
Capítulo 494
Forja do Destino
Threads 214 - Amiga e Inimiga 3
Havia mais uma coisa que ela precisava perguntar, se quisesse entender aquelas criaturas como algo mais do que inimigas.
“Quando infiltrei…” Ling Qi fez uma pausa. “Você insinuou que Ya-lith-kai é formada por sete cidades. Isso faz delas uma liga? A sua também é uma liga, com suas três cidades?”
“Meu povo é apenas uma cidade composta por três comunidades, três corações em harmonia, seguindo a vontade do deus cujo nome pronunciado é Ha desde o tempo da migração”, respondeu Tcho-Ri. “Não somos uma liga. Eles são sete cidades completas que um dia seguiram diferentes faces de Ya, mas chegaram a um consenso para fazê-lo uno. Eles são uma liga e estão nos limites do consenso. Uma grande liga requer que múltiplos deuses permaneçam e formem um panteão, uma comunidade de deuses.”
Ling Qi assentiu, grata pela explicação. “Quando infiltrei uma das cidades componentes de nossos inimigos, ouvi trabalhadores falando sobre matilha e família e a necessidade de ‘despertar’ filhotes, que eu presumo serem crianças. Minha pergunta é: o que é família para seu povo? Como vocês criam seus filhos e organizam suas casas?”
Sua interlocutora ficou em silêncio, e Ling Qi esperou um tempo educado, mesmo com o leve zumbido da roupa ith-ia aumentando. Os guardas da Pluma Branca que flanqueavam Tcho-Ri olharam para ela enquanto ela soltava um chiado doloroso. “Por que você quer saber disso?”
Ling Qi conteve uma careta, entendendo só um momento depois que tal pergunta poderia parecer bastante ameaçadora, dado… Ela tentou ignorar por que poderia parecer ameaçadora. “Parentesco e comunidade são importantes para mim. Não consigo entendê-las se não entender isso.”
Uma respiração ofegante se seguiu. “Família — matilha — é a menor unidade de consenso. Indivíduos que encontram contentamento ou alegria uns nos outros, unindo-se em cerimônia e sangue… Essa é uma matilha de sangue. Isso não é o mesmo que matilhas de trabalho, aquelas unidas por seus trabalhos comuns, que muitas vezes são compostas por muitas matilhas de sangue.”
“Então, não é um homem e uma mulher se unindo por causa dos filhos?”
“Uma matilha de dois é muito pequena”, disse Tcho-Ri duvidosa. “Jovens, talvez. Três a cinco é comum. Algumas matilhas de sangue crescem até dez. Mais é insalubre na opinião desta. Os indivíduos terão suas necessidades desatendidas com tantos, mas isso não é um consenso. Esta não entende a relevância do masculino e do feminino nisso.”
Ling Qi fez uma careta, sentindo-se levemente mortificada por ter que falar de tais coisas, mesmo de forma indireta. “Bem, você precisa de um homem e uma mulher para gerar filhos, então…”
“Espere, o quê? Volte àquela primeira coisa”, interrompeu Ling Qi. Ela teria permissão para visitar a nova Cai?
“Não irei sozinha”, disse sua suserana rigidamente, os dedos se apertando em torno da xícara.
“Entendo”, disse Meizhen. “Suponho que a segurança deve ser suficiente para que não haja ameaça de um terceiro reino.”
Todas elas ficaram em silêncio, o ar ficando mais solene enquanto a consideração do que poderia ter trazido um bebê desprotegido para fora da fortaleza de Xiangmen se instalava.
“Sim”, disse Renxiang, curto e seco. “Isso está acima de nossas cabeças.”