Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 71

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 72 - Pegadinha III

Palisades High School – 14h55

Andrew estava sentado em sua carteira, faltando uns cinco minutos para o fim da aula. Mas ele precisava sair agora—ele precisava ir para a Alex's Middle School para testemunhar a pegadinha que Haley tinha preparado para Alex.

Quanto à pegadinha de Haley... bem, não era exatamente a ideia de diversão dele. Na opinião dele, tinha passado dos limites, mas convencer Haley a abandonar uma travessura era praticamente impossível uma vez que ela tinha colocado isso na cabeça.

A professora estava lendo em voz alta um parágrafo denso sobre biologia. Sem pensar mais, Andrew levantou a mão para chamar a atenção dela.

—Sim, Andrew? — perguntou a professora, olhando para cima ao notar a mão dele levantada. A classe inteira virou a cabeça para olhá-lo.

—Posso ir ao banheiro? — perguntou Andrew.

A professora hesitou por alguns segundos. Ela geralmente não deixava os alunos saírem para o banheiro, mas vendo que era o aluno estrela, ela concedeu o pedido dele. —Vá, mas seja rápido.

—Obrigado — disse Andrew antes de sair da sala de aula.

Ao entrar no corredor, ele encontrou Haley parada ali, braços cruzados, olhando para o pequeno relógio no pulso dela.

—Demorou demais. Vamos, não podemos perder isso! — disse Haley, agarrando o pulso dele e o puxando animadamente.

—Ei, calma, Haley! Não é para sermos pegos — disse Andrew.

—Eu sei — ela respondeu com um sorriso maroto. —Mas eu tenho uma rota onde você nunca vai encontrar ninguém.

Haley rapidamente o guiou por corredores vazios, evitando áreas onde eles poderiam encontrar professores ou zeladores. Eles saíram do prédio principal por uma porta lateral que dava para o campus da escola—um extenso campo gramado com quadras esportivas, mesas de piquenique e algumas árvores espalhadas.

No entanto, eles não podiam ir para o portão principal. Eles sabiam que, a essa hora, geralmente estava trancado e possivelmente monitorado por um zelador.

—Por aqui — sussurrou Haley, guiando-o em direção a um lado do campus.

Na frente deles havia um muro de tijolos.

Não era muito alto, mas alto o suficiente para que um pulo descuidado pudesse resultar em um tornozelo torcido.

—É com você, priminho — disse Haley.

—Certo, me dê algum espaço — disse Andrew enquanto mediava a distância com os olhos.

Ele deu alguns passos para trás, ganhou impulso e correu em direção ao muro. No último momento, ele pulou, usando a borda inferior como um ponto de apoio para se impulsionar para cima. Seus dedos agarraram a borda superior e, com um movimento ágil, ele se impulsionou para cima e escalou até o topo com facilidade.

—Sua vez — disse Andrew de cima, estendendo a mão para Haley.

—Confio em você, quarterback [1] — brincou ela, agarrando a mão dele com firmeza.

[1] - Quarterback: Posição de liderança no futebol americano, equivalente a um maestro em outros esportes.

Andrew a ajudou a subir, puxando com cuidado constante até que ela conseguiu escalar a borda.

Sem pensar duas vezes, Andrew pulou para o outro lado com um salto rápido.

Haley se inclinou ligeiramente para frente para verificar a altura e franziu a testa. —E como eu desço sem quebrar nada? — perguntou ela.

—Pula — respondeu Andrew, estendendo os braços. —Eu te pego.

—E se você não conseguir?

—Sério? Você não está no topo de um muro de dez metros nem nada. É fácil — disse Andrew, um pouco exasperado.

—Tudo bem... — Haley respirou fundo e, sem pensar demais, deslizou para frente até que suas pernas estivessem penduradas na borda.

—Lá vou eu — disse ela e pulou.

O impacto foi mais suave do que ela esperava. Andrew a pegou sem esforço, segurando-a firmemente contra o peito dele.

Haley sentiu os dedos de Andrew pressionando suavemente contra a cintura dela, certificando-se de que ela não perdesse o equilíbrio. O rosto dele estava perto demais do dela. Perto demais.

—Viu? Te disse, fácil — disse Andrew com um sorriso enquanto a colocava no chão.

—Sim, sim, vamos logo — respondeu Haley.

Sem perder mais tempo, eles saíram correndo em direção à Alex's Middle School.


Não demorou muito para chegarem lá. A essa altura, as aulas já tinham terminado e o portão principal estava aberto, com vários alunos saindo em grupos enquanto alguns pais esperavam do lado de fora. Aproveitando o momento, Andrew e Haley entraram casualmente, se misturando à multidão como se estivessem apenas ali para buscar a irmã dela.

—Fácil. Agora, vamos aproveitar o show — disse Haley, verificando a hora no celular dela. 15h01. Eles estavam na hora certa.

—Quando sua mãe vier buscar Alex e te vir aqui, você vai se dar mal... E eu também — disse Andrew com uma leve careta.

—Quão ruim pode ser? — disse Haley com desdém.

—Ela vai perceber que você matou aula, mesmo que tenha sido só por alguns minutos. E o que sua mãe faz quando descobre que você fez algo errado? — perguntou Andrew.

—Me deixa de castigo por uma semana... ou mais — suspirou Haley. —Por que você tem que estragar a minha diversão?

—Eu só estou te preparando para a punição inevitável — disse Andrew com um sorriso malicioso.

—Mas vai valer a pena. Além disso, podemos sair daqui sem que ninguém nos veja... — disse Haley. Eles só tinham que se certificar de que veriam todo o show sem serem vistos por Alex.

—Podemos tentar — disse Andrew, dando de ombros.

Eles começaram a andar pelo campus, procurando por Alex, mas ela não estava entre os alunos espalhados.

—Olha ali! — sussurrou Haley, apontando para um grupo de alunos a poucos metros de distância. —Aquele é Austin. O do meio.

Austin estava de pé com dois amigos. Um deles estava segurando uma placa, enquanto o outro segurava um buquê de flores, aparentemente pronto para entregá-lo no momento perfeito.

—Sua consciência não se sente culpada ao ver isso? — perguntou Andrew, olhando para Haley.

—Não. Vamos nos esconder — disse Haley, agarrando Andrew pelo pulso e puxando-o em direção a alguns arbustos próximos para assistir sem serem vistos.

Finalmente, Alex apareceu, caminhando em direção à saída. A testa dela estava franzida e ela tinha uma expressão de frustração no rosto.

Andrew sorriu com isso. A pegadinha parecia ter feito o seu trabalho. A vingança dele estava completa. Ele estava quite com Alex por tê-lo deixado bêbado no casamento.

De repente, Austin entrou no caminho de Alex, e ela olhou para ele, claramente confusa e não no melhor humor.

Do esconderijo deles, Andrew e Haley não conseguiam ouvir o que eles estavam dizendo, mas eles rapidamente começaram a fazer suposições enquanto o amigo de Austin desdobrava uma placa que dizia: Quer namorar comigo?

Austin pegou o buquê de flores e o estendeu para Alex, enquanto os amigos dele observavam ansiosamente, como se tudo fosse correr perfeitamente.

Alex ficou surpresa a princípio, seu rosto mostrando um toque de confusão. Mas quando ela percebeu que havia se tornado repentinamente o centro das atenções, cercada por alunos observando e sussurrando, ela ficou nervosa.

—O que você quer...? — perguntou Alex.

—Eu pensei que a placa fosse bem óbvia — disse Austin com um leve sorriso.

Alex olhou para a placa. Ao lê-la, ela teve que reunir toda a sua força para não deixar um olhar de desgosto aparecer em seu rosto.

—Então... você quer namorar comigo, Alex Dunphy? — perguntou Austin em um tom dramático e cavalheiresco enquanto se ajoelhava e estendia o buquê de flores para ela.

Alex ficou em silêncio por um momento, olhando para Austin como se não pudesse acreditar no que estava acontecendo.

—O quê!? Que diabos é essa proposta no estilo filme da Disney? — pensou ela, dando um passo para trás.

Do esconderijo deles, Haley não conseguiu conter o riso. —Que diabos? Ele se ajoelhou mesmo? — murmurou ela, tentando abafar as risadinhas.

—Você é pura maldade... — disse Andrew, balançando a cabeça. Embora ele não pudesse negar que a cena parecia exagerada demais para o gosto dele.

E isso estava vindo de alguém que tinha pedido Pippa em namoro na frente de mais de mil pessoas—mas aquilo tinha sido muito mais simples e natural. Ele e Pippa já estavam saindo; ele só tinha que oficializar com uma pergunta direta. Sem pôsteres, sem flores, sem se ajoelhar.

Alex, visivelmente desconfortável, olhou para Austin com uma mistura de surpresa e frustração. Os murmúrios ao redor deles ficaram mais altos, e a pressão de ter a escola inteira observando a fez começar a suar frio.

Finalmente, depois de alguns segundos de silêncio tenso, Alex olhou para Austin e disse: —Me desculpe, mas... não. Eu não tenho sentimentos por você, e eu nem te conheço tão bem.

Ela só falava com Austin sobre trabalhos escolares e tinha ido à casa dele talvez três vezes anos atrás para um projeto em grupo. Ela nem o considerava um amigo, muito menos um interesse romântico.

A rejeição foi imediata e direta. Austin e seus amigos ficaram ali, atordoados. Os alunos assistindo à cena começaram a sussurrar ainda mais, tornando tudo ainda mais estranho.

Enquanto Austin abria a boca para falar, Alex o interrompeu. —Não significa não. E eu nem sei o que você estava esperando com tudo isso. Nós mal nos falamos.

Austin, com o rosto vermelho de vergonha, lentamente se levantou e murmurou: —Mas... sua irmã me disse que você gostava de mim...

Foi naquele momento que Alex percebeu o que tinha acontecido. A expressão dela mudou de descrença para uma mistura de fúria e resignação.

