Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 9

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 9 - Salto Temporal IV

Andrew reuniu o time em roda para comunicar a jogada. Era o momento em que o quarterback dava instruções específicas sobre a jogada a ser executada.

— Temos quinze minutos e precisamos de três touchdowns... — disse Andrew.

— Parece que vocês precisam de mais treino — acrescentou com um leve sorriso que fez todos sentirem um arrepio na espinha.

Eles sabiam o quão intenso o capitão era em relação aos treinos. Nenhum deles queria aumentar suas horas de sofrimento.

— Ei, não é nossa culpa. A gente não tem um quarterback reserva — disse Steve, ainda com migalhas de cupcake na boca.

— Desculpas são para perdedores! A gente discute o treino extra depois. Por agora, quando aqueles amaldiçoados da Escola Moose chutarem a bola, nós vamos pegar e marcar um touchdown! — exclamou Andrew, deixando todos boquiabertos.

— Um touchdown no kickoff? — todos repetiram.

O kickoff marca o início do jogo. O time que chuta coloca a bola em um suporte na sua própria linha de 35 jardas, e um jogador chuta a bola com toda a força em direção ao campo adversário.

O time que recebe – neste caso, o time de Andrew – deve pegar a bola e tentar retorná-la o mais longe possível.

Marcar um touchdown em um kickoff, conhecido como 'retorno de kickoff para touchdown', é incomum e considerado um feito impressionante.

O principal desafio é que o time que recebe tem que percorrer uma longa distância (geralmente 75 jardas ou mais) enquanto desvia de todos os jogadores adversários que tentam pará-los.

— A gente vai mesmo fazer isso? — perguntou Steve com uma expressão confusa enquanto se alinhava no campo com o resto do time. O plano era simples: Andrew seria o retornador e correria com a bola. Os outros tinham que protegê-lo.

Embora Andrew fosse o quarterback e, em circunstâncias normais, essa tarefa caberia aos running backs (Archie e Reggie), Andrew era mais rápido que ambos.

— Sim. Agora vamos esmagá-los! — disse Andrew, desfazendo a roda e dando ordens para que todos tomassem suas posições.

Tom, o chutador da Escola Moose Ridge, se preparou para o kickoff. Com um chute potente, ele lançou a bola para o campo dos Eagles. A bola aterrissou na linha de 10 jardas. Andrew rapidamente a pegou e começou a correr, seguido de perto por seus companheiros de equipe atuando como guarda-costas.

Com uma combinação de velocidade e agilidade, Andrew deixou para trás os jogadores de Moose Ridge que tentavam pegá-lo. Aos poucos, ele começou a se distanciar de seus próprios companheiros, que não conseguiam acompanhar o ritmo. Correr sozinho era melhor de qualquer maneira.

Archie e Reggie conseguiram acompanhar o suficiente para derrubar dois jogadores, salvando Andrew de problemas.

Graças a isso, Andrew viu uma brecha na defesa e acelerou, com as pernas se movendo em velocidade máxima. Os últimos defensores tentaram desesperadamente pará-lo, mas ele os deixou para trás com um elegante movimento de giro. Um deles, Nick, se lançou em direção a Andrew, mas acabou beijando o chão, sem entender como seu nêmesis havia se esquivado.

— Touchdown! — gritou o juiz em um tom que denunciava sua surpresa, levantando ambos os braços. Os Eastwood Eagles haviam marcado no retorno do kickoff, adicionando 6 pontos ao placar.

— Só mais dois touchdowns... Temos tempo — pensou Andrew enquanto estava na end zone. Ele se virou e viu as arquibancadas em silêncio – inclusive a sua. Até que um grito agudo ecoou pelo campo. Era Cam, gritando seu nome. Phil e os outros logo se juntaram à celebração.

As arquibancadas explodiram em aplausos. Era raro ver um touchdown logo no kickoff inicial. Além disso, poucos sabiam que Andrew também era um corredor rápido e ágil, já que ele geralmente se concentrava em passar e liderar o time.

— Um talento nato. O jogo já está ganho — pensou Josh com um leve sorriso. Fazia muito tempo que ele não via um retorno de kickoff para touchdown.

Andrew não mostrava piedade. As derrotas eram raras para ele. Nesta vida, nenhuma. E isso não pesava em sua consciência – ele sempre fora ferozmente competitivo.

Ele jogou os quinze minutos inteiros tanto no ataque quanto na defesa. Ele finalmente teve a chance de tacklear [1] como manda o figurino. A pedido de Reggie – e do resto do time – Andrew se encarregou de tacklear Nick. Ele também não gostava daquele garoto arrogante e convencido.

