As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 507

As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 507: História IF - O Rascunho Inicial (15)


0% - Krrkk...! Crash...!


Ao ouvir o rugido sinistro vindo de fora, Serena desceu as escadas apressadamente.


“Não... Não, isso não pode ser...”


- Rumble...!


“Não tem como isso ser real.”


Sua voz, embargada pela ansiedade, escapou de seus lábios, seu rosto pálido como a morte.


“... Isso é outro truque, não é, Frey?”


E, enquanto um leve escárnio invadia sua voz—


“Você está tentando me enganar de novo, como sempre fez.”


Ela parou sem perceber, forçando um sorriso trêmulo em seus lábios.


“Você fez um acordo com a Rainha Demônio de antemão, não foi? Fingindo lutar contra ela enquanto agia como se tivesse vindo aqui para nos salvar?”


- Boom! Boom!


“Você está criando um cenário esperançoso... para nos atrair para fora do palácio, certo?”


Enquanto falava, a expressão de Serena lentamente recuperava a compostura.


“Pela primeira vez, você realmente usou a cabeça. Devo te dar algum crédito por isso.”


Ela permaneceu no lugar por um momento, recuperando o fôlego.


“Mas é só até aí que você vai.”


Agora, quase completamente calma, ela olhou pela janela próxima e murmurou.


“Não importa que truque você usou para conseguir o Armamento do Herói... você não pode enganar meus olhos.”


Assim que sua confiança estava retornando, sua expressão endureceu mais uma vez.


“Estou cansada de ver vocês, vermes miseráveis, se debatendo.”


- Rumble...!


“Sumam daqui!”


Naquele momento, enquanto olhava para fora, os ataques esmagadores da Rainha Demônio choviam sobre as forças de Frey.


“Ugh...”


“Khk...”


Alguns dos soldados restantes desabaram, seus corpos incapazes de suportar o impacto.


Até mesmo para alguém como Serena – ou para qualquer espectador comum não familiarizado com combate –


Era dolorosamente claro que Frey e suas tropas estavam arriscando suas vidas contra a Rainha Demônio.


“... É tudo uma atuação.”


Essa verdade inegável fez com que a compostura de Serena, que antes estava se recuperando, vacilasse novamente.


“T-Todos vocês... Vocês eram os traidores que seguiram Frey, não eram?”


Foi a própria Serena quem arrastou toda a família Starlight para a desgraça junto com Frey.


Foi ela quem isolou aqueles tolos incompreensíveis que insistiam em ficar ao lado dele.


“Vocês levantaram uma bandeira contra a Família Imperial... Vocês eram o câncer que precisava ser extirpado do Império...”


Porque ela tinha feito tudo isso – ela simplesmente *não podia* aceitar o que estava acontecendo.


“... Era isso que vocês deveriam ser.”


Mas—


“Então por que...”


“JOVEM MESTRE!!!”


Não importava o quanto ela tentasse negar—


Ninguém pode fugir da verdade para sempre.


“K-Kania?!”


Frey havia erguido sua espada, olhos cheios de determinação.


O próximo ataque da Rainha Demônio desceu sobre ele.


- Crackle!!!


“N-Não!!!”


Um ataque que ninguém sobreviveria se fosse atingido diretamente—


E, no entanto, naquele momento, Kania se jogou em seu caminho.


“...”


Serena, observando impassivelmente, de repente engasgou.


Tirando o olhar da janela, ela cambaleou para trás, seu rosto mortalmente pálido.


“Não... Não, não, não!!!”


“... Hrk.”


Então, enquanto o grito de angústia de Frey ecoava pelo palácio—


Serena perdeu o equilíbrio e caiu escada abaixo.


“Ugh... Ugh...”


Sangue escorria de sua testa, seus joelhos inchados e vermelhos com o impacto.


Mas seu rosto não mostrava nenhum sinal de dor.


“Aaaaaahhh!!!”


