As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 508

As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 508: História IF - O Rascunho Inicial (16)


0% Cerca de um mês desde o fim da guerra.


Império Nascente do Sol, Uma Vitória Milagrosa


Exército do Rei Demônio Aniquilado... A Heroína da Guerra é Ninguém Menos que a Princesa


Heroi Desaparecido Encontrado como um Cadáver Após a Batalha Final...


Serena, isolada em seu quarto, encarava o jornal sem expressão antes de lentamente mudar o olhar para o lado.


- Cri-cri...


O fraco som dos insetos do lado de fora da janela indicava que a noite havia caído.


- Barulho...


Enquanto cambaleava para se levantar, as garrafas vazias espalhadas em sua mesa rolaram para o chão.


- Passo, passo...


Para alguém que era altamente intolerante ao álcool e geralmente evitava beber, essa cena não combinava com ela.


No entanto, em seu estado atual, parecia estranhamente adequado.


Seu cabelo, antes bem arrumado, agora era uma bagunça desgrenhada, seus olhos haviam perdido o brilho e sua expressão – sem vida e vazia – causava calafrios.


- Creak...


Em um estado tão miserável, Serena abriu a porta de seu quarto pela primeira vez em uma semana, tropeçando enquanto caminhava.


“M-Minha Lady!?”


“P-para onde você está indo no meio da noite...!?”


Os servos correram em sua direção alarmados, mas ela simplesmente levantou a mão para silenciá-los antes de parar no lugar.


“...Uma carruagem.”


“Perdão?”


“Preparem uma carruagem.”


Seu rosto pálido e fantasmagórico não deixava espaço para oposição.


“...”


E assim, os servos recuaram apressadamente para cumprir sua ordem.


- Flap...!


Atrás de Serena, agora sozinha, o som de papel farfalhando ecoou.


- Farfalhar...


O diário que havia sido deixado em sua mesa tremulava na brisa.


“Lady Serena, a carruagem está pronta.”


“...”


“...Minha Lady?”


Ouvindo aquelas palavras à distância, a mente de Serena vagou de volta para aquele dia.


“Frey...”


O dia em que Frey pereceu ao lado do Rei Demônio.


.


.


.


.


.


“Khak...”


“Por que... Por quê? Por que você fez isso?”


Eu não conseguia entender.


“Por que diabos? Com que propósito?”


Naquele dia, enquanto eu observava Frey esfriar, tossindo sangue carmesim, a verdade finalmente me alcançou.


O homem que eu desprezava, aquele que eu estava tão desesperada para matar.


O demônio que roubou a pureza da princesa que deveria ser perfeita.


O câncer do Império.


O canalha nojento.


Todos esses rótulos pertenciam a Frey.


E, no entanto, a conclusão era inegável.


Frey sempre foi o Herói.


“Explique...”


“Ugh...”


“Se apresse e explique!!!”


Minha mente conseguia captar a resposta.


Os pensamentos correndo pelo meu cérebro superdesenvolvido conectaram os pontos, apresentando a verdade inegável diante de mim.


“Agora!!!”


Mas meu coração – meus próprios instintos – recuaram com medo, recusando-se a aceitar.


Se tudo o que eu acabara de deduzir fosse verdade.


Se isso significasse que eu havia cruzado um rio do qual nunca poderia retornar.


Então o que eu deveria fazer?


“...Sinto muito, Serena.”


Perdida nesses pensamentos, parei de pensar completamente e simplesmente ouvi suas últimas palavras.


“Não importa o que eu fizesse... Não importa que truques eu tentasse...”


No momento em que as palavras deixaram seus lábios, senti algo dentro de mim quebrar.


“...Era impossível te enganar até o fim.”


Com aquela ruptura final dentro de mim—


“Se você não fosse tão esperta... Haha.”


“...”


“Ainda assim... estou feliz.”


Eu fiquei congelada, ouvindo-o, de novo e de novo.


“Porque eu tentei o meu melhor... Eu consegui atrasar o momento em que você descobriria a verdade... Até o último segundo.”


Minha mão, que estava apertando a dele, começou a tremer violentamente.


“E agora, finalmente...”


“...”


“Eu alcancei... Um final feliz onde você não morre no meu lugar.”


