
Capítulo 27
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
Lynn, seguindo as instruções de Rhein, chegou à porta da sala de contenção no final do corredor.
Parecia que ninguém visitava aquele lugar há muito tempo, já que a maçaneta estava coberta por uma espessa camada de poeira.
Bastava apenas pensar para adivinhar o porquê.
Se não fosse pelo perigo intenso e pela natureza incontrolável, não haveria absolutamente necessidade de escondê-lo num canto tão isolado.
Lynn não hesitou e abriu a porta diretamente.
No instante seguinte, a situação dentro da sala de contenção ficou imediatamente à vista.
Lynn não pôde deixar de pausar.
Talvez por o objeto contido não ser grande, toda a sala tinha apenas cerca de dez metros quadrados, parecendo bem apertada.
Mesmo assim, uma mesa ainda ocupava o espaço já pequeno da sala.
Uma caixa de madeira rústica do tamanho da palma repousava silenciosamente sobre a mesa, com a superfície áspera gravada com padrões estranhos e até algumas manchas de sangue salpicadas.
Claro, não eram esses os pontos centrais.
O que realmente fez Lynn parar foi a coisa sentada em frente à mesa.
Sim, não teve escolha senão descrevê-la como uma "coisa".
Embora tivesse uma forma humana, sob qualquer perspectiva, o objeto diante dele só poderia ser considerado uma boneca.
Ou melhor, uma boneca que era metade carne e metade marionete.
Sem dúvida ainda possuía certas características humanas.
Por exemplo, respirar.
Mas, além disso, todas as suas articulações tinham claramente se tornado tipo marionete, como se fossem montadas de peças, exalando um sabor bizarro.
Ao olhar para a assustadora boneca sentada tranquilamente no banquinho alto, Lynn sentiu vontade de fazer um comentário sarcástico.
Você também vai brincar comigo?
Enquanto desdenhava por dentro, Lynn fechou a porta atrás de si casualmente.
— Bum!
A sala de contenção inteira vibrava.
Parecia que o som havia acordado a boneca diante dele e, segundos depois, Lynn ouviu um som de "clique-clac" vindo do banquinho alto.
Sob seu olhar, a boneca um tanto empoeirada parecia ser puxada por um fio invisível.
Então ela se levantou lentamente da cadeira.
A boneca abriu os olhos e olhou para Lynn, o maxilar de madeira movendo-se lentamente.
— Ah, faz muito tempo que alguém não vem aqui, — disse em uma voz um tanto sinistra, — Quem diria que, neste ponto, tolos ainda viriam bater à porta.
— Sinto o cheiro de "Prisoner of Destiny" em você... você é um Transcendente da fé do Engano?
Engano?
Lynn lembrou da habilidade "Engolir Mentiras" que tivera extraída naquela noite no laboratório subterrâneo.
O símbolo dessa habilidade parecia ser um padrão de palhaço que era metade chorando e metade rindo.
Será esse o emblema da fé do Engano?
Lynn ponderou.
Porém, externamente ele fingiu ignorância: «Não, você pode ter se enganado com relação à pessoa.»
Afinal, pelo tom da criatura, parecia que ela não favorecia os Transcendentes daquela fé.
«Não ser um deles é o melhor... Tomem assento.»
A boneca apontou rigidamente para a cadeira em frente à mesa, fazendo um gesto.
Lynn avançou, puxou a cadeira e sentou-se.
Imediatamente, uma força invisível pressionou seus ombros de cima para baixo.
Não era pesada, mas de repente o fez perder a possibilidade de se levantar.
Ele tentou se debater algumas vezes, mas, vendo que era inútil, recostou-se na cadeira com resignação.
Ao mesmo tempo, ele tentou ativar a Engolir Mentiras em segredo.
Como era de se esperar, também foi contido por uma força invisível.
“Desde o momento em que você entrou pela porta, o gambito já começou. Até terminar, não há como escapar.”
A boneca torceu as juntas rígidas do pescoço.
Ao ouvir isso, Lynn perguntou, confuso: “Que gambito?”
“Ignorância é felicidade.” Apesar de ser uma boneca, seu rosto revelava um sorriso zombeteiro: “Eles não te contaram as informações sobre a 'Boneca Demoníaca Mortal' antes de você entrar?”
Dito isso, a boneca puxou um revólver de trás de si.
Sob o olhar de Lynn, abriu o cilindro e derramou seis balas amareladas, que tilintaram na mesa.
A boneca olhou para ele com os olhos cheios de malícia.
Vendo isso, Lynn pareceu deduzir algo, e as sobrancelhas se franziram. “Você vai jogar roleta russa comigo?”
Isso era uma atração favorita em algumas casas de jogos clandestinos.
Extremamente sangrento, extremamente emocionante.
Levaram apenas alguns minutos para a descida do céu ao inferno, fazendo a adrenalina subir.
Geralmente, na roleta russa, era usada apenas uma bala.
Antes de cada disparo, os jogadores podiam escolher atirar diretamente na têmpora ou girar o cilindro novamente antes de atirar.
Quanto a mais balas, era um jogo mais avançado.
Afinal, não era apenas um jogo de sorte; envolvia probabilidade.
Se manuseado corretamente, poderia aumentar as chances de sobrevivência.
Vendo a expressão de morte iminente de Lynn, a boneca parecia extrair muito prazer disso e gargalhou.
“Você dispara, eu disparo; a não ser que um de nós seja atingido na cabeça, não há meios para terminar este gambito.” As pontas dos dedos da boneca empurraram as balas na mesa, olhando para ele de modo ameaçador: “Então, quantas você vai escolher?”
A expressão de Lynn ficou um pouco sombria. “Antes disso, posso perguntar quem atirará primeiro?”
A boneca respondeu, sinistramente: “Como anfitriã do jogo, naturalmente, eu dou o primeiro tiro.”
Ao ouvir isso, Lynn pareceu respirar aliviado. “Você deveria ter dito isso antes... então eu escolho seis.”
“Tudo bem... hm?”
A boneca, confusa, acabara de alcançar as balas, mas de repente percebeu algo.
Ela lançou um olhar malévolo para Lynn. “Garoto, isso não é brincadeira!”
“Se você não pode perder, não jogue.”
Lynn abriu as mãos.
Vendo isso, a boneca ficou ainda mais furiosa. “Agora tenho certeza de que você é lixo da fé do Engano; até a sua maneira de irritar as pessoas é exatamente igual à deles!”
Assim, ela parou de perguntar a escolha de Lynn e pegou duas balas, carregando-as no cilindro.
“Click!”
Com um giro, a boneca fechou o cilindro com força.
Sob o olhar de Lynn, ela pegou a arma, pressionando-a lentamente contra sua própria têmpora.
“Click!”
Com o martelo puxado, um som nítido ecoou na estreita sala de contenção.
A boneca saiu ilesa.
“Parece que minha sorte não está tão ruim... é a sua vez!”
Ela colocou o revólver sobre a mesa e, lentamente, o empurrou para o lado oposto.
Ao olhar para a arma sobre a mesa, Lynn caiu em um silêncio incomum.
Vendo isso, a boneca disse com raiva: “Mesmo que você queira ganhar tempo, não importa. Eu não preciso comer, nem dez mil anos; eu posso esperar, mas você não pode.”
“Parece que você não tem coragem de puxar o gatilho?”
“Isso está alinhado com o que sei sobre a fé do Engano, um bando de canalhas covardes, como ratos de esgoto, apenas capazes de passar a vida na escuridão e na distorção.”
“Ha ha ha ha!”