
Capítulo 120
Família Moderna: Nova Vida
O elevador se fechou devagar com um bipe suave, e o grupo ficou envolvido por um breve momento de silêncio.
Lá estavam todos: Andrew, Reggie, Archie, Steve, Kevin, Howard com a câmera na mão, Cam e Mitchell na frente, e o irmão mais velho de Kevin no fundo, sério, mas curioso sobre tudo o que estava prestes a acontecer.
Steve, de braços cruzados, quebrou o silêncio: — E se a gente subir mais um andar? Assim podemos ver lá de cima se tem alguém perto da fonte. Dá para mapear a área antes de descer.
Andrew lançou a ele um olhar de soslaio: — Mapear a área... como se a gente fosse alguma espécie de força especial?
— Exato. Não quero descer lá e dar de cara com o nada. É melhor saber o que nos espera — respondeu Steve.
Cam levantou a mão como se estivesse aprovando uma moção em uma assembleia escolar. — Eu apoio. Adoro drama. Se a gente descer e tiver gente, vai ser emocionante. Mas se olharmos de cima e virmos a multidão primeiro, vai ter um clima bem cinematográfico.
Mitchell suspirou: — Ou uma decepção silenciosa se não houver ninguém.
— Valeu, Mitch. Sempre o otimista — disse Cam, revirando os olhos.
— Só estou tentando ser realista — rebateu Mitch. Ele não fazia ideia de como funcionava um encontro de YouTuber.
Andrew apertou o botão para o terceiro andar.
A fonte ficava no segundo.
Do terceiro nível, eles teriam uma vista direta para o espaço aberto da praça central, cercada por parapeitos de vidro e rodeada de lojas.
Era o lugar perfeito para ver se alguém já tinha chegado.
O elevador continuou subindo enquanto Howard filmava tudo.
Plim.
As portas do elevador se abriram lentamente.
Uma brisa de ar fresco e uma música ambiente suave os receberam.
Cam e Mitch saíram primeiro, seguidos por Andrew e os outros.
Eles caminharam alguns metros, passando por uma loja de eletrônicos e um café, onde algumas pessoas sentadas tomavam suas bebidas em silêncio.
Então chegaram ao parapeito.
O coração do shopping se abriu diante deles em um vasto espaço oval que se estendia por três andares de altura, com um teto de vidro que deixava a luz natural inundar o ambiente.
E no centro, perto da fonte, eles os viram.
Um mar de gente. Centenas.
Muitos seguravam cartazes e câmeras. Havia pessoas com camisas de times, bonés com o logotipo dos Palisades Eagles e folhas impressas com várias mensagens. Uma delas, que Andrew conseguiu ler, dizia: Eu treino graças a você; Sem dor, sem ganho; Andrew, autografa meu abdômen, e assim por diante.
As pessoas conversavam com uma expectativa visível, muitas erguendo celulares ou câmeras como se estivessem esperando pelo momento exato de sua chegada.
E ainda faltavam cerca de quinze minutos para o horário agendado.
Howard levantou a câmera e gravou a multidão na fonte, depois filmou também as reações silenciosas de Andrew e dos outros.
O grupo inteiro ficou em silêncio até que Reggie finalmente falou, impressionado: — Caramba, tem um centenço de pessoas, hein? — disse ele, olhando para Andrew com um sorriso largo. — Parece que você se subestimou, cara.
— É... — murmurou Andrew, com os olhos correndo por cada canto do lugar: a multidão ao redor da fonte, os cartazes, os rostos.
Ele sempre fora aplaudido em jogos de futebol americano; centenas, até milhares, vinham assistir ao seu time jogar. Ele sempre soubera lidar bem com os nervos, e eles nunca afetavam seu desempenho.
Mas aquilo era diferente.
Todas aquelas pessoas estavam ali especificamente por causa dele. Não para assistir a uma partida de futebol.
E sim por causa dos vídeos que ele postava em seu canal no YouTube.
— Isso é insano... — murmurou Archie, engolindo em seco.
Ele sabia que a multidão não estava ali por ele, mas mesmo assim, a ideia de ser o segundo mais popular do canal depois de Andrew o deixava nervoso.
— Isso é histórico, Mitchell! Histórico! — exclamou Cam, com os olhos brilhando de empolgação, sem se importar com o quão dramático parecia.
Aquele grito de Cam fez várias pessoas perto da fonte virarem a cabeça.
Primeiro, um casal de rapazes. Depois, uma garota segurando um cartaz que dizia *Eagle Power* (Poder das Águias). Os olhos deles se voltaram para cima, para o terceiro andar, em direção ao parapeito.
Lá, eles viram um garoto com um corte de cabelo estilo cuia apontando uma câmera na direção deles — e, bem ao lado dele, alguém que reconheceram instantaneamente.
— É ELE! — gritou uma voz feminina.
— Andrew! Ele está bem ali! — berrou um garoto, levantando o braço e apontando como se mais ninguém soubesse onde olhar.
O murmúrio coletivo explodiu em segundos. Como uma faísca acendendo um pavio molhado... e de repente explodindo.
Mais de cem cabeças se viraram para cima.
E então vieram os gritos, os aplausos, os celulares erguidos bem alto no ar.
Um pai chegou a levantar seu filho pequeno, de talvez sete anos, para que ele pudesse ver Andrew.
