Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 86

Família Moderna: Nova Vida

— Mulheres.

Foi a primeira coisa que Howard disse depois que Andrew contou a ele e a Leonard sobre a discussão que teve com Pippa algumas horas antes.

— Quê? — perguntou Andrew, erguendo uma sobrancelha.

— Ah, Andrew, você realmente acreditou que quando ela disse que "não estava brava", ela realmente não estava? — Howard olhou para ele com diversão, apoiando um cotovelo na mesa. — Amador.

— Se ela diz que não está brava, ela está. Se ela diz que não está com ciúmes, ela está. Se ela diz que aquela garota não a incomoda... aquela garota definitivamente a incomoda. É programação básica para todas as mulheres — Howard explicou, como se estivesse revelando algum segredo antigo.

— E como você saberia, se nunca teve uma namorada? — perguntou Andrew.

Howard lançou-lhe um olhar ofendido, mas respondeu seriamente: — Sou um estudioso no assunto. Analisei inúmeras situações, assisti a documentários, li artigos e, mais importante, fui rejeitado por garotas o suficiente para entender o código-fonte do sistema operacional delas.

— Tantas rejeições e nem uma única vitória? O que está acontecendo aí? — perguntou Leonard com um leve sorriso zombeteiro.

Ele e Howard tinham se reconciliado meses atrás, depois de uma briga. É assim que os caras são, uma troca de socos e alguns dias depois eles estão de volta a serem melhores amigos como se nada tivesse acontecido.

— Nem todos os fracassos. Lembra da Karen Smith? — disse Howard com um leve sorriso triunfante.

“Ela estava bêbada”, pensaram Leonard e Andrew, mas não disseram uma palavra.

— Então, cientista do comportamento feminino, como você resolveria meu problema? — Andrew perguntou, cruzando os braços.

Ele nunca pensou que chegaria o dia em que pediria conselhos amorosos a Howard.

Howard sorriu presunçosamente e se ajeitou na cadeira. — Bem, Andrew, existem dois caminhos para resolver isso — disse ele, levantando dois dedos. — Opção A: torne-se o namorado submisso e arrependido.

Andrew nunca faria tal coisa, mas deixou Howard continuar.

Howard pigarreou e de repente adotou uma expressão suplicante, caindo de joelhos na frente de Leonard, que o encarou em descrença. "Será que estamos em uma simulação de novo?", pensou ele.

— Pippa, por favor, me perdoe — Howard exagerou na voz com um toque dramático. — Eu não sei o que fiz, mas juro que nunca mais farei isso. Farei o que você mandar. Eu vou mudar, serei melhor. Se você quiser que eu pare de correr, eu vou parar. Se você quiser que eu nunca mais olhe para Regina, eu não vou. Se você quiser que eu tatue seu nome na minha testa, eu vou fazer.

Leonard caiu na gargalhada, enquanto Andrew fez uma careta de desgosto.

— De jeito nenhum que eu vou fazer isso! — Andrew exclamou.

Howard casualmente voltou para o seu lugar e deu de ombros.

— Talvez não tão extremo, mas você entendeu — disse ele com um gesto despreocupado. — Basicamente, você tem que admitir seus erros, mesmo que não saiba quais são, ou mesmo que não tenha sido sua culpa.

— Isso é ridículo — Andrew zombou.

— É o mesmo método que Leonard usou com Lauren — Howard acrescentou, sem nenhuma malícia na voz.

Para Howard, esse tipo de tática era apenas parte do jogo em um relacionamento.

Leonard, que tinha ficado de fora da conversa até agora, grunhiu, mas não disse nada. Porque, infelizmente, era verdade. Felizmente, ele não estava mais com ela.

— E qual é a opção B? — Andrew perguntou, ainda não convencido pela "Opção A".

Andrew tinha orgulho demais para ser submisso, admitir todos os erros ou implorar por perdão. Ele poderia se desculpar, claro, mas nunca iria tão longe a ponto de se humilhar implorando.

— Opção B: encontre a causa da raiva — Howard disse em um tom sério, como se fosse uma fórmula matemática. — Embora eu te avise, isso é difícil. As garotas, em geral, vão te dizer que não estão bravas, mas suas ações dizem o contrário. Elas agem indiferentes, frias... e você sabe que elas estão bravas.

— A única causa possível seria Regina, mas Pippa disse que não se incomoda mais com isso, já que viu que Regina e eu somos apenas amigos. Ela viu com os próprios olhos — disse Andrew, esfregando o queixo.

— Você está pulando uma etapa crucial, meu amigo — Howard disse, franzindo a testa e dando a Andrew um olhar analítico. — Ela te disse que não estava chateada, mas... lembre-se da programação básica das mulheres: sim, ela ainda está brava, e o ciúme ainda está lá, mesmo que ela não admita.

— Não sei... — Andrew disse, ainda cético sobre a tal "programação básica das mulheres" de Howard.

