Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 99

Família Moderna: Nova Vida

— Espera um minuto! — gritou a voz de uma criança, interrompendo a resposta de Jay.

Todo mundo virou a cabeça num piscar de olhos.

Lá estava o Luke.

Entalado entre as grades da escada. De novo.

Ninguém fazia ideia de quando ele tinha conseguido ficar preso dessa vez.

— Desde quando você tá aí? — perguntou a Haley.

— Isso não importa! — bradou o Luke, indignado.

— O que importa é que eu não votei! Ninguém pediu minha opinião. Eu não tenho voz nessa família? — acrescentou ele, parecendo uma mistura de indignação com revolta.

Um silêncio estranho tomou conta da sala.

O Phil assentiu com a cabeça, parecendo um pai orgulhoso.

— Tá legal, Luke... qual é o seu conselho? — perguntou o Andrew sem ter outra saída; seria muito estranho ignorá-lo depois daquilo.

O Luke olhou para ele, com a cabeça inclinada entre as grades, e mandou essa em tom solene:

— Gravidez.

O silêncio que se seguiu foi mais longo e pesado do que qualquer outro. Literalmente ninguém soube o que fazer com aquilo.

A Haley engasgou com a própria saliva e começou a tossir.

A Claire franziu a testa ao ouvir o filho sugerir uma ideia dessas. — Luke! O que você tá dizendo?! O que a gravidez tem a ver com isso? Onde foi que você ouviu uma coisa dessas?!

— Do Nico, lá na escola. Ele vive falando nisso. Diz que é por isso que os pais dele moram juntos, mesmo se odiando. Se a Pippa engravidar, ela não vai poder largar o Andrew. Mesmo que ele não termine com a amiga e ela continue pistola. Funciona! — disse o Luke com um sorriso no rosto. Ele nem sabia direito como uma garota engravidava, mas parecia uma ótima carta na manga.

O Jay passou a mão pelo rosto. A Gloria resmungou — Ay Dios mío… em espanhol. O Cam levou a mão à boca para não rir. O Mitchell simplesmente travou, sem saber como reagir a nada daquilo.

A Alex dava tapinhas leves nas costas da Haley, que tentava segurar o riso e quase sufocava.

— Bom... opção número cinco — disse o Andrew, digitando no celular. Todo mundo olhou para ele com uma cara esquisita. Ele só fez isso para o Luke não se sentir ignorado.

O Luke sorriu, satisfeito por sua opinião ter sido ouvida. Se ia ser o voto vencedor ou não, isso já não importava para ele.

O Jay pigarreou de novo. A sala ficou em silêncio mais uma vez.

— Acabaram as interrupções? — disse ele secamente.

— Dá o seu voto logo. Eu não tenho o dia todo, preciso ir pro aeroporto daqui a pouco — falou o Andrew, já perdendo a paciência. Ele tinha ido pedir conselhos... e acabou preso numa novela mexicana familiar.

Por fim, o Jay mandou a letra:

— Meu voto é na... opção do Manny.

Silêncio.

A Gloria soltou um — ¡Ay, mi amor! e o abraçou na mesma hora, como se ele tivesse acabado de salvar o mundo.

— Eu sabia que você ainda tinha coração. Um voto corajoso, Jay! — disse o Cam, quase chorando.

O Jay só soltou um resmungo abafado como resposta: — Às vezes vale a pena abrir o bico... se você realmente se importa com alguém. Mas vamos deixar claro: só se você realmente se importar.

A Claire e o Mitchell, por outro lado, estavam congelados.

O Mitchell desabou no sofá derrotado.

A Claire cruzou os braços e resmungou irritada: — Traição.

A Alex e a Haley deram de ombros do sofá.

— É, perdemos — disse a Alex sem fazer drama, e a Haley concordou.

O Manny levantou como se tivesse acabado de ser nomeado o Ministro do Amor: — O que você vai fazer? Uma carta escrita à mão? Flores? Um presente personalizado? Um vídeo emocionante? Uma música! Precisa de ajuda com a letra?

— Calma aí, Shakespeare. Uma carta não é bem o ideal, seria estranho se ela lesse bem na hora. Tem que ser algo mais visual — disse o Andrew, enquanto uma ideia começava a se formar na sua cabeça.

