Capítulo 7
Meus 14 Anos Como Um Gato
Após o seu último dia de atividades no clube, a filha começou a estudar seriamente para o vestibular.
Ela estudava todos os dias e, mesmo depois de voltar para casa, se trancava em seu quarto, continuando a estudar.
— Não se esforce demais — disse a mulher, preocupada com a filha.
O homem aproveitou suas folgas contínuas para convidar a filha para uma viagem relaxante ou uma noite fora. Ele procurava por pousadas que permitissem animais de estimação para que eu pudesse ir junto. Mesmo tão animada e ansiosa pela viagem em família, a filha sempre carregava seus flashcards e dava uma olhada neles sempre que tinha tempo.
O inimigo no verão, ou devo dizer, o calor.
No verão, a filha praticamente só estudava na sala de estar, onde o ar condicionado vivia ligado e era mais forte. Como o homem parecia ter se formado em uma universidade famosa, ele ajudava a filha com seus estudos. A mulher sempre escolhia um bom momento para entrar, sinalizando o intervalo, trazendo consigo uma sobremesa ou bebida gelada.
Ao lado dela, estava a almofada que eu sempre usava. Sempre que ela empacava com algum assunto que estava estudando, ela dava uns tapinhas naquela sentada ao seu lado: eu. E quando entendia o assunto, ela voltava para a mesa, se concentrava e repetia.
— Bom trabalho, Kuro.
O homem me disse, depois que a filha saiu para tomar um banho mais cedo. Ele estava olhando para as anotações, livros didáticos e planilhas espalhadas sobre a mesa.
Depois que a filha começou a estudar para o vestibular, até eu, que sempre tirava um cochilo à tarde, passei a dormir apenas de manhã cedo e à noite. Como fiquei mais velha e meu corpo envelheceu, eu gostaria de dormir um pouco mais, mas não era como se eu precisasse fazer isso.
Eu queria fazer algo pela filha. Respondi a ele com um:
— Você também.
Exceto pelas manhãs, o homem sempre acompanhava a filha para estudar, não importava o dia.
Falando nisso, recentemente, apareceu alguns fios brancos na sua cabeça. E se eu olhasse com atenção, também poderia ver pequenas rugas ao redor dos olhos satisfeitos e sorridentes do homem. Ver que o homem também parece ter envelhecido me deixou extremamente emocionada.
No entanto, comparado a mim, o homem ainda era jovem. Com a idade do meu corpo físico, ainda era razoável chamá-lo de jovem.
— O tempo cobrou seu preço de nós dois, hein, meu jovem.
Eu digo ao homem e solto um bocejo.
Amarrando o cabelo castanho claro, a mulher entrou com um vestido fresquinho e colocou um copo com gelo na frente do homem.
— É chá Darjeeling.
— Obrigado.
O homem agradeceu profundamente e tomou um gole. A mulher deixou um sorriso gracioso surgir e me chamou:
— Venha aqui, Kuro-chan.
Eu segui atrás da mulher até o lugar onde estava minha tigela. Um barulho claro soou quando ela colocou gelo na minha água.
— Kuro-chan, você foi ótima.
Agradeci de coração à mulher por seu cuidado. A água fresca era um alívio para a minha garganta seca.
Num piscar de olhos, as férias de verão acabaram. A estação ficou mais fria, e a filha se empenhava ainda mais nos estudos.
Depois do colégio, a filha vai para o cursinho, e a mulher a recebe de volta em casa tarde da noite. Mesmo nos fins de semana, ela ficava o dia todo no cursinho, e quando voltava, ela rapidamente jantava, tomava banho e não saía mais do quarto.
Sua pele ficou completamente branca, e seu cabelo, preso em um rabo de cavalo, cresceu tanto quanto o da mulher. Na mesa de jantar, o homem elogiou a filha:
— Você se parece com sua mãe quando ela era mais nova.
E a filha respondeu, rindo alegremente:
— Talvez eu o mantenha o comprimento e cuide dele melhor quando o vestibular passar.
No meu sexto inverno, a filha disse que tinha uma prova importante e estava, desde cedo, estudando na sala de estar em seu uniforme, enquanto esperava o café da manhã.
Como o aquecimento já estava ligado na sala de estar, estava muito, muito quente. Mas a filha nunca gostou do frio, então eu me enrolei no colo dela, como de costume. Mesmo que eu estivesse apenas sentada ali, meu corpo ainda era muito quente.
— Seria legal se você tirasse nota A.
A mulher disse para a filha enquanto arrumava a mesa. Enquanto o homem lia o jornal, ele olhou furtivamente na direção delas, aparentemente preocupado com a filha.
— É. Não recebi nenhuma recomendação, então vou ter que mostrar a eles os meus méritos.
A filha dá de ombros, sorrindo nervosamente. Essa filha foi realmente muito bem criada. Ela era paciente e sempre com visão de futuro. Ela me dava muito orgulho. Ela era uma criança tão boa. Não tinha dúvidas de que ela teria um futuro brilhante pela frente.
A filha comeu sua comida lentamente, como se estivesse lutando contra o nervosismo, e então saiu de casa com a mulher. O homem que as acompanhou até a porta me pegou e disse:
— Ela vai ficar bem. Aquela menina vai ficar bem, afinal é ela.
Ele disse aquelas palavras, mas ele parecia mais calmo que a mulher e a filha.
— Você, geralmente, fica mais nervoso, não fica? — perguntei.