Lágrimas brotaram em meus olhos, libertando-se de onde haviam sido secas pelo cansaço.


“Você... Você...”


“Eu estava com medo... Porque no momento em que você percebesse a verdade, você teria se sacrificado por mim sem hesitação...”


“Você...”


“Mas você não pode mais fazer isso, pode...? Haha...”


Naquele momento, eu não podia mais fugir da verdade.


“...Você planejou tudo isso, para mim... para todos?”


“Tosse, Tosse...”


“Você orquestrou tudo?”


O diário esfarrapado ao lado dele lentamente se desfez em pó.


O "livro que Frey sempre olhava" que seus subordinados haviam mencionado.


Era o meu diário.


- Shhaa...


Um diário onde palavras apareciam em páginas que eu nunca havia escrito, desaparecendo à medida que perdia sua forma.


“Quando... Quando isso começou?”


“...”


“DESDE QUANDO, FREY!?”


Percebendo o que isso significava, pressionei minhas mãos trêmulas contra suas feridas e implorei por respostas.


“...Quem sabe?”


“Me diga... Por favor...”


“Quando isso começou, Chorona?”


“...!”


Com sua resposta, fechei meus olhos com força e abaixei a cabeça.


“Eu realmente não sei...”


“Ugh...”


O apelido *Chorona* – um que ganhei em seu nono aniversário.


A noite em que nos deitamos na colina perto de sua propriedade, contemplando as estrelas.


“Daquele dia...? Daquele dia até agora?”


Se tudo começou naquela noite—


Então tudo o que eu tinha feito com ele desde então.


As maldições que lancei sobre ele.


Os venenos que o forcei a beber.


As falsas acusações.


Os assassinos que enviei atrás dele.


As feridas que infligi.


Tudo isso...


“A... Aah...”


Com uma expressão pálida e horrorizada, rasguei suas roupas, apenas para ver seu corpo descolorido – azul e doentio.


Não pelas feridas do Rei Demônio.


Mas pelas incontáveis maldições e venenos que eu havia infligido a ele ao longo dos anos.


“Eu os havia coberto com magia de ilusão... Por que está desaparecendo...”


Seu murmúrio fraco fincou uma adaga em meu coração.


“Todo esse tempo...? Você suportou isso... totalmente consciente...?”


Ele não havia vendido sua alma ao Rei Demônio por um corpo invencível.


Ele simplesmente suportou todo esse sofrimento – apenas para continuar me enganando até o fim.


“E-Espere. Espere, Frey.”


Minha mente não conseguia mais processar isso.


“E-Eu vou consertar isso agora mesmo.”


O desespero tomou conta enquanto eu despejava cada feitiço de cura que conhecia em seu corpo moribundo.


Magia de restauração, feitiços de purificação, encantamentos estancadores de sangue, magia para aliviar a dor.


Tudo.


“E-Espere.”


Mas era inútil.


“Espere!!! Frey!!!”


Nenhum feitiço que eu lançasse fazia diferença.


“E-Eu vou trazer Ferloche aqui... Eu vou trazê-la agora mesmo...!”


Sua força vital já estava esgotada além da salvação.


“Serena.”


Eu estava prestes a correr em direção à minha única esperança restante, a Santa, quando Frey pegou minha mão.


“Este... é o caminho que eu escolhi.”


Com um leve sorriso, ele lentamente fechou os olhos.


“Este é o fim... que eu escolhi e queria...”


“Não!!! Não era isso que eu queria!!”


“Este foi o melhor resultado. Você apenas foi enganada por mim...”


Agarrei-me a ele desesperadamente, pressionando minhas mãos contra seu rosto, tentando freneticamente remover as maldições que eu havia lançado.


- Shhh...


“Eu não sabia!! Eu não sabia!!! Eu sou...!!”


Mas não havia mais maldições para remover.


“Não Chorona... Não.”


Forçando-se a permanecer consciente, ele olhou para mim uma última vez.


“...Serena.”


Fraco, mas firmemente, ele segurou minhas mãos trêmulas.


“Cuide do Império...”


Percebendo que sua voz estava ficando mais fraca, apressei-me em interrompê-lo.


“E-Espere. Eu ainda tenho tanto a dizer—“


“E...”


Já era tarde demais.


