Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 97

Família Moderna: Nova Vida

Jay, Gloria e Manny estavam ouvindo o problema de Andrew. Há poucos minutos, ele havia chegado com Cam, Mitchell e Lily em busca de conselhos.

Para a surpresa de todos, Andrew estava pedindo conselhos sobre seu relacionamento com Pippa.

Jay estava sentado em seu lugar habitual, tomando café, ouvindo atentamente.

Gloria sentou-se erguida, com as pernas cruzadas, franzindo a testa cada vez mais à medida que ouvia a história completa.

Manny estava na beirada da cadeira, com as mãos cruzadas sobre os joelhos e o rosto iluminado. Não havia emoção mais pura do que testemunhar e participar de uma conversa amorosa e complicada.

Em poucos minutos, Andrew contou tudo a eles. Ele terminou dizendo que o tempo estava correndo, já que precisava ir para o aeroporto em poucas horas para buscar Pippa.

'A primeira vez que este garoto me pede conselhos amorosos. Ele veio ao lugar certo', disse Jay com um sorriso torto e uma risada abafada.

Gloria, sentada ao lado dele, zombou. 'Você, no lugar certo? Por favor! No seu último casamento, vocês dois mal se falavam! Passaram vinte anos em silêncio, sem nunca resolver nada!'

'E você? Já esqueceu do Javier? Aquele casamento foi uma novela mal escrita. Só gritaria e sem legenda', retrucou Jay, erguendo uma sobrancelha.

Gloria lançou-lhe um olhar mortal, e bem quando parecia que a discussão ia escalar...

'Bem, estou todo ouvidos', disse Andrew, aguardando o primeiro conselho.

Como se tivesse acabado de receber a oportunidade de sua vida, Manny não conseguiu se conter e foi o primeiro a falar:

'Primeiro de tudo, como você se sente, Andrew? Tem medo de perder alguém? A Regina, a Pippa... você mesmo?'

Andrew olhou para Manny, erguendo as sobrancelhas. 'Que tipo de pergunta filosófica existencial é essa?', pensou, confuso.

Ele queria soluções, não uma sessão de terapia com café e drama.

'Lá vamos nós...', resmungou Jay ao lado dele.

'Cala a boca, Jay! Deixa ele falar. Ele é sensível', disparou Gloria, dando-lhe outro olhar fulminante.

Jay ergueu as mãos em rendição, embora não sem um suspiro exasperado.

'Então...?', insistiu Manny, impassível diante das reclamações habituais de Jay.

'Mm... Não sinto medo de perder ninguém, na verdade. Eu me importo com a Pippa, obviamente, gosto dela. Não acho que nosso relacionamento tenha terminado só por causa disso, seria muito fraco e não sinto isso. Mas ela está sendo meio infantil com tudo isso', disse Andrew com uma expressão difícil. Ele não é o melhor em falar abertamente sobre seus sentimentos.

'A Regina é minha amiga. Mas não é como se ela fosse uma alma gêmea nem nada. A gente corre junto, bate papo, e só. Não vou deixar de vê-la só porque a Pippa está chateada. Não fiz nada de errado e não vou ceder a um pedido irracional.'

Manny suspirou e balançou a cabeça.

'Meu sobrinho tem uma estrutura emocional diferente... Não estou dizendo que está errado, apenas que ele processa as coisas como se estivesse lendo um manual técnico. Agora entendo por que ele e o Jay se dão Tão bem. É como se o Andrew fosse um garoto criado à moda antiga, talvez um pouco mais aberto emocionalmente que o Jay...'

Manny fez uma pausa, com a mão no queixo e uma expressão pensativa no rosto.

'Mas ele não está perdido! Devo ensinar-lhe como se abrir e expressar seus sentimentos com sua namorada, sua alma gêmea—'

'Andresito, às vezes as pessoas não dizem o que realmente sentem. Especialmente na sua idade. A Pippa pode estar se sentindo insegura, talvez seja algo mais profundo que ela ainda não te contou', disse Gloria.

'Anotado. Da próxima vez vou tentar ler a mente dela, ah, espere, eu não tenho esse superpoder', retrucou Andrew com sarcasmo.

'Sarcasmo... O clássico mecanismo de defesa emocional das pessoas que—', começou Manny, mas Jay o interrompeu com a palma da mão levantada.

'Tá bom, chega, Sigmund Freud! Você quer um divã também?', zombou Jay.

'Ok, chega de debates. Vamos aos conselhos. Um de cada vez, por favor', disse Andrew com o celular na mão.

'Eu falo', disse Jay, metendo-se antes que Manny pudesse começar.

'Quando uma mulher está com ciúmes, ela não vai dizer. Nunca. Ela vai arrumar briga porque você fechou uma porta do jeito errado. Ou porque você respira alto demais.'

Ele se ajeitou na cadeira e apontou sua xícara de café como se fosse um ponteiro.

'O que você faz? Você fala claramente. Tenta resolver o problema como pessoas racionais. Se ela diz que não há nada de errado, você acredita na palavra dela. Se há algo errado mesmo assim, a culpa não é sua. Você não lê mentes nem expressões faciais. Mas nunca rasteje. Nunca abra mão da sua liberdade só para ter paz. Isso não é paz. É ser algemado sem ver as algemas.'

Jay terminou como se tivesse acabado de dar a lição de vida definitiva.

'Esse é o meu pai. Um verdadeiro amor, hein?', disse Mitchell, pingando de sarcasmo.

