
Capítulo 87
Família Moderna: Nova Vida
Capítulo 87 - O conselho de Howard
— Mulheres.
Foi a primeira coisa que Howard disse depois que Andrew contou a ele e a Leonard sobre a discussão que teve com Pippa algumas horas antes.
— Quê? — perguntou Andrew, arqueando uma sobrancelha.
— Andrew, você realmente acreditou que quando ela disse que 'não estava brava', ela realmente não estava brava? — Howard olhou para ele com diversão, apoiando um cotovelo na mesa. — Amador.
— Se ela diz que não está brava, ela está. Se ela diz que não está com ciúmes, ela está. Se ela diz que aquela garota não a incomoda... aquela garota definitivamente a incomoda. É programação básica para todas as mulheres — explicou Howard, como se estivesse revelando algum segredo ancestral.
— E como você saberia disso se nunca teve uma namorada? — perguntou Andrew.
Howard lançou-lhe um olhar ofendido, mas respondeu seriamente: — Sou um estudioso no assunto. Analisei inúmeras situações, assisti a documentários, li artigos e, mais importante, fui rejeitado por garotas o suficiente para entender o código-fonte do sistema operacional delas.
— Tantas rejeições e nem uma única vitória? O que está acontecendo aí? — perguntou Leonard com um leve sorriso provocador.
Ele e Howard tinham se reconciliado meses atrás após uma briga. É assim que os caras são, um soco e alguns dias depois eles voltam a ser melhores amigos como se nada tivesse acontecido.
— Nem todos os fracassos. Lembra da Karen Smith? — disse Howard com um sorriso fraco e triunfante.
"Ela estava bêbada", pensaram Leonard e Andrew, mas não disseram uma palavra.
— Então, cientista do comportamento feminino, como você resolveria meu problema? — perguntou Andrew, cruzando os braços.
Ele nunca pensou que chegaria o dia em que pediria conselhos de relacionamento a Howard.
Howard sorriu presunçosamente e se ajeitou na cadeira. — Bem, Andrew, existem dois caminhos para resolver isso — disse ele, levantando dois dedos. — Opção A: tornar-se o namorado submisso e arrependido.
Andrew nunca faria tal coisa, mas deixou Howard continuar.
Howard pigarreou e, de repente, adotou uma expressão suplicante, caindo de joelhos na frente de Leonard, que o encarava em descrença. "Estamos em uma simulação de novo?", pensou ele.
— Pippa, por favor, me perdoe — Howard exagerou na voz com um toque dramático. — Eu não sei o que fiz, mas juro que nunca mais farei isso. Farei tudo o que você disser. Eu vou mudar, serei melhor. Se você quiser que eu pare de correr, eu vou. Se você quiser que eu nunca mais olhe para Regina, eu não vou. Se você quiser que eu tatue seu nome na minha testa, eu vou fazer isso.
Leonard caiu na gargalhada, enquanto Andrew fez uma careta de desgosto.
— De jeito nenhum eu vou fazer isso! — exclamou Andrew.
Howard voltou casualmente para o seu lugar e deu de ombros.
— Talvez não tão extremo, mas você entendeu — disse ele com um gesto nonchalant. — Basicamente, você tem que admitir seus erros, mesmo que não saiba quais são, ou mesmo que não tenha sido sua culpa.
— Isso é ridículo — zombou Andrew.
— É o mesmo método que Leonard usou com Lauren — acrescentou Howard, sem nenhuma malícia na voz.
Para Howard, esse tipo de tática era apenas parte do jogo em um relacionamento.
Leonard, que havia ficado fora da conversa até agora, grunhiu, mas não disse nada. Porque, infelizmente, era verdade. Felizmente, ele não estava mais com ela.
— E qual é a opção B? — perguntou Andrew, ainda não convencido pela "Opção A".
Andrew tinha muito orgulho para ser submisso, admitir todos os erros ou implorar por perdão. Ele poderia pedir desculpas, claro, mas nunca iria tão longe a ponto de se humilhar.
— Opção B: encontre a causa da raiva — disse Howard em um tom sério, como se fosse uma fórmula matemática. — Embora eu avise, isso é difícil. As garotas, em geral, dirão que não estão bravas, mas suas ações dizem o contrário. Elas agem indiferentes, frias... e você sabe que estão bravas.
— A única causa possível seria Regina, mas Pippa disse que não se importa mais com isso, já que viu que Regina e eu somos apenas amigos. Ela viu com os próprios olhos — disse Andrew, esfregando o queixo.
— Você está pulando uma etapa crucial, meu amigo — disse Howard, franzindo a testa e lançando a Andrew um olhar analítico. — Ela te disse que não estava chateada, mas... lembre-se da programação básica das mulheres: sim, ela ainda está brava, e o ciúme ainda está lá, mesmo que ela não admita.
— Não sei... — disse Andrew, ainda cético em relação à suposta "programação básica das mulheres" de Howard.