— A gente precisa voltar para casa — acrescentou ele, olhando para os pais e para a irmãzinha, que continuava dormindo de algum jeito, apesar do debate familiar caótico.

— Vamos nessa! — disse o Cameron, levantando do sofá.


Poucas horas depois – Aeroporto Internacional de Los Angeles

O saguão principal estava super iluminado, tomado pelo zumbido constante dos alto-falantes, malas de rodinha, crianças chorando e anúncios de voo.

O Andrew caminhava pelo lugar com uma mochila jogada em um dos ombros. Dentro dela estava um álbum de fotos.

Feito às pressas, com certeza. Impresso numa lojinha qualquer, com papel fotográfico brilhante e bordas meio tortas.

Mas cheio de fotos reais — momentos com a Pippa. Fotos bobas, outras mais sérias e tudo o mais. Eles tinham fotos de sobra; afinal, já estavam namorando oficialmente há mais de seis meses, desde que ele a pediu em namoro durante um jogo de futebol americano.

A poucos metros dali, achando que estavam super disfarçados, ficava a família dele.

O Jay estava em pé, fingindo ler o painel de voos. A Gloria usava óculos escuros gigantescos e um chapéu de aba larga, claramente mais para disfarce do que para proteção solar.

A Haley estava de boné, mascando chiclete e fuçando o celular. O Manny encostado numa parede mais afastada, anotando coisas imaginárias num bloquinho. O Phil se escondia atrás de uma planta falsa.

A Claire, o Luke e a Alex sentaram nas cadeiras da área de espera, longe o bastante para parecerem desinteressados, mas perto o suficiente para terem um camarote particular.

— Eu não sei como fui parar aqui... — murmurou a Alex, balançando a cabeça enquanto segurava um livro de estudos nas mãos.

[Comentário do Andrew]

— Eu não convidei eles. Mas também não mandei embora.

No fim das contas... cada um deles me ajudou a chegar a uma conclusão, do seu próprio jeito. Eles me fizeram pensar.

[Fim do comentário]

O Andrew não escolheu essa opção só porque teve mais votos.

Ele já estava com ela na cabeça desde que o Manny tinha sugerido.

Ele sempre teve um pouco de dificuldade com conversas sentimentais. Não por ser tímido, longe disso.

O Andrew era um cara extrovertido. Confiante. Quando gostava de alguém, fazia questão de mostrar.

Com a Pippa, por exemplo, ele se declarou na frente de um estádio inteiro, logo depois do fim da temporada regular de futebol americano.

Mas aquilo era fácil para ele. Era só mandar um "Quer namorar comigo?" com um sorriso e aplausos da galera ao fundo.

Só que aquilo... aquilo era diferente.

Dessa vez não era sobre um "sim" ou um "não".

Não era uma cena pública ou um momento triunfante.

Era uma conversa emocional, íntima... e se desse errado, podia acabar em briga.

E era justamente aí que o Andrew se sentia menos preparado.

Talvez tivesse a ver com a forma como ele foi criado em sua vida passada.

No Texas, criado pelo avô, um homem à moda antiga. Duro, reservado. Ele morreu quando o Andrew tinha só dez anos.

Depois disso, o Andrew foi morar com os amigos do avô. Pessoas ainda mais fechadas. Mais duras.

Nunca houve espaço para sentimentos. Tudo era resolvido com um "Você vai ficar bem" ou um "Não chora por causa disso".

Ele nunca foi o tipo emotivo.

E mesmo sendo bom em coisas românticas... aquilo não era sobre romance.

Aquilo era sobre encarar algo que ele não entendia direito: o ciúme da Pippa.

Para ele, não fazia muito sentido. Ele não tinha feito nada de errado. Não tinha escondido nada.

Era difícil ver aquilo como algo real. Parecia... infantil. Injustificado. Mas, mesmo assim, ele decidiu agir.

Porque ele se importava com ela.

Porque não queria perdê-la por causa de algo que podia ser resolvido com um pouco de abertura.

Era por isso que ele estava ali.

O anúncio do voo da Pippa ecoou pelos alto-falantes. O Andrew ajeitou a alça da mochila.

— Hora de ver se isso funciona — pensou ele.

Enfim, os passageiros começaram a desembarcar.

O Andrew vasculhou a multidão até finalmente avistar a Pippa, caminhando junto com a mãe, o padrasto e o meio-irmão.

