
Capítulo 468
O Caçador Primordial
A atenção de Jake estava firmemente nos dois recém-chegados, especialmente no homem magricela. Ele era fino, pálido, usava óculos e, mesmo na classe D, ainda parecia alguém que não saía do porão há seis meses. No entanto, ele tinha uma aura de confiança, e Jake entendeu o porquê.
[Humano – nível 165]
Seu nível era na verdade superior ao de Jake, e não era nenhum truque. Mesmo assim, Jake sentiu uma vibe estranha dele. Sua aura era estranhamente inconsistente, e sua assinatura de mana tinha uma, digamos, assinatura peculiar. Era um pouco familiar para Jake, mas ele não conseguia se lembrar exatamente onde a tinha sentido antes.
A outra recém-chegada era a mulher chamada Beatriz. Ela usava o tipo de vestido que Jake esperaria ver em um baile de alta sociedade, e claramente se importava muito com sua aparência. Jake também sentiu uma aura dela, além de um domínio de alguma espécie. Seus sentidos se aguçaram, e ele rapidamente percebeu como o sutil domínio afetava apenas Jake, o outro homem ao lado dela e todos os guardas masculinos. De alguma forma, excluía os membros da família e as mulheres. Jake reconheceu esse tipo de aura, pois já tinha visto uma similar antes, embora aquela tivesse sido muito menos potente e controlada. Era uma aura de sedução, e Irin, a súcubo, tinha uma parecida.
Seu nível também era bem mais baixo, para dizer o mínimo.
[Humana – nível 131]
Carmen olhou para os dois, e Jake viu uma de suas mãos tremer levemente. Jake não fez nada para interferir, deixando as coisas se desenrolarem naturalmente. Acontecesse o que acontecesse, ele seguiria a liderança de Carmen, e pelo visto, sua mãe também estava por perto, com muito mais discernimento para identificar quem era quem.
Com impressionante calma, Carmen olhou para sua prima e zombou: “Você ainda é a mesma megera de antes, hein? E que gato você arrumou, pelo jeito você ainda é boa em se vender.”
O cara nerd imediatamente ficou agressivo, mas Beatriz segurou seu braço e balançou a cabeça. “Sem necessidade de se irritar, amor. Ela só está com inveja. Olha só para esse Zé ninguém que ela conseguiu arrastar aqui.”
Tá, por que eu estou sendo atacado?, questionou Jake, mas preferiu ficar calado.
“Eu entendo que a ideia de ter um homem por perto e não transar com ele é algo desconhecido para você. Ah, espera, é por isso que você é tão popular na família? Não me surpreenderia saber que você já transou com metade de seus primos e tios...”
“Não diga mais uma palavra! Como você ousa entrar aqui e se comportar assim!”, gritou um homem que Jake reconheceu como o tio de Carmen, enquanto se voltava para o pai dela. “Eu não te disse para não ter casado com aquela vadia e ter gerado uma cria do demônio como ela!”
Jake viu Carmen tremer cada vez mais até finalmente parar. Ela deu um longo suspiro audível enquanto olhava para sua mãe.
“Mãe, quem aqui você prefere não ver morto?”
A mulher chamada Maura ficou perplexa antes de se mostrar apavorada. “Por favor, vamos embora; tenho certeza de que se enviarmos uma mensagem para as autoridades, elas...”
“Elas já bloquearam a sala”, suspirou Carmen. “Elas não pretendem deixar nenhum de nós sair. Então me diga... quem você prefere que fique vivo?”
Maura não respondeu, apenas ficou boquiaberta olhando para o resto da família. Jake viu os olhares frios que eles retribuíram, e honestamente, achou impressionante. O nível de coesão dessa família era insano. Até mesmo o próprio marido dela, o pai de Carmen, a olhou com decepção e raiva.
“Pelo menos você percebe a situação em que se encontra”, disse a tia com um sorriso. “Agora, nós não somos tão insensíveis a ponto de matar nossa própria família. Mas prisão domiciliar é certamente o mínimo das consequências que você enfrentará. Querida Beatriz, você tem alguma ideia de como podemos envolver a pequena Carmen mais nos negócios da família?”
A prima apenas sorriu maliciosamente. “Nós sempre precisamos de mais putinhas. Podemos até pegar a mãe.”
