O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 65

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 65

No seu escritório atolado em papelada, Fayle cumprimentou calorosamente o filho. "Bom trabalho. Você passou por muita coisa, Caron."

"Faz um ano desde a última vez que o vi, Pai. O senhor tem estado bem? Embora, pelo que parece... O senhor não me parece nada bem," Caron observou. Ele lançou um olhar para as pilhas imensas de relatórios espalhados pelo cômodo com um leve sorriso nos lábios.

Fayle riu da piada do filho, concordando com a cabeça antes de perguntar, "Pareço tão mal assim aos seus olhos?"

"Sim, bem... Eu particularmente não gosto de papelada," Caron respondeu.

"Eu também não estou fazendo isso porque gosto," Fayle disse.

"Ainda assim, há rumores de que o senhor é o verdadeiro poder por trás da família hoje em dia," Caron comentou.

Já faziam quatro anos desde que o Ducado de Leston declarou sua intervenção em assuntos externos. Era inegável que as capacidades de Fayle haviam desempenhado um papel enorme na rápida expansão da família. Ele vinha incansavelmente expandindo os negócios da família e liderando o desenvolvimento do Castelo Azureocean. A fortaleza, antes pequena e modesta, agora fervilhava com prédios altos surgindo por toda parte, tudo graças aos esforços de Fayle.

Anteriormente, a única alegação de fama do Castelo Azureocean era ser a base da Ordem dos Cavaleiros Lobo do Oceano. Mas agora, havia se tornado a principal fortaleza no noroeste do império. Coisas como comércio, trabalho e recursos fluíam pelo castelo, tornando-o um centro de atividades. E, naturalmente, com o dinheiro entrando, a força da família Leston crescia.

Até mesmo os membros mais velhos da família, que antes se opunham ao retorno de Fayle ao Castelo Azureocean, haviam se calado. Eles não podiam objetar quando o poder da família estava crescendo a cada dia.

"Ouvi dizer que sua condicional foi suspensa," Fayle disse.

"A notícia já se espalhou?", Caron respondeu, ligeiramente surpreso.

"Você devia ter visto a cara dos seus tios quando souberam da notícia. Pareciam que tinham engolido algo amargo," Fayle disse e não pôde deixar de sorrir ao se lembrar.

Ele sabia muito bem que ninguém poderia tocar em Caron facilmente. A notícia da libertação de Caron veio com o rumor de que ele havia alcançado 6-Estrelas. Com apenas dezessete anos, a única outra pessoa na história da família a alcançar tal feito foi seu ancestral, o fundador da família Leston. Fayle observou os rostos de seus irmãos se transformarem em pedra no momento em que ouviram a notícia. Caron mais uma vez havia superado todas as expectativas.

E com Fayle detendo um poder considerável dentro da família, mesmo que seus irmãos nutrissem intenções ruins em relação a Caron, eles não ousariam agir de forma imprudente. Politicamente e em termos de força, Caron era intocável.

Satisfeito, Fayle sorriu e perguntou: "Então, o que você planeja fazer agora?"

Era a mesma pergunta que Halo havia feito a Caron.

Desde o ano anterior, Caron havia herdado totalmente um apelido de Sabina—o Cão Louco do Castelo Azureocean. Esse título agora pertencia a ele. O Cão Louco havia sido libertado de sua condicional, e não havia como ele ficar parado. Assim como quando tinha treze anos, Caron provavelmente deixaria o Castelo Azureocean e causaria problemas por onde passasse.

...Só de pensar nisso é aterrorizante, Fayle ponderou.

Mesmo quando Caron tinha apenas treze anos, ele já havia causado caos suficiente. Mas agora, aos dezessete, com um poder muito maior à sua disposição... Ninguém sabia que tipo de problemas ele criaria.

"Estou pensando em escolher algumas missões boas e partir. Afinal, a família me mostrou muita graça nesses últimos quatro anos, então é hora de eu retribuir um pouco, não acha?", Caron comentou.

Fayle fez uma pausa, então respondeu suavemente: "Hmm... O amor de um pai por seu filho não tem preço. O amor da família não é diferente. Não há necessidade de retribuir nada."

"Ah, Pai! O senhor sabe como chamam alguém que não faz nada? Um sanguessuga. E o senhor sabe que não suporto sanguessugas mais do que qualquer outra coisa," Caron disse.