A Pippa vestia uma jaqueta leve e jeans, com o cabelo castanho escuro emoldurando o rosto.

Os olhos dela pareciam procurar por algo, e quando finalmente bateram no Andrew, um sorriso enorme iluminou o rosto dela.

Ela sabia que ele tinha ido encontrá-la, estava doida para vê-lo desde a decolagem.

Esquece isso, ela estava morrendo de saudades do Andrew havia dias.

Nunca pensou que fosse sentir tanta falta dele, nunca tinha experimentado um aperto no peito daquele jeito.

Incapaz de se conter, a Pippa disparou na direção do Andrew.

Ela correu pelo terminal com passos decididos, desviando dos viajantes com malas, sem se importar com mais nada.

Ela nunca imaginou que faria algo tão clichê, tão saído de filme romântico, mas não conseguiu evitar.

Ela se atirou direto nos braços do Andrew.

O impacto o pegou de surpresa, mas o sorriso que se abriu no rosto dele foi instantâneo.

— Uau — murmurou ele rindo —, você pegou firme na musculação nas férias? Esse tackle[1] seria aprovado por qualquer time de futebol.

A Pippa deu uma risadinha suave, mas não disse nada.

Apenas se agarrou a ele por mais alguns segundos.

À distância, de suas posições improvisadas de "espiões disfarçados", o Cam, o Phil e o Manny assistiam à cena com os olhos marejados de emoção.

— Isso é tão cinematográfico — pensou o Cam, levando a mão ao peito, visivelmente comovido e segurando o choro.

Nesse exato momento, um homem que passava por ali parou de repente ao ver o Cam apertando o peito, com o rosto contorcido numa mistura de choque e emoção.

— Senhor, o senhor tá bem? Quer que eu chame alguém? — perguntou o homem, preocupado.

— Como é? — disse o Cam, pego de surpresa.

— Quer que eu ligue para a emergência? Tá sentindo dor no peito? Sabe como é, com certos... tipo, biotipos, ataque cardíaco é mais comum — acrescentou o homem, tentando se explicar sem soar ofensivo, já tirando o celular do bolso para discar por via das dúvidas.

O Cam imediatamente se endireitou, indignado.

— Eu tô bem! Só tô testemunhando um momento de amor verdadeiro, muito obrigado! — disse ele, ofendido, enquanto caminhava para outro ponto de observação.

— O aeroporto nunca decepciona — murmurou o Phil emocionado, limpando uma lágrima do seu posto.

O Manny assentiu devagar.

— Ninguém corre desse jeito com um sorriso no rosto se ainda estiver com raiva. É um bom sinal — resmungou consigo mesmo, com a expressão séria de um coach de relacionamentos.

O Andrew e a Pippa ainda estavam abraçados.

Ela finalmente se afastou um pouquinho.

O rosto dela ainda estava bem perto do dele.

Os olhos o encaravam com uma intensidade diferente.

— Senti tanto a sua falta — murmurou a Pippa com sinceridade.

O Andrew sorriu, encostando de leve a testa na dela. — Eu também — respondeu.

Mas a Pippa balançou a cabeça de leve. — Não, Andrew... eu senti *muita* falta mesmo.

— Isso é uma competição? — perguntou o Andrew, erguendo uma sobrancelha.

Bem na hora em que a Pippa ia se explicar, a família dela se aproximou.

A mãe dela, Leanne, vinha caminhando com um sorriso doce, daqueles que misturam alívio com cumplicidade materna.

O Victor, o padrasto, exibia um sorriso maroto, como se entendesse perfeitamente o peso emocional daquele reencontro e aprovasse tudo o que estava vendo.

Ele não disse nada, apenas ergueu as sobrancelhas e assentiu satisfeito, dando mentalmente cinco estrelas para o momento.

O Josh, o meio-irmão de dez anos, correu na frente, fazendo ideia zero sobre a briga que a irmã e o Andrew tinham tido antes da viagem.

Para ele, o Andrew era mais do que o namorado da irmã, era praticamente um herói.

— ANDREW! — gritou o Josh com entusiasmo explosivo.

— Eu vi seu vídeo no YouTube! O especial do torneio de San Diego! O de verão! Aquele que você jogou com nome falso e ganhou o campeonato! Você venceu o Arik! Foi incrível! E o final! Aquela comemoração depois do touchdown, o movimento do seu alter ego! Aquele com os braços!

