
Capítulo 70
Família Moderna: Nova Vida
Capítulo 71 - Pegadinha II
— Bela manhã, não é? — Andrew perguntou casualmente, olhando para Alex enquanto tomava café da manhã.
Alex, com olheiras tão pronunciadas que pareciam sombras permanentes sob seus olhos, ergueu o olhar do café da manhã e lançou-lhe um olhar assassino.
— Ótima piada, Andrew. Você realmente se superou dessa vez — Alex disse sarcasticamente.
— Nada mal — Andrew respondeu com um leve sorriso, dando de ombros.
— Nada mal — Alex murmurou entre dentes, imitando sua nonchalance com irritação.
— Se a hipotética pegadinha que pregamos em você não atende aos seus padrões, então por que você parece tão chateada? — Haley perguntou com fingida inocência enquanto espalhava manteiga na torrada.
— Porque, graças a essa pegadinha estúpida, eu dormi mal e quase nada! — Alex respondeu bruscamente, batendo com a colher na mesa.
— Mãe! Puna eles! — ela exigiu, olhando para Claire, que estava de costas organizando as coisas na cozinha.
— Você não tem provas contra nós! — Haley se defendeu.
— Provas? É óbvio que foram vocês dois, ou então eu sou esquizofrênica — Alex rosnou.
— Acho que a opção mais plausível é esquizofrenia — Haley respondeu com diversão.
Luke, que estava totalmente concentrado em devorar seu cereal açucarado, franziu a testa em curiosidade.
— Esquizofrenia? O que é isso? Dá para comer? — ele perguntou antes de tomar outra colherada.
— Não, não dá para comer. É uma doença mental — Claire disse, virando-se para olhar para Luke. Então ela olhou para Alex.
— E Alex, não há tempo para falar sobre punições agora. Além disso, não é grande coisa, você só perdeu alguns minutos de sono — Claire acrescentou, fazendo os olhos cansados de Alex se arregalarem em ultraje.
— Não é grande coisa!? É para mim! Como você pode dizer que não é importante? Eu poderia ter me atrasado no primeiro dia depois do feriado! — Alex protestou, elevando a voz.
Claire resistiu à vontade de revirar os olhos para a filha e levantou a mão.
— Não vamos discutir isso agora. Senão, você realmente vai se atrasar — ela disse, apontando para o relógio da cozinha.
Alex apertou os lábios e bufou em frustração, mas não teve escolha a não ser abandonar o assunto por enquanto. Ela se levantou abruptamente, pegou sua mochila e se dirigiu para a porta com uma carranca profunda, enquanto Haley e Andrew trocaram um olhar divertido antes de segui-la.
Haley e Andrew foram levados para a Palisades High School. Alex foi levada para a escola fundamental, que ficava a poucos minutos de carro.
“Não é grande coisa”, Alex repetiu em sua mente, ecoando as palavras de sua mãe enquanto caminhava em direção à sala de aula onde teria sua primeira aula.
— Ei, Alex!
Alex piscou e, relutantemente, olhou para cima. Na frente dela estava Austin, um garoto gordinho com cabelo preto cortado em tigela e olhos castanhos.
Austin era uma das poucas pessoas com quem ela conversava na escola. Não porque fossem grandes amigos, mas porque pelo menos ele tinha um nível de inteligência aceitável e não a deixava louca com besteiras.
— Oi... — Alex murmurou sem muito entusiasmo e continuou caminhando em direção à sua sala de aula, prestando pouca atenção a Austin, que rapidamente a seguiu.
Despreocupado com seu tom, Austin acelerou o passo para acompanhá-la.
— Você fez as tarefas que nos deram nas férias de inverno? — ele perguntou com genuína curiosidade.
Alex soltou uma risada seca.
— O que você acha, Austin? Que eu as deixei para o último dia como uma preguiçosa irresponsável? — Alex disse com um toque de zombaria. — É claro que fiz. No momento em que as atribuíram.
Eles chegaram à sala de aula e entraram junto com o resto dos alunos, que estavam começando a se acomodar em seus assentos.