— Olha, Andrew. Regina é a garota mais bonita da escola, e você sabe que ela é popular. Todos os caras babam por ela. Ela tem um rosto incrível, um corpo atlético e é a líder de torcida. Droga, toda vez que vejo as coxas dela, quero que elas esmaguem meu crânio! — disse Howard, ficando excitado demais e deixando sua imaginação correr solta.
Leonard e Andrew lhe lançaram olhares estranhos, embora a essa altura estivessem acostumados com esse tipo de comentário de Howard.
— Agora imagine — disse Howard, se acalmando e se concentrando novamente — aquela garota inatingível que tratava todos os caras como lixo... mostra interesse em alguém. Em você. O quarterback estrela que fez coisas incríveis pelo time de futebol americano. O que você acha que sua namorada vai sentir quando vir Regina se aproximando de você, mesmo que na superfície pareça apenas amizade? Além disso, todos nós sabemos o quão manipuladora Regina pode ser — concluiu Howard.
Andrew, que estava ouvindo em silêncio, não pôde negar que seu amigo tinha razão. De alguma forma, o raciocínio de Howard tinha uma lógica que ele não havia considerado antes. Ainda assim, Andrew franziu a testa e se recostou na cadeira.
— Talvez... mas isso não significa que vou dizer a Regina para parar de correr comigo. Eu não sinto nada por ela, então Pippa deveria confiar em mim. Confiança é fundamental em um relacionamento — disse Andrew firmemente.
— Além disso, não acho que Pippa seja tão ciumenta assim — acrescentou ele.
— Você realmente acha que Pippa não é ciumenta? — disse Howard, levantando-se da cadeira e indo direto para uma gaveta no quarto de Andrew.
Ele abriu a gaveta e puxou uma pulseira de ouro com um visual bem feminino. Andrew fez uma careta ao vê-la.
— Você se lembra desse presente, não lembra? — disse Howard com um sorriso malicioso.
Andrew assentiu.
— Esta pulseira envia uma mensagem muito clara. Ela está afastando qualquer garota que possa tentar se aproximar de você. Primeiro de tudo, é tão feminina e gay que nenhum cara hétero usaria. E Pippa sabe o efeito que isso tem, ela é esperta. Em resumo, é um escudo anti-garotas — explicou Howard.
Andrew abriu a boca para responder, mas Howard o interrompeu enquanto segurava a pulseira e apontava para a mensagem gravada.
— E olha o que diz aqui — continuou Howard em voz grave. — "Para meu quarterback favorito. Sempre estarei torcendo por você. Com amor, sua namorada, Pippa."
— E o que há de errado com isso? — perguntou Andrew. Parecia apenas uma mensagem doce e atenciosa.
Howard, no entanto, olhou para ele como se tivesse dito algo ultrajante.
— Não, não, não. O que realmente diz é isto: "Eu sou dona deste garoto. Então caiam fora, vadias. Este quarterback estrela é comprometido." Vamos lá, cara, não seja tão ingênuo! Esse é um território claramente marcado — exclamou Howard.
Andrew arrancou a pulseira de Howard e a colocou de volta na gaveta. — Você está imaginando coisas, cara — disse ele, balançando a cabeça.
Howard estava prestes a argumentar que sua lógica era 100% precisa, mas Leonard tocou seu ombro e balançou a cabeça, então Howard permaneceu em silêncio.
O quarto caiu em um silêncio estranho.
— Bem, pessoal, chega de drama de relacionamento. Amanhã é a Noite de Pré-estreia da San Diego Comic-Con 2009, lembram? — disse Leonard, olhando para os dois com renovada empolgação.
Imediatamente, os olhos de Andrew e Howard se iluminaram. Eles se esqueceram completamente do tópico anterior, garotas e namoradas, e começaram a falar entusiasticamente sobre tudo o que fariam no dia seguinte na Noite de Pré-estreia e durante os dias oficiais da Comic-Con.
A Noite de Pré-estreia era um evento exclusivo realizado na noite anterior ao início oficial da convenção, uma espécie de aperitivo para os verdadeiros fãs. Apenas aqueles que haviam comprado o passe completo de quatro dias podiam comparecer — como os três.
Tinha sido muito caro, e também muito trabalho, já que a demanda era enorme. Meses antes, eles tiveram que ficar grudados em seus teclados, apertando F5 como loucos para garantir que não perdessem os ingressos.
Esta Noite de Pré-estreia era uma oportunidade única para explorar o enorme salão de exposições sem a multidão esmagadora dos dias seguintes, conferir sneak peeks exclusivos, conseguir produtos de edição limitada... e, se tivessem sorte, avistar uma celebridade de perto, como Robert Downey Jr., que já estava oficialmente confirmado para estar na Comic-Con apresentando Homem de Ferro 2.
— Começa às seis da tarde, certo? — perguntou Andrew, já imaginando os estandes da Marvel, quadrinhos raros e action figures de edição limitada.
