
Capítulo 57
O Ponto de Vista do Vilão
Montanhas Oclas – Império do Leste
Dezenas de sombras cortavam as montanhas com uma velocidade impressionante. Um olhar mais atento revelaria traços em comum — características distintas que os marcavam como membros de uma família em particular.
— Sir Duncan, o que fazemos agora?!
Um jovem no final do grupo gritou, a voz carregada de pânico. Ele não conseguia mais conter o medo. Estavam prestes a deixar a zona segura e entrar nas verdadeiras Terras do Pesadelo.
Na frente do grupo, o velho, Duncan, franziu a testa.
Sua barba espessa e longos cabelos brancos contrastavam fortemente com seu físico musculoso.
Com um suspiro profundo, ele falou.
— Não temos escolha a não ser entrar no Pesadelo. Ou isso… ou a morte.
Suas palavras sombrias apenas confirmaram os piores medos daqueles atrás dele.
Duncan lançou um olhar lento e avaliador aos seus companheiros antes de balançar a cabeça.
Que desperdício… Se ao menos tivéssemos sido mais cuidadosos, não teríamos sido descobertos…
O arrependimento o corroía enquanto sua mente vagava de volta aos eventos que os levaram até ali.
Após a última cúpula, as grandes famílias lançaram uma purga em larga escala, eliminando qualquer suspeito de traição.
Como uma figura sênior da Família Starlight e um Desperto de rank S, Duncan nunca esperou ser exposto. Mas ele havia subestimado a Família Starlight — subestimado do que eles eram realmente capazes.
Encurralado, ele escolheu fugir com seus seguidores antes que a situação saísse do controle. Essa decisão os trouxera até ali.
As Terras do Pesadelo Orientais estavam entre os territórios mais perigosos que existiam — perdendo apenas para o Sul.
E Duncan sabia a verdade. De todos os presentes, ele era o único com a menor chance de sobrevivência.
Seu objetivo era cruzar as Terras do Pesadelo, contornar o Mar Demoníaco e alcançar o território dos Ultras.
Mas o destino não lhe daria nem mesmo a chance de tentar.
Assim que esse pensamento cruzou sua mente, uma pressão imensa e esmagadora desceu sobre ele.
Sua expressão endureceu em horror. Ele reconheceu essa aura.
— Não… Impossível! Ela já está aqui?!
Com os dentes cerrados, Duncan latiu um aviso.
— Todos, preparem-se! Eles nos alcançaram!
Antes que suas palavras tivessem sequer se estabelecido por completo, o céu brilhou intensamente enquanto as nuvens eram rasgadas.
E então — centenas de punhos radiantes despencaram do alto, descendo como a ira dos céus.
Cada golpe maciço, tão grande quanto uma casa inteira, caiu em uma barragem implacável.
O ataque devastador engoliu a paisagem em uma explosão tão ensurdecedora que pareceu sacudir o próprio mundo.
Apenas Duncan conseguiu se proteger. Seus seguidores, no entanto, foram apagados da existência — tão completamente que nem mesmo seus restos foram deixados para trás.
Ofegante, Duncan lutou para se recompor.
E então, como um meteoro branco, uma figura desceu do céu, caindo no chão diante dele.
Do impacto brilhante emergiu uma mulher. Cabelos brancos. Olhos negros como a noite. Uma aura esmagadora de poder bruto e opressivo.
— Carmen…
Naquele momento, ela não fez nada para esconder a fúria em sua expressão.
— Olhe para você, Duncan. — Sua voz era calma, mas afiada como uma navalha. — Diga-me… por que você ainda está vivo?
Ela deu passos lentos e deliberados para frente, e a cada um deles, o peso de sua presença se intensificava. O próprio chão começou a rachar sob a pura força dela.
— Você estava lá, Duncan… Você testemunhou a Guerra da Luz.
Seu punho se fechou. Sete estrelas flamejantes se acenderam ao redor de seu coração, queimando com intensidade escaldante.
— E ainda assim, aqui está você — virando as costas para tudo!
Carmen avançou.
Seu soco foi interceptado — uma lâmina fina e brilhante bloqueando seu caminho.
Em resposta, seis estrelas irromperam do corpo de Duncan enquanto ele se preparava para lutar.
— Você não entenderia, Carmen… Você não viu o que eu vi.
Sua expressão se escureceu, os dentes rangendo.
— Guarde suas desculpas.
Um soco. Dois socos. Depois, uma tempestade implacável de golpes.
Cada ataque crepitava com luz. Embora ela lutasse com as mãos nuas, a espada de Duncan — afiada como era — não conseguiu deixar sequer um arranhão.