E o homem voltou para a sala com um sorrisinho no rosto. Ele acariciou minha cabeça e disse:
— Ah, sim. Até você, Kuro-chan, pôde ver o quão nervosa ela estava. Está tudo bem, porque eu acredito nela.
Ah, sim. Então eu também esperarei que a filha volte com uma ótima nota. As palavras do homem se tornaram realidade mais tarde.
A filha conseguiu a nota que queria naquela prova. Eu sou uma gata, então não sei dizer o quão difícil foi essa prova. No entanto, eu fiquei feliz por vê-la tão feliz com o resultado do seu trabalho duro. Ela estava positiva, dizendo:
— A próxima prova também vai dar tudo certo!
Desde então, ela tem estudado cada vez mais. No final do ano, ela foi a um santuário com seus colegas de classe para celebrar o ano novo, fazer a primeira visita do ano ao santuário e uma oração, para que pudessem passar nos exames, antes de voltar para casa.
Sempre que a filha estava em casa, eu estava a seus pés, cuidando dela.
Conforme o dia das provas finais se aproximava, uma forte sensação de nervosismo também começou a se formar gradualmente no rosto da filha. Eu tentava acalmar sua ansiedade ficando ao seu lado, o homem tentava distraí-la com algumas palavras gentis, e a mulher cuidava da filha fazendo uma refeição quente.
Quando a filha perdia o apetite, eu devorava meu próprio jantar bem na frente dela. Ela ria, olhando para mim enfiando a cara na comida. Ouvir a filha dizer que olhar para mim misteriosamente abria seu apetite, me deixava muito satisfeita enquanto eu continuava a bajulá-la.
No entanto, para ser honesta, essa forma de encorajamento era realmente dolorosa para meu velho estômago e eu me sentia nauseada.
No dia do exame, a filha estava extremamente nervosa desde a manhã.
A família inteira entrou no carro e levou sua linda filha para o local das provas. Como eu também tinha ido junto, fiquei no colo da filha até ela descer do carro.
E assim, por esses dois dias, nós agimos como motoristas da filha.
A filha passou nos exames. Foi uma ocasião incrivelmente alegre, mas a filha não deixou escapar seu clássico sorriso saltitante e radiante. Parece que o verdadeiro desafio ainda estava por vir. O que significava que ela ainda tinha outra prova para fazer, o vestibular.
Depois de algum tempo, a filha teve que fazer o vestibular para entrar na universidade. Naquele dia também, todos nós saímos para levar da filha, e todos nós fomos buscá-la.
Durante o tempo em que ela esperava pelos resultados, embora estivesse tensa e nervosa, ela também tinha um olhar aliviado no rosto. Sem se importar com o cenário coberto de neve, ela foi ao shopping e à esteticista com a mulher para relaxar.
Tanto o homem quanto eu apenas nos dedicamos a ficar em casa. O homem estava desesperadamente tentando se livrar do trabalho que havia se acumulado durante o tempo em que a filha estava fazendo suas provas.
No dia em que os resultados seriam anunciados, a filha foi ao local com suas amigas. Estávamos esperando ansiosamente que a filha nos ligasse. No momento em que o som do telefone tocou, o homem rapidamente me agarrou e correu até o telefone. No entanto, a mulher foi ainda mais rápida, pois pegou o telefone e disse apressadamente:
— Alô?
— Mãe! Eu passei! Eu passei! Meu Deus, estou tão feliz *hic*! Miiko e as outras também passaram *hic* … desculpe, estou tão… aliviada que minhas… lágrimas, simplesmente não param…
Nós podíamos ouvir a voz trêmula da filha, seus fungados e a onda de gritos felizes ao fundo. O homem que percebeu a situação gritou um:
— Isso!
Enquanto me levantava mais alto. Eu também fiquei feliz e soltei um alto:
— Você conseguiu, filha!
E a mulher chorou enquanto segurava o telefone, gritando:
— Isso é bom. Parabéns!
Assim, o vestibular da filha da família Itou terminou com sucesso.
A filha tinha uma expressão muito alegre no rosto ao ir para a cerimônia de formatura do ensino médio. Fiquei em casa, mas pedi para o homem e a mulher que foram à cerimônia me mostrassem as fotos depois. No meio delas, havia uma bela foto minha comemorando a formatura.
Naturalmente, eu não pude ir para o colégio da filha, mas quando eles voltaram para casa, me pegaram, me colocaram no carro e me levaram para um certo lugar. O lugar para onde fui arrastada sem nem ter ideia do que estava acontecendo era um estúdio fotográfico que tinha escrito “Animais de estimação são permitidos”.
Toda a família tirou uma foto como comemoração pela formatura da filha. Parece que depois da cerimônia, eles sairam do colégio e vieram direto para casa, dizendo a todos que tinham planos.
No meio havia uma cadeira na qual a filha estava sentada usando seu uniforme escolar, e dos dois lados dela estavam o homem e a mulher, enquanto eu me deitei no colo da filha. Um forte sentimento de orgulho tomou conta de mim quando mais uma vez senti que eu era parte da família.
Eu estava realmente feliz.
Eu queria dizer à filha que tinha acabado de se formar:
— Parabéns.
Nessa idade, eu já sabia que minhas palavras não podiam ser entendidas pelos seres humanos. É por isso que inclinei minha cabeça para o lado o mais fofo que pude e gravei minha pose naquela foto de comemoração.