— Sim — respondeu Leonard, ajustando os óculos. — E eu tenho uma lista de tudo o que quero ver. Economizei o ano todo para isso. Não vou perder o painel surpresa que dizem que vai acontecer no Hall H... mesmo que não esteja confirmado.
— Terminar com Lauren e não gastar dinheiro no Dia dos Namorados acabou sendo uma vitória — brincou Howard, ganhando um tapa rápido no ombro de Leonard.
— Ei, ei, só estou brincando! — acrescentou Howard, rindo e esfregando o ombro.
— Se vocês precisarem, posso emprestar algum dinheiro. Sem problemas — disse Andrew com um meio sorriso.
— Maldito capitalista! E desenvolvedor de jogos de sucesso. Mas... eu aceito — disse Howard, apontando para ele dramaticamente, embora não pudesse esconder sua animação.
— Eu também sou YouTuber — disse Andrew, virando-se na cadeira em direção à sua mesa. Ele abriu uma gaveta, pegou um caderno e uma caneta. — Vamos anotar quanto você precisa e o plano de pagamento.
Andrew, com seus dois canais no YouTube, tem uma média de cerca de 5 milhões de visualizações por mês entre os dois. Em seu canal de esportes, ele geralmente faz upload de 3 ou 4 vídeos por semana, e em seu canal de jogos, ainda mais, já que não é tão exigente.
Ele ganha cerca de US$ 4.200 por mês apenas através do programa de parceiros do YouTube. Com a receita de Flappy Bird, ele agora está ganhando mais de US$ 10.000 por mês.
— Quanto de juros? — perguntou Howard repentinamente sério, cruzando os braços como se estivesse enfrentando um banqueiro suíço.
Andrew olhou para ele como se a pergunta fosse ridícula. — Zero.
Houve uma pausa. Leonard e Howard se entreolharam e, em seguida, voltaram para ele, com as bocas ligeiramente abertas.
— Zero? — repetiu Leonard, como se tivesse acabado de testemunhar um milagre.
— Sério? Sem truques? Sem letras miúdas sobre hipotecas da alma ou pagamentos de órgãos? — perguntou Howard, agarrando o peito dramaticamente. — Você é um herói desconhecido do capitalismo moderno!
Andrew revirou os olhos. — Apenas me digam quanto vocês precisam e em quantas parcelas vão me pagar de volta.
— Eu também, posso? — perguntou Leonard timidamente. Se ele tivesse mais dinheiro, poderia comprar mais coisas. Com sua mesada, ele poderia pagar Andrew de volta confortavelmente.
— Claro — respondeu Andrew.
Depois que eles decidiram quanto dinheiro cada um queria e como pagariam de volta, Andrew disse a eles para desviarem o olhar. Alguns minutos depois, eles foram autorizados a parar de olhar para a parede.
Howard e Leonard se viraram... e seus olhos se arregalaram.
Na mesa estavam dois envelopes grossos. Howard pegou um e viu uma pilha de notas verdes, quando as contou, era exatamente o que ele havia pedido.
— Você é um total profissional... — disse Leonard, pegando seu envelope e, depois de agradecer a Andrew, colocando-o em sua mochila.
— Meu pai é advogado — disse Andrew dando de ombros.
— Graças a você, agora estou financiando muitos dos meus futuros action figures e quadrinhos — disse Howard, também guardando o envelope.
Ele era quem filmava Andrew para muitos de seus vídeos de esportes. Na verdade, Howard era o câmera oficial do canal. Leonard também ajudava na edição.
E Andrew, embora pudesse ter feito tudo sozinho com um tripé e muito tempo, preferia pagá-los. Não apenas porque eles eram bons no que faziam, mas porque ele não acreditava em se aproveitar dos amigos.
Leonard olhou para o relógio e franziu a testa levemente. — Falando em amanhã... temos que acordar cedo para aquele torneio de futebol americano, certo?
— Sim, eu já me inscrevi — respondeu Andrew.
Ele havia se inscrito em um torneio de futebol americano de verão para adolescentes de 14 a 17 anos. Foi organizado por Brady Hoke no Balboa Stadium, e havia um prêmio em dinheiro. A melhor parte? Você era designado aleatoriamente para uma equipe, sem conhecer ninguém. O que o tornava muito mais divertido e muito mais caótico.
— Você... se inscreveu com o alter ego que criamos? — perguntou Howard.
— Sim — respondeu Andrew após alguns segundos.
— Achei que estávamos apenas brincando — disse Leonard, dando a Andrew um olhar estranho.
— Eyeshield 21. O alter ego de futebol americano que inventamos — disse Andrew.
O nome veio de um anime que ele tinha visto em sua vida anterior, mas por alguma razão, não existia aqui. Então ele decidiu usar esse nome para seu alter ego.
Então, junto com Howard e Leonard, eles criaram uma história completa para o alter ego: personalidade, gostos, tudo. Como um personagem de história em quadrinhos.