Na melhor das hipóteses, ele mal conseguiu desviar seus ataques, seu domínio da lâmina sendo a única coisa que o mantinha vivo.
Atrás dele, crateras enormes — em forma de punhos — marcavam a montanha, um testemunho da pura força que ele havia suportado.
Mas Carmen não estava com humor para se conter. A cada golpe, seu poder aumentava. E então, ela rugiu —
— Você sabia que eles eram responsáveis pela morte de Abraham!
Como uma tempestade violenta, ela atropelou Duncan, destruindo tudo em seu caminho.
— Diga-me, Duncan — por quem você acha que ele morreu?!
Duncan contra-atacou, desencadeando uma saraivada de cortes deslumbrantes em forma de crescente.
— Eu já te disse antes… Você não entende! Não podemos lutar contra eles!
Sua lâmina finalmente encontrou seu alvo, perfurando as defesas de Carmen. Uma saraivada de golpes devastadores se seguiu.
— Não há esperança para nós! Você não tem ideia de que tipo de entidade você está desafiando! Esta não é mais uma guerra entre homens…
Com um empurrão final, Duncan forçou Carmen para trás, reunindo cada grama de força que tinha para um golpe decisivo.
— É isso… ou a morte! E eu me recuso a ser aquele que perde!
As Montanhas Oclas foram banhadas em um brilho intenso quando Duncan brandiu sua espada com toda a sua força, mirando na garganta de Carmen — buscando terminar com tudo em um único golpe.
O ataque de força máxima de um Desperto de rank S.
Sua lâmina cortou o ar — apenas para parar de repente.
Os olhos de Duncan se arregalaram em descrença.
Uma mão nua havia agarrado sua espada.
Os dedos de Carmen se enrolaram na lâmina como um torno inquebrável. Uma energia estranha, azul-elétrica pulsava ao redor de seu braço — prova de que ela estava finalmente levando isso a sério.
— Vá para o inferno.
Com um único soco, Duncan — e a montanha atrás dele — foram obliterados.
Por um momento, tudo ficou em silêncio.
Então, em um piscar de olhos, as Montanhas Oclas foram engolidas por uma luz ofuscante e radiante.
Da luz, Carmen emergiu, arrastando um velho pelos cabelos.
O braço direito de Duncan havia sido completamente apagado — junto com seu ombro e parte de seu peito.
Uma fonte de sangue jorrou da ferida aberta, pintando tudo de carmesim.
Encharcada em seu sangue, as mãos de Carmen se incendiaram mais uma vez, flamejando com o poder de uma estrela.
Ela cauterizou suas feridas enquanto murmurava em voz baixa,
— Não, você não vai morrer… Você não vai… Eu não vou deixar você.
Duncan permaneceu consciente, tentando desesperadamente gritar, mas cada vez que ele abria a boca, apenas sangue jorrava.
Carmen não prestou atenção ao seu sofrimento. Ela simplesmente continuou seu tormento.
— Eu ainda não terminei com você.
Ela o havia deixado vivo de propósito.
Apesar da vontade esmagadora de matá-lo, ela se forçou a se conter.
Afinal, o velho moribundo diante dela ainda poderia ter informações valiosas.
Em seu estado atual, Duncan era mais fraco do que uma criança de cinco anos.
No entanto, apesar de sua condição lamentável, os instintos de Carmen — mais aguçados do que os de qualquer fera selvagem — gritaram um aviso.
Suas sobrancelhas se franziram em confusão enquanto o corpo de Duncan se contorcia violentamente, sua estrutura se debatendo em uma tentativa de se libertar.
A princípio, ele tossiu um sangue espesso e carmesim. Mas agora, o que jorrava de sua boca era preto — uma bile pútrida e nauseante.
Seus olhos se moviam freneticamente, como se tentassem escapar de suas próprias órbitas.
Então, quando uma força estranha e sinistra percorreu seu corpo, sua mão trêmula conseguiu empurrar Carmen para longe.
Seus olhos se arregalaram.
Diante dela, o corpo de Duncan se contorceu e se deformou grotescamente.
Dezenas de tentáculos semelhantes a vermes deslizaram sob sua pele, formando símbolos arcanos negros em sua carne.
Do ombro que antes havia sido obliterado, um novo braço brotou — preto como azeviche, com dedos alongados em forma de garras.
Um grito ensurdecedor rasgou as montanhas quando Duncan investiu contra Carmen.
— Eu te disse — você não entenderia! Ninguém entende! Agora olhe o que você fez!
Carmen cruzou os braços em um 'X', preparando-se para o impacto.
Mas o novo membro monstruoso atingiu com uma força inimaginável, enviando-a voando direto para a encosta de uma montanha distante.
No momento em que ela caiu, uma onda de choque se propagou pelo ar.