“Se houver uma próxima vida... então da próxima vez, com certeza...”


“Frey?”


Eu nunca tive a chance de me desculpar.


Ou mesmo agradecê-lo por salvar a todos.


“Você?”


E assim—


Ele se foi.


.


.


.


.


.


“Hum, Lady Serena.”


“...”


“É hora de acordar.”


Serena, encharcada de suor frio e soltando gemidos fracos, lentamente abriu os olhos com a voz preocupada de sua criada.


“Chegamos ao nosso destino.”


“...Entendo.”


A carruagem em que ela estava já havia chegado ao seu destino.


“Hum, com licença, mas... você está se sentindo melhor?”


“...”


Serena, que estava se preparando para sair da carruagem com uma expressão vazia, silenciosamente virou a cabeça com a pergunta da criada.


“...A Princesa Clana ainda não acordou?”


“Huh? Ah, não. Ela ainda está em coma...”


“Entendo.”


Essa foi a última demonstração de interesse que Serena teve no mundo exterior.


- *Creak...*Com um olhar de determinação, ela abriu a porta da carruagem, dispensando a criada que tentou ajudá-la e saiu.


“...A mansão se foi.”


“Foi incendiada pelos cidadãos enfurecidos há alguns dias.”


O lugar por onde ela havia passado era nada menos que as ruínas da Mansão Starlight, agora nada além de cinzas.


“Eles tiveram o que mereciam, na verdade.”


“...”


Frey e a família Starlight entraram para a história como grandes traidores que ficaram ao lado do Rei Demônio – assim como Frey havia planejado de antemão.


E com a ordem de Serena destituindo a família de seu status ducal, não havia como o povo do Império deixar a mansão permanecer intacta.


Claro, não havia ninguém da família Starlight para impedi-los.


Cada um deles já havia perdido a vida.


S-Serena, é realmente verdade que meu irmão está morto?


“...”


A única exceção foi Aria, que estava estudando no exterior quando tudo aconteceu, e ligou para Serena no dia em que a mansão pegou fogo.


N-Não pode ser verdade, pode? Tudo deveria terminar daqui a cinco anos! Meu irmão disse isso!


“...”


Serena? Por que você não está respondendo...?


Naquele dia, enquanto Serena estava nas ruínas da mansão, ela descobriu um documento impecavelmente forjado que provava que Aria não tinha laços com os crimes da família.


P-Por favor... me diga que é apenas um boato... Por favor...


Bip...


E, no entanto, ela não conseguiu dizer uma única palavra em resposta antes de encerrar a chamada.


“A partir daqui, eu irei sozinha.”


“O quê?”


Serena se lembrou da voz de Aria enquanto olhava para as ruínas queimadas da mansão.


“Não me siga.”


“L-Lady Serena...”


Ela deixou sua criada para trás e continuou caminhando.


“...Eu estou indo agora, Frey.”


Em direção à colina onde, dez anos atrás, ela havia compartilhado memórias com ele.


.


.


.


.


.


“Sinto muito... por quebrar seu pedido final.”


Abrindo caminho através das árvores densas, Serena murmurou suavemente enquanto subia a colina.


“Não importa o quanto eu tente segui-lo, eu simplesmente não consigo.”


Galhos e grama alta arranhavam sua pele, deixando feridas em seu rastro. No entanto, Serena continuou subindo sem sequer se encolher.


“...Toda vez que fecho meus olhos, penso em todas as coisas que fiz com você.”


Até mesmo soltar um gemido pelos cortes lancinantes seria como um insulto a Frey.


“Eu realmente sinto muito... realmente, sinto...”


Então, mordendo o lábio com força, ela ignorou a dor e seguiu em frente.


“...”


Finalmente, ela parou, levantando o olhar.


“Ah...”


Esta era a colina onde ela havia caminhado de mãos dadas com um jovem Frey, esgueirando-se sob a escuridão da noite em seu aniversário.


Uma colina mística onde, desde o antigo Juramento de mil anos atrás, flores da lua e flores das estrelas floresceriam nesta mesma época do ano.


E o mesmo céu noturno que eles haviam contemplado juntos se estendia acima dela, inalterado.


“...Naquela noite, o que você estava tentando dizer?”


Serena deu passos lentos e deliberados para frente, olhando para a vista.


