alívio enquanto algumas palavras escapavam de seus lábios.

— Finalmente… essa loucura acabou.

Percebendo sua postura relaxada, uma mulher sentada ao lado dela tocou seu ombro de forma brincalhona.

— Por que essa carranca, Sophiázinha? Se continuar assim, vai ficar com rugas como eu.

Sophia sorriu para a senhora ao lado dela.

— Eu não diria isso… A senhora ainda conseguiu manter sua beleza, Lady Cynthia.

— Hoho, bajulação não te levará a lugar nenhum, querida. Sei que o tempo já me deixou para trás há muito tempo.

Ao lado de Sophia estava aquela senhora gentil com cabelos brancos e olhos azuis suaves — sua antiga professora, a pessoa a quem ela sempre seria grata… Cynthia Adams.

— Talvez agora, possamos finalmente respirar fundo.

— Duvido, minha querida.

Cynthia baixou o olhar ligeiramente, um pequeno sorriso se formando em seus lábios.

— Uma guerra se aproxima no horizonte, e um inimigo que pouco conhecemos espreita nas sombras… Não teremos descanso tão cedo.

A realidade podia ser amarga às vezes, mas Sophia tentava aceitá-la de coração aberto.

— Pelo menos… vamos mantê-la longe da próxima geração pelo maior tempo possível.

Ouvindo as palavras de sua ex-aluna, a senhora idosa sorriu calorosamente.

— Bem dito. Pelo menos, podemos proteger esses brotos jovens por um tempo.

As duas mulheres continuaram sua conversa, mas em pouco tempo, sua atenção se voltou para o homem que subiu na plataforma.

Com o Diretor Bloodmader ausente, era natural que seu vice assumisse o comando.

O homem estava na casa dos quarenta e poucos anos, com cabelos pretos, feições marcantes e um par de óculos que combinavam com seu rosto sem esforço.

Ele vestia um elegante terno preto sobre seu físico perfeitamente construído.

Com as mãos cruzadas atrás das costas, ele caminhava com a compostura de um rei, erguendo-se alto diante dos alunos e professores reunidos.

Ele era ninguém menos que o Vice-Diretor e uma das cinco figuras mais fortes do templo… Baek Ryon.

Um ser classificado como S+.

Seu olhar penetrante varreu a multidão antes de ele falar com uma voz grave.

— Aos alunos do templo e meus colegas… Em primeiro lugar, desejo estender minhas mais sinceras desculpas.

Enquanto observavam o vice curvar a cabeça diante deles, os alunos ficaram atônitos.

Para alguém tão poderoso quanto ele baixar a cabeça para eles… isso os deixou sem palavras.

Mas ele não se demorou nisso por muito tempo — endireitou-se e continuou seu discurso.

— Nosso dever sempre foi apoiar a próxima geração, fornecer-lhes um ambiente onde possam crescer e ser protegidos… E falhamos nesse dever quando nossos alunos pereceram diante de nossos próprios olhos.

— Mas assim como caímos juntos, nos levantaremos juntos. Embora isso nunca vá expiar as vidas perdidas, nós suprimimos com sucesso os traidores e recuperamos a honra do templo.

Baek Ryon curvou-se ligeiramente mais uma vez, sua expressão firme.

— O futuro agora está diante de vocês. A tocha será passada para vocês — nossas preciosas joias. Aqui, vocês serão aprimorados para enfrentar o que quer que os dias futuros possam trazer. Mas, pelo menos, de mim para cada membro da equipe deste templo… saibam que nós os apoiaremos com tudo o que temos. Vamos decidir nosso destino, juntos.

Quando seu discurso terminou, uma onda de aplausos irrompeu da plateia.

Sua postura calorosa era um contraste gritante com o implacável Bloodmader, o que só deixou os alunos ainda mais gratos.

Entre eles, Cynthia e Sophia aplaudiram junto.

A senhora idosa deu um pequeno aceno de cabeça.

— Eu não poderia ter feito melhor.

Ao lado dela, Sophia sorriu.

— Ele ainda é tão habilidoso com as palavras como sempre.

Em meio aos aplausos, poucos prestaram atenção ao homem que seguia em direção a Baek Ryon.

Clap.

Clap.

Ouvindo o som atrás dele, o vice-diretor virou-se lentamente.

Lá, aproximando-se dele, estava um homem refinado com cabelos castanhos penteados e olhos vermelhos penetrantes, vestido com um terno sofisticado.

— Bem dito, Baek… Estou tocado.

As sobrancelhas de Baek Ryon se franziram ao reconhecer o rosto familiar.

— Kai Luc? O que você está fazendo?

Kai Luc ignorou a pergunta, permanecendo diante dele como um igual, à vista de todos.

— "Vamos enfrentar o futuro juntos."

— Que palavras bonitas e inspiradoras…

Com um sorriso estranho, Kai Luc colocou uma mão no ombro do vice-diretor perplexo.

— Desejo-lhe o melhor… em todas as suas batalhas e guerras que virão.

De repente, seu sorriso desapareceu, e até mesmo Baek Ryon sentiu que algo estava terrivelmente errado.

Os outros instrutores estavam tão perplexos com a súbita aproximação de Kai Luc — não foi planejado.

Mas suas próximas palavras enviaram uma poderosa onda de choque através de todos eles quando uma luz sinistra engolfou o corpo do vice.

— Essa guerra… começa agora.

Diante dos olhos de centenas — não, milhares — observando de baixo, Baek Ryon desapareceu sem deixar vestígios.

Naquele momento, a maioria dos instrutores já havia começado a agir, percebendo que algo estava errado.

No entanto, Kai Luc permaneceu ali, imperturbável.

Enquanto o sol se punha abaixo do horizonte, ele abriu os braços.