Ela ficou ali, momentaneamente atordoada — não apenas pelo impacto, mas pelo puro poder que irradiava de Duncan.
Sua energia havia ultrapassado S+…
A luz ao redor dele piscou e morreu.
A escuridão tomou seu lugar.
Carmen murmurou em descrença,
— Isso é impossível…
Luz e escuridão — duas forças opostas.
Um corpo não deveria ser capaz de conter ambas.
No entanto, o homem diante dela havia quebrado essa regra.
Enquanto os ataques implacáveis de Duncan continuavam, as sete estrelas ao redor de Carmen giravam descontroladamente —
E assim, nas profundezas das Montanhas Oclas, uma batalha brutal irrompeu.
...
...
...
-POV de Frey Starlight-
Sophia continuou lendo os resultados, fazendo o possível para ignorar o 'Suii' que eu havia soltado antes.
Ela explicou o sistema de alocação de pontos:
— O primeiro lugar ganha 1000 pontos individuais. O segundo lugar recebe 500. O terceiro, 250. Os sobreviventes restantes recebem 100 cada. Além disso, para cada eliminação bem-sucedida, vocês ganham 50 pontos. Se forem eliminados, vocês recebem 0 — a menos que tenham conseguido derrubar alguém antes de sair, caso em que ainda mantêm os 50 pontos.
Ela levantou o olhar e olhou para o grupo.
— Agora, vocês podem estar se perguntando — qual é a utilidade dos pontos individuais? A resposta é simples. Esses pontos têm um valor imenso dentro do templo. Vocês podem trocá-los por armas, habilidades, dinheiro — qualquer coisa. Contanto que estejam dentro do templo, esses pontos valem mais do que qualquer outra coisa.
Suas palavras enviaram uma onda de choque pela multidão.
E honestamente, quem poderia culpá-los?
Ela tinha acabado de dizer que eles poderiam comprar qualquer coisa com esses pontos.
Não é à toa que eles estavam me olhando estranho — o cara que tinha acabado de garantir impressionantes 1000.
Ignorando seus olhares, Sophia continuou tocando em seu painel, projetando uma tela maior que exibia o ranking completo.
---
1º – Frey Starlight: 1000 pontos
2º – Snow Lionheart: 500 pontos
3º – Aegon Valerion: 350 pontos
4º – Ghost Umbra: 200 pontos
5º – Feyrith Earlet: 200 pontos
6º – Lara Croft: 200 pontos
...
20º – Aaron Smith: 0 pontos
---
Todos verificaram suas pontuações.
Apenas quatro pessoas da Classe B conseguiram garantir pontos — eu, Feyrith, Seris (que ganhou 150) e Clana (que conseguiu 50).
Sophia nos deu um momento para processar o ranking antes de anunciar as pontuações da classe e a classificação oficial.
— A pontuação da classe é a soma de seus pontos dividida por 10. Tenham em mente — cada eliminação custa à sua classe 5 pontos. Os totais finais são os seguintes.
— Classe A: 130 pontos.
Entre todos aqui, essa pontuação importava mais para o príncipe e a princesa.
Era um fator crucial na corrida pelo trono.
Até mesmo Maekar revisaria esses resultados.
Desde o final do teste, Sansa não levantou a cabeça uma vez.
Eu me perguntava o que estava passando pela cabeça dela agora.
Mas pelo que ouvi, ela perdeu diretamente para Aegon.
Talvez tudo tenha saído exatamente como ele planejou.
Ghost foi quem eliminou Danzo e Ragna.
E conhecendo-o, ele não teria feito isso sem um motivo. Aegon deve ter feito algum tipo de acordo com ele.
Ele também foi quem enviou Snow e Dawn para Seris, eliminou Sansa e foi o primeiro a descobrir o verdadeiro objetivo.
No entanto, nem mesmo ele havia contado com duas variáveis.
Eu.
E Feyrith, que de alguma forma sobreviveu até o final.
Isso nos trouxe à situação atual.
Sophia continuou.
— Classe B: 105 pontos.
Ela se virou para nós.
— Vocês evitaram o desastre graças ao raciocínio rápido de Frey Starlight. Mas espero mais de vocês… Classe B.
Com isso, ela nos deixou com sua observação final antes de entrar no ônibus.
Nós a seguimos.
Raciocínio rápido?
Não.
Nem raciocínio rápido nem estratégia tiveram algo a ver com isso.
Como eu disse antes — eu sou apenas um trapaceiro.
Mas ela não estava errada.
A Classe B só sobreviveu por minha causa.
Afinal, meus 1000 pontos sozinhos contribuíram com 100 do nosso total de 105.
Imagine se tivéssemos terminado com 130 - 5.
