Forja do Destino

Capítulo 491

Forja do Destino

À Sombra de Xiangmen I

O antigo Xiangmen erguia-se até o céu, seus ramos e folhas se estendendo até o horizonte, seu tronco um pilar do mundo, fazendo parecer anãs todas as montanhas, exceto as mais imponentes. Silenciosas estavam as vilas dos pés das montanhas e das planícies. As fazendas estavam vazias, as oficinas silenciosas. Mansões e barracos, igualmente desertos.

Eles vieram. Após anos acumulando ira, eles vieram.

Do leste vieram os senhores cães, uma grande massa de cavaleiros sem freios nem bridas, uma massa de feras, uma massa de inquietação e insatisfação. À sua frente, um cão de prata de três caudas, sua pelagem queimando com a luz da lua, seus olhos como sóis. Sua passada abalava a terra, estilhaçava árvores e achatava colinas. Seu uivo sacudia o céu e era acompanhado por dez mil de seus semelhantes.

Do sul vieram as viúvas e viúvos, órfãos e pais de luto, os quebrantados, os esquecidos, os desprezados. Vieram da terra arruinada, e sua ruína lhes deu força. Soldados e artesãos, filósofos e escribas, padres e mercadores marchavam, seu canto um uivo primordial, dolorosamente humano. Eles chamavam os mestres do mundo à razão, e pela primeira vez, seus gritos não se dissiparam no vazio indiferente, pois com eles caminhavam titãs, forjados da fúria que nasceu sob a bota cruel do mestre.

Do oeste não veio nenhum exército, apenas uma escuridão, uma névoa, uma sombra. Enrolava-se entre as árvores antigas, pegajosa e cinzenta. Os sons de cítaras e o som de flautas eram o único sinal dos filhos pródigos do Labirinto.

Do norte veio o exército brilhante do submundo, cada soldado cingido com o resgate de um príncipe. Desordenado, com grandes buracos em suas formações. Pedra e terra vinham ao seu chamado, obras de cerco brotando da terra crua como ervas daninhas, e seus soldados se postavam sobre muralhas que deveriam ter levado um século para serem erguidas. À sua frente estava o Príncipe da Terra mais jovem, usando um elmo cravado com três gemas de beleza de partir o coração, que brilhavam como as lágrimas do sol. Seu brilho ainda estava ofuscado pelo sangue de seu irmão mais velho.

Ó Rei Celestial do Leste, o Construtor! Cujas mãos moldam a terra e cujos planos remodelam o povo, Ó martelo esmagador que curva o mundo para o futuro!

Ó Rei Celestial do Sul, o Cadinho! Cujos fogos flagelam o velho, cuja espada corta a tradição, Ó fornalha de guerra, devorador de vidas e sonhos!

Ó Rei Celestial do Oeste, o Orador! Cuja retórica inflama o coração e instila o sonho do mundo que ainda está por vir, Ó arauto da discórdia e quebrador de laços familiares!

Ó Rainha Celestial do Norte, a mais preciosa de todas, A Amante! Cujas lágrimas levaram uma nação aos joelhos, que vive em cada coração e chora por cada perda, Ó dama da vingança e da ira que quebrará todo o mundo pela visão de seu Amado!

E eis que, no centro deles, está o Ideal, a Verdade que acenderá o futuro em chamas!


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