Com os gritos miseráveis de Frey ressoando em seus ouvidos, ela forçou suas pernas rígidas a carregá-la mais para baixo nos degraus.


“E-Espero... Só desta vez... E-Eu vou me deixar ser enganada... Uma última vez, então...”


- Boom! Boom!


“... M-Me diga que é mentira. Por favor.”


O terror era a única coisa que restava em sua expressão.


.


.


.


.


.


“Kania!! Kania!!! Abra seus olhos!!”


“... J-Jovem mes...”


Depois de atacar ferozmente a Rainha Demônio para criar distância entre eles, Frey agarrou o corpo encharcado de sangue de Kania, sua voz embargada pela angústia.


“... D-Dói.”


“Por que você fez isso, sua idiota?!”


“Você está muito alto, jovem mestre...”


“...Mmgh.”


Kania, com as mãos trêmulas, pressionou contra seus lábios para silenciá-lo.


“Você está perguntando por que eu fiz isso?”


“Mmgh, mmgh...”


“Não é óbvio?”


Ainda cobrindo fracamente sua boca, ela lhe deu um sorriso fraco.


“Eu sou... sua leal serva... para sempre...”


“Sua tola!!!”


Enquanto a força deixava seus braços, sua mão escorregou, e as lágrimas de Frey finalmente transbordaram.


“Você deveria ter sobrevivido a esta guerra!!”


“Cof, cof...”


“Aquele ataque era para *mim* receber!!!”


Frey curvou a cabeça e gritou como se pudesse forçar a verdade a mudar.


“Eu te avisei tantas vezes! Eu li o diário várias e várias vezes!!”


“...”


“Mesmo se você tivesse recebido aquele golpe, meu destino *ainda* não mudaria!!!”


“Jovem... mestre.”


Ao ver seu mestre desmoronar completamente pela primeira vez, a expressão final de Kania—


“Você é realmente ingênuo, até o fim.”


“O quê?”


“Você disse... que eu deveria ter sobrevivido a esta guerra?”


—era de uma felicidade de partir o coração, mas ao mesmo tempo, abençoada.


“Por que eu quereria viver em um mundo sem você?”


“...!”


Com suas palavras – ditas sem seu tom formal usual – os olhos de Frey se arregalaram.


“Você era... tudo para mim.”


“...Kania.”


“Você foi quem acolheu minha irmã moribunda e eu. Você me deu uma razão para viver.”


A mão fria de Frey tocou suavemente sua bochecha manchada de lágrimas.


“Eu te amava. Tanto quanto aquela princesinha mimada.”


“...”


“Se eu puder morrer ao seu lado... isso é o suficiente para mim.”


Enquanto falava, as pálpebras de Kania lentamente começaram a se fechar.


“... E mesmo que eu não pudesse mudar seu destino.”


“K-Kania, não.”


“Pelo menos... eu te dei tempo para dizer seus últimos adeus. E isso é o suficiente para mim.”


“Não, não—Kania!”


Desesperadamente, Frey sacudiu seu corpo frágil.


“Eu não vou... Eu *não vou* deixar você ir assim...”


“Então... Eu te verei de novo em breve, jovem mestre...”


“Pare...”


“Eu terei uma refeição quente pronta para você...”


Enquanto ela reunia o resto de sua força para acariciar o cabelo de Frey uma última vez—


- Slump...


Sua mão caiu flácida no chão.


“...”


Seus olhos negros sem vida, que o encaravam até o fim, se fecharam silenciosamente.


Um silêncio opressor cobriu o campo de batalha – onde agora, Frey era o único que restava em pé.


“Então, seu adeus lamentável acabou?”


Uma voz cheia de zombaria alcançou Frey, que estava sentado congelado, embalando o corpo frio de Kania.


“Agora, levante-se.”


“...”


“É hora de terminar com isso.”


Enquanto Ruby zombava dele, Frey lentamente se levantou.


“Não que isso importe. A batalha já está decidida.”


Onde quer que olhasse, os corpos sem vida de seus camaradas caídos cobriam o chão.