“Não”, o pai de Carmen finalmente falou. “Eu mesmo cuidarei da minha esposa.”
Jake viu Maura tremer um pouco enquanto recuava. Honestamente, olhando para toda essa situação... sim, essas pessoas tinham uma capacidade seriamente deficiente quando se tratava de avaliar os outros. Jake tirou o bip que tinha recebido de Renato e enviou uma mensagem, deixando mais ou menos claro que haveria um massacre.
“Vocês são todos completamente insanos”, Carmen zombou. “E igualmente delirantes ao pensar que podem, de alguma forma, me dizer ou dizer a qualquer pessoa ao meu redor o que fazer quando estou aqui.”
“Heh”, Beatriz riu ao ver Carmen apertar os punhos. “Você ainda está com essa coisa boba de boxe? Acha que uma garotinha como você pode lutar? Eu pensei que você tinha aprendido a lição da primeira vez, mas parece que você precisa de outra? Ah, acabei de ter uma ideia ótima de onde você pode trabalhar; só precisamos cortar esses braços inúteis. Tenho certeza de que temos muitos clientes procurando um pouco de para-play.”
Jake viu Maura horrorizada, e o pai de Carmen também franziu a testa profundamente, mas os outros mal reagiram. Ele decidiu finalmente se envolver um pouco, pois sentiu que Carmen estava prestes a agir.
“Com licença, o que devo fazer?”, perguntou Jake. Carmen o olhou, mas ele apenas lançou-lhe um olhar, e ela pareceu entender.
Algumas pessoas finalmente o olharam, mas mal pareceram registrá-lo.
“Você está invadindo e não é da família. Guardas, prendam-no já e o coloquem na masmorra para o querido Alberto brincar”, disse a tia, e Jake instantaneamente adivinhou que o cara com Beatriz era Alberto, baseado em seu sorriso sinistro.
Os guardas reagiram, e Jake lançou um olhar para Carmen. Ela apenas acenou com a cabeça, então Jake sorriu enquanto dois homens o flanqueavam de cada lado.
Duas cabeças rolaram no chão antes que qualquer outra pessoa na sala reagisse, e Jake agora estava com uma lâmina negra na mão. Ele poderia simplesmente ter explodido suas cabeças, mas a Fome Eterna não era alimentada há algum tempo, então por que não aproveitar a oportunidade?
Sua demonstração instantaneamente os parou em seus rastros. A mãe de Carmen olhou para Jake com descrença enquanto Carmen apenas ria alto, chamando a atenção de todos. “Tudo bem. Vocês atacaram primeiro.”
Carmen se abaixou e voou para frente com velocidade incrível. Ela apareceu bem na frente de sua tia um momento depois e cortou impiedosamente seus ombros. O sangue jorrou quando dois braços foram decepados, e ela gritou de dor.
Nenhum outro membro da família se moveu para ajudar, apenas fugiram enquanto alguns deles pegavam itens de aparência cara para se defenderem. Carmen não mostrou nenhuma misericórdia enquanto se movia novamente e chutou o tio tão forte no estômago que seu pé atravessou. Com um golpe de chicote, ela o arremessou enquanto ele batia contra uma parede, sangue escorrendo pelo mármore imaculado.
“Alberto!”, gritou Beatriz, e o homem reagiu. Foi então que Jake entendeu por que a aura do homem lhe parecia familiar, mas também falsa. Ele instantaneamente brilhou com energia vermelha enquanto o poder inundava a sala e cinco círculos de invocação apareceram. Ele viu que bem abaixo, círculos semelhantes apareceram enquanto cinco criaturas eram teletransportadas de baixo.
Todas pareciam humanoides e usavam armaduras e empunhavam armas, mas Jake não sentiu nada de humano nelas. A razão pela qual ele achou a energia tão familiar era porque ele já a tinha sentido antes – energia demoníaca. Ele identificou uma e descobriu que todas estavam no mesmo nível.
[Humano Possuído por Demônio – nível 164]
Agora ele sabia seu destino se fosse capturado. Ele tinha um feiticeiro de verdade em suas mãos, parecia. Era uma classe com a qual Jake havia se familiarizado vagamente. Os demônios que foram invocados se moveram para Carmen imediatamente, enquanto Jake ainda não se movia. Alberto observava Jake, pois também não se movia do lado de Beatriz. Jake, por sua vez, ficou para proteger a mãe de Carmen.