— Olha, Andrew. Regina é a garota mais bonita da escola, e você sabe que ela é popular. Todo cara baba por ela. Ela tem um rosto incrível, um corpo atlético e é a líder de torcida. Caramba, toda vez que vejo as coxas dela, quero que elas esmaguem meu crânio! — Howard disse, ficando excitado demais e deixando sua imaginação correr solta.

Leonard e Andrew lhe lançaram olhares estranhos, embora a essa altura já estivessem acostumados com esse tipo de comentário de Howard.

— Agora imagine — Howard disse, se acalmando e seRecentemente, concentrando —, aquela garota inatingível que tratava todos os caras como lixo... mostra interesse em alguém. Em você. O quarterback estrela que fez coisas incríveis pelo time de futebol americano. O que você acha que sua namorada vai sentir quando vir Regina se aproximando de você, mesmo que na superfície pareça apenas amizade? Além disso, todos nós sabemos como Regina pode ser manipuladora — Howard concluiu.

Andrew, que estava ouvindo em silêncio, não podia negar que seu amigo tinha razão. De alguma forma, o raciocínio de Howard tinha uma lógica que ele não havia considerado antes. Ainda assim, Andrew franziu a testa e se recostou na cadeira.

— Talvez... mas isso não significa que vou dizer a Regina para parar de correr comigo. Eu não sinto nada por ela, então Pippa deveria confiar em mim. Confiança é fundamental em um relacionamento — Andrew disse firmemente.

— Além disso, não acho que Pippa seja tão ciumenta assim — ele acrescentou.

— Você realmente acha que Pippa não é ciumenta? — Howard disse, levantando-se da cadeira e indo direto para uma gaveta no quarto de Andrew.

Ele abriu a gaveta e puxou uma pulseira dourada com um visual bem feminino. Andrew fez uma careta ao vê-la.

— Você se lembra desse presente, não lembra? — Howard disse com um sorriso malicioso.

Andrew assentiu.

— Esta pulseira envia uma mensagem muito clara. Ela está afastando qualquer garota que possa tentar se aproximar de você. Primeiro de tudo, é tão feminina e gay que nenhum cara hétero usaria. E Pippa sabe o efeito que ela tem, ela é esperta. Em suma, é um escudo anti-garota — Howard explicou.

Andrew abriu a boca para responder, mas Howard o interrompeu enquanto segurava a pulseira e apontava para a mensagem gravada.

— E olha o que diz aqui — Howard continuou em uma voz grave. "Para o meu quarterback favorito. Sempre estarei torcendo por você. Com amor, sua namorada, Pippa."

— E o que há de errado com isso? — perguntou Andrew. Parecia apenas uma mensagem doce e atenciosa.

Howard, no entanto, olhou para ele como se tivesse dito algo ultrajante.

— Não, não, não. O que realmente diz é isto: "Eu sou dona desse garoto. Então caiam fora, vadias. Este quarterback estrela já tem dona." Ah, cara, não seja tão ingênuo! Isso é território claramente demarcado — Howard exclamou.

Andrew arrancou a pulseira de Howard e a colocou de volta na gaveta. — Você está imaginando coisas, cara — disse ele, balançando a cabeça.

Howard estava prestes a argumentar que sua lógica era 100% precisa, mas Leonard tocou seu ombro e balançou a cabeça, então Howard ficou em silêncio.

A sala caiu em um silêncio estranho.


— Bem, caras, chega de drama de relacionamento. Amanhã é a Noite de Pré-Estreia da San Diego Comic-Con 2009, lembram? — Leonard disse, olhando para ambos com renovada animação.

Imediatamente, os olhos de Andrew e Howard se iluminaram. Eles se esqueceram completamente do tópico anterior, garotas e namoradas, e começaram a falar entusiasticamente sobre tudo o que fariam no dia seguinte na Noite de Pré-Estreia e durante os dias oficiais da Comic-Con.

A Noite de Pré-Estreia era um evento exclusivo realizado na noite anterior ao início oficial da convenção, uma espécie de aperitivo para os verdadeiros fãs. Apenas aqueles que compraram o passe completo de quatro dias podiam comparecer — como os três.

Tinha sido muito caro, e também muito trabalho, já que a demanda era enorme. Meses antes, eles tiveram que ficar grudados em seus teclados, apertando F5 como loucos para garantir que não perdessem os ingressos.

Esta Noite de Pré-Estreia era uma oportunidade única para explorar o enorme salão de exposições sem as multidões esmagadoras dos dias seguintes, conferir sneak peeks exclusivos, marcar produtos de edição limitada... e, se tivessem sorte, avistar uma celebridade de perto, como Robert Downey Jr., que já estava oficialmente confirmado para estar na Comic-Con apresentando Homem de Ferro 2.

— Começa às seis da tarde, certo? — perguntou Andrew, já imaginando os estandes da Marvel, quadrinhos raros e action figures de edição limitada.

