Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 20

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 20 - Piloto V

Verônica parou perto de Andrew, indecisa sobre como cumprimentá-lo. Seria estranho beijá-lo com o pai dela parado logo atrás, com sua expressão intimidadora sempre presente, especialmente porque o relacionamento dela com Andrew tinha apenas alguns dias.

— Oi, Andy… — Verônica o cumprimentou com um pouco de timidez, muito diferente de sua versão habitual — sempre confiante e com uma pitada de arrogância.

“Andy?” Andrew pensou, confuso. Apenas sua família o chamava assim de uma forma tão… digamos, infantil, como se ele tivesse cinco anos de novo. Não que ele se sentisse com essa idade mentalmente, mas ele não podia se dar ao luxo de perder o foco e se perder em seus pensamentos agora.

— Ah… oi, Verônica — Andrew respondeu, um tanto tenso, mas mantendo um tom amigável.

Verônica estava vestida com uma roupa em preto e branco. Ela usava uma elegante blusa de seda branca, combinada com uma saia que Claire, sem dúvida, diria que era curta demais — semelhante às que Haley gostava de usar.

Ela também usava sapatos pretos, alguns acessórios como anéis e uma bolsa que parecia muito cara.

Quando Verônica estava prestes a dizer algo, ela ouviu o pai dela tossir várias vezes. Ele não era do tipo que passava despercebido.

— Ah, sim… Este é meu pai, Hiram. Pai, este é o Andrew — Verônica disse com uma expressão que claramente refletia algo entre irritação e resignação.

Hiram tinha mais ou menos a mesma altura de Phil, mas seu rosto não tinha o calor do tio dela. Ele tinha uma testa franzida, uma expressão tensa e olhos penetrantes. Além disso, ele estava vestido com uma camisa e calças sociais em um domingo, o que lhe dava uma aparência ainda mais séria.

Por que ele tinha que acompanhá-la? Ela não tinha dez anos de idade e estava saindo com Andrew, que era conhecido em todo o distrito. Ele não era um esquisito nem nada do tipo.

Hiram simplesmente encarou Andrew, que retribuiu o olhar enquanto descansava uma mão no queixo. Não era um sinal de desafio — ele estava apenas estudando como alguém deveria parecer ao tentar intimidar o namorado da filha.

“Preciso praticar minha testa franzida e mandíbula tensa para a próxima vez que Claire me pedir para fazer isso. Eu também poderia compartilhar isso com Phil — ele vai precisar disso algum dia”, Andrew pensou.

— Prazer em conhecê-lo — Andrew disse em um tom amigável, estendendo a mão para um aperto de mão.

— Ouvi muito sobre você. Dois campeonatos distritais seguidos, hein? — Hiram disse, apertando a mão de Andrew com firmeza enquanto Andrew assentia.

— Dois grandes torneios, mas não deixe isso subir à cabeça. Entendeu, filho? — Hiram perguntou, apertando ainda mais a mão de Andrew.

Hiram não estava se referindo ao sucesso atlético de Andrew. Ele queria dizer que ele não deveria brincar com os sentimentos da filha dele ou sair com outras garotas só porque era o atleta popular.

A resposta instintiva de Andrew teria sido: Não, não entendo nada. Mas ele sabia que era melhor não repetir o erro de Dylan.

— Sim, eu entendo — Andrew disse com uma expressão séria, abaixando a voz para soar mais grave.

— É bom que você entenda — Hiram disse, apertando ainda mais o aperto de mão. No entanto, a expressão de Andrew não mostrava nenhum sinal de dor ou desconforto.

Será que ele estava fazendo a pressão errada?

Pela primeira vez, Andrew sentiu um leve desconforto e olhou para o aperto de mão, que estava durando muito mais do que ele gostaria.

“Ele está tentando provar alguma coisa? Algum tipo de jogo?” Andrew pensou, com uma expressão intrigada no rosto.