“Jogue sua espada e se renda. Eu posso até considerar fazer de você um dos meus serviçais—“


- Grit...


Quando seu olhar caiu sobre Kania—que ainda exibia um sorriso fraco e pacífico—


- Crackle...!!


Uma luz avassaladora explodiu do corpo de Frey.


“Oh?”


Os lábios de Ruby se curvaram em um sorriso intrigado enquanto o brilho disparava alto no céu.


“Você está fazendo uma luta final e desesperada?”


Em seus olhos vermelho-rubi, ela viu Frey – espada erguida – correndo em direção a ela com fúria imprudente.


“Bem, eu não me importo. Eu acho isso muito mais divertido.”


Quando ele a alcançou, Ruby simplesmente levantou a mão.


“RAAAAAAHHHH!!!”


“Venha.”


Suas energias colidiram, enviando ondas de choque rasgando o campo de batalha.


- BOOOOOM!!!


A força quebrou a barreira protetora do palácio em pedaços.


“Kyah!?”


Serena – que estava tropeçando nas escadas em sua corrida frenética para escapar – foi arremessada para trás pela explosão.


“Ugh...”


- Thud...!


Ela caiu no chão, com dois pilares maciços desabando na frente dela, bloqueando seu caminho.


“F-Frey...”


Lutando desesperadamente, ela tentou afastar os escombros – apenas para congelar com a cena diante dela.


- Rumble...!!!


Uma explosão ofuscante de luz envolveu o campo de batalha.


“Ah...”


Enquanto a tremenda força a varria, pouco antes de perder a consciência, Serena viu uma última coisa—


“Kuhk...!”


Clana avançou, mergulhando sua espada nas costas de Ruby.


“... Finalmente.”


E Frey, finalmente sorrindo em satisfação enquanto o sangue jorrava de sua boca.


.


.


.


.


.


“Cof, cof...”


Serena soltou uma tosse seca ao abrir os olhos.


Ela lentamente levantou seu corpo pesado e olhou ao redor.


- Creak...


O pilar que havia bloqueado seu caminho agora estava tão destruído que até mesmo um leve empurrão abriria o caminho.


“...”


Afastando os detritos espalhados com as mãos, ela começou a se mover para frente.


- Thud...!


Mas antes que pudesse dar muitos passos, suas pernas cederam sob ela, e ela desabou no chão.


“Haa... Ha...”


“...”


Deitada ali, quase inconsciente, estava Frey – sua espada ainda cravada no coração sem vida da Rainha Demônio – enquanto ele respirava com dificuldade, seu corpo fatalmente ferido além da recuperação.


Ao lado dele, Clana estava inconsciente.


“F-Frey. Você... Você...”


“...?”


Seus olhos cansados piscaram em direção a Serena, que havia caído de joelhos diante dele.


“Explique... Me diga o que aconteceu...”


“Cof, cof...”


“Isso... Isso tudo fazia parte do seu esquema, não era?”


Suas mãos trêmulas agarraram seus ombros, sacudindo-o fracamente.


“É, certo...? Diga que é... Por favor...”


Quando o olhar opaco e desfocado de Frey finalmente encontrou seus olhos trêmulos iluminados pelo luar—


“... Você está machucada, Serena.”


Sua voz, cheia de genuíno arrependimento, escapou.


“O quê...”


Seus dedos congelados estenderam-se e gentilmente agarraram seu cabelo.


“Você deveria ter... apenas ficado lá dentro...”


“Você... Você...”


“... Chorona.”


E com essas palavras suaves—


“... Você ainda se lembra disso?”


Sua voz falhou enquanto ela o encarava incrédula, seus lábios tremendo.


“Mesmo agora? Todo esse tempo...?”


“Hehe...”


Um sorriso fraco e impotente surgiu nos lábios de Frey.


Enquanto o sangue escuro e carmesim escorria de sua boca, ele pingava nas páginas esfarrapadas do diário que flutuava ao lado dele.

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