— Fim de jogo! Eagles 44 – Moose 32 — anunciou o juiz.

Reggie, Archie, Steve e o resto do time rugiram de alegria, celebrando sua vitória no campeonato mais uma vez. As arquibancadas dos Eagles explodiram em gritos e aplausos.

Andrew sorriu levemente, vendo a felicidade de seus companheiros de equipe. A vitória era boa. Ele olhou para o time perdedor, com os rostos compridos de decepção, e balançou a cabeça.

— Isso é futebol americano — pensou Andrew. — Alguns vencem, outros perdem. Não há nada que se possa fazer sobre isso.

A cerimônia de premiação continuou. Primeiro, eles entregaram medalhas para ambos os times, seguidas pelos prêmios individuais: MVP (Jogador Mais Valioso), Melhor Jogador Ofensivo e Melhor Jogador Defensivo.

Andrew ganhou todos os três prêmios, já que jogava tanto no ataque quanto na defesa. Em times competitivos, geralmente há um time separado para o ataque (que inclui o quarterback) e outro para a defesa. No entanto, como um garoto de 10 anos, Andrew podia jogar em ambos os lados. No futuro, porém, ele não jogaria mais na defesa.

Ele ganhou os prêmios de MVP e Melhor Jogador Ofensivo porque foi fundamental na vitória de seu time em todos os jogos, marcando múltiplos touchdowns e demonstrando uma precisão impressionante em seus passes.

Depois que os prêmios foram entregues, era hora de apresentar o troféu e celebrar com todo o time.

— Finalmente, água — pensou Andrew quando as celebrações se acalmaram e ele pôde pegar uma bebida e aproveitar os sanduíches e cupcakes que Claire havia preparado.

Depois de comemorar com seus companheiros de equipe, era hora das fotos em família. Eles faziam isso todo ano. O que Andrew menos gostava era de tirar fotos com Cam vestido de palhaço, mas ele notou que Fizbo não tinha aparecido desta vez.

— Papai não vai conseguir chegar para as fotos... — comentou Mitchell. Andrew já havia explicado que eles tiveram um pneu furado e Jay tinha ficado para trás esperando um táxi. Ninguém ficou surpreso que Andrew tivesse corrido o caminho todo até aqui; eles estavam lentamente se acostumando com isso.

— Pai, Fizbo não veio hoje? — perguntou Andrew casualmente.

Para evitar confusão, Andrew havia decidido chamar Mitch de "Pai" e Cam de "Papai". Mitch queria ser chamado de "Papai", mas perdeu no pedra-papel-tesoura para Cam, então não podia reclamar.

— Não. Eu disse a ele que você não gosta do Fizbo... Nem eu — disse Mitchell em voz baixa.

— Graças a Deus... — Andrew sussurrou aliviado. Ele não teria que lidar com aquele palhaço assustador nunca mais – que era, na realidade, seu pai. Em sua vida passada, ele tinha assistido It: A Coisa e desenvolvido um medo de palhaços.

— Ele lidou bem com isso? — perguntou Andrew. Ele sabia que Cam podia ser dramático e excessivamente sensível, capaz de transformar algo que Andrew e Mitchell considerariam trivial em um grande problema.

— No começo, não. Mas então eu mostrei a ele as fotos de você com Fizbo, e ele percebeu sozinho que você não gostava do palhaço. Estamos oficialmente livres de Fizbo para todas as festas futuras — disse Mitchell, sussurrando com um leve sorriso.

— Finalmente. A gente devia ter feito isso há séculos. Bem feito, Pai — respondeu Andrew, também com um pequeno sorriso e dando um joinha para ele. Que o Fizbo ficasse no inferno, no que lhe concernia. Ele tinha aguentado aniversários, Natais e muito mais com aquele maldito palhaço. Não era nada pessoal contra Cam; ele simplesmente odiava palhaços.

— Sobre o que vocês dois estão sussurrando? Precisamos tirar uma foto em grupo — disse Cam, caminhando até eles.

— Nada! Vamos tirar a foto! — disseram Mitch e Andrew em uníssono.

Naquele exato momento, Jay chegou, bebendo um smoothie gelado. Como ele esperava, o time de Andrew venceu, e seu neto levou para casa todos os prêmios individuais.


Após a final, as férias de verão começaram e, logo depois, Andrew começou a sexta série no ensino fundamental.

O tempo voou. Três anos se passaram e, em poucos dias, Andrew começaria um novo capítulo em sua vida atual: o ensino médio.


[1] - Tacklear é o ato de derrubar o jogador adversário que está de posse da bola, impedindo-o de avançar no campo.

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