O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 51

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 51. Uma Coisa Para Não Esquecer

Naquele dia, o céu azul se estendia infinitamente.

"Comandante, você tem planos para a aposentadoria?", perguntou uma voz.

"Sim, vou comprar uma casa no reino do sul e não fazer absolutamente nada", respondeu Cain Latorre, o comandante.

"Sério? Esse parece o plano menos idílico que já ouvi", disse Kerra.

"Kerra, eu sempre tive isso em mente, mas você fala coisas inúteis demais", comentou Cain.

Os dois homens trocaram palavras enquanto estavam no tranquilo jardim do palácio. Cain, o comandante da Guarda Imperial, estava claramente irritado com a insistência de Kerra.

"Kerra, eu não sou um nobre como você. Não sei nada sobre 'idílico'. Que diabo fala sobre coisas assim com um escravo?", respondeu Cain, em tom cortante.

"Por que sua origem importaria, Comandante? Você continua sendo você", respondeu Kerra.

"Os nobres parecem achar que importa", murmurou Cain.

"Foi por isso que eu deixei minha família e me juntei à Guarda Imperial, não foi? Aqueles nobres são como lixo. Escravo ou nobre, todos nós morremos da mesma forma quando uma lâmina nos atinge", resmungou Kerra enquanto regava as flores.

Cain riu de Kerra. Esse cara era realmente engraçado. Ele ainda tinha a audácia de fazer piadas enquanto as forças de Leston marchavam em direção à capital. Em apenas três dias, Halo Leston chegaria, liderando seu exército em direção à capital.

Cain já havia ordenado que a Guarda Imperial partisse, pois não havia orgulho ou honra que valesse a pena proteger neste palácio. A maioria dos cavaleiros havia fugido. Afinal, não havia muitos cavaleiros que queriam cair junto com um imperador que havia vendido sua alma a demônios.

Mas alguns permaneceram. Kerra, é claro, era um daqueles poucos estranhos.

"Kerra", chamou Cain.

"Sim, Comandante?", respondeu Kerra, olhando para cima.

"Vá embora quando puder. Vá para o Sultanato de Pajar ou siga para o sul. Pelo menos lá, você terá uma chance de sobreviver", Cain o exortou novamente, tentando persuadir seu subordinado.

Já era o suficiente para ele ser o único a morrer aqui pelo Imperador Malevolente. Por alguma razão, o imperador insano havia obrigado apenas Cain a permanecer dentro do palácio. Os outros poderiam partir quando quisessem, embora alguns, que haviam recebido Mana Negra do imperador, talvez fossem caçados. Mas Cain acreditava que a maioria deles, com sua habilidade, poderia viver e se esconder.

"Qual é o sentido de fugir? Eu só passaria o resto da minha vida fugindo de qualquer maneira. Não, obrigado. Eu só vou ficar aqui e morrer com você, Comandante", respondeu Kerra.

"Seu idiota", murmurou Cain.

"Comandante, você não é próximo do Duque Halo Leston? Por que você não faz um acordo? Se você decidir viver e se aposentar, eu fico por perto também. Podemos ir para o sul e trabalhar como mercenários. Não é tão glamoroso quanto a Guarda Imperial, mas ouvi dizer que paga bem", sugeriu Kerra.

Cain suspirou e se perguntou como poderia persuadir alguém que estava tão disposto a morrer com ele.

Ele estava prestes a dizer algo, mas suspirou e balançou a cabeça. Então, perguntou baixinho: "Onde estão os outros?".

Kerra, que havia se agachado para colher uma rosa, respondeu: "Eles estão verificando seus equipamentos nos quartéis. Ah, e Ugo estava passando seu uniforme, acredite ou não".

"Passando? Agora?", perguntou Cain.

"Sim, ele disse que queria morrer com uma boa aparência. Diz o cara que raramente limpa o quarto... Se isso não é loucura, não sei o que é. Haha!" Kerra soltou uma risada alta e despreocupada enquanto se levantava e entregava a rosa a Cain. Ele sugeriu: "Você deveria colocar esta rosa no cabelo, Comandante. Quem sabe? Talvez o Duque Halo pense que você enlouqueceu e pegue leve com você".

Cain olhou para a rosa, cheio de emoção. Sem dizer uma palavra, ele sacou sua espada e cortou a rosa ao meio.

*Slash.*

Pétalas caíram no chão em silêncio.

"Parece que você não sabia, mas eu sou mais forte que Halo", disse Cain.

Kerra respondeu com um sorriso: "Sério, você é um completo lunático... Nas últimas vezes em que você lutou com ele, você perdeu todas as lutas".

