Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 28

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 29 - Descoberto por todos

Nota do Autor:

Eu achei que o motivo de Andrew para permanecer em sua equipe atual fosse fácil de entender, mas aparentemente não...

Andrew já frequentou uma escola de elite em sua vida passada. Ele sabe exatamente o que elas oferecem e como funcionam. Ele foi o líder de uma equipe de elite, ganhou um campeonato estadual e foi o melhor quarterback adolescente do estado.

Ele transmigrou para o corpo de um menino de 5 anos e treinou por mais 10 anos. Combinado com sua experiência anterior, ele é um jogador ainda melhor agora. Até mesmo sua genética é superior.

Seguir o mesmo caminho de antes seria monótono e entediante. Além disso, a oportunidade de crescimento seria mínima, já que ele já jogou naquele nível em sua vida anterior. Em vez disso, aceitar o desafio de carregar uma equipe mediana nas costas e tentar levá-la ao topo é muito mais emocionante e o impulsiona a melhorar ainda mais.

Se ele conseguir esse feito, não só todas as principais universidades esportivas vão querer recrutá-lo instantaneamente, mas ele também se tornará uma lenda do ensino médio, muito maior do que seria simplesmente ganhando com uma equipe de elite.

Eu não pensei que teria que explicar isso porque parecia bem óbvio... mas bem, acho que nem todo mundo consegue conectar os pontos mais óbvios.

...

Na tarde de sábado, Andrew foi ao shopping com Leonard e Howard. Na noite anterior, na casa de Archie, ele havia dito a Veronica para cancelar o encontro deles.

No início, Veronica ficou chateada com isso, mas quando Andrew explicou o motivo, ela não ficou brava. Teria sido cruel demais ficar irritada quando ele estava indo a um evento para sua nova irmãzinha.

Ela queria remarcar o encontro para domingo, mas Andrew disse a ela que também não poderia ir porque tinha um projeto de programação importante para trabalhar. Ele não mencionou que sua parceira para o projeto era uma garota, sabendo que isso só criaria problemas desnecessários que ele queria evitar.

— Espero que eu consiga comprar a revista em quadrinhos do Hulk da Guerra Mundial com a capa do David Finch — disse Howard, esfregando as mãos e se perguntando se ele teria sorte.

Atualmente, Howard, Leonard e Andrew estavam no shopping, subindo a escada rolante a caminho da loja de quadrinhos.

— Você está esperançoso demais. As capas variantes são edições limitadas e logo se tornarão colecionáveis. Uma loja normal em um shopping não as terá — disse Leonard, balançando a cabeça.

— A esperança é a última que morre — respondeu Howard, sem se deixar abalar pelo pessimismo do amigo.

— Você usa esse ditado para tudo, até com garotas. Você sempre tenta flertar e falha — disse Leonard com um sorriso leve e provocador.

— Pelo menos eu tento, ao contrário de você, covarde. Você apenas fica na sua zona de conforto, esperando uma garota cair do céu — retrucou Howard com um sorriso malicioso.

Howard e Leonard começaram a discutir. Quando a escada rolante terminou, eles começaram a caminhar em direção à loja de quadrinhos.

O silêncio de Andrew os fez parar a briga e olhar para ele. — Por que você não está dizendo nada? — perguntou Howard. Era incomum para o Andrew, tipicamente extrovertido e confiante, ficar quieto e parecer mais pensativo do que o normal.

— Que sorriso é esse? Parece que é a sua primeira vez visitando uma loja de quadrinhos — disse Leonard, lançando um olhar curioso para ele. Ele havia notado o sorriso de Andrew — um sorriso que parecia quase... nervoso.

— Pela primeira vez eu vou visitar a loja de quadrinhos com amigos e sem um capuz — respondeu Andrew.

Ele havia decidido parar de esconder seu amor por coisas geek. No início, ele pensou que mantinha isso em segredo simplesmente porque não havia necessidade de seus colegas de time de futebol saberem sobre esse hobby. Contar a eles não acrescentaria nada, já que ele não discutiria tais tópicos com eles de qualquer maneira.

Mas ele percebeu que havia outra razão. Ele havia feito isso nesta vida e em sua vida passada. No fundo, ele temia ser visto como estranho, já que havia uma incompatibilidade entre a imagem de um atleta popular e seus interesses geek.

Ele estava ciente de sua popularidade, e se isso algum dia viesse à tona, seria apenas mais um rumor adicionado aos que já circulavam sobre ele. E ele não era um grande fã de rumores sobre si mesmo, bons ou ruins.

