
Volume 1 - Capítulo 55
O Amante Proibido do Assassino
55 adesivos refrescantes como primeiro presente.
Um silêncio longo e insuportável preencheu o aerocar, com os dois sentados o mais longe possível um do outro. Para ser mais preciso, Zi Han estava sentado o mais longe possível de Yi Chen. Por quê? Ele continuava se dizendo para não se aproximar do inimigo.
Ele já havia sido punido uma vez e não queria ser punido de novo. Yi Chen, por outro lado, sentia-se um pouco sem graça. Ele não conseguia entender por que Zi Han tinha que sentar tão longe. Ele não era um bicho-papão nem comia gente, então qual era o problema?
De repente, ele se sentiu constrangido. Talvez Zi Han não gostasse do perfume que ele usava? Essa era a única explicação que ele conseguia pensar. Ele foi quem levou uma surra no dia anterior e, ainda assim, estava sendo evitado.
Ele queria perguntar a Zi Han por que ele estava agindo assim, quando seu olhar caiu sobre os dedos de Zi Han. As unhas, antes bem aparadas, apresentavam manchas pretas desbotadas, o que era incrivelmente intrigante. Elas pareciam especialmente chamativas em sua pele de jade perolado, tornando difícil para Yi Chen não notar.
“O que aconteceu com seus dedos?”, perguntou ele, quebrando o silêncio constrangedor no pequeno espaço. Yi Chen não pretendia perguntar, mas sua voz saiu de repente, sem aviso prévio, como uma resposta involuntária. Isso o deixou ainda mais irritado consigo mesmo, mas ele não demonstrou isso em seu rosto.
Ao ouvir aquela voz estoica falando com ele, Zi Han levantou a cabeça e o olhou com uma sobrancelha arqueada. De fato, Yi Chen não devia ter perguntado. A resposta de Zi Han foi a esperada. Era como se ele estivesse diante do inimigo público número um.
“Usei drogas ontem à noite e elas mancharam meus dedos. O presidente da turma vai me entregar?”, perguntou Zi Han em tom sarcástico, com um leve sorriso nos lábios.
Yi Chen, "..."
De fato, ele não devia ter perguntado. De repente, ele se sentiu claustrofóbico naquele espaço minúsculo. Por sorte, eles chegaram à academia em menos de um minuto.
Assim que a porta deslizou para abrir, Zi Han saiu do aerocar e passou direto na frente de Yi Chen. Dois passos depois, ele se virou e encontrou o olhar de Yi Chen.
“O presidente da turma devia aprender a levar uma brincadeira na esportiva... Aqui”, disse ele, tirando um adesivo refrescante para ajudar com o inchaço. Não entendam mal Zi Han. Não é que ele o tinha preparado previamente para o presidente da turma, mas que sua mãe o obrigou a guardá-lo em sua pequena pulseira interespacial no pulso.[1]
Isso porque ele se metia em muitas brigas em seu antigo bairro. Ele era como Robin Hood, fazendo justiça aos fracos, dando uma surra nos valentões. Quanto ao motivo de quase não haver represálias depois, era porque sua mãe limpava a bagunça do filho nas sombras.
Assim, como forma de agradecer a Yi Chen pela carona, ele lhe deu o adesivo refrescante. O único problema é que não era do tipo transparente, mas com um desenho de personagem de desenho animado. Quando Zi Xingxi o comprou, ela achou engraçado e fofo, mas Yi Chen não pareceu apreciar a graça.
Ele olhou para o adesivo fofo em sua mão com uma expressão irritada. Ele não pôde deixar de se perguntar se Zi Han havia preparado especialmente isso para ele com antecedência. Era um pedido de desculpas sincero ou algo assim? Ele logo teve a resposta, e ela era completamente diferente do que ele pensava.
“Eu me meto em muitas brigas, então carrego isso comigo. De qualquer forma, obrigado pela carona”, disse Zi Han antes de se virar para ir embora. Yi Chen realmente tinha pensado demais, e a culpa era toda dele.
Logo, os dois entraram na sala um após o outro, e Zi Han conferiu o quadro de organização dos lugares antes de sentar ao lado de um garoto de óculos, com personalidade tímida.
Assim que Yi Chen sentou, Li Ran, que estava jogando no seu cérebro-luz, levantou a cabeça e viu aquele adesivo refrescante fofo com o Capitão BoBo. Ele esticou a mão para pegar, mas só pegou ar. “Você ganhou isso da Ming Ming? Deixa eu ver”, disse Li Ran, mas Yi Chen desviou a mão dele novamente, e logo depois o adesivo desapareceu.
“É só um adesivo refrescante. Não tem nada demais”, respondeu ele, com uma voz gelada como as águas do polo sul.
“Então por que você está tratando como se fosse um tesouro? Ah, a Ming Ming é tão atenciosa. Se fosse minha irmãzinha, ela nem me olharia duas vezes. Aquela diabinha me deixaria sangrar até desmaiar e só então chamaria ajuda”, reclamou Li Ran, um pouco magoado.
“Talvez seja porque você fala muito”, disse Yi Chen, desferindo um golpe crítico que fez Li Ran chorar lágrimas de sangue, sem ter para onde recorrer.
Ele abaixou a cabeça para entrar no sistema, em preparação para a aula de línguas, quando viu a vice-presidente da turma bisbilhotando alguém. Sua sobrancelha se arqueou de curiosidade enquanto ele olhava na direção dela.
Hela não tinha vergonha. Ela estava abertamente encarando Zi Han enquanto sua colega de carteira estava animada com fofocas. “Hela, você está seriamente considerando ficar com ele? Ele é muito bonito, mas acho que o presidente da turma é um candidato melhor”, disse ela, enquanto lançava olhares ávidos para Yi Chen, que tinha a cabeça baixa, parecendo estar trabalhando duro.
“O cadete Han é exatamente o meu tipo”, disse ela, com a mão cobrindo a bochecha, parecendo especialmente apaixonada. Mas sua expressão sonhadora mudou abruptamente quando uma caneta stylus a atingiu no rosto.
Enraivecida, ela rastreou sua origem, apenas para ser recebida pela expressão boba de Li Ran. Ela jogou a caneta stylus de volta para ele com força, enquanto o repreendia entre os dentes cerrados. “Que porra é essa?”, disse ela, desejando poder espancá-lo até a morte.
Li Ran encolheu-se quando a caneta stylus atingiu seu braço antes de rolar no chão. “Vice-presidente, se você continuar olhando, seus olhos vão saltar das órbitas”, disse ele, pegando a caneta stylus do chão.
“Cuida da sua própria porra de vida, Li Ran”, disse ela, apontando o dedo para ele com raiva.
Li Ran fez um bico e se virou para Yi Chen, sentindo-se um pouco magoado.
“Eu fui gentil com ela. Eu disse gentilmente que seus olhos iriam saltar se ela continuasse olhando para ele, mas ela me xingou. Você acredita nisso? Talvez eu não deva ser tão bondoso”, reclamou ele, puxando o braço de Yi Chen.
Para sua surpresa, Yi Chen virou a cabeça e olhou para Hela, seu olhar tão afiado quanto facas cortando sua alma. Hela imediatamente desviou o olhar, e pela primeira vez, esse velho amigo sentiu que Yi Chen estava o levando a sério. Se ele soubesse o motivo, Li Ran ficaria tão desolado que choraria por semanas.
Ele estava prestes a elogiar Yi Chen por defendê-lo quando a professora de línguas entrou, seu rosto parecendo animado, como se ela estivesse ganhando milhões para fazer seu trabalho. Durante todo o tempo em que ela se apresentou, a cabeça de Zi Han estava baixