
Capítulo 21
Família Moderna: Nova Vida
Capítulo 21 - Piloto VI
— A cada dia você fica mais alto, *mi niño* [1] — disse Gloria com um grande sorriso enquanto olhava para Andrew.
[Comentário da Gloria]
— Andrew sempre foi muito carinhoso com Manny e comigo quando conhecemos a família. Ele sempre nos fez sentir incluídos. É como meu segundo filho — disse Gloria com um sorriso largo.
Andrew tinha um relacionamento muito bom com Jay e, quando Jay conheceu Gloria, ele começou a passar menos tempo sozinho com Andrew. Por causa disso, Gloria pensou que Andrew poderia guardar rancor dela e de Manny (já que Manny agora é como filho de Jay), mas Andrew não fez nada disso. Pelo contrário, ele se dava muito bem com Manny e com ela.
Gloria era muito grata por isso, e é por isso que o laço deles é tão forte.
[Fim do comentário]
— Graças a comer tudo no meu prato — disse Andrew com um sorriso, acostumado com o quão carinhosa Gloria era, embora com Manny ela fosse muito mais.
— Sempre tão rigoroso. Você precisa ser mais relaxado. De vez em quando, coma umas empadinhas, tome um café, umas arepas, alguma coisa — disse Gloria, que acreditava que uma criança deveria desfrutar de uma boa comida e não ser sempre tão meticulosa em contar calorias, proteínas, macros, etc.
Verônica olhou para Gloria com uma expressão confusa. Quem era essa mulher linda? E por que ela estava falando em inglês e espanhol ao mesmo tempo?
— Andrew... — Verônica chamou para não ser ignorada. Seu pai, Hiram, estava ao lado dela com uma expressão levemente nervosa enquanto olhava para Gloria. Talvez ele devesse ter sido mais gentil com Andrew?
— Ah, sim. Essa é minha avó, Gloria. E o velho ali tomando sol é meu avô, Jay — apresentou Andrew, apontando para Jay, que franziu a testa levemente.
— Avós? — pensaram Verônica e Hiram enquanto olhavam para Gloria e Jay, achando-os aparentemente incompatíveis por uma razão muito lógica: suas idades.
Verônica lembrou de Haley mencionando o nome de Gloria: uma mulher que se casou com seu avô não muito tempo atrás. Agora tudo fazia sentido, embora ela não esperasse que Gloria fosse tão bonita e com uma diferença de idade tão grande.
— Não sou velha o suficiente para você me chamar de avó, Andresito — disse Gloria com uma carranca. Ela não gostava desse apelido.
— E posso chamar Jay assim? — perguntou Andrew.
— Sim — respondeu Gloria sem hesitação.
— Parem de me chamar de velho, vocês dois — disse Jay enquanto se levantava com alguma dificuldade. Até sua roupa gritava: velho!
— E quem são eles? — perguntou Gloria, seus olhos se iluminando ao olhar para Verônica, uma garota linda da idade de Andrew que estava vestida com estilo. Para Gloria, isso só podia significar uma coisa.
— Essa é a Verônica. Minha... — Andrew respondeu, respirando fundo no final — minha namorada, e o pai dela, Hiram — disse, terminando a frase.
— Finalmente! — pensou Gloria, tentando conter sua animação enquanto cumprimentava Verônica e Hiram.
Um sorriso se formou no rosto de Jay. Finalmente, seu neto teimoso tinha arrumado uma namorada e, como esperado, tinha que ser uma das populares.
— Perfeitamente equilibrado, como todas as coisas devem ser — pensou Jay.
— Jay Pritchett, prazer em conhecê-lo — disse Jay com um leve sorriso, estendendo a mão para Hiram, que retribuiu o gesto com um sorriso próprio.
O jogo começou. Manny parecia estar em outro mundo, e seu time era simplesmente terrível. Em dez minutos, eles já tinham levado dois gols, e parecia que isso era só o começo.
Felizmente, Gloria não gritou muito, pois estava ocupada conversando com Verônica. As duas se davam muito bem, apesar de só se conhecerem há pouco mais de dez minutos. Jay estava conversando com Hiram sobre carros e outros tópicos que homens de negócios normalmente discutem.
— Não se deem tão bem tão rápido! — Andrew reclamou internamente. Ele precisava terminar seu relacionamento com Verônica o mais rápido possível. Se sua família se desse bem com a dela, só tornaria as coisas mais complicadas.
E por que o pai superprotetor e intimidador de Verônica estava rindo fartamente com Jay em vez de desempenhar seu papel? Não se apegue à família do namorado da sua filha tão facilmente!
O jogo terminou 0–6. O time de Manny perdeu. Gloria quase acabou numa briga com outra mãe que reclamou com o treinador sobre Manny, acusando-o de estar distraído, olhando sonhadoramente para uma garota loira da idade de Andrew.
Andrew assistiu ao jogo com uma expressão mais séria do que os treinadores de qualquer um dos times, balançando a cabeça várias vezes. Essas crianças careciam de foco, concentração, a sede de vencer!
Quando Manny se aproximou de sua família e viu o rosto sério de Andrew, ele empalideceu.
— Ah, não... não outro sermão sobre esportes — pensou ele.
— Não diga uma palavra, Andrew! Respeite seu tio — disse Manny, imediatamente se colocando na defensiva.
— Além disso, estou desistindo do futebol. É um jogo para crianças — acrescentou com uma expressão zangada.
