O Amante Proibido do Assassino

Volume 2 - Capítulo 117

O Amante Proibido do Assassino

O som de uma faca afiada cortando limões era abafado pela algazarra e risadas na área de refeições do Stratum Club. Atrás do balcão, um jovem alto, vestido casualmente, ostentava uma tatuagem de duas listras no braço, idêntica à de Yi Chen.

Seu rosto, com dois terços de semelhança com o de Yi Chen, explicava perfeitamente o parentesco. Yi Feng colocou os limões picados na borda de uma taça de martini com um sorriso satisfeito. Pegou o pano de prato do ombro e limpou as mãos.

Era ali que acontecia o pequeno encontro, e eles tinham barmans ainda mais habilidosos que ele, mas, por tédio, Yi Feng tinha mandado o bartender embora e tomado conta do bar.

Ele ergueu a taça de martini, prestes a beber, quando ouviu uma algazarra lá fora. Curioso, levantou a cabeça para olhar. Sua visão estava bloqueada por um grupo de pessoas, mas, como era alto, bastou ficar na ponta dos pés para ter uma visão clara.

Através das janelas do chão ao teto, viu seu primo mais novo com uma... garota?

“Que porra”, murmurou, colocando o pano de prato no balcão antes de caminhar em direção à janela.

Seu primo, frio como nitrogênio líquido, estava realmente andando com uma garota, sem a menor vestígio de impaciência no rosto. Yi Feng teria pensado que sua tia o obrigara, mas sua postura relaxada e expressão tranquila diziam o contrário.

Yi Feng ficou tão fascinado que, involuntariamente, levantou seu cérebro-light e tirou uma foto. Como se seu primo tivesse olhos nas costas da cabeça, Yi Chen olhou na sua direção, e Yi Feng imediatamente se abaixou, xingando baixinho: “Merda, merda, merda, merda...”

Quando os dois chegaram ao balcão onde ele estava, ele parecia tão inocente que ninguém diria que era ele quem estava na janela tirando fotos.


Yi Chen se aproximou e puxou o banquinho para Zi Han se sentar, dizendo, em tom inegociável: “Manda pra mim”.

“Ah, hahaha. Priminho, você é muito sem vergonha. Nem um oi, nada? Estou começando a achar que você é o mais velho entre nós”, disse Yi Feng, se esforçando para não olhar para a pessoa à sua esquerda.

Uma coisa que ele havia aprendido sobre seu primo era não fazer perguntas a menos que Yi Chen tomasse a iniciativa de falar sobre isso. Portanto, ele nem queria olhar para aquela pessoa sem a permissão de Yi Chen.

“Mandando ou não?”, perguntou de novo, desta vez com a cabeça baixa enquanto lia algo em seu cérebro-light.

“Ah, tá, tá... pronto, mandei. Feliz?”, disse Yi Feng antes de tomar um grande gole do daiquiri, mas sua expressão se contorceu ao engolir. “Argh, agora está intragável porque você estragou meu humor.”

Yi Chen deu um sorriso irônico antes de responder: “Suas habilidades de fotografia são tão ruins quanto seus coquetéis.”

Yi Feng estava tão furioso que quase pulou sobre o balcão para surrar Yi Chen. “Você!... Vou mandar isso para sua mãe. Vamos ver se você ainda vai ficar tão convencido”, disse Yi Feng, mas quando viu o sorriso sutil de Yi Chen, se acalmou consideravelmente.

Parecia que seu primo agora sabia brincar. Yi Chen estava realmente de bom humor, e só podia ser por causa dessa pessoa. “Você vai nos apresentar ou...”, disse Yi Feng sem olhar na direção de Zi Han.

O cérebro-light de Yi Chen apitou, e como era seu pai mandando uma mensagem, ele não podia ignorar. “O nome dele é Zi Han. Pedi a ele que viesse para ninguém me incomodar”, respondeu antes de se virar para Zi Han: “Volto em um minuto. Fica aqui, ok?”

Zi Han tinha ficado olhando para a tatuagem de duas listras de Yi Feng com grande interesse. Tinha certeza de que já a vira em Yi Chen antes, e agora seu primo também tinha a mesma coisa. Ele estava curioso para saber se eles tinham ido à mesma barbearia e conseguido um desconto familiar.

“Hm”, respondeu, desviando o olhar do braço de Yi Feng por um segundo.

Assim que Yi Chen se afastou, Yi Feng mostrou suas verdadeiras cores, olhando curiosamente para essa estranha espécie humana que havia atraído a atenção de seu primo. Ele tinha certeza de que nunca tinha conhecido essa garota antes, mas por que diabos ela era tão familiar?

“Com sede?”, perguntou Yi Feng, colocando um cardápio de bebidas na frente dele.

Zi Han pegou o cardápio respondendo: “Mhm...”, mas seus olhos estavam fixos em seu braço, então Yi Feng perguntou:

“O quê?”

“Sua tatuagem... é uma coisa de primos ou é coincidência?”, perguntou Zi Han, tocando o cardápio.

Yi Feng achou divertido, então riu enquanto balançava a cabeça. “Não... é uma coisa de família. Tipo uma marca de nascença”, respondeu com um tom descontraído. Era a melhor maneira de descrever isso para um estranho.

Zi Han ficou um pouco surpreso, mas sua reação foi fugaz. Isso porque ele havia visto mutações genéticas e traços familiares interessantes ao longo de sua vida. Ele nasceu em um mundo onde as pessoas tinham mutações únicas e comuns que nem o surpreendiam. É que ele não havia visto uma que parecesse uma tatuagem.

“O que você gostaria de tomar? Sangria, Black Russian ou Don Pedro... não estou com vontade de fazer bebidas complicadas hoje, então...”, disse Yi Feng com os braços abertos, os dedos agarrando a borda do balcão.

“O que é um Don Pedro? Parece interessante”, perguntou Zi Han curiosamente, empurrando o cardápio de volta.

“Álcool misturado com sorvete. Você quer?”, perguntou Yi Feng, mas já estava pegando o liquidificador.

Zi Han acenou com a cabeça e assistiu Yi Feng trabalhar por um tempo antes de perguntar: “Há quanto tempo você está limpo?”

Comentários