—O quê? — disse ela, mal acreditando. —Que droga?! Minha irmã?! — ela estalou, olhando ao redor.

Os olhos dela pousaram em duas cabeças espiando para fora de alguns arbustos próximos. Ela os reconheceu imediatamente. A carranca dela se aprofundou, e ela começou a marchar em direção aos culpados por trás de toda a sua miséria naquele dia.

Vendo Alex se aproximando, Haley e Andrew rapidamente abaixaram a cabeça, tentando desaparecer de vista. Mas já era tarde demais.

—Vocês dois! — gritou Alex furiosamente, fazendo Andrew e Haley se levantarem.

—O quê? Nós estávamos só assistindo — disse Haley com um olhar inocente.

—Sim, claro. Austin já me disse que você disse a ele que eu gostava dele... — disse Alex.

—Calúnia e mentiras... — murmurou Haley, se fazendo de desentendida, o que só deixou Alex ainda mais irritada.

—E você? O que você acha de tudo isso? Você vai ficar quieto? — perguntou Alex, virando-se para Andrew.

Andrew, sentindo-se nervoso sob o olhar penetrante da prima, rapidamente se defendeu. —Eu não tive nada a ver com a confissão de Austin! — esclareceu ele. —Aquilo foi tudo Haley. Eu só fiz os trotes com sons de gemidos, trocar suas canetas por rosa choque e trocar seus livros. Só isso!

—Ah, que pegadinhas engraçadas... Mas a coisa com Austin? Aquilo passou dos limites. E você, de todas as pessoas, deveria saber disso — disse Alex, sua voz carregando mais mágoa do que raiva. Os olhos dela brilhavam de uma forma diferente do habitual. —Você sabe como é ter alguém se confessando para você na frente de uma multidão. Você estava lá. E, no entanto, você não fez nada para impedir isso.

—Quer saber? Eu não tenho tempo para isso — disse Alex, limpando os olhos antes de se virar e ir embora.

Andrew observou a prima partir, e foi então que ele percebeu que não era apenas raiva normal. A situação era mais profunda do que ele pensava.

Haley, percebendo o olhar sério e nada divertido no rosto de Andrew, minimizou. —Relaxa, Andy. Alex vai ficar bem. Eu já a vi brava mil vezes.

Andrew não respondeu. Havia algo na maneira como Alex foi embora e na maneira como ela falou que deixou um gosto ruim na boca dele.

—E agora, o que fazemos? — perguntou Haley.

—Alex provavelmente já contou para a sua mãe que estamos aqui. Se esconder é inútil — respondeu Andrew, já caminhando em direção à saída.

Quando saíram, viram Claire parada com os braços cruzados, encostada no carro, olhando para eles. Não havia necessidade de palavras—eles estavam definitivamente em apuros.

—Ah, olha quem temos aqui. Vocês dois viajaram no tempo de volta para o ensino fundamental? — disse Claire sarcasticamente.

O rosto de Haley escureceu com essas palavras. Ela sabia perfeitamente que a mãe não ia deixar essa passar. De repente, não parecia mais tão engraçado ou divertido.

Claire suspirou e cruzou os braços novamente. —Matar aula, mesmo que por apenas alguns minutos, não ficará impune — disse ela firmemente. —A boa notícia é que a escola não vai saber disso. A má notícia? Serei eu quem vai punir vocês. Andrew, você vai contar para os seus pais exatamente o que você fez.

—Sim, senhora — Andrew assentiu.

—Vamos entrar — disse Claire com um suspiro, e todos entraram no carro. Alex permaneceu em silêncio, sem dizer uma única palavra.

—Eu vou te levar de volta para a escola. Eu sei que você tem treino de futebol — disse Claire, dirigindo-se a Andrew.

—Tudo bem — Andrew assentiu.

—Mas como eles não podem saber que você fugiu, você terá que escalar o muro de volta para que ninguém suspeite que você saiu — acrescentou Claire.

Andrew ergueu uma sobrancelha com a sugestão de Claire. Fazia sentido, mas era estranho vindo de um adulto. Ainda assim, ele assentiu sem objeções.

Ele sabia que Claire não estava brincando quando se tratava de encobrir qualquer coisa relacionada a matar aula. Ela o deixou no mesmo muro que ele havia escalado antes. Ele se despediu da família. Alex nem sequer olhou para ele.

Andrew escalou o muro com facilidade, pousando do outro lado em apenas alguns segundos. Ele precisava pegar a mochila e ir para o treino. Mas ele ainda não conseguia se livrar da preocupação com Alex. Ela parecia mais do que apenas irritada—parecia algo mais profundo, como se ela estivesse realmente chateada.

Ele chegou à sala de aula, agora vazia, e foi direto para a carteira dele. Pegando as coisas, ele saiu.

No caminho para o campo de futebol, ele parou de repente.

—Devo ir falar com ela agora? Mas eu tenho treino... — pensou Andrew.

Por mais que ele quisesse treinar, algo dentro dele dizia que a família vinha em primeiro lugar.

—Eu vou falar com ela — decidiu ele finalmente, mudando de curso.


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