Teria sido uma catástrofe.
Eu me sentei, ignorando as diferentes reações ao meu redor.
Eu tinha a sensação de que Aegon estaria batendo na minha porta logo após tudo o que aconteceu hoje.
Uma nova fonte de problemas.
A viagem de volta foi tranquila.
Surpreendentemente, Danzo e Ragna estavam quietos.
Eu sorri. Eles deviam estar emburrados.
Eles não eram mais fracos que Ghost.
Se tivessem enfrentado ele de frente, ele não os teria vencido tão facilmente.
Mas por causa de sua arrogância e impaciência, eles sofreram uma derrota decisiva.
Uma lição valiosa para eles.
Espere.
Por que eu me importo se eles aprenderem com isso?
Eu me dei um tapa.
— Eu preciso me controlar.
Dei uma última olhada em Sansa.
— Ela sempre ajudou Frey… Considere esses 100 pontos um pequeno pagamento.
Não que importasse.
Eu ia ganhá-los de qualquer maneira.
Eu queria verificar minhas tarefas agora, mas tirar meu dispositivo e tocar nele como um louco atrairia atenção que eu não precisava.
Com um suspiro, eu me encostei no meu assento.
A viagem de volta foi silenciosa.
...
...
...
Após Algumas Horas, Finalmente Chegamos aos Terrenos do Templo.
O sol carmesim pairava baixo no céu, lançando seu brilho final sobre a terra.
O frio do inverno havia começado a se insinuar — eu podia ver minha respiração no ar frio enquanto saía do ônibus.
Um por um, nós desembarcamos.
Sophia estava prestes a fazer um discurso de encerramento quando uma súbita comoção irrompeu nas proximidades.
O som era inconfundível — vozes, passos, um senso inegável de urgência.
Uma multidão de estudantes do templo se reuniu à distância, todos convergindo para o mesmo ponto.
Algo estava acontecendo.
Sophia franziu a testa e avançou para investigar.
O resto de nós seguiu.
A princípio, eu não estava preocupado.
Mas quando chegamos mais perto, uma cena familiar se desenrolou em minha mente.
— Não… É muito cedo para isso acontecer.
No entanto, a realidade provou que eu estava errado.
Meus olhos se arregalaram quando entramos na praça principal do templo.
Uma multidão enorme se formou, todos olhando na mesma direção.
No coração da praça, contra o mármore branco e intocado de uma estrutura imponente, corria uma única linha vermelha.
Uma mancha de sangue.
Sangue que gotejava de um corpo suspenso no alto.
Um cadáver humano.
Uma onda de reações varreu os alunos — alguns ofegaram em descrença, outros cambalearam para trás em horror.
Alguns pensaram que era uma piada.
Outros sabiam melhor.
Quanto a mim… Eu simplesmente amaldiçoei em voz baixa.
Sophia, no entanto, reagiu instantaneamente.
— Que diabos vocês estão fazendo?! Voltem!
Sua voz cortou os murmúrios enquanto ela saltava no ar, pousando sem esforço ao lado do cadáver pendurado.
Ao mesmo tempo, funcionários e instrutores do templo correram para dentro, tentando dispersar a multidão.
Eu soltei uma risada seca e me virei.
Inútil, Sophia.
Eu sabia exatamente o que ela estava tentando fazer.
Ela queria suprimir isso.
Um incidente como esse abalaria a reputação do templo até a sua essência.
Mas, infelizmente para ela…
Se os eventos estivessem se desenrolando da maneira que eu havia escrito, este não seria o único corpo.
Em breve, mais apareceriam — espalhados por todo o terreno do templo.
Um após o outro.
Até que o templo não pudesse mais esconder a verdade.
Até que o escândalo se tornasse grande demais para conter.
Eu dei uma última olhada no cadáver enquanto eles começavam a baixá-lo.
Começou.
Profundamente nas Montanhas Oclas…
Uma mulher permaneceu imóvel diante de um cadáver, fumaça escura subindo de seus restos mortais.
Carmen exalou, uma respiração lenta escapando para o ar frio.
Sua expressão era ilegível.
Ela levantou as mãos, inspecionando-as cuidadosamente.
Ambas estavam envoltas em luvas pretas sinistras — manchadas, não naturais, como se fossem feitas de algo muito além da compreensão humana.
Um anel metálico ecoou pelo ar quando ela fechou os punhos.
Duncan estava morto.
Espancado além do reconhecimento.
Seu corpo não era mais humano — havia se tornado algo completamente diferente.
Os sigilos negros gravados em sua carne pulsavam com um brilho repugnante, irradiando ondas de energia malévola.
Carmen suspirou.
— Apenas… o que diabos está acontecendo aqui?