“O que poderia ter sido?”


Suas últimas palavras inacabadas permaneceram em sua mente, circulando como um eco assustador.


“Não importa o que eu faça agora, eu nunca saberei.”


Murmurando em um sussurro frio, seu pé alcançou a beira do penhasco, cambaleando sobre o abismo abaixo.


“...Sinto muito, Frey.”


Diante dela, havia um abismo sem fim de escuridão.


Enquanto seus olhos iluminados pela lua refletiam suas profundezas,


“Agora... é minha vez de expiar.”


Ela deu um passo à frente.


“...Mesmo alguém como eu—“


- *Thud...!*“Kyah!?”


Naquele instante, o chão sob seus pés repentinamente cedeu, engolindo-a inteira junto com seu grito final.


.


.


.


.


.


.


“...Hah?”


Voltando a si na escuridão, Serena piscou atordoada, examinando seus arredores.


“...Estou viva? Mas por quê?”


Por alguma razão, ela havia sobrevivido.


“O... o chão é... macio.”


Enquanto ela tentava entender sua situação, ela percebeu que algo amortecendo o chão havia amortecido sua queda, salvando sua vida.


“Onde... é isso?”


Levantando-se, ela murmurou enquanto examinava o misterioso acolchoamento sob ela.


“...!”


E então, ela viu.


“Frey...”


Seu corpo inteiro tremeu enquanto ela dava passos hesitantes para frente.


“Você voltou aqui... todo ano?”


À medida que as memórias começaram a ressurgir, ela percebeu que este era seu antigo esconderijo – o lugar secreto que ela e Frey haviam reivindicado como seu.


Estendendo uma mão trêmula, ela alcançou um objeto descansando em cima de uma escrivaninha de madeira desgastada.


“Todas as vezes... sem falta?”


Dez flores da lua, cuidadosamente preservadas, foram colocadas na escrivaninha.


“Você... nunca se esqueceu, não é?”


Agora que ela olhou ao redor, o esconderijo estava bem conservado demais para um lugar supostamente abandonado por dez anos.


Como se alguém estivesse voltando, repetidamente, cuidando dele.


“...”


Sem palavras, ela lentamente se abaixou na cadeira diante da escrivaninha, sua mente inundada com ecos distantes do passado.


“E-Eu não quero ir...”


“Por que não?”


“Eu só... Eu quero ficar com você...”


Uma versão mais jovem de si mesma, fazendo beicinho e agarrando-se a Frey.


“Depois de hoje... Eu tenho que assumir as responsabilidades da família... Eu não poderei brincar com você por um tempo...”


“Hmm, é mesmo?”


E a promessa de Frey para ela em resposta.


“Então vamos fazer uma promessa.”


“...Uma promessa?”


Os olhos de Serena se arregalaram em compreensão.


“Sim, uma promessa para que não nos esqueçamos um do outro.”


Suas mãos trêmulas se moveram em direção à gaveta da escrivaninha.


“Naquele dia... nós escrevemos cartas um para o outro.”


Uma memória há muito enterrada. Não, uma memória que ela havia se forçado a esquecer.


“Cartas para nossos futuros eus, dez anos depois.”


Uma cápsula do tempo destinada a garantir que seus sentimentos permanecessem inalterados após uma década.


- *Click...!*O selo mágico na gaveta havia sido desfeito, como esperado.


Havia sido exatamente dez anos – dez flores, dez anos.


Eu vou te amar para sempre, Frey!


Quando a gaveta se abriu, seu olhar caiu sobre uma carta com uma mensagem infantil e excessivamente carinhosa rabiscada nela.


“...Ugh.”


Então, seus olhos se voltaram para a carta ao lado dela.


“Ah...”


E com isso, a represa finalmente se rompeu.


“Ahhh... ahhh...!!!”


Desde a morte de Frey, ela estava quebrada – entorpecida, perdida, além da dor.


Mas agora, suas emoções ressurgiram, queimando com uma tristeza insuportável.


As lágrimas transbordaram livremente, encharcando a carta que ela havia escrito.


Em nossa próxima vida, eu também quero me casar com você!


Uma história de amor entre um menino e uma menina.


Um amor que deveria ter durado para sempre.


Mas havia chegado ao final mais triste imaginável.

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