Mas chega. Esconder isso só tornaria as coisas mais difíceis no futuro, e ele não se importava com a opinião de estranhos. Sua família já sabia de seus interesses, e agora seus dois novos amigos (Howard e Leonard) também sabiam, e ele estava se divertindo muito com eles.

Se ele continuasse escondendo, ele poderia afastar Leonard e Howard, pois eles o veriam como envergonhado por seu hobby e uma pessoa falsa.

— Parabéns, garoto popular. Mas eu estou te dizendo, desta vez você deveria usar um capuz e alguns óculos de sol — disse Howard, balançando a cabeça.

— Sim, a única vez que você mente para seus pais e sua namorada é quando você deixa seu rosto descoberto. Você pode ser pego — disse Leonard, um pouco preocupado com a situação.

Leonard estava feliz que Andrew tivesse concordado em sair com os dois, mas ser reconhecido não seria bom para ele. Além disso, eles não sabiam que Andrew havia mentido para outra pessoa também: Pippa. O risco de ser descoberto havia aumentado.

— Relaxem, nada vai acontecer. É sábado, o shopping está lotado — disse Andrew com um sorriso calmo e fraco.

— E daí? Isso só significa que há uma chance maior de sua namorada estar aqui com as amigas dela — argumentou Howard, fazendo aspas com os dedos na palavra "namorada".

— Se há uma multidão, é mais difícil ser reconhecido. Além disso, eu perguntei para Haley se ela tinha algum plano com as amigas dela, e ela disse que não. Então, Veronica não estará aqui, e meus pais estão no evento da creche. Está tudo sob controle — disse Andrew. Haley era uma amiga próxima de Veronica.

Quanto a Pippa, ela havia mencionado que gostava de ficar em casa ou passar tempo nas casas de seus amigos. Ela não parecia gostar de multidões ou ser do tipo que passaria um sábado no shopping comprando roupas.

— Se você diz... Talvez não fosse tão ruim se Veronica te encontrasse aqui — disse Leonard com um olhar pensativo.

— Ah, isso é verdade. Você não sabia como terminar com ela. Se ela te pegar aqui e perceber que você mentiu para ela, talvez ela te largue — ou pelo menos isso adicionará um ponto para um futuro rompimento — disse Howard, assentindo como se fosse um plano sólido.

— Cale a boca, chegamos — disse Andrew, abrindo a porta de vidro e entrando na loja de quadrinhos.

A loja estava escondida em um canto distante do segundo andar do shopping, longe das lojas mais populares, como se fosse para párias.

Andrew respirou fundo ao entrar, fechando os olhos por um momento. O cheiro de quadrinhos novos era viciante.

— Se você fosse um nerd normal, eu diria que o que você acabou de fazer foi nojento, mas sua aparência te salva — disse Howard, dando a Andrew um olhar estranho.

— Isso foi uma insinuação gay, Howard? — perguntou Andrew, arqueando uma sobrancelha. Leonard caiu na gargalhada.

— Cale a boca — resmungou Howard, dando um soco no ombro de Andrew — algo que ele imediatamente se arrependeu. Parecia que ele estava socando algo realmente sólido, e seu punho começou a doer.

Os três se espalharam pela loja, explorando entusiasticamente. Andrew folheava os quadrinhos, virando as capas do Homem-Aranha e dos Vingadores. Leonard e Howard se apegaram aos quadrinhos da DC. Logo eles começaram a debater quais comprar, pois seus orçamentos limitados significavam que eles tinham que escolher sabiamente.

A aparência de Andrew chamou a atenção da maioria das pessoas na loja. Ele era o oposto do estereótipo nerd: alto, atlético e exalando confiança em seus movimentos e fala.

Entre risadas, piadas e debates, o tempo voou. Eles saíram da loja, cada um com um quadrinho debaixo do braço.

— Isso é divertido — pensou Andrew. Era a primeira vez que ele visitava uma loja de quadrinhos com amigos.

Eles se sentaram em uma mesa em um café para pegar algo para beber e conversar um pouco mais. Andrew precisava estar em casa por volta das 17h30. Ele havia chegado ao shopping às três. Mitchell e Cameron estavam comparecendo ao evento de Lily das 3 às 4.

Eles pensaram que Andrew estava em um encontro com Veronica, e se o "encontro" dele durasse menos de uma hora, eles saberiam que algo estava errado, especialmente porque eles haviam notado que Veronica tendia a manter seu filho ocupado em encontros por mais de duas horas. Seu álibi tinha que ser impecável.

Depois de desfrutar de suas bebidas e lanches, Howard e Leonard se levantaram para usar o banheiro. Andrew ficou para trás na mesa, olhando pela janela para o shopping movimentado.