Pensando que era algum tipo de desafio, Andrew decidiu aumentar a pressão de seu aperto também. A reação de Hiram foi imediata — uma leve careta de dor que ele conseguiu esconder parcialmente.

“Que droga…?” Hiram pensou, surpreso com a força de Andrew. Talvez se ele tivesse visto Andrew carregando Phil enquanto fazia passadas, ele não teria tentado isso.

Hiram conseguiu manter a compostura e, finalmente, o aperto de mão terminou.

— Precisamos chegar ao jogo. Vamos nos atrasar — Andrew disse, verificando a hora em seu telefone. Se eles se atrasassem nem que fosse por um minuto, Gloria o repreenderia, dizendo que era tempo suficiente para perder uma das “jogadas magistrais” de Manny.

— Eu levo vocês — Hiram disse, não dando espaço para discussão. Então, os três entraram em um SUV novinho em folha estacionado não muito longe.

Andrew e Verônica sentaram-se no banco de trás. Parecia um pouco como ter seu próprio motorista particular — era estranho, mas Verônica claramente não queria sentar na frente com o pai dela. Em vez disso, ela queria conversar com Andrew.

Andrew lembrou que Verônica era a garota rica da turma. Mesmo que a escola deles fosse pública, nem todas as famílias que enviavam seus filhos para lá estavam no mesmo nível econômico.

No entanto, a família dela não era rica a ponto de ser milionária, mas eles definitivamente podiam se dar ao luxo de enviar Verônica para uma escola particular como a Ridge School — uma escola que Andrew enfrentou e venceu várias vezes em partidas de futebol.

O trajeto foi curto, já que eles não estavam longe. Ainda assim, durante aquela breve viagem, Verônica contou a Andrew tudo sobre o dia dela e até o que ela tinha feito ontem. A velocidade com que ela falava era incrível e, no entanto, tudo o que ela dizia era perfeitamente claro. Ela parecia um papagaio.

O jogo estava sendo disputado em um campo de grama — não um profissional, pois seria grande demais para crianças de dez anos. Cada extremidade tinha um gol com três postes e uma rede. No centro do campo havia um grande círculo com um menor pintado no meio.

Andrew notou o time de Manny reunido, com o treinador discutindo a estratégia que eles usariam para tentar vencer este jogo. Se é que eles podiam sequer sonhar com tal coisa, considerando que não tinham vencido uma única partida no ano passado.

Ao redor das bordas do campo, os pais estavam sentados em cadeiras que haviam trazido ou sentados na grama, pois não havia arquibancadas.

Andrew, Verônica e Hiram caminharam pela grama em direção à multidão que esperava o início do jogo.

Verônica estava nervosa porque tinha acabado de descobrir que alguém da família de Andrew estava jogando neste jogo. Ela não esperava conhecer parte da família dele tão cedo.

— É seu primo que está jogando? — Verônica perguntou. Ela era amiga de Haley, então sabia que Andrew não deveria ter nenhum primo além de Haley, Alex e Luke.

Mas se não era um primo, quem poderia ser?

— Não. É meu tio… — Andrew respondeu com uma expressão estranha.

— Seu tio? — Verônica murmurou confusa. As crianças no campo de futebol pareciam ter no máximo dez anos de idade. Que sentido isso fazia? Será que o tio dele era o homem careca e barbudo treinando o time?

Antes que Andrew pudesse explicar, uma voz feminina alta gritou, chamando a atenção de todos.

— ANDRESITO! AQUI! AQUI! — gritou Gloria, que estava parada a poucos metros de distância, acenando com a mão para garantir que Andrew a visse. Embora, com seu grito poderoso, fosse impossível para ele não notar.

Andrew levantou a mão e acenou de volta com um sorriso enquanto caminhava em direção a Gloria e Jay, que estava jogado em uma cadeira baixa, banhando-se ao sol como um idoso.

Gloria cumprimentou Andrew enchendo suas bochechas de beijos e bagunçando seu cabelo.

— Você está ficando mais alto a cada dia, mi niño — Gloria disse, terminando sua saudação entusiasmada.


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