O Josh então imitou o gesto com uma seriedade admirável.

Um dab[2].

Lento. Preciso. Cheio de intenção.

O Andrew ergueu uma sobrancelha e soltou uma risadinha. — Curti o dab.

O Andrew tinha popularizado a comemoração do dab. Um movimento que, em sua vida passada, virou uma febre mundial por volta de 2016 graças ao jogador de futebol Paul Pogba.

O francês tinha começado a fazer a dança nas comemorações de gol, virando tendência e meme global.

Mas agora, nessa linha do tempo... o Andrew tinha feito aquilo durante um torneio de futebol infanto-juvenil. Sem querer, acabou viralizando antes do tempo.

— Valeu! — disse o garoto com um sorriso de orelha a orelha.

Mas a expressão dele mudou rápido. Ele fechou os punhos e reclamou num chorinho dramático: — Eu devia ter ido nesse torneio, mas não! Tive que ir visitar minha vovó!

O Andrew se agachou um pouco para ficar da altura dele, baixando a voz como se estivesse falando com um futuro quarterback:

— Escuta aqui, Josh. Vai ter mais torneio. Um monte deles.

Mas a sua avó... você só tem uma. A família vem primeiro. Nunca se esqueça disso — falou o Andrew num tom sério, porém gentil.

O Josh ficou parado, processando a informação.

Como se aquele conselho tivesse sido cravado em sua alma, vindo direto de seu ídolo pessoal.

Por fim, ele assentiu solenemente. — Entendi... mas eu vou para o próximo torneio.

— Com certeza — disse o Andrew com um sorriso fraco, bagunçando o cabelo do menino.

A Leanne e o Victor, alguns passos atrás, trocaram um olhar silencioso, misturando aprovação... e satisfação.

Com aquele gesto, e outros que já tinham presenciado antes, eles sabiam que o Andrew era um bom garoto. E não apenas o atleta popular que namorava a filha deles.

Antes que o Josh pudesse continuar falando, praticamente vibrando de empolgação, a Leanne entrou em cena com uma voz suave, mas firme:

— Você conversa com ele depois, Josh. Vamos dar um pouco de espaço para eles agora.

— Vamos ficar lá fora. Tomem o tempo que precisarem — acrescentou o Victor com um sorriso de canto de boca, piscando de leve para a Pippa.

O Josh fez um biquinho, mas obedeceu.

O Andrew voltou sua atenção para a Pippa.

Ela o encarava com o mesmo olhar intenso de antes, embora agora sua expressão estivesse mais calma.

Mas ela não o havia soltado. Seus braços ainda estavam ao redor dele.

— Tenho que admitir, não esperava um reencontro tão emocionante... depois do jeito que você se despediu — disse o Andrew, quebrando o silêncio.

Quando a Pippa viajou para a Europa, eles tinham se despedido naquele mesmo aeroporto, mas a despedida dela tinha sido fria, quase indiferente.

Apesar das tentativas do Andrew para torná-la significativa, já que eles iam ficar duas semanas sem se ver.

— Eu sei — disse a Pippa baixinho, balançando a cabeça positivamente de leve.

Ela respirou fundo. E então, para a surpresa dele, soltou:

— Me desculpa, Andrew. Por ter ficado chateada sem motivo real... e por não ter conversado direito sobre isso.

O Andrew olhou para ela, meio surpreso com o quanto ela soava direta e sincera.

E então, com ainda mais honestidade, a Pippa admitiu o que não tinha tido coragem de falar antes:

— Sim. Eu fiquei com raiva da Regina. Mesmo dizendo que não, eu fiquei. Fiquei bolada o tempo todo. Mas era difícil admitir... porque até eu achava que era ridículo.

Assim que o Andrew percebeu que ela ia continuar falando, talvez para pedir mais desculpas ou se explicar, ele a interrompeu com jeitinho:

— Vem, vamos sentar num lugar mais calmo. Eu tenho um presente para você — disse o Andrew.

A Pippa olhou para ele curiosa, confusa, mas assentiu sem fazer perguntas.

Eles caminharam alguns passos até um banco vazio.

O Andrew abriu a mochila e tirou de lá, com cuidado, o álbum de fotos.

