O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 23

O Ponto de Vista do Vilão

-POV de Frey Starlight-

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'Neve aqui ♪ e neve ali ♪'

'Uma montanha aqui ♪ e uma montanha ali ♪'

Respirei fundo, deixando o ar frio e revigorante encher meus pulmões.

Meu olhar vagou pela vasta e intocada paisagem.

'Sabe, Balerion… Naquela época, eu estava muito ocupado correndo pela minha vida para realmente apreciar este lugar.'

'É lindo, não acha?'

O terreno havia mudado no momento em que os portões apareceram.

O próprio ar e o solo ficaram saturados de aura, remodelando a terra.

'Ah, isso me lembra.'

Enfiei a mão no meu anel e tirei meu laptop pessoal.

'Não vamos repetir os mesmos erros. Pode haver uma nova missão...'

Abrindo a tela, naveguei até o registro de missões.

'Bingo.'

Eu estava certo.

Uma nova missão secundária havia aparecido:

Retorne ao portão antes que o tempo acabe – Recompensa: 500 Pontos de Conquista

Tempo restante: 05:46:20

Encarei a tela sem expressão.

Espera que eu percorra toda essa distância em apenas cinco horas?

'Pffft—Hahaha!'

Cai na gargalhada. E eu que pensava que era o maluco… No fim das contas, o sistema é ainda pior.

Levei dias para chegar a este ponto – claro, só viajei pela manhã. Sem mencionar todos os desvios que tive que fazer para evitar as Criaturas do Pesadelo…

'Mas quer saber? Esta pode ser a chance perfeita para testar minha força.'

Estiquei as pernas, respirei fundo e adotei uma postura de corredor.

'É melhor você acompanhar, Balerion. Vamos dar um show e tanto.'

'Passos Fantasmagóricos.'

Em um momento, um garoto estava no meio de um campo coberto de neve.

No instante seguinte, o campo estava vazio, como se ninguém estivesse ali.

O mundo ficou borrado ao meu redor enquanto eu me movia em uma velocidade insana, o vento uivando contra meu rosto.

'Isso é incrível!'

Corri para a caverna onde antigos restos de esqueletos permaneciam adormecidos.

À frente, a ponte quebrada que eu havia destruído uma vez pairava sobre o abismo. A lacuna era enorme…

Mas eu a atravessei em um único salto.

Ao entrar no túnel estreito, soltei um grito alto—

'Acordem! Acordem, seus tolos! Hora do jantar!'

Como se respondessem ao meu chamado, os esqueletos se agitaram. O som assustador de ossos rangendo encheu o ar enquanto eles avançavam em minha direção.

'Haha, sim! É isso aí – venham para cima!'

Estendi minha espada para frente e girei em velocidade alucinante.

No momento em que os esqueletos chegavam muito perto, eram instantaneamente estilhaçados. Tudo o que viam era uma furiosa roda negra, cortando tudo em seu caminho.

Ossos se acumularam em meu rastro, mas nada me deteve.

Como uma furiosa tempestade negra, cortei a horda de esqueletos sem levar um único golpe.

Na entrada da caverna, hordas de roedores gigantes fervilhavam, bloqueando meu caminho.

Mas, naquele momento, algo foi lançado para fora do portão.

Os roedores levantaram a cabeça, seus olhos pequenos se estreitando.

Tudo o que viram foi um pequeno ponto preto no céu.

Enlacei Balerion com meus braços e me lancei para baixo. De baixo, eles viram apenas um risco de luz negra despencando em direção a eles.

'Dez Mil Passos da Sombra: Meteoro Negro!'

No momento em que me choquei contra o chão, dezenas – não, centenas – de roedores foram arremessados em todas as direções.

Eu os cortei como uma sombra viva, deixando apenas sangue e membros decepados em meu rastro.

'Saiam! Saiam! Saiam da minha frente – não tenho tempo para isso!'

Nesse momento, nada mais importava. Eu derrubei tudo o que ousou ficar no meu caminho.

'Mais rápido… Mais fundo… Preciso ir ainda mais fundo!'

A cada golpe, mais criaturas eram arremessadas em pedaços sangrentos.

'Mostre-me do que você é feito, Balerion! É só isso que você tem?'

Como se provocado, Balerion tremeu violentamente, retirando ainda mais energia do meu corpo.

Seus golpes ficaram mais afiados. Mais pesados.

'Sim! Haha! É disso que eu gosto!'

E então, em meros instantes, alcancei a borda do penhasco.

'Saiam da frente – estou passando!'

Com essas palavras, um louco saltou do topo de uma montanha altíssima.

O vento uivava, meus cabelos chicoteando o céu enquanto eu despencava em uma velocidade aterradora.

'Estou livre!'

Eu ri descontroladamente, exultante com a pura emoção da queda.

Enquanto o chão se aproximava rapidamente, torci meu corpo e mergulhei Balerion na superfície da montanha, arrastando-o ao longo da face da rocha.

Faíscas explodiram enquanto o atrito diminuía minha descida.

Felizmente, Balerion era resistente o suficiente para suportar o processo.

Quando cheguei ao chão, minha velocidade havia diminuído o suficiente para absorver o impacto.

Olhei para cima. Uma linha reta e chamuscada agora percorria a encosta da montanha.

'Olhe pelo lado bom, Balerion – deixamos nossa assinatura para trás.'

Sem perder tempo, corri em direção à floresta à frente.

As árvores passaram borradas enquanto eu saltava de galho em galho.

'Não fique bravo, meu amigo. Eu tive que fazer isso, ou teria morrido na queda.'

Minha espada estava agindo como uma tsundere [1] irritada novamente…

Caranguejos gigantes se moviam rapidamente pela floresta.

Um levantou a cabeça.

No instante seguinte, o mundo virou de cabeça para baixo.

Sua cabeça decepada caiu ao lado de seu corpo ainda em pé.

Essas criaturas não eram mais um desafio.

Olhei para minha mão direita. O círculo gravado ainda estava lá.

'Bom… Ainda está intacto.'

Naquela época, eu havia perdido minha mão direita. Temia que isso significasse perder minha conexão com o portão de retorno também.

Mas, felizmente, ainda estava aqui.

Canalizei minha aura para a gravação, fazendo-a brilhar com luz branca.

Instantaneamente, senti a localização do portão.

Abri caminho pela floresta infestada de caranguejos até chegar a um terreno familiar. Meus passos diminuíram, quase instintivamente.

'...Muito bem. A loucura termina aqui.'

Este era o mesmo lugar onde o Perseguidor da Névoa [2] havia me atacado antes.

Sim, eu havia ficado mais forte. Mas, comparado àquela coisa, eu ainda não passava de um inseto.

A lembrança daquele encontro estava gravada profundamente em meu corpo.

Tão profundo que até mesmo o mero pensamento de enfrentá-lo novamente fazia minha pele arrepiar.

Movi-me com cautela, liberando minha aura para explorar os arredores.

Eu não conseguia cobrir muito terreno, mas era o suficiente para sentir o que estava por vir.

Felizmente, a névoa estava mudando, constantemente em movimento.

Não havia sinal dela em lugar nenhum.

Ainda assim, eu havia perdido muito tempo… Eu poderia ter falhado na missão.

Alguns minutos depois, eu estava diante do portão.

Peguei meu laptop e verifiquei a tela.

Retorne ao portão antes que o tempo acabe – 500 Pontos de Conquista (Concluído)

Tempo restante: 00:12:45

Quase consegui, hein? Menos de quinze minutos de sobra.

Se eu não tivesse hesitado nas terras nebulosas, teria chegado muito antes.

Mas tanto faz.

Finalmente... Eu estava deixando este lugar amaldiçoado.

Foi aqui que experimentei um terror diferente de tudo que já havia visto antes.

Foi aqui que cheguei mais perto da morte.

Mas eu sobrevivi. E agora, a jornada termina.

Ativei o portão. Uma fenda branca apareceu diante de mim.

Eu estava prestes a dar meu primeiro passo pelo portão quando de repente parei.

'Ah… Quase me esqueci.'

Olhei para o companheiro agarrado à minha mão.

'Desculpe, meu amigo, mas ninguém pode te ver agora.'

Levantando minha mão para o alto, falei suavemente.

'Você sabe que eu te amo, mas não temos escolha.'

Balerion respondeu imediatamente, brilhando com uma luz roxa profunda. Uma sensação de queimação se espalhou pela minha pele.

Doloroso? Talvez. Mas algo desse nível não me incomodava mais.

Naquele instante, Balerion desapareceu, substituído por uma tatuagem enorme de uma serpente que se enrolava da minha mão até o meu ombro.

'Oh! Minha mão!'

Flexionei meus dedos, olhando para eles fascinado.

Por um ano inteiro, eu segurei Balerion, fundido com meu corpo. Abrir minha mão novamente parecia... estranho.

Examinei a grande tatuagem no meu braço.

Esta foi a primeira vez que fiz uma tatuagem.

'Bem… pelo menos parece legal.'

Era tão vívido, tão realista – quase parecia que a serpente poderia atacar a qualquer momento.

Enrolei minha mão em bandagens pretas e entrei no portão com um sorriso.

'Estou de volta.'


[1] - Tsundere: Termo usado em animes e mangás para descrever personagens que inicialmente são rudes e hostis, mas que gradualmente revelam um lado mais amável e gentil.

[2] - Mantive o nome "Perseguidor da Névoa" por soar mais impactante e misterioso, mas uma tradução literal seria "Stalker da Névoa" ou "Caçador da Névoa".

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