— Já são quase cinco. Se eu voltar agora, tudo ficará bem — pensou Andrew com um sorriso fraco.

Nada havia dado errado. Ele não havia sido descoberto por ninguém e havia passado uma tarde agradável conversando sobre quadrinhos e coisas nerds.

— Aproveitando seu café? — perguntou uma voz feminina, e o sorriso fraco desapareceu do rosto de Andrew.

Lentamente, ele se virou e viu o rosto de uma garota que ele reconheceu.

— Pip... — murmurou Andrew, olhando para Pippa, que estava sorrindo fracamente enquanto apoiava o braço nas costas de sua cadeira.

— Oi, Andy — cumprimentou Pip com um sorriso mais largo, segurando o riso ao ver a expressão nervosa no rosto de Andrew. Era a primeira vez que ela o via assim.

— Quando você chegou aqui? — perguntou Andrew, tentando agir normalmente novamente.

— Quando vocês estavam falando sobre quem venceria, os Vingadores ou a Liga da Justiça — respondeu Pippa.

A expressão de Andrew se fechou. Isso tinha sido há trinta minutos — uma conversa que tinha se prolongado por muito tempo.

— Ah... Sabe, depois do evento da minha irmã, eu vim relaxar e tomar um café com amigos... — disse Andrew, tentando encobrir sua mentira.

— Você é um péssimo mentiroso — pensou Pippa, notando a expressão e o tom de voz não naturais de Andrew.

— Você me disse em uma mensagem que o evento da sua irmã era às três, e exatamente naquela hora, eu vi você entrando na loja de quadrinhos. Minha família me deixou presa aqui por um tempo — disse Pippa, suspirando exasperada.

Andrew quis se dar um tapa na cara. Na noite anterior, depois de pegar o número de Pippa, ele não resistiu em mandar uma mensagem para ela, e eles conversaram um pouco. Para tornar sua mentira mais acreditável, ele havia especificado a hora exata do evento de Lily.

— Você está... brava? — perguntou Andrew, percebendo que a expressão de Pippa permanecia calma. Não havia carranca ou sinal de raiva. Ela apenas olhou para ele serenamente enquanto tomava seu milkshake.

— Não — respondeu Pippa, abaixando seu copo e olhando para ele diretamente com um leve sorriso.

Andrew franziu a testa em confusão. Por que ela não estava brava? Ele havia mentido descaradamente e sido pego.

A razão, embora ela não compartilhasse com Andrew, era que ela havia ouvido sua conversa sobre quadrinhos e outras coisas nerds. Ela tinha visto Andrew conversando um pouco com Leonard e Howard durante a aula de programação, mas não achava que eles fossem tão próximos.

A surpreendeu que um atleta popular como Andrew tivesse um hobby tão geek e dois amigos que não pareciam se encaixar com ele de jeito nenhum.

Ela gostou de ver que havia mais em Andrew do que aparentava. A maioria dos atletas que ela conheceu eram idiotas ou imbecis com egos do tamanho de montanhas.

— Amanhã, nós vamos fazer o projeto sem falta, ok? — disse Pippa em um tom que não deixava espaço para negociação, embora sua expressão permanecesse amigável.

— Sim, claro, nós já concordamos com isso — respondeu Andrew. Assim que ele terminou de falar, três figuras se aproximaram da mesa, interrompendo sua conversa.

— A conta está paga! Podemos ir para casa agora — disse um homem com um sorriso, olhando para Pip.

— Você cumpriu sua cota de passeio em família, querida. Você pode voltar para o seu quarto e continuar com seus estudos — acrescentou uma mulher de meia-idade com cabelo e olhos semelhantes aos de Pip.

— Obrigado, mãe, pelo grande privilégio de retornar ao meu próprio quarto — disse Pip em um tom resignado.

Naquele momento, a mulher notou Andrew sentado na mesa próxima. — Ah, e quem é este? Um amigo? — ela perguntou.

— Olá, eu sou Andrew. Estou trabalhando com Pippa em um projeto escolar — disse ele, levantando-se por cortesia. Ele estendeu sua mão firmemente em direção ao homem, que retribuiu o aperto de mão com um sorriso.

— Ah, Andrew! — exclamou a mãe de Pip, reconhecendo o nome. — Você é o quarterback do time da escola, certo? Nós vimos seus jogos de volta no ensino fundamental.

— É um prazer conhecê-los — respondeu Andrew modestamente.

— Josh nunca perde um jogo. Você é um ótimo quarterback — disse o homem, gesticulando para um menino escondido atrás da mãe de Pip. O menino olhou para Andrew timidamente, mas com evidente admiração.