Não estava perfeito. Dá para perceber que tinha sido feito às pressas, mas dava na cara que foi feito com carinho.

A Pippa pegou o álbum delicadamente, como se fosse algo frágil.

O Andrew abriu o livro junto com ela, virando as páginas bem devagar.

Eram fotos que eles tinham tirado juntos em vários momentos:

Na escola, curtindo com os amigos, em casa no sofá, em eventos do colégio, depois dos jogos de sexta à noite, jogando videogame, até andando pelo bairro, e muito mais.

A Pippa folheava tudo em silêncio. Tentando segurar as emoções, com os olhos brilhando e um sorriso suave surgindo conforme as memórias voltavam a cada foto.

Enquanto ela continuava folheando o álbum, o Andrew falou:

— Eu não tenho, e nunca vou ter, lembranças assim com a Regina. Nenhuma foto. Nenhuma conversa. Nenhum momento como esses.

— Porque você é importante para mim. Muito mais do que você imagina. E eu nunca arriscaria o que a gente tem. A Regina é só... uma amiga de corrida. A gente conversa um pouco, conta umas piadas. Só isso. Não tem intenção romântica nenhuma. É só... companhia durante os treinos.

A Pippa não disse nada de imediato. Seus dedos continuavam virando as páginas devagar.

Até que pararam.

Ela fixou o olhar numa foto em especial: os dois abraçados, com as bochechas vermelhas de frio, num parque.

— Eu me sinto culpada — disse a Pippa finalmente com a voz baixa.

— Eu fui ciumenta e irracional. Eu confio em você, de verdade... Mas acho que foi a minha insegurança que me fez reagir daquele jeito — acrescentou ela, encarando o Andrew nos olhos.

O Andrew sustentou o olhar dela.

— Me desculpa, Andrew... por tudo isso. Por ter ido embora com raiva. Por não ter conversado direito. Só... não me deixa, tá? — disse ela com a voz mansa, um pingo de medo no tom.

O Andrew ficou olhando para ela por um segundo. Depois, soltou uma risada fraca e sincera.

— Eu não vou terminar com você depois de fazer um álbum de fotos e me abrir emocionalmente como nunca fiz antes — disse ele com um sorriso irônico.

— E terminar por causa da nossa primeira briga de verdade? Se fosse assim... nosso namoro ia ser de papelão.

A Pippa soltou uma risada: — Você tem razão... acho que eu exagerei e não pensei direito — falou ela, mais aliviada, com o rosto se iluminando.

Ela voltou a ser quem era, entusiasta, vibrante.

— Obrigada — disse ela, quase sem pensar.

E antes que o Andrew pudesse responder, ela o beijou. Um beijo cheio de impulso e energia.

O Andrew retribuiu com um sorriso nos lábios, abraçando a cintura dela.

A vários metros dali, em seu posto "espião" improvisado, o conselho familiar assistia à cena com uma mistura de orgulho, emoção... e uma satisfação mal disfarçada.

O Cam, com os olhos marejados, sussurrou: — O amor venceu mais uma vez.

— Conclusão: quando dois corações estão alinhados, nenhum mal-entendido consegue separá-los. A menos que haja traição de verdade. Nesse caso, o colapso é inevitável — anotou o Manny no seu bloquinho com total seriedade.

— Isso foi um sucesso absoluto — disse o Phil, batendo palmas em silêncio com um sorriso comovido.

A Claire, com os braços cruzados mas exibindo um sorriso resignado, murmurou: — Eles conseguiram... sem seguir nenhum dos meus conselhos.

— Bem, o conselho de família cumpriu seu propósito — disse o Mitchell, com um sorriso nos lábios ao ver o filho reunido com a namorada.

O Jay, com as mãos nos bolsos, virou-se para a saída: — Já interferimos o bastante na vida de adolescentes. Vamos embora antes que chamem a polícia para a gente.

— Conselho dissolvido! — disse o Cam, erguendo a mão como se estivesse encerrando as atividades de um clube secreto.

E, um por um, eles foram se afastando.


[1] - Termo usado no futebol americano para definir um bloqueio defensivo ou derrubar o adversário.

[2] - Dança popularizada pelo jogador de futebol Paul Pogba, onde o dançarino esconde o rosto na dobra do cotovelo enquanto estica o outro braço para o lado.

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