As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 480

As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

"Ah, hum... então... uh..."

"Sim, pode prosseguir."

O que está acontecendo de verdade?

Frey Raon Starlight, o próprio Grande Herói, está sentado bem na minha frente.

Sim, o Frey Raon Starlight.

O Segundo Herói que acabou com a Guerra do Mar Congelado e atualmente a pessoa mais influente do mundo.

Além disso, nas enquetes secretas feitas entre damas nobres, ele sempre ficava em primeiro lugar, mesmo quando interpretava o vilão.

Recentemente, em uma revista, o desejo número um das damas nobres era tomar um chá com aquele Frey.

Certo? Provavelmente.

Ouvi dizer que os plebeus já formaram algum tipo de clube de fãs?

E, entre algumas damas nobres, circulavam romances secretos estrelando ele.

"Ah, hum... ahh..."

Estou tão nervosa que mal consigo respirar, quanto mais falar.

Mas não posso evitar.

Há alguma dama nobre que ainda não tenha imaginado namorar o Lorde Frey, ou pelo menos segurar a mão dele?

E eu não sou exceção, é claro.

Agora que o vejo de novo, ele é realmente bonito.

Mesmo quando Lorde Frey atuava como vilão, havia damas nobres tolas que continuavam se candidatando a trabalharem como empregadas na família Starlight a cada ano.

Agora consigo entender o porquê.

Mas, por alguma razão, a família Starlight só aceita plebeus.

Na verdade, já me candidatei secretamente uma vez, mas minha inscrição foi rejeitada. Talvez por causa da minha linhagem nobre.

"Desculpe."

"Eek!"

Perdida em pensamentos, o som da sua voz me assustou, e olhei para cima em pânico.

"Por que você está tremendo tanto?"

"B-Bem, hum, é que... hoje está um pouco... frio."

Por estar tão nervosa, dei a resposta mais tola que poderia, quando ele me fez uma pergunta.

Trisha, que burra! É meio verão, como pode fazer frio?

"Ah, sim, acho que sim."

"…?"

Mas por alguma razão, Lorde Frey olhou para a esquerda, concordou como se entendeu, e aceitou minha resposta ridícula.

O que foi aquilo?

Na verdade... até que faz um pouco de frio…

- Sussurrar…

"Ah."

Enquanto esfregava meus braços, Lorde Frey de repente levantou-se da cadeira e se aproximou de mim.

"Q-Quê... o que está fazendo..."

Eu gaguejei, sem conseguir terminar a pergunta, quando ele colocou um casaco branco sobre mim.

"Você está tremendo. Aqueça-se."

Ele sorriu brilhantemente ao dizer isso, e sua expressão era tão radiante que era difícil até de encará-lo.

"H-Huh?"

"Mm."

"…"

Mas de forma estranha, o frio no ar parecia aumentar.

Queria tirar o casaco imediatamente, mas ao ver Lorde Frey sorrindo satisfeito ao voltar para sua cadeira, não consegui fazer isso.

Que cheirinho gostoso…

E além disso, o calor dele ainda permanecia no casaco…

"…Suspiro."

Quietamente, respirei o cheiro do casaco, com a cabeça baixa, quando de repente ouvi um suspiro frio lá na frente.

Era o mordomo de Lorde Frey.

Claro, ela é alguém de alta posição, sendo uma das pessoas mais próximas dele.

Mas ainda assim, sou uma dama nobre de uma família de marqueses.

Não deveria estar recebendo olhares hostis de um simples mordomo...

"Ei, o que você—"

Estava prestes a responder para ela, por ela me lançar aquele olhar frio, quando imediatamente fechei a boca e abaixei o olhar.

"…O quê?"

"Ah…"

Como alguém que passou a vida toda aprendendo a etiqueta mais rígida entre as nobres, consegui perceber isso.

"Não... Não é nada…"

Por mais que eu tente, essa mordoma vestida de preto não é alguém com quem eu deva mexer.