Alex caminhou direto para seu lugar de costume, sentou-se e pegou seu caderno com um suspiro de resignação. Ela só queria se concentrar na aula e esquecer o desastre da manhã.
Quando o professor chegou, ele pediu as tarefas das férias de inverno. Ela entregou a dela, e então a lição começou.
Ela pegou sua caneta de sempre e começou a escrever o título no topo da página, mas assim que viu a cor da tinta, suas sobrancelhas se franziram instantaneamente.
Um rosa neon — tão brilhante que quase machucava seus olhos — espalhava-se pelo papel a cada traço.
Alex piscou, atordoada. Ela examinou a caneta de perto. Por fora, era exatamente igual a sempre. Mas por dentro...
— Andrew...! — ela murmurou entre dentes cerrados, sentindo a fúria crescer dentro dela.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar. Ela não deixaria as brincadeiras de seu primo a atingirem. Mesmo que já tivessem — embora ela nunca admitisse.
Felizmente, ela sempre tinha uma ou duas canetas extras. Ela enfiou a mão em seu estojo e pegou outra caneta. Ela removeu a tampa, tentou escrever... e o mesmo rosa neon apareceu no papel.
Seu olho se contraiu em frustração. Ela tentou outra caneta, por precaução, e obteve o mesmo resultado.
Todas as três canetas dela haviam sido sabotadas.
Ela cerrou a mandíbula e fechou os olhos, contando até dez.
“Eu vou escrever com esse rosa feio e irritante mesmo”, ela pensou, sem ter outra escolha.
Felizmente, o dia escolar continuou sem mais contratempos — embora ela não tivesse escolha a não ser usar a caneta rosa brilhante.
Então veio a aula de história, e ela pegou seu livro didático. Ou assim ela pensou. Tinha a mesma capa, com o título claramente visível na frente.
No entanto, quando ela o abriu na página onde haviam parado na última aula, sua testa se franziu ao ler:
[Hobbits e pôneis correram para frente. Eles já haviam se livrado de metade da fadiga e de todo o medo. 'Ei! Venha, alegre Dol!' a canção veio até eles como uma saudação.
'Ei! Venha, alegre Dol! Bravos, saltem!
Hobbits, pôneis e todos, para a festa!
Que a alegria comece! Vamos todos cantar juntos!']
Alex piscou. "Que diabos?", ela pensou.
Ela folheou as páginas rapidamente e encontrou mais textos estranhos falando sobre Hobbits e diálogos de alguém chamado Gandalf. Ela checou a capa novamente — era a certa.
No entanto, ela agora percebeu que o livro era menor e tinha sido claramente embrulhado com uma capa falsa.
— Andrew — ela pensou.
Aquele bastardo havia trocado seu livro e até o cobriu com uma versão idêntica da capa do livro de história dela.
Antes que ela pudesse pensar em uma solução, a voz do professor ecoou pela sala de aula.
— Alex, você poderia, por favor, ler o parágrafo na página 132?
— Uh... Eu não trouxe meu livro — Alex respondeu rapidamente, fechando-o como se nunca o tivesse aberto.
O professor, no entanto, ergueu uma sobrancelha e apontou para o livro em suas mãos.
— Você não trouxe? Mas você está com ele aí.
— Não, é que... este não é... — ela tentou dizer, mas era tarde demais.
O professor estendeu a mão. — Deixe-me vê-lo.
Alex engoliu em seco. Ela tinha duas opções: dar-lhe o livro e pagar um mico, ou insistir que não tinha nada e parecer uma mentirosa.
Ela suspirou em resignação e, sem dizer uma palavra, entregou-o.
O professor pegou, abriu e, assim que leu a primeira linha, sua testa se franziu.
— O Senhor dos Anéis? Estranho que você tenha o livro de Tolkien com a capa do nosso livro didático... — ele murmurou em voz alta, e imediatamente, alguns colegas soltaram risadinhas.
Alex sentiu vontade de afundar no chão.
— Tudo bem, Senhorita Dunphy — o professor disse, fechando o livro e olhando para ela com uma mistura de confusão e diversão. — Embora Tolkien seja um autor fascinante, eu preferiria que você trouxesse o livro correto para a minha aula. Espero que você o tenha na próxima vez.