Ele não queria perder mais tempo com esses jogos estúpidos; ele deveria estar focando seu tempo em passar com uma mulher e construir um relacionamento com sua futura esposa.
Andrew não disse nada. Ele não tinha energia para começar um discurso motivacional, mas crítico. Além disso, Manny parecia muito determinado a desistir do futebol, então qualquer coisa que ele dissesse seria inútil.
— Não, você não vai desistir. Você teria impedido aquele gol se não estivesse olhando para aquela garota — disse Gloria firmemente. Futebol é um esporte muito popular na Colômbia, e ela não queria que Manny mudasse para um daqueles esportes americanos estranhos como beisebol, hóquei ou algo parecido.
— Ela não é uma garota; é uma mulher — corrigiu Manny.
— Você tem seriamente dez anos de idade? — perguntou Andrew, olhando para Manny como se analisasse se era possível que ele também fosse um transmigrador como ele. Mas esse não podia ser o caso. Na série, Manny era exatamente assim.
— Sim. E eu não me importo mais com futebol. Vou dizer à Brenda Feldman que a amo — disse Manny com determinação.
— Oh, meu Deus... — murmurou Jay, segurando a cabeça.
— Brenda tem um namorado — disse Verônica, erguendo os olhos do celular por um momento. A estranheza de um garoto de dez anos declarando seu amor por uma garota de quinze anos não a perturbou muito. Manny era adorável, afinal.
— Não... — murmurou Manny, olhando para o chão com uma expressão dolorida.
— Não se preocupe, tio. Há muitos peixes no mar — disse Andrew, dando um tapinha no ombro de Manny em uma tentativa de animá-lo.
— E você já me escolheu. Vamos dar uma volta — disse Verônica, guardando o celular e pegando o braço de Andrew.
Ela se despediu de Jay, Gloria e Manny, e disse ao pai para esperar no carro, pois não seria uma longa caminhada.
— Quem é ela? — perguntou Manny surpreso, observando Verônica e Andrew se afastando de mãos dadas. Um sentimento começou a crescer dentro dele ao ver Andrew de mãos dadas com uma garota ainda mais bonita que Brenda Feldman: inveja.
— A namorada dele — respondeu Jay, desta vez dando um tapinha no ombro de Manny.
— Traidor! Você me disse que futebol era tudo e que você nem estava pensando em arrumar uma namorada — pensou Manny, cheio de inveja e raiva de Andrew.
— Você pode descontar nele mais tarde. Vamos para a casa dele para jantar. Já estamos indo — disse Jay, começando a caminhar em direção ao carro.
Andrew passou mais de uma hora caminhando de mãos dadas com Verônica. Durante todo o tempo, Verônica falou sem parar, uma habilidade incrível. Depois disso, eles se despediram. Ela se ofereceu para levá-lo para casa, mas Andrew recusou. Ele precisava caminhar para cumprir sua meta diária de passos.
Quando ele chegou em casa, encontrou seus pais chegando com a mais nova integrante de sua família: Lily, sua nova irmãzinha!
— Andrew, você saiu? — perguntou Cameron, carregando Lily em um bebê conforto.
Andrew correu em direção a eles, não para uma recepção calorosa, mas para ver Lily. Desde que eles foram para o Vietnã, ele não conseguia parar de pensar em conhecer sua irmãzinha, e ele estava louco para finalmente vê-la.
— Ela é adorável — disse Andrew enquanto segurava Lily com cuidado.
— Calma, calma... — disse Mitchell, ajudando-o a segurá-la com segurança.
— Haha, eu tenho uma irmãzinha! — exclamou Andrew com um sorriso largo e feliz enquanto levantava Lily o mais alto que podia. Mitchell jurou que sentiu uma dor aguda no peito ao ver um movimento tão perigoso com um bebê, mas não disse nada. Ele não queria estragar a alegria de seu filho.
— Só não a use como peso humano — disse Cameron com um sorriso, feliz em ver seu filho tão animado.
— Ela é muito leve. Talvez quando ela for mais velha — respondeu Andrew.
— De jeito nenhum! — exclamou Cameron.
— Eu me pergunto de qual esporte você vai gostar! Dizem que os asiáticos são bons em pingue-pongue. Eu deveria procurar um regime de treinamento focado nisso — disse Andrew enquanto devolvia cuidadosamente Lily ao seu bebê conforto.
— Andrew, sem piadas asiáticas — advertiu Mitchell.
— Haha... sim, desculpa — disse Andrew, coçando a cabeça enquanto seguia sua família para dentro.
Eles conversaram alegremente até que Cameron soltou uma bomba em Mitchell: ele havia convidado toda a família para jantar naquela noite para conhecer Lily. Mitchell estava tentando evitar contar a Claire e seu pai, sabendo que eles seriam críticos.
Enquanto eles discutiam, Andrew passou um tempo com Lily em seu quarto, que era pintado inteiramente de rosa com um mural que Mitchell descreveu como "muito gay".
A casa tinha três quartos, para a sorte de Andrew. Caso contrário, ele teria que dividir sua caverna de jogos com sua irmãzinha, ou eles teriam precisado encontrar uma nova casa.
Naquela noite, a família chegou para conhecer Lily, e todos ficaram radiantes com a mais nova integrante da família.
Andrew foi para a cama mais cansado do que o normal, pois o dia tinha sido repleto de atividades. Amanhã seria seu primeiro dia no ensino médio.
[1] - *Mi niño* é uma expressão carinhosa em espanhol, que significa "meu menino".