Fayle riu e disse: "Quem ousaria chamá-lo de sanguessuga?"

Ninguém, é claro. Ninguém cometeria esse erro, a menos que quisesse sentir a ira do Cão Louco. Mas com um sorriso, Caron acenou com a mão e disse: "Eu só preciso sair e ver o mundo um pouco, Pai."

"Faça como quiser." Fayle suspirou. "Você não ia de qualquer jeito, mesmo que eu tentasse impedi-lo?"

"Vê? O senhor me conhece muito bem, Pai," Caron respondeu, afundando no sofá macio com um sorriso satisfeito. Ele continuou: "E já está na hora de eu gastar um pouco do dinheiro que estou guardando há quatro anos. Honestamente, está me matando não poder tocar em uma única moeda."

Durante seus quatro anos de condicional, Caron vinha acumulando riqueza silenciosamente. Ele possuía ações em uma empresa conjunta que havia adquirido da propriedade do Baronato Belrus e, enquanto estava em sua condicional, os dividendos haviam se acumulado constantemente. Caron até pediu a Fayle para reinvestir esses dividendos em uma empresa de processamento de pedras de mana depois que Leo trouxe com sucesso técnicos especializados dos reinos do sul.

Então, embora não estivesse fazendo nada, sua fortuna havia crescido. E não apenas um pouco, diga-se de passagem. Ele havia se tornado extremamente rico. Os dividendos anuais sozinhos somavam 150.000 de ouro, uma quantia que rivalizava com o orçamento anual de um pequeno baronato. Em essência, Caron havia se tornado um baronato ambulante.

"É bom ser rico," Caron ponderou. Ele perguntou provocadoramente: "Pai, o senhor quer um pouco de dinheiro de bolso?"

Fayle balançou a cabeça e respondeu: "...Não, estou bem."

"Sério? Tem certeza de que não quer nada?", Caron insistiu, sabendo muito bem que Fayle não era tão indiferente quanto afirmava.

Fayle sabia muito bem que Caron obviamente espumaria pela boca e viria correndo só porque ele gastou um pouco de dinheiro. Ele entendia seu filho perfeitamente.

Enquanto conversavam, houve uma batida na porta. Um momento depois, a porta se abriu, e um homem de meia-idade com cabelos dourados e olhos azuis entrou. Uma cicatriz corria diagonalmente pelo seu rosto, dando-lhe uma aparência endurecida. Ao vê-lo, tanto Fayle quanto Caron imediatamente se levantaram e o cumprimentaram com respeito.

"Então, é aqui que vocês estavam, Fayle e Caron," o homem disse, sua voz grave enchendo a sala com um peso que pressionava o próprio ar.

Fayle baixou a cabeça em reconhecimento, dizendo: "Bem-vindo, Terceiro Ancião."

O homem era Ulrich Leston, um membro do Conselho de Anciões e uma das figuras mais poderosas da família. Ele também era tio de Fayle e havia alcançado 8-Estrelas. Era um feito que explicava como, mesmo aos setenta anos, ele ainda mantinha uma aparência jovem, quase de meia-idade. Ulrich já havia sido um dos oponentes mais ferrenhos do retorno de Fayle ao Castelo Azureocean, um linha-dura no Conselho de Anciões. Mas aqueles dias já haviam passado.

"Caron! Então é verdade, você alcançou 6-Estrelas! Esta é uma ocasião importante para a nossa família. Teremos o maior cavaleiro do continente mais uma vez! Venha aqui, meu querido sobrinho. Deixe-me dar-lhe um abraço!", Ulrich exclamou.

Ficou claro que Ulrich, o Terceiro Ancião, tinha um carinho especial por Caron. A razão era simples: Ulrich valorizava a força acima de tudo. Embora ele já tivesse desprezado Fayle, aqueles dias já haviam passado. Agora, Ulrich era um dos aliados mais fortes de Fayle dentro da família.

"Vamos, não seja tímido! Deixe-me sentir esses músculos. Você pode ter perdido um pouco de massa enquanto se concentrava em aprimorar sua mana!", Ulrich insistiu.

"Pai! Por favor, faça alguma coisa com o Terceiro Ancião!", Caron exclamou, tentando se defender de seu tio superexcitado.