Carmen foi cercada por demônios em um instante enquanto Beatriz gritava.
“Esquartejem essa vadia!”
“Idiotas”, Carmen zombou. Runas douradas acenderam em seu corpo, e Jake soube que ela finalmente havia ativado apenas algumas de suas habilidades de aumento. “Vocês têm alguma ideia de quem eu sou?”
Uma luz dourada irrompeu enquanto ela se movia. Um humano possuído desferiu um golpe de machado enquanto Carmen apenas o pegou e passou a socar o homem tão forte em seu peito que ele explodiu, o arremessando para trás. Desviando-se de outro golpe, ela desferiu uma rasteira e desequilibrou outro enquanto o socava tão forte que sua cabeça ficou incrustada na pedra abaixo.
Foi um massacre absoluto. Eles simplesmente não estavam no mesmo nível, e Alberto sabia disso. Jake estava ciente de que o homem faria uma jogada enquanto ia até Maura. “Me desculpe.”
Ele tocou sua cabeça e enviou um pouco de Força de Vontade, instantaneamente a nocauteando com um ataque mental. Ele teve a sensação de que era melhor ele se envolver agora. Claro, ele ainda tinha que garantir que a mãe de Carmen estivesse a salvo. E bem... essa era uma tarefa para o terceiro mosqueteiro.
De cima, o que parecia uma bala verde caiu. Uma seção do telhado desabou quando a águia caiu e cortou um dos humanos possuídos ao meio, da cabeça à virilha, antes de voar rapidamente e se juntar a Jake. Jake havia comunicado a ela a tarefa que lhe fora dada enquanto deixava a mãe de Carmen sob os cuidados da águia.
Beatriz, para seu crédito, pareceu perceber que as coisas haviam dado errado. Ela olhou para Jake enquanto recuava um pouco, com Alberto assumindo uma posição defensiva na frente dela. Jake sentiu que o homem já havia acumulado alguma energia em seu corpo e poderia liberar a habilidade preparada a qualquer momento. Atacar seria inteligente, mas... essa não era a luta de Jake. Era privilégio de Carmen matá-los.
“Ei... ei, quanto ela está te pagando? Tenho certeza de que podemos resolver algo”, disse a mulher enquanto liberava sua habilidade de sedução com toda a força, tudo direcionado a Jake. Ele sentiu o nível de influência mental, e era bastante alto, se ele tivesse que dizer. Ainda inútil, claro.
“Não acredito que você possa oferecer nada que eu queira”, Jake simplesmente a descartou. “E se eu quisesse uma prostituta, eu iria a um bordel.”
A mulher ficou chocada enquanto Alberto estava furioso. Ele provavelmente deveria ter esperado, mas seu comentário provocou o homem o suficiente para também fazer sua própria jogada. Foi um pouco prematuro, pois Carmen mal havia terminado de matar o penúltimo humano possuído, já que eles eram realmente resistentes com habilidades de regeneração potentes.
Jake sentiu a aura do homem brilhar enquanto ele se ajoelhava e pressionava as mãos no chão. A magia respondeu enquanto Jake sentia um portal se abrir. Jake sentiu brevemente uma conexão sendo estabelecida com algo muito mais poderoso do que qualquer um na sala enquanto o homem ativava totalmente a carta na manga da maioria dos feiticeiros.
“Transformação Demoníaca!”
Seu corpo se dilatou enquanto os músculos irrompiam em seu corpo. Sua pele ficou vermelha, e Jake viu uma miragem tênue atrás dele de um demônio de aparência semelhante. Um demônio de verdade.
Os demônios eram uma raça bastante única no multiverso devido a uma das habilidades raciais possuídas por todos os demônios de classe C e acima. O Contrato Demoníaco. Era a capacidade de fazer um contrato com aqueles significativamente mais fracos que si mesmos e permitia que o contratante utilizasse seu poder e, em casos extremos, até mesmo permitisse que o demônio os possuísse ou possuísse outra pessoa por um tempo limitado, tornando-os muito mais poderosos. Esse era um caminho muito comum para o poder dos demônios, e esses contratos podiam assumir muitas formas.
Essa era uma versão simplificada, mas Jake não tinha tempo para passar por todas as informações em sua cabeça agora que a transformação estava completa. De um nerd pequeno e magricela, ele havia se tornado uma massa demoníaca de três metros de altura com um machado de osso.