Então... tão assustadora…

Todo meu instinto gritava para ficar em silêncio.

E não foi só o olhar frio dela que me fez congelar.

Também sentia os olhares intensos das figuras poderosas à minha esquerda, que pareciam pesar sobre mim.

Querendo voltar para casa…

Pensei em me levantar e sair, mas não consegui.

Já tinha cumprido meu papel.

Uma vez que você é marcada pelas damas nobres, é quase impossível recuperar sua reputação.

Por mais que tente, só vai se tornar motivo de riso.

Então, mesmo que eu vá para casa, o único destino que me aguarda é ser expulsa.

E esse será o meu futuro sem o casaco que estou usando agora.

"Ugh…"

Segurando o casaco com mais força, senti lágrimas ameaçando escorrer.

"P-Por que ela está chorando?"

"Não sei."

Podia ouvir a conversa lá na minha frente, mas já não importava mais.

"Agora que penso nisso, acho que já vi essas damas em algum lugar antes…"

"Deberia investigar? Sinto uma presença próxima."

"Sim, enquanto isso, também investiga essa garota chorando na nossa frente."

Qualquer que fosse o fim, minha vida acabou agora.

"…Snif."

Continuei chorando descontroladamente por um tempo, até levantar a cabeça e ver Frey me olhando com uma expressão preocupada.

"Desculpe."

"Haha…"

Enquanto pedia desculpas e abaixava a cabeça, uma ideia passou de repente pela minha cabeça.

Se esse é o fim, por que não realizar um último desejo?

Esse desejo era tentar conquistar Lorde Frey, a pessoa que estava bem diante de mim.

"Hum, com licença…!"

Na verdade, esse não era exatamente o meu desejo.

Foi uma ideia tola, impulsiva e imprudente que veio do meu estado mental enlouquecido—uma que eu jamais teria ousado considerar em circunstâncias normais.

Mas agora, não tinha mais nada a perder.

"- Eu... gosto de você."

"O quê?"

Desesperada, recorro a medidas desesperadas!

"Por favor, namore comigo!"

"…Desculpe, mas não posso."

Ah.

"Sinto muito…"

Agora, de verdade, estou completamente acabada.

....

....

....

....

....

"Portanto, em resumo... todos os nobres são idiotas."

"Hmm."

Agora, não passo de uma pessoa sem esperança, falando bobagens para Lorde Frey, com os olhos vazios de qualquer esperança.

"Tudo que eles aprendem é etiqueta inútil. Gastam tempo e energia com jogos mentais e pequenas disputas, fingindo que é alguma tradição nobre… E ainda se acham o centro do universo…"

Frey tinha me feito uma pergunta mais cedo, provavelmente para mudar o clima.

Ele queria saber minha opinião sobre o sistema nobre atual.

"No final, são apenas marionetes sem cérebro, com a cabeça cheia de ouro e vinho."

"Entendo…"

"Devemos eliminá-los todos. Acabar com esses eventos sociais e cháplans, e exterminar todas as facções. Transformá-los em pó…"

Na verdade, minha opinião verdadeira é bem o oposto do que estou dizendo agora.

Mas que se dane?

Se vou acabar vendendo minha pele para algum nobre velho ou sendo expulsa para a rua, que me matem na prisão do Palácio Imperial por traição.

"Isso inclui sua família?"

"Huh?"

Perdida em meus pensamentos, fui surpreendida pela pergunta séria de Lorde Frey.

"…Sim!"

Não entendi completamente o que ele quis dizer, mas decidi me jogar de cabeça e pagar para ver.

Já estou farta de minha família me deixando com fome e me chicoteando a cada dois dias.

Se vai ser deserdada de qualquer jeito, por que não falar o que realmente penso?

"Minha família deveria ser a primeira a ser eliminada. Não sei por que ainda não foram destruídos. Estão ocupados formando facções e exibindo se pelo reino... Sério, quero espancá-los todos."