"Tsc! Eu já lhe disse, quando não estamos em público, você deve me chamar de 'tio', não de 'ancião'."

Caron fez uma careta e disse: "Tio... Talvez o senhor pudesse, ah, pegar mais leve?"

"O que há de errado com um pouco de união entre membros da família?", Ulrich respondeu.

Ulrich era, sem dúvida, a pessoa menos favorita de Caron no Castelo Azureocean. Ele constantemente importunava Caron com seu afeto, e o presente não era diferente. Caron tentou afastá-lo, segurando as duas mãos em defesa.

"O que o traz aqui tão de repente, Terceiro Ancião?", Caron perguntou, tentando mudar de assunto.

O sorriso de Ulrich se alargou quando ele explicou: "Bem, a reunião do conselho acabou de terminar, e eu vim entregar os resultados para você pessoalmente. Normalmente, eu enviaria um servo, mas não resisti a ver seu rosto."

Com um sorriso malicioso, Ulrich tirou um pedaço de papel do casaco. Caron observou o documento e encolheu os ombros.

"Essa reunião foi sobre minha condicional?", Caron perguntou.

"Não. A autoridade para suspender sua condicional reside unicamente no chefe da família. Nem mesmo o conselho de anciãos pode interferir nisso," Ulrich explicou.

"Então, que resultado o senhor está tentando me trazer?"

"Apenas leia," Ulrich disse, entregando o papel para Caron.

Caron estreitou os olhos e examinou o papel. Era um relatório de um cavaleiro.

"Solicitação de Suporte para Extermínio de Monstros."

O autor do relatório era Leo Leston. Caron estava se perguntando por que Leo estava ausente do Castelo Azureocean ultimamente. Parecia que ele estava em uma missão.

O relatório resumia a situação:

"Monstros foram avistados perto da fronteira entre o Reino Keath e o Reino Sagrado. A área é muito perigosa para patrulhar sozinho, então forças adicionais são solicitadas. Idealmente, uma unidade familiarizada com o terreno de Keath deve ser enviada. Se não houver reforços disponíveis, a cooperação com o Reino Sagrado será necessária. Aguardando resposta."

Nada parecia fora do comum além do fato de que monstros estavam aparecendo com mais frequência ultimamente. A Ordem dos Cavaleiros Lobo do Oceano vinha lidando com seu extermínio regularmente. Não era incomum para os residentes do Castelo Azureocean encontrar monstros, já que a família Leston há muito os via como inimigos. Mesmo quando a Mana Negra não era proibida, os Leston sempre foram conhecidos por sua postura agressiva contra monstros.

Isso não parece ser algo que exigiria o envolvimento do conselho, Caron pensou. O escopo da missão não parecia grande o suficiente para justificar a atenção dos anciãos.

"Essa é a sua missão designada," Ulrich disse, gesticulando para o papel.

"Eu pensei que missões de extermínio de monstros não precisavam de aprovação dos anciãos," Caron comentou.

"Normalmente não precisam. Mas desta vez, é sobre onde os monstros foram avistados," Ulrich explicou.

Ulrich acariciou o queixo e acenou para si mesmo. Depois de um momento, ele falou novamente, e a expressão de Caron congelou com suas palavras.

"Diga-me, Caron, você já ouviu falar de Kerraacht?"

O nome pegou Caron de surpresa, pois era completamente inesperado.

***

"Cinquenta anos atrás, Kerraacht era um dos últimos soldados de elite da guarda imperial que defendiam o palácio. A história registra que ele morreu heroicamente ao lado de Sir Cain, mas a realidade conta uma história diferente. Ele sobreviveu àquele dia e tem vivido nas regiões do sul do continente. Bem, pelo menos até seis meses atrás," Ulrich explicou ainda mais.

Caron cerrou o punho levemente. Respostas para as perguntas que ele sempre quis fazer a Fayle agora estavam vindo de Ulrich.

"...Como ele sobreviveu?", Caron perguntou, sua voz firme, mas curiosa.

"O chefe da família mostrou-lhe misericórdia. Essa é a razão pela qual a atual Guarda Imperial herdou suas técnicas de treinamento de mana e esgrima. Eu argumentei até o fim que eles deveriam ser eliminados, mas o chefe decidiu poupá-los," Ulrich respondeu, seu tom sério.