"Eu peguei leve com ele", respondeu Cain.

Kerra riu novamente e respondeu: "Você não vai dar tudo de si desta vez também, vai? Sua mente está cheia do pensamento de morrer. E esse seu rosto? Não é o rosto de um homem indo para a batalha para lutar, mas o de um lunático indo para sua própria sepultura".

Ele limpou a sujeira de suas mãos e olhou para Cain, então perguntou seriamente: "Você não pode simplesmente ficar vivo?".

Cain ficou em silêncio.

"Você nunca fez uma escolha por si mesmo em toda a sua vida", continuou Kerra, sua voz agora mais suave. "É lamentável... Verdadeiramente lamentável".

Cain sabia que aquelas palavras vinham do coração de Kerra, o que tornou seu sorriso ainda mais amargo. Ele disse baixinho: "Desta vez, é minha escolha".

"Morrer por aquele imperador louco?", perguntou Kerra, incrédulo.

"Você mesmo disse, que eu pareço um homem indo para sua sepultura. Pelo menos posso escolher onde vou morrer. Isso é alguma coisa, não é?", respondeu Cain.

Kerra soltou um longo suspiro, balançando a cabeça em descrença. "Eu deveria simplesmente parar de falar... Sério".

Com um suspiro resignado, ele se virou e começou a sair do jardim.

Cain gritou atrás dele: "Você está fugindo? Essa é uma boa escolha".

Sem nem se virar, Kerra gritou de volta: "Eu vou beber o estoque que tenho escondido nos quartéis! Tenho que terminar antes de cair morto. E nem pense em pedir um pouco, Comandante. Não tem para você!".

"...Seu tolo", murmurou Cain.

Ele forçou um leve sorriso enquanto observava Kerra desaparecer à distância. Ele esperava, pelo menos, que eles não morressem. Enquanto ele estava tendo esses pensamentos...

***

"...Hah", Caron exalou suavemente enquanto acordava lentamente de seu sono.

Ele havia sonhado. Isso era uma ocorrência rara desde sua reencarnação. Memórias de um passado que ele havia esquecido há muito tempo ressurgiram inconscientemente. Talvez fosse por causa de onde ele estava, o Palácio Imperial, um lugar que poderia despertar aquelas velhas memórias que estavam enterradas dentro dele.

"Onde... estou?", murmurou Caron enquanto sacudia a amargura persistente do sonho, então olhou ao redor.

Ele se encontrou em uma sala espaçosa, de paredes brancas. A visão de várias ferramentas médicas espalhadas sugeria que este lugar era uma espécie de hospital dentro do palácio. Quando ele olhou para o seu corpo, percebeu que estava envolto em bandagens.

Ao lado de sua cama, havia duas figuras caídas, com espadas apertadas em seus braços enquanto dormiam. Eram Leo e Amy. As manchas de sangue em suas roupas indicavam que provavelmente foram eles que o trouxeram para cá.

Caron poderia acordá-los para perguntar o que havia acontecido, mas vendo o quão profundamente eles estavam dormindo, ele não queria acordá-los. Então, em vez disso, ele estendeu a mão para Guillotine, que estava encostada na parede perto de sua cama.

No momento em que ele a agarrou, a voz familiar da espada ecoou em sua mente. *"Dono, você está acordado?"*

*Onde estou?* Caron perguntou internamente.

*"Você está no hospital do palácio. Seu tratamento também foi concluído. Graças ao orvalho da Árvore do Mundo que o Sexto Príncipe lhe deu, não sobrou muito para tratar. Apenas costurando alguns ferimentos aqui e ali,"* respondeu Guillotine.

A memória de Caron dos momentos antes de desmaiar começou a retornar lentamente. Revelio havia despejado o raro e valioso orvalho da Árvore do Mundo em sua boca. Graças àquele elixir milagroso, que era impossível de comprar mesmo com uma fortuna, ele havia se recuperado surpreendentemente bem, apesar de ter rompido à força para 5-Estrelas. Seus caminhos de mana também pareciam relativamente intactos.

"Eu deveria pelo menos pagar... Espere um segundo. Onde está aquele bastardo do Revelio?" A testa de Caron se franziu quando ele se lembrou. Ele sabia que não havia sido levado à beira do colapso. Se aquele lunático não o tivesse socado pelas costas, ele não estaria neste estado.

Tendo pensado até ali, Caron imediatamente acordou Leo chamando-o: "Leo. Leo, acorde".

Leo esfregou os olhos enquanto acordava de seu sono, dizendo: "Uh... Por que, Caron... Espere! Você está acordado?".