O riso ao seu redor ficou mais alto enquanto o professor lhe devolvia o livro.
Assim que ele se virou para continuar a lição, Alex suspirou e deixou sua cabeça cair sobre a mesa. Naquele momento, ela sentiu um toque em seu ombro.
Ela se virou e encontrou Austin, que tinha uma expressão de excitação mal contida, como se ele tivesse acabado de descobrir um grande segredo.
— Eu não sabia que você gostava de O Senhor dos Anéis — ele murmurou entusiasticamente. — Isso é incrível! Eu sou um grande fã. Na verdade, nós temos um clube. Você deveria entrar!
— Clube? — Alex murmurou, confusa. Ela não era fã de O Senhor dos Anéis. Ela só sabia sobre isso porque Andrew e seus amigos nerds gostavam.
Austin assentiu ansiosamente. — Sim! Nós nos reunimos depois da escola para falar sobre Tolkien, analisar a história e, às vezes, jogar campanhas de RPG ambientadas na Terra Média. É um clube pequeno, mas somos realmente apaixonados. Você ia adorar.
— Vou pensar sobre isso — Alex respondeu de forma evasiva.
As aulas continuaram como de costume. Alex se certificou de verificar cada livro antes de abri-lo, com medo de que outro tivesse sido adulterado. Felizmente, nenhum parecia alterado. Ainda assim, ela não tinha certeza se podia baixar a guarda.
Ela tinha sido ingênua ao pensar que Andrew pararia em uma brincadeira leve, como acordá-la cedo.
A sala de aula estava completamente silenciosa. A professora estava corrigindo provas em sua mesa, e os alunos estavam lendo individualmente, aproveitando os últimos minutos antes que o sinal tocasse e eles pudessem ir para casa.
E então, sem aviso, um som quebrou a tranquilidade.
No início, era um som fraco, como um murmúrio. Mas em segundos, o som ficou mais claro e se transformou em algo inconfundível para todos: gemidos de prazer.
As cabeças se ergueram imediatamente. Alguns alunos trocaram olhares confusos, outros abafaram risos escondidos. A professora levantou os olhos de seus papéis, franzindo a testa.
O som continuou.
Todos começaram a procurar a fonte da perturbação até que, gradualmente, todos os olhos se voltaram para Alex, que tinha uma expressão de horror.
Ela sentiu o calor subir em seu rosto ao perceber que o som estava vindo de sua própria mochila.
— O que...? — Alex murmurou, confusa, olhando para sua mochila.
Sem perder mais tempo, ela correu para abrir sua mochila e começou a procurar desesperadamente por suas coisas. Ela checou o compartimento principal, depois o bolso lateral, mas o ruído continuava ecoando pela sala de aula.
Os murmúrios ficaram mais altos.
Alex sentiu seu coração acelerar enquanto suas mãos trêmulas vasculhavam a mochila até que ela encontrou um compartimento escondido que ela nem se lembrava que existia. Lá, no fundo de sua mochila, seus dedos puxaram um telefone que ela não reconheceu, mas era a fonte do som.
Ela desajeitadamente desbloqueou a tela e parou o som — era uma chamada.
“Andrew...”, ela pensou, uma mistura de fúria e alívio, mas o constrangimento ainda a envolvia completamente.
Quando ela olhou para cima, percebeu que todos ainda estavam olhando para ela, alguns com sorrisos zombeteiros, outros com pura confusão.
Seu rosto queimava.
— Alex, o que foi isso? — a professora perguntou, levantando-se e caminhando em direção à sua mesa.
Naquele momento, o sinal tocou, e a professora disse a todos que podiam sair, exceto Alex, que tinha uma expressão sombria.
Cinco minutos depois, Alex saiu da sala de aula sozinha com um olhar derrotado. Felizmente, ela não foi punida devido às suas boas notas e conduta, mas foi repreendida pela primeira vez.
Era algo que ela não queria repetir.
“Maldito Andrew... Isso não acabou”, Alex pensou enquanto caminhava pelo corredor em direção à saída da escola.