Embora muitos anos tivessem se passado, aqueles que empunhavam mana frequentemente viviam longas vidas. Se não tivessem sido mortos ou atingidos por uma doença, eles poderiam muito bem ainda estar vivos. A expressão de Caron, que havia sido congelada pela perspectiva de encontrar seus antigos camaradas, rapidamente se suavizou.

"Nem todos aqueles soldados de elite ainda estão vivos, mas alguns deles sobreviveram sob nossa vigilância," Ulrich continuou.

"E agora eles não estão mais sob vigilância?", Caron perguntou cautelosamente.

"Para ser preciso, nós os perdemos. Cada um daqueles sobreviventes desapareceu sem deixar vestígios há seis meses. Coincidentemente, a área onde os monstros têm aparecido é o último lugar onde encontramos qualquer sinal de Kerraacht," Ulrich disse, terminando sua explicação.

Ele então olhou diretamente para Caron, abaixando a voz. "Sua missão é exterminar os monstros enquanto procura por qualquer vestígio de Kerraacht. O extermínio de monstros é a tarefa oficial, mas a busca por Kerraacht é extraoficial. Você pode recusar se quiser."

"Eu farei isso," Caron respondeu firmemente, sem hesitação. Não havia razão para recusar—não, mais precisamente, ele não podia recusar. Se houvesse uma chance de confirmar o destino de seus tolos subordinados, ele a aproveitaria, mesmo que não fosse uma missão oficial.

"O fato de que um soldado de elite como Kerraacht ainda pode estar vivo é informação classificada dentro do Castelo Azureocean. É por isso que apenas membros diretos da família podem participar desta missão," Ulrich disse.

"Então, quem me acompanhará nesta missão, Terceiro Ancião?", Caron perguntou, curioso sobre sua equipe.

"Leo e Leon o ajudarão. Eles já estão na área, procurando pelos monstros. Você pode se juntar a eles quando estiver pronto," Ulrich disse.

Isso significava que Caron teria que viajar para a fronteira sozinho.

A fronteira entre o Reino Keath e o Reino Sagrado levaria pelo menos uma viagem de quinze dias. Isso supondo que não se parasse para descansar. Não seria uma viagem fácil.

"Prepare-se bem antes de partir. A situação do império tem estado instável ultimamente," Ulrich aconselhou.

"Mais alguma coisa que eu deva ter cuidado?", Caron perguntou.

"Há uma chance de que o Reino Sagrado possa se envolver neste assunto. Tenha cuidado com aqueles fanáticos. No momento em que ouvirem falar de Kerraacht, eles virão correndo," Ulrich avisou.

O Reino Sagrado era uma nação de fanáticos que adoravam o Deus da Luz, Kirian, como sua única divindade. Eles se autodenominavam uma 'nação sagrada' liderada pelo Papa. Eles também existiam cinquenta anos antes. Na época em que o império abraçou a Mana Negra, eles eram inimigos, mas as relações melhoraram um pouco nos últimos anos.

"Para eles, Kerraacht nada mais é do que um servo do Imperador Malévolo. Se eles descobrirem que ele está vivo, eles tentarão matá-lo. Eu preferiria que você evitasse conflito com aqueles fanáticos," Ulrich disse, seu tom carregado tanto de aviso quanto de diversão.

"O senhor está preocupado comigo?", Caron perguntou com um sorriso.

"Por que eu estaria?", Ulrich sorriu. "Estou mais preocupado que aqueles fanáticos possam ser despedaçados por você. Se você acabar matando-os, isso apenas dará mais trabalho ao seu pai. Ele é o responsável pela diplomacia da família, não é?"

Ulrich olhou para Fayle com um olhar satisfeito. Fayle, no entanto, suspirou e balançou a cabeça, virando-se para o filho.

"Apenas tente não matar ninguém," Fayle murmurou.

"Eu farei o meu melhor," Caron respondeu com uma risada.

"Então o senhor não está dizendo que não vai matá-los," Fayle comentou, erguendo uma sobrancelha.

"Pai, o senhor sabe tão bem quanto eu o quão loucos aqueles fanáticos podem ser," Caron disse, dando de ombros.

"...Você é tão ruim—não, esqueça. Esqueça o que eu disse," Fayle gemeu.

A nova missão de Caron agora estava definida. O Cão Louco do Castelo Azureocean estava pronto para deixar sua toca.

Comentários