Ele suspirou: 'Esse era exatamente o problema com a minha mãe. Eles nunca conversavam. Nunca. E continuavam juntos porque, bom... o divórcio era mal visto na época deles. Você era um fracassado se se divorciasse. Eles nunca admitiam, mas viviam em uma Guerra Fria constante. Literalmente aprendi a falar mediando confrontos silenciosos.'

Mitchell olhou para o lado, como se estivesse reprisando uma velha memória.

'Ah, eu lembro uma vez quando a Claire e eu éramos adolescentes, a gente estava em casa e o Papai—'

'O Jay vê cada discussão como uma partida de xadrez. Como se cada movimento errado fosse uma perda pessoal. Não, não. A abordagem inteira está errada', disse Cam, balançando a cabeça.

'Você tem que ver uma discussão como um musical. Vocês vão ter divergências, mas resolvem isso com um grande número coreografado, uma ponte emocional e uma nota final que faz todo mundo chorar!'

Ele pigarreou. Parecia que estava prestes a cantar.

'Tem uma música que capta esse momento perfeitamente—'

Andrew digitava no celular enquanto falava: 'Opção três: deixar claro que não fiz nada de errado, e se ela insistir que não há nada sobre o que conversar, então... eu não vou falar. Não vou fazer nada. Não vou rastejar.'

'Contras?', perguntou Manny, estreitando os olhos.

Andrew digitou: 'Posso perder minha namorada. Posso parecer insensível. Posso repetir o padrão emocional do Jay.'

'Olhe para mim, sou um sucesso', disse Jay com um encolher de ombros, irradiando uma confiança desnecessária, mas inabalável.

'Minha vez', disse Gloria, cruzando as pernas com elegância.

'Eu corro com vocês dois. Eu conheço a Regina. E sim, ela é bonita, e sim, ela é estilosa, e sim, parece que saiu de uma revista... mas ela também é uma boa pessoa. Nunca vi nada suspeito entre vocês dois.'

Andrew assentiu: 'Obrigado.'

'E eu também conheço a Pippa. Eu adoro aquela garota. Ela tem brilho. Ela tem personalidade. E se ela está se sentindo insegura... bem, você precisa conversar com ela. Não com lógica. Com o coração', disse Gloria com emoção na voz.

Gloria olhou para Andrew com expectativa: 'Você não vai anotar meu conselho?', perguntou, percebendo que ele não havia digitado nada.

'Não. Seu conselho é parecido com o do meu pai. Opção um. Falar com o coração, esclarecer que não está rolando nada com a Regina...', respondeu Andrew, lendo a primeira opção em voz alta.

Gloria piscou, como se seu orgulho tivesse ficado levemente ferido. Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Cam se aproximou e estendeu solenemente a mão para ela.

Gloria hesitou por um segundo... depois deu a ele um aperto de mão firme.

'Os verdadeiros sábios do amor falam com o coração', disse Cam com um largo sorriso.

'Vamos continuar. Manny, sua vez, a não ser que você vá dizer o mesmo papo emocional e blá, blá, blá', disse Andrew, checando as horas no relógio.

'Não... Meu conselho é parecido, mas com um upgrade [1]', disse Manny com um sorriso leve e misterioso.

'Um upgrade?', perguntou Mitchell, erguendo uma sobrancelha. 'Estamos falando de relacionamentos humanos ou de aplicativos de celular?'

'Você tem que falar com a Pippa emocionalmente, sim. Mas sabendo que ela pode negar tudo. Ela pode dizer que não está com ciúmes. Que não há nada de errado. Então você precisa evitar fazê-la se sentir atacada ou acuada', disse Manny, conquistando toda a atenção de Andrew.

'E como eu faço isso?', perguntou Andrew, sério.

'Com um gesto', disse Manny, como se estivesse revelando o sentido da vida. 'Uma carta. Um desenho. Algumas flores. Algo sincero. Que diga: "você importa para mim". Desse jeito, mesmo que ela diga que não está com ciúmes, mesmo que ela não admita... ela vai se sentir segura. E aí ela vai se abrir. As palavras nem sempre alcançam alguém, mas um gesto... um gesto vale mais que mil palavras.'

'Essa é uma boa opção', assentiu Andrew, anotando a opção quatro.

'O único ponto negativo é o tempo, já qual tenho que decidir qual vai ser o gesto', murmurou para si mesmo.

Ele não tinha tempo para escrever uma carta longa e emotiva, e não queria fazer algo exagerado ou embaraçoso. Tinha que ser simples, mas eficaz.

'É uma ótima opção, viu, Jay? O Manny é sensível e sábio com essas coisas', disse Gloria enquanto abraçava Manny com carinho e força.

'Tanto faz', resmungou Jay, sem realmente negar o que Gloria disse. O gesto podia ser uma estratégia sólida, até mesmo do ponto de vista do tabuleiro de xadrez de Jay.

'Bom, e então, o que você vai fazer?', perguntou Mitchell, querendo saber a escolha de Andrew para a opção número dois.

'Você claramente tem que ir com a opção do Manny', disseram Gloria e Cameron ao mesmo tempo, votando no conselho de Manny. Afinal, era parecido com o deles, só que com um upgrade que diminuía as chances de chatear a Pippa.

'Minha opção é a mais lógica e menos exaustiva', comentou Jay.

'Ainda faltam algumas opiniões...', respondeu Andrew.

Alguns minutos depois, estavam todos na casa dos Dunphys.


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[1] - *Upgrade*: Termo em inglês amplamente utilizado no Brasil para indicar uma melhoria, atualização ou aprimoramento de algo.

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