Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Capítulo 3

Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

"Nunca imaginei eu, o segundo filho da ilustre família Bartleion, ter de me rebaixar a virar um carteirista," lamentou Lynn enquanto pesava a carteira em sua mão.

Na verdade, Carol não havia interpretado mal a situação.

Lynn, ou melhor, o verdadeiro dono deste corpo, era, de fato, um nobre — e não qualquer nobre.

Infelizmente, por algum motivo, esse título não lhe trazia benefícios, mas, repetidamente, atraía tentativas de assassinato, obrigando-o a viver uma vida de vergonha e submissão.

Quão miserável havia se tornado sua situação?

O antigo nobre havia cometido um grave erro em certa questão e foi rotulado como a "vergonha da nobreza", e, após o incidente, foi desprezado pela inteira Capital Imperial.

Para acalmar a fúria do público, ele foi exilado para as regiões fronteiriças como criminoso pela família.

Isso, por si só, era suportável.

Depois de tudo, a família Bartleion possuía inúmeras propriedades dentro do Império Saint Laurent, e a Cidade de Orn também contava com uma boa parte.

Mesmo que passasse a vida inteira aqui, ele teria o suficiente para viver sem preocupações.

Mas, como Orn City ficava tão longe da Capital Imperial, com tráfego e comunicação complicados, além de padrões de vida atrasados e estando constantemente afetada por guerras, os membros da família, acostumados ao luxo, simplesmente não estavam dispostos a sofrer aqui.

Assim, muitas das propriedades locais foram deixadas aos mordomos e aos empregados que lá permaneciam para cuidar delas.

Com o passar do tempo, surgiram problemas.

Visto que este lugar ficou sem o controle da família por tanto tempo, o mordomo e os empregados haviam desenvolvido, ao longo dos anos, o hábito de abusar do seu poder com arrogância.

Além disso, muitos dos empregados do lar, ostentando o nome Bartleion, tomavam propriedades e oprimiam os plebeus.

O pior é que esses danados indivíduos, quer obedecendo às ordens de alguém ou simplesmente ficando arrogantes por causa de sua posição na Cidade Orn, haviam esquecido seu lugar.

Chegavam a cometer atos de servos enganando seu patrão!

Desde que seu predecessor fora enviado para cá, o mordomo, os criados e até mesmo os serventes mais baixos olhavam para ele com desprezo.

À vista de todos o chamavam de "jovem senhor", mas nos bastidores o olhavam com superioridade e se opunham a ele secretamente.

Por exemplo, a mesada mensal que a família enviava para manter sua dignidade era interceptada por eles, e eles ficavam com cada centavo.

Ou o mantinham sob várias pretensões, proibindo-o de sair.

O caso mais ultrajante foi quando lhe deram roupas de criado para vestir, sem vergonha, alegando que a propriedade estava sem dinheiro e que ele precisava ganhar algum dinheiro.

Eles insinuavam, de forma aberta ou dissimulada, que ele deveria desaparecer e se virar sozinho.

Quando o mordomo descobriu, ele apenas descontou um dia de salário do infrator, tratando tudo de modo leviano.

Foi um insulto explícito.

Além disso, seu predecessor já tinha sofrido várias tentativas de assassinato!

Ele tinha motivos para suspeitar que esses servos temerários estavam tramando com forças externas.

Foi então, no momento crítico, que Lynn cruzou para este mundo, tomando posse deste corpo moribundo, e encontrou uma oportunidade de escapar.

Além disso, segundo suas memórias, o escândalo que causou alvoroço na Capital Imperial foi, desde o começo, uma conspiração contra ele.

Infelizmente, dadas as circunstâncias atuais de Lynn, ele estava temporariamente incapaz de considerar vingar-se.

Com isso em mente, ele suspirou.

O gato preto ao seu lado parecia perceber seu estado de espírito sombrio e miou.

Ele havia pego o gato preto na beira da estrada.

Quando pela primeira vez se encontraram, há cerca de quinze dias, ele estava sozinho, aparentemente faminto, e miou para ele.

Talvez tenha sido porque viu algo de esperto nos olhos do gato, ou talvez por um sentimento de desespero compartilhado, ele o acolheu por capricho.

Lynn estendeu a mão para coçar o queixo do gato.

— Não se preocupe, Pretinho. Quem sabe não demore muito para nós, irmãos, voltarmos à Capital Imperial.

Isso pode também ajudar a afastar aquelas forças misteriosas que o perseguem.

Após tudo, quem imaginaria que a "vergonha da nobreza", expulsa da Capital Imperial como um cão vadio, ousaria retornar lá?

Lynn pensou consigo mesmo.

Logo em seguida, porém, uma voz abrupta e estridente irrompeu repentinamente, fazendo-lhe a espinha tremer sem aviso.

"Não, você não vai a lugar algum."

A voz pertencia a um homem, falada em tom casual e desdenhoso.

Para Lynn, foi como se um trovão tivesse explodido em seus ouvidos.

Tendo passado a última semana sem encontrar nada de incomum e sentindo-se grogue, ele abaixou a guarda e não recebeu nenhum aviso.