Sentindo a aura estrondosa, Jake entendeu por que até mesmo Renato era cuidadoso com o cara. Os feiticeiros eram notórios por serem poderosos em seus níveis devido à natureza de seu Caminho. Era um Caminho que também tinha muitas desvantagens, mas nenhuma que importasse no momento.
Jake desviou enquanto o machado descia, e ele retaliou com a Fome Eterna, dando uma boa estocada. O demônio corpulento mal se importou, mas continuou balançando selvagemente, e cada golpe de machado rasgava o corredor. Algumas ondas de choque até mesmo atingiram os membros da família de Carmen e Beatriz, rasgando-os.
Carmen rapidamente acabou com o último demônio possuído e investiu. Jake graciosamente se retirou e permitiu que Carmen se divertisse com o cara-demônio. Ao mesmo tempo, ele se certificou de que ninguém mais saísse da sala, incluindo Beatriz, que havia conseguido fugir para a sala em que ela e Alberto haviam entrado.
Ele a seguiu e apareceu na frente dela com o Passo de Milha em um instante. “E vocês falam sobre etiqueta. Não é rude sair no meio de uma festa sem avisar?”, provocou Jake.
“Que diabos você quer!”, ela gritou. “O que aquela bruxa te deu? Quem você é mesmo?”
“Lorde Thayne, Escolhido da Víbora Maléfica e talvez o homem mais poderoso da Terra”, disse uma voz familiar enquanto Jake via o homem em seu terno branco se teleportar para a sala. Renato olhou rapidamente ao redor e viu o massacre, enquanto franzia a testa ao ver a luta entre Carmen e o demônio. Embora o demônio provavelmente tivesse superado Carmen em pura Força, Alberto claramente não tinha ideia de como lutar, e não parecia que ele conhecia a habilidade Avatar Demoníaca para que o demônio realmente o possuísse. Carmen rapidamente o desgastou enquanto seus punhos caíam como chuva e o sangue voava.
Beatriz encarou Renato e pareceu realmente aliviada. “Sr. Renato! Estou tão feliz que você esteja aqui; esses lunáticos entraram aqui e...”
“Cala a boca”, Renato a interrompeu com um olhar mortal antes de se virar para Jake. “Lorde Thayne, obrigado por me informar sobre a decisão que você e a Donzela Rúnica tomaram. Já fiz os preparativos necessários, e a família Salvento será punida de acordo. Se você e a Donzela Rúnica decidirem deixar algum sobrevivente, é claro.”
“Isso dependerá dela”, Jake balançou a cabeça. Ele acenou com a mão e enviou fios de mana e amarrou Beatriz, que estava mais uma vez tentando escapar. Ela caiu no chão e lutou, suas estatísticas patéticas para uma classe D. Jake também havia amarrado sua boca por precaução.
A situação estava firmemente sob controle. Os membros da família que sobreviveram estavam encolhidos em um canto, Carmen estava espancando o único lutador que valia a pena, e Jake fez Sylphie trazer a inconsciente Maura, que Jake confiou a Renato.
E então ele apenas observou a luta entre o grande demônio e Carmen. Ele viu como ela não usou realmente nenhuma habilidade, mas estava apenas espancando o homem transformado. Jake sentiu como ela descarregou todas as suas frustrações e raiva usando-o como um saco de pancadas ambulante, e honestamente, bom livramento.
Jake só sabia um pouco sobre o que era necessário para criar humanos possuídos por demônios, e não era agradável. Exigia que você quebrasse alguém completamente o suficiente para que ele aceitasse voluntariamente um demônio, efetivamente se matando para se tornar um hospedeiro. Atualmente, ele podia ver muito do que estava sob a mansão, e parecia que pertencia principalmente a Alberto e abrigava sua oficina.
“Deveríamos enviar alguns homens para o porão”, disse Jake a Renato. “E trazer alguns curandeiros.”
O homem assentiu gravemente enquanto Jake apenas ficava lá e continuava observando Carmen liberar todas as emoções reprimidas. Sylphie também se juntou a ele enquanto eles apenas a deixavam fazer o que queria antes de o demônio finalmente morrer de uma morte lenta e provavelmente muito dolorosa.