— Ah, obrigado... Eu sou apenas um reserva agora — disse Andrew, coçando a nuca, claramente não acostumado a receber elogios.

— E o projeto em que vocês estão trabalhando? Vocês têm tudo planejado? — perguntou a mãe de Pip.

— Sim, mãe. Nós vamos trabalhar nisso amanhã — Pip interrompeu rapidamente, como se estivesse tentando impedir que a conversa fosse longe demais.

— Por que você não vem à nossa casa para trabalhar nisso? Nós temos um quarto silencioso onde você pode se concentrar, então você não precisa se preocupar em encontrar um lugar para se encontrar — sugeriu a mãe de Pip.

Pip colocou uma mão na testa, claramente envergonhada pela intromissão de sua mãe, mas ela não a contradisse. Na verdade, era exatamente o que ela estava planejando sugerir a Andrew.

— Se não for problema para Pippa, eu posso ir — disse Andrew.

A mãe de Pip sorriu, satisfeita. — Perfeito! Nós te vemos então. Pip, você quer dizer a ele que horas?

Pip suspirou, resignada, mas sem protestar. — Tudo bem. Amanhã às quatro. Isso funciona para você, Andrew?

— Sim, isso funciona perfeitamente — respondeu Andrew.

Pip e sua família, com a conta paga, se despediram de Andrew e saíram do café.

— Ufa... felizmente, ela não ficou brava — pensou Andrew com alívio.

Naquele momento, Leonard e Howard chegaram. Eles pagaram cada um seus pedidos e começaram a jornada de volta para a casa de Andrew para celebrar atingir 1.000 inscritos — um número agora se aproximando de 1.100.

Enquanto eles desciam a escada rolante, a mente de Andrew vagou para o encontro inesperado com Pippa. Pelo canto do olho, ele viu uma cabeça de cabelo familiar e se virou em direção à escada rolante que subia. Era Veronica. Ela sentiu alguém olhando para ela e voltou o olhar para ele. Seus olhos se encontraram.

O tempo pareceu parar por um segundo. Eles estavam se movendo em direções opostas — um para baixo, o outro para cima — mas o contato visual permaneceu ininterrupto.

A expressão de Veronica era uma mistura de surpresa, raiva e algo que Andrew não queria decifrar naquele momento. Seus olhos pareciam perguntar: O que você está fazendo aqui?

Howard, percebendo a mudança no rosto de Andrew, seguiu sua linha de visão. Sua reação foi imediata. — Ah, não... essa é a Veronica, não é? Ela não deveria estar aqui? — murmurou ele, seu tom uma mistura de diversão e preocupação.

Andrew notou que Veronica não estava com seu grupo de amigas de sempre — Haley e duas outras garotas. Em vez disso, ela estava com o time de líderes de torcida.

— Apenas corra — disse Andrew impulsivamente, tomando uma decisão rápida e prática. Ele quebrou o contato visual com Veronica e começou a descer a escada rolante dois degraus de cada vez, deixando Leonard e Howard olhando para ele em descrença.

— Andrew! — o grito de Veronica ecoou pelo corredor do shopping. Mesmo enquanto a distância entre eles aumentava, sua voz era alta o suficiente para chamar a atenção de todos por perto.

Ouvindo o grito dela, Leonard e Howard começaram a correr atrás de Andrew.

Howard, rindo baixinho, tropeçou ao tentar acompanhar. — Esta é a melhor coisa que me aconteceu a semana toda. Você acha que ela vai te perseguir como a T-X em Exterminador do Futuro 3?

— Pare de falar, Howard! Se você continuar falando bobagens, você vai ficar sem fôlego e desmaiar aqui com seu condicionamento físico terrível — retrucou Andrew, sua paciência se esgotando.

Depois de mais alguns minutos de corrida, Andrew, Howard e Leonard finalmente escaparam da zona de perigo — o shopping. O ar fresco lá fora foi um alívio, mas nem Howard nem Leonard pareciam em condições de continuar correndo.

Andrew estava respirando erraticamente — não por exaustão física, mas por nervos. Ao olhar para frente, ele se viu cara a cara com pessoas que ele reconheceu instantaneamente.

A poucos metros de distância estavam seus pais, Mitchell e Cam, com Lily em seu carrinho de bebê. Ambos olharam para ele com uma mistura de surpresa e confusão, claramente sentindo que algo estava errado quando viram Leonard e Howard parados ao lado dele.

— Por que eu tenho que encontrar todo mundo hoje? — pensou Andrew exasperado. Parecia que o universo estava conspirando contra ele, como se tudo estivesse se alinhando para expor sua mentira.


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