Um círculo estranho se formou sob seus pés, expandindo-se para fora, liberando uma força invisível que empurrou os instrutores que se aproximavam para trás.

A expressão de Sophia escureceu ao sentir o poder absoluto dentro dessa formação.

— Quando ele conseguiu preparar algo assim?!

Finalmente, o círculo parou — cobrindo todo o pátio do templo.

Uma luz vermelha ofuscante irrompeu dele.

E o sorriso de Kai Luc… só ficou maior.

De pé ali com os braços bem abertos, sua voz ecoou pelo ar, alcançando todos os ouvidos…

— Que o show comece.

Naquele momento, de dentro do círculo brilhante, figuras emergiram — dezenas, não, centenas — materializando-se do nada.

Todos estavam vestidos de preto, e alguns irradiavam uma pressão esmagadora que enviou ondas de terror ondulando pela multidão.

Então, sem aviso —

Lâminas brilharam. Lanças foram erguidas. Projéteis cortaram o ar.

Foi uma demonstração esmagadora de poder.

E em um piscar de olhos, a cabeça de um estudante rolou pelo chão.

Foi tudo o que foi preciso para o pânico explodir.

A voz de Cynthia soou em puro desespero, seu grito urgente cortando o caos.

— Protejam os alunos!

Mas foi inútil.

Um caiu. Então outro. Então um terceiro.

Em meros momentos, dezenas de corpos sem vida cobriram o pátio outrora pacífico, pintando-o de um vermelho profundo e horrível.

Os instrutores se moveram rapidamente, mas foram recebidos com uma resistência feroz, cada um interceptado por um inimigo de igual força.

Uma batalha ensurdecedora irrompeu — uma que abalou os próprios alicerces do templo.

E lá no alto, observando de seu ponto de vista elevado, um homem sorriu com satisfação.

— Finalmente… começou.


Longe do templo… Além das fronteiras do próprio império…

Uma figura apareceu do nada.

Baek Ryon, o Vice-Diretor, cambaleou ligeiramente enquanto tentava processar o que acabara de acontecer.

Momentos atrás, ele estava dentro do templo.

Agora, ele estava aqui.

Mas não havia tempo para pensar.

Sombras se moveram.

Dezenas de figuras investiram contra ele de todas as direções.

Seus olhos brilharam com uma fúria fria.

Um estrondo ensurdecedor rasgou o ar quando um raio irrompeu de seu corpo, transformando seus atacantes em pó em um instante.

Banhado em uma aura azul radiante, serpentes de eletricidade se enrolaram em Baek Ryon enquanto sua expressão escurecia.

— Kai Luc… O Grande Feiticeiro do Templo… Aquele traidor.

Ele lançou um olhar aguçado ao redor, avaliando seus arredores.

Vastas planícies se estendiam em todas as direções, e à distância, uma fortaleza negra sinistra se erguia no horizonte.

— Onde diabos eu estou?

Assim que ele estava prestes a se mover —

— Traidor… Que palavra complicada você usa.

Baek Ryon se virou rapidamente, o alarme brilhando em seu olhar.

Ele não havia sentido a aproximação.

A figura continuou caminhando em direção a ele, completamente sem pressa, sua voz carregando o peso da inevitabilidade.

— Diga-me, você que se chama de "verdadeiros humanos" e rotula o resto como traidores… Eu me pergunto — que tipo de expressão você mostrará?

O coração de Baek Ryon batia forte.

As serpentes elétricas ao redor dele estalaram violentamente quando ele finalmente reconheceu o homem à sua frente.

Vestido com um terno elegante estilo militar, um longo casaco preto ondulando atrás dele ao vento…

Cabelos pretos elegantes jogados para o lado. Um rosto desprovido de emoção. E, o mais assustador de tudo — aqueles olhos implacáveis e insondáveis.

Ele sabia exatamente quem era.

E quando viu a espada presa à cintura do homem, suas mãos se fecharam em punhos.

Imperturbado pela tensão de seu oponente, o homem continuou sua lenta aproximação, os dedos se fechando ao redor do cabo de sua arma.

Um som estranho, como o tilintar de correntes distantes, ecoou pelo ar enquanto ele desembainhava sua lâmina.

Um brilho translúcido e etéreo se enrolou ao redor da arma, pulsando com uma presença sinistra.

— Humano, demônio, traidor…

— No final, todos vocês usam o mesmo rosto.

Baek Ryon se moveu.

Uma onda devastadora de raios rasgou o céu, rugindo em direção a seu inimigo com todo o poder irrestrito de um Desperto S+.

Toda a paisagem foi banhada em uma luz ofuscante.

Mas o homem meramente ergueu sua espada.

Com um único golpe sem esforço —

O raio desapareceu.

A força por trás dele, apagada.

Calmamente, como se nada tivesse acontecido, ele embainhou sua espada mais uma vez.

E então, como se Baek Ryon não existisse mais em seu mundo, ele se virou e foi embora.

— No final… todos vocês mostram a mesma expressão quando eu os corto.

Atrás dele —

O brilhante raio.

O próprio ar.

Baek Ryon, um dos seres mais fortes do mundo —

Tudo havia sido cortado em dois.

Sua história terminou em silêncio.

A espada na cintura do homem pulsava como se estivesse faminta por mais, mas seu portador não lhe deu atenção.

Sem olhar para trás, ele continuou em direção à fortaleza iminente à distância.

O Castelo do Lorde.

Gavid Lindman.

O Duque do Inferno.

Portador da lâmina conhecida como 'Éter'.

E com seu retorno — o pesadelo começou.

[1] - Indivíduos ou grupos que, por contrato ou acordo, trabalham para uma organização ou pessoa, mas que se tornam adversários ou traidores.

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