— Sim — respondeu Leonard, ajustando seus óculos. — E eu tenho uma lista de tudo o que quero ver. Economizei o ano todo para isso. Não vou perder o painel surpresa que dizem que vai acontecer no Hall H... mesmo que não esteja confirmado.

— Terminar com Lauren e não gastar dinheiro no Dia dos Namorados acabou sendo uma vitória — brincou Howard, ganhando um tapa rápido no ombro de Leonard.

— Ei, ei, só estou brincando! — Howard acrescentou, rindo e esfregando o ombro.

— Se vocês precisarem, posso emprestar algum dinheiro. Sem problemas — disse Andrew com um meio sorriso.

— Maldito capitalista! E desenvolvedor de jogos de sucesso. Mas... eu aceito — disse Howard, apontando para ele dramaticamente, embora não pudesse esconder sua animação.

— Eu também sou YouTuber — disse Andrew, virando-se em sua cadeira em direção à sua mesa. Ele abriu uma gaveta, puxou um caderno e uma caneta. — Vamos anotar o quanto você precisa e o plano de pagamento.

Andrew, com seus dois canais do YouTube, tem uma média de cerca de 5 milhões de visualizações por mês entre os dois. Em seu canal de esportes, ele geralmente envia 3 ou 4 vídeos por semana, e em seu canal de jogos, ainda mais, já que não é tão exigente.

Ele ganha cerca de US$ 4.200 por mês apenas através do programa de parceria do YouTube. Com a receita de Flappy Bird, ele agora está ganhando mais de US$ 10.000 por mês.

— Quanto de juros? — Howard perguntou repentinamente sério, cruzando os braços como se estivesse enfrentando um banqueiro suíço.

Andrew olhou para ele como se a pergunta fosse ridícula. — Zero.

Houve uma pausa. Leonard e Howard olharam um para o outro, depois de volta para ele, bocas ligeiramente abertas.

— Zero? — repetiu Leonard, como se tivesse acabado de testemunhar um milagre.

— Sério? Sem truques? Sem letras miúdas sobre hipotecas de almas ou pagamentos de órgãos? — perguntou Howard, agarrando seu peito dramaticamente. — Você é um herói desconhecido do capitalismo moderno!

Andrew revirou os olhos. — Apenas me diga quanto você precisa e em quantas parcelas você vai me pagar de volta.

— Eu também, posso? — Leonard perguntou timidamente. Se ele tivesse mais dinheiro, poderia comprar mais coisas. Com sua mesada, ele poderia pagar Andrew de volta confortavelmente.

— Claro — Andrew respondeu.

Depois que eles decidiram quanto dinheiro cada um deles queria e como o pagariam de volta, Andrew disse a eles para desviarem o olhar. Alguns minutos depois, eles foram autorizados a parar de encarar a parede.

Howard e Leonard se viraram... e seus olhos se arregalaram.

Na mesa havia dois envelopes grossos. Howard pegou um e viu uma pilha de notas verdes, quando as contou, era exatamente o que ele havia pedido.

— Você é um profissional completo... — disse Leonard, pegando seu envelope e, depois de agradecer a Andrew, colocando-o em sua mochila.

— Meu pai é advogado — disse Andrew, dando de ombros.

— Graças a você, agora estou financiando muitos dos meus futuros action figures e quadrinhos — disse Howard, também guardando o envelope.

Ele era quem filmava Andrew para muitos de seus vídeos de esportes. Na verdade, Howard era o cameraman oficial do canal. Leonard também ajudava na edição.

E Andrew, embora pudesse ter feito tudo sozinho com um tripé e muito tempo, preferia pagá-los. Não apenas porque eles eram bons no que faziam, mas porque ele não acreditava em tirar vantagem de amigos.

Leonard olhou para o relógio e franziu a testa ligeiramente. — Falando em amanhã... temos que acordar cedo para aquele torneio de futebol americano, certo?

— Sim, eu já me inscrevi — Andrew respondeu.

Ele havia se inscrito em um torneio de futebol americano de verão para adolescentes de 14 a 17 anos. Foi organizado por Brady Hoke no Balboa Stadium, e havia um prêmio em dinheiro. A melhor parte? Você era designado aleatoriamente para uma equipe, sem conhecer ninguém. O que o tornava muito mais divertido e muito mais caótico.

— Você... se inscreveu com o alter ego que criamos? — perguntou Howard.

— Sim — Andrew respondeu depois de alguns segundos.

— Eu pensei que estávamos apenas brincando — disse Leonard, dando a Andrew um olhar estranho.

— Eyeshield 21. O alter ego de futebol americano que inventamos — disse Andrew.

O nome veio de um anime que ele tinha visto em sua vida anterior, mas por alguma razão, não existia aqui. Então ele decidiu usar esse nome para seu alter ego.

Então, junto com Howard e Leonard, eles criaram uma história de fundo completa para o alter ego: personalidade, gostos, tudo. Como um personagem de história em quadrinhos.

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