Howard, ainda filmando como se não pudesse acreditar no que sua lente estava capturando, disse: — Eu não vi isso chegando...
— Nem eu — murmurou Andrew, mais para si mesmo do que para os outros.
Ele sabia que estava no top 10 do YouTube.
Na escola, as pessoas pediam fotos, autógrafos; até mesmo após jogos fora de casa, gente que não era de Palisades vinha falar com ele. Sem contar na rua ou no supermercado.
Mas ver mais de cem pessoas gritando só por causa de seu canal no YouTube?
Isso era completamente diferente.
A testa de Mitchell começou a suar. Seu cérebro entrou em rotação máxima, acionando o modo completo de segurança e logística.
— Vamos descer antes que alguém decida subir aqui... — disse Andrew, acenando para a multidão enquanto eles entoavam seu nome.
Os outros assentiram e caminharam em direção às escadas rolantes.
O grupo desceu em formação fechada. Howard, logo atrás de Andrew, filmava cada segundo, enquadrando o rosto dele com o rugido da multidão ao fundo.
Ao chegarem ao segundo andar, o barulho se transformou em movimento.
Várias pessoas correram para o local onde sabiam que Andrew pisaria no chão.
Por sorte, como Andrew havia previsto, seus inscritos eram civilizados.
Havia uma energia entusiasmada, mas nada selvagem, sem caos.
Ninguém estava empurrando ou se acotovelando para passar na frente.
E a área era espaçosa.
Uma praça central que conseguia acomodar mais de quinhentas pessoas em pé sem ficar lotada demais, e, por uma estimativa rápida, parecia mais da metade cheia.
Talvez ainda aparecesse mais gente.
Cada rosto ostentava expectativa.
Celulares erguidos. Braços esticados segurando cadernos, camisetas, bolas de futebol americano.
Andrew manteve um ritmo constante.
Caminhava com calma, mas com eficiência, cumprimentando as pessoas, apertando mãos, tirando fotos, conversando.
Ele tentava ser objetivo e não passar tempo demais conversando com um único fã, pois não queria deixar ninguém de fora.
A maior parte das pessoas ali vindas de seu canal eram adolescentes, entre 13 e 18 anos.
Em sua maioria rapazes, mas com mais garotas do que ele esperava. Algumas tímidas, outras mais expressivas.
Uma garota lhe entregou uma carta que parecia ter 18 páginas escritas frente e verso.
Outra pediu que ele autografasse o antebraço dela, por mais estranho que parecesse.
Também havia crianças mais novas, de 7 a 10 anos, trazidas pelos pais.
Um deles, de óculos e mal chegando a um metro e vinte de altura, o abraçou sem dizer uma palavra.
E quando o soltou, estava com os olhos marejados. Cam, ao ver aquilo, soltou um suspiro dramático, quase chorando mais do que a criança.
Mitchell começou a se organizar para evitar qualquer caos social.
Usando sua obsessão por controle e estrutura, ele nem precisou levantar a voz. Todo mundo era respeitoso, mas um pouco de ordem definitivamente era necessário.
Cam, enquanto isso, havia assumido totalmente o papel de fotógrafo oficial, com a seriedade de um diretor de cinema.
Ele pedia para os fãs ficarem no ângulo certo, tirava várias fotos para evitar olhos fechados e até dava pequenas instruções de pose.
— Sorri! Bem aí! Isso, perfeito! Agora uma séria! Agora faz o *dab*[1]!
Tudo estava fluindo tranquilamente.
Quase milagrosamente, o evento se transformou em algo funcional e bem-organizado, o suficiente para que os seguranças do shopping não os expulsassem.
Andrew acabara de terminar de tirar fotos com um garoto e uma garota que namoravam e tinham começado a treinar juntos graças às rotinas dele. Ele seguiu para o próximo grupo.
Esse grupo era formado por um garoto, uma garota e um homem de meia-idade.
A garota parecia ter uns quinze anos. Cabelo escuro e liso, com um brilho saudável, caindo perfeitamente em ordem. Seus olhos eram sérios, firmes, e sua postura era quase militar.
Ela vestia roupas esportivas pretas com detalhes em vermelho. Tudo caía perfeitamente nela.
Ela era atraente, atlética e, ao mesmo tempo... intimidante.
— Oi... — disse ela, tentando soar o mais confiante possível, embora o nervosismo estivesse na cara. — Sou a Monica Geller. Sou fã desde antes de você bater cem mil.
Andrew congelou.
Não por causa da aparência dela, mas por causa do nome.
Ele conhecia aquele nome. Não desta vida... mas da anterior. Uma das séries que ele assistira em sua vida passada era *Friends*.
E Monica Geller era uma das personagens principais: a maníaca por limpeza, a implacavelmente competitiva, a mulher que precisava ter a última palavra e uma cozinha impecável.
O nome e a aparência, embora mais jovem, quase idêntica, diziam-lhe que ele estava cara a cara com a verdadeira Monica Geller.
Uma versão adolescente, sim. Mas inconfundível.
Andrew sentiu um calafrio descer pela espinha.
— Que porra é essa!? Por que ela é adolescente!? — pensou ele, confuso.
[1] - *Dab*: Um estilo de dança em que a pessoa esconde o rosto na dobra do cotovelo enquanto aponta o outro braço para cima.