Como alguém poderia aparecer na sala sem fazer som? Será que era a mesma força que, secretamente, perseguia seu antecessor?

Esses pensamentos passaram por sua mente num instante.

O corpo de Lynn ficou tenso ao agarrar o revólver que trazia no bolso.

E, mesmo assim, não se sentia muita segurança.

Afinal, ele, que já leu o romance, sabia muito bem que vivíamos numa era em que máquinas a vapor e Transcendentes coexistiam, e que até mesmo os deuses deixavam vestígios a serem encontrados.

Diante de tal poder, o revólver da mão esquerda parecia ridiculamente fraco.

Para evitar um ataque surpresa, Lynn encostou as costas na parede, com o olhar vigilante varrendo o ambiente.

Ele percebeu que a sala começou a escurecer sem que ele percebesse, e até a luz dos lampiões a gás tinha diminuído.

As sombras se espalharam como tinta que se difunde na água, e até o ar começou a ondular fio a fio.

Sob o olhar atento de Lynn, uma silhueta humana envolta em sombras emergiu lentamente da poça de escuridão no chão, sem emitir um som.

De fato... esse era o poder de um Transcendente.

Sem a menor hesitação, Lynn empunhou o revólver da mão esquerda ao instante em que a figura sombria apareceu e desferiu três tiros em rápida sucessão.

As balas foram direcionadas à cabeça, ao coração e à virilha.

— Que diabinho malvado!

A sombra pareceu um tanto surpresa com a ação implacável de Lynn.

Mas era apenas surpresa.

Logo que as balas atingiram a figura, nenhum pingo de sangue respingou; bateram no que parecia ser ar antes de se alojarem na parede.

Sem forma física?

Enquanto esse pensamento surgia, um senso de alarme invadiu o coração de Lynn.

No entanto, no segundo seguinte, a escuridão negra ao redor da figura sombria de repente começou a ferver.

Em seguida, inúmeras tentáculos contorcidos surgiram das sombras como uma maré alta, disparando em direção a Lynn!

Embora tivesse sentido o ataque que se aproximava, o corpo humano comum que ele possuía no momento não suportaria esquivar-se com rapidez.

Além disso, meio mês de insônia o havia fragilizado ao extremo.

Assim, levou apenas alguns segundos para Lynn sentir seus membros e pescoço enredados pelas tentáculos sombrios que carregavam uma força esmagadora.

Os tentáculos ergueram seu corpo lentamente até que ficasse suspenso no ar.

Naquele momento, a forma humana envolta em sombras avançou lentamente.

Seu rosto, igualmente coberto de sombras, era indistinto.

— Não resista; será menos doloroso assim, — a voz da sombra soou bem jovem, — Não podemos deixar que você se machuque antes de conhecer aquela senhora.

Parece que não pretendiam deixar Lynn ter chance de resistir, já que os tentáculos sombrios que rodeavam seus membros e pescoço começaram a apertar.

O ar ficou mais rarefeito, tornando mais difícil para Lynn respirar.

No entanto, sua mente ainda corria.

Com base no toque, o inimigo não era desprovido de forma física; o corpo dele apenas havia se fundido com as trevas, tornando ataques físicos ineficazes.

Ou seja, o poder do oponente derivava das trevas.

Se esse fosse o caso... então use a luz para dispersar a escuridão.

Uma súbita inspiração surgiu nele, acendendo uma ideia maluca.

— Vamos negociar, certo? — disse Lynn entre respirações ofegantes. — Não importa para quem você trabalha, me solte... apenas desta vez... e eu prometo retribuir...

— Meus cúmplices e eu o acompanhamos há quase meio mês, e pará-lo agora seria perda de tempo, — suspirou o homem sombrio, — e, na minha visão, sua recompensa não vale muita coisa.

— Além disso, aquela dama pediu especificamente para vê-lo; como pessoa comum, você acha que pode desobedecer à vontade dela?

Desobedecer à vontade dela?

Essa frase implicava muita coisa, fazendo Lynn prender a respiração.

Enquanto isso, ficou claro que o homem sombrio não estava ali para matá-lo, mas era ainda mais perturbador do que isso.

Mas ele não tinha tempo para ponderar o significado subjacente agora.

— Tudo bem, tire um cochilo primeiro, e você estará lá quando acordar.

Com isso, o homem sombrio mais uma vez manipulou seu poder, provocando que sombras viscosas surgissem sobre o corpo de Lynn.

— Eu... me recuso.

Lynn não quis confiar seu destino a outra pessoa e, usando o que lhe restava de força, agarrou firmemente o revólver da mão esquerda.

O que precisava ser feito era, na verdade, bem simples.

— BUM!

Com o gatilho puxado, um pequeno orifício foi furado na chapa de metal do cano de gás no canto da sala.

O som do gás vazando e o cheiro estranho invadiram o ambiente, espalhando-se rapidamente pela sala apertada.

A expressão do homem sombrio congelou.

A incredulidade cintilou em seus olhos enquanto recuava inconscientemente.

— O que você está tentando fazer—

Antes que ele terminasse de falar, o gatilho foi puxado novamente.

— BOOM!!!

Comentários