Ouvindo sua voz, Amy também acordou ao lado dele, exclamando: "Jovem Mestre Caron! Graças a Deus você está bem!".

Assim que acordaram, os dois se aproximaram da cama. Ambos correram tão ansiosamente que parecia opressor.

Caron franziu a testa enquanto perguntava: "Amy, o que você está fazendo aqui?".

"Ajudando um benfeitor, é claro. Você... Você está se sentindo bem?", perguntou Amy, com preocupação evidente em sua voz.

"Estou bem. Mais importante, Leo, onde está aquele bastardo do Revelio? Ele fugiu?", perguntou Caron.

"A julgar por esse temperamento, você definitivamente está bem. O Sexto Príncipe foi preso pela Guarda Imperial. Tenho certeza de que o vovô está a caminho para pegá-lo agora", respondeu Leo.

"Vovô? Que horas são agora?", perguntou Caron novamente.

"São dez da manhã. Você está apagado há doze horas, seu bastardo louco", respondeu Leo.

"...Sério?", exclamou Caron.

"Você não consegue ver a luz do sol entrando pela janela?", disse Leo.

Assim como Leo disse, a luz do dia estava entrando na sala pela janela. Os efeitos colaterais de romper à força para 5-Estrelas claramente tiveram um impacto em Caron. Se já haviam se passado doze horas desde o incidente, muita coisa já devia ter acontecido.

Caron se serviu de um copo de água da mesa de cabeceira e bebeu, então limpou os lábios com a manga de seu roupão de paciente antes de continuar. "Quando o vovô chegou?".

"Cerca de trinta minutos depois que você desmaiou. Ele apareceu liderando a Ordem dos Cavaleiros Lobo do Mar", respondeu Leo.

"...Parece que o palácio tinha um círculo de teletransporte. E aquele que está por trás de tudo isso? Eles o pegaram?", perguntou Caron.

Leo suspirou profundamente e respondeu: "Como eu saberia? Eu estive aqui, cuidando de você".

"Não houve ataques adicionais enquanto eu estava fora, certo?", perguntou Caron.

"Claro que não. Com a Ordem dos Cavaleiros Lobo do Mar guardando o lugar, quem ousaria? Eles nem deixaram a Guarda Imperial se aproximar", explicou Leo.

Caron olhou para Amy e perguntou: "Ela não faz parte da Guarda Imperial?".

"Bem... Foi graças a Amy que conseguimos te levar para o hospital rapidamente. O palácio era como um labirinto", admitiu Leo.

Isso era verdade. A planta do palácio era notoriamente complicada; até Caron teve dificuldades para memorizar as rotas em sua vida anterior.

Voltando seu olhar para Amy, Caron lhe deu um olhar provocador e disse: "Você é bem durona, Amy".

"Perdão?", respondeu Amy, confusa.

"Você não queria me curar para poder me espancar depois? Me trazer para o hospital só para me colocar de pé para um duelo... Uau, você é realmente algo", disse Caron.

"N-Não! Eu estava apenas tentando te ajudar...", Amy tentou explicar.

"Eu sei", respondeu Caron.

"...Huh?", respondeu Amy, confusa.

"Eu só estou brincando com você. Obrigado. Eu não vou esquecer que você me ajudou", disse Caron.

Enquanto os três conversavam, uma batida ecoou na porta. A porta se abriu e um cavaleiro entrou na sala.

"Você está acordado, Jovem Mestre Caron. Eu estava esperando", disse o Comandante Zerath enquanto se aproximava da cama de Caron. Ele perguntou: "Como você está se sentindo?".

"Estou me sentindo bem, Sir Zerath. Como se eu pudesse pular e começar a brandir uma espada agora mesmo", disse Caron.

"O ferimento que você sofreu foi de Mana Negra. O sacerdote o limpou, mas ainda é muito cedo para ficar aliviado", disse Zerath.

"Eu estou te dizendo, eu estou bem... Oh, a propósito, eu alcancei 5-Estrelas agora, Sir Zerath", acrescentou Caron.

"Parabéns", disse Zerath, seu tom firme.

"Então, eu posso sair agora—" Caron começou.

"Não até que o chefe da família dê permissão", interrompeu Zerath.

"...Então, pelo menos uma bebida?", perguntou Caron.

"Por favor, diga algo razoável", respondeu Zerath, completamente impassível com a sugestão.

Caron soltou um longo suspiro e desabou de volta em sua cama, derrotado pela postura inabalável de Zerath. Ele olhou para Zerath e perguntou: "Quando o vovô está vindo?".

"Ele parou para verificar você assim que chegou. Já que a situação deve estar sob controle agora... Ele provavelmente estará aqui em breve", respondeu Zerath.

Assim como Zerath previu, uma voz alta e poderosa ecoou do lado de fora da sala. Parecia que Halo havia chegado.

"Ele está aqui", comentou Zerath enquanto caminhava calmamente em direção à porta e a abria cuidadosamente.

Logo, Halo, vestido com sua armadura azul celeste, entrou na sala. Ao vê-lo, tanto Leo quanto Amy rapidamente se levantaram e se curvaram profundamente.

"Saudações, Duque Halo!", disseram eles.

Halo acenou para eles gentilmente e disse: "Vocês devem estar cansados de cuidar de Caron. Sentem-se".

Sua voz profunda carregava um peso que se instalou sobre a sala. Tanto Leo quanto Amy se sentaram cuidadosamente.

Halo arrastou uma cadeira próxima e sentou-se ao lado da cama de Caron. Ao se sentar, a armadura azul celeste que ele vestia se dissipou como fumaça, deixando-o com roupas casuais simples e limpas. Ele comentou: "Você parece estar bem".

Caron sorriu com um aceno de cabeça e disse: "É tudo graças à proteção de nossos ancestrais".

"O oceano dentro de você cresceu. Você tem cinco mares agora. Essa era sua intenção?", perguntou Halo.

"Para parar a súcubo, eu não tinha muita escolha. Parecia que eu tinha que usar a Forma 5 da Arte da Espada Lobo do Mar para minimizar o dano", explicou Caron.

"Forma 5: Maré Alta... Eu pensei que você só dominava até a Forma 4?", perguntou Halo.

"Eu aprendi observando os outros", respondeu Caron.

Halo exalou profundamente enquanto olhava para seu neto. Relatórios daqueles que compareceram ao banquete revelaram que Caron havia atacado a súcubo sozinho de forma imprudente. Era uma situação perigosa demais.

Se aquela súcubo realmente tivesse a intenção de matar Caron, a situação teria sido muito pior. Mesmo que ele sobrevivesse, ele teria ficado com ferimentos graves, possivelmente fatais.

"Por que você atacou primeiro? Se você sentiu a Mana Negra, você poderia ter nos informado primeiro", disse Halo.

Foi uma decisão imprudente. Mesmo que a Mana Negra tivesse sido descoberta, a abordagem correta teria sido esperar até que alguém tivesse poder suficiente para se envolver na luta. Não havia como um garoto inteligente como Caron não saber disso.

Mas com um olhar confiante, Caron respondeu: "Meu corpo reagiu mais rápido do que minha cabeça".

"Então você está dizendo que foi instinto?", insistiu Halo.

"Bem, eu realmente não consigo explicar melhor do que isso. Eu senti a hostilidade, então a cortei", respondeu Caron.

O olhar de Halo se desviou para a espada que descansava ao lado da cama de Caron, Guillotine. Era a mesma espada que havia decapitado inúmeros demônios. Talvez fosse apenas natural que o portador de tal espada desejasse abater mais de sua espécie. Mas ainda assim, foi imprudente demais.

*...Eu quase perdi Caron*, pensou ele. Se a sorte não estivesse do lado deles, Caron não estaria deitado em uma cama de hospital agora; ele estaria em um caixão. Essa realidade tornou a voz de Halo firme enquanto ele falava novamente. "Caron Leston. Como chefe da casa, eu ordeno você".

Caron não era mais apenas um jovem neto promissor. A palavra "promissor" não se encaixava mais nele. Ele havia destruído a Pedra da Promessa e sido escolhido por Guillotine. E agora, através desta jornada, Caron havia provado seu valor.

*Um cavaleiro de 5-Estrelas aos treze anos*, ponderou Halo.

Caron já havia ultrapassado o nível que o próprio Halo havia alcançado naquela idade, atingindo uma condição inimaginável.

Então agora, Halo tinha certeza.

*...Aquele destinado a cumprir o pacto*, pensou ele.

Caron Leston era quem cumpriria o pacto com os mestres do Mar do Norte. O próprio neto de Halo era o futuro do Ducado de Leston. Ele iluminaria o caminho a seguir para sua família, tornando-se o centro de uma nova era.

*Você logo terá que navegar pelas tempestades que virão*, pensou Halo.

Esse era o destino daquele escolhido para cumprir o pacto.

E assim, Halo tomou sua decisão.

"Depois que retornarmos ao Castelo Oceano Azul, eu o proibirei de qualquer atividade externa. Nos próximos quatro anos, você deverá se aprimorar".

Era uma escolha que ele estava fazendo para o futuro de Caron.

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