Assim que falei, senti uma estranha sensação de alívio.

Caramba.

Nunca pensei que chegaria ao ponto de falar tão abertamente.

"Hmm…"

"Haha… Hahaha…"

Mas, ao ver a expressão de Frey ficar rígida, comecei a temer as consequências.

Não vou acabar sendo enviada para a prisão do Palácio Imperial?

Serão me sepultando em algum lugar desconhecido?

"Você já pensou em formas de reformar ou melhorar o sistema?"

"Ah, sim, claro... espera."

Perdida na minha crescente ansiedade, respondi automaticamente à próxima pergunta dele, sem pensar.

"Sério?"

"Uhm…"

"Pode compartilhar suas ideias comigo?"

O que devo dizer?

Minha cabeça ficou vazia, e só saiu uma resposta completamente absurda.

"Devíamos nomear plebeus."

"…Nomear plebeus?"

Fiquei hesitante por um momento, percebendo o quão ridícula era a minha resposta.

Mas o que mais tinha a fazer?

Eu tinha que seguir aquilo que falei.

"Sim, sim. Deixe os plebeus participarem da política."

"…."

"Rajem os nobres inúteis… e deixem os plebeus tomarem o poder. Haha…"

Ao dizer isso, Frey franziu levemente a testa.

"Sem condições?"

"Ah, hum…"

"Isso parece... um pouco perigoso, não?"

Ele olhou para mim com uma expressão desapontada.

"Não, não! Não foi isso que quis dizer!"

"Hmm?"

Desesperada, quase tive um ataque por pensar que poderia ser executada de verdade, e me apressei em me explicar.

"Não estou dizendo que devemos eliminar todos os nobres… Só os estúpidos, sabe? E não iríamos nomear plebeus sem condições… Nós, hum, faríamos eleições de representantes."

"…Eleger eles?"

"Sim, para equilibrar com os nobres."

Os olhos de Frey se arregalaram de surpresa ao ouvir minha explicação desesperada e sem sentido.

Até eu percebi o quão absurdo era.

Colocar plebeus ignorantes e sem educação contra nobres refinados?

É ainda pior do que aquilo que acabei de dizer!

Alguém, me ajude. Eu ainda não quero morrer.

Deveria ter ficado em casa hoje.

"Deveríamos fazer eles se controlarem. As duas facções competiriam, e assim, ambas teriam motivação para se dedicar à política, e… e exporiam a corrupção uma da outra…"

Continuei tagarelando, motivada somente pelo desejo de sobreviver, quando a voz de Frey interrompeu minha falar sem parar mais uma vez.

"E se as coisas ficarem muito acirradas?"

"Então a Família Imperial poderia intervir? Poderiam mediar e propor soluções de compromisso ou, dependendo do caso, tomar partido…"

"…"

"E assim, a monarquia se fortaleceria naturalmente. Os plebeus seriam leais porque participam da política, e os nobres tentariam conquistar a simpatia da Família Imperial para não ficarem atrás dos plebeus…"

"Entendo."

"Sim, isso... essa é a minha ideia."

Antes que a conversa se estendesse ainda mais, rapidamente terminei e me sentei, com a cabeça completamente vazia.

O que eu acabei de dizer…?

Estava tão desesperada que mal me lembrava do que tinha acabado de falar.

O único fato certo é que provavelmente disse algo muito idiota e perigoso.

"Jovem Senhor."

"Sim?"

Enquanto sentava ali, suando nervosamente, o mordomo de Frey cochichou alguma coisa no ouvido dele.

- Sussurrar, sussurrar…

"…"

Mesmo enquanto ouvia, os olhos estrelados de Frey permaneciam fixos em mim.

"Então, você é da família Hollind?"

"Sim, isso mesmo. E também…"

"…Interssante."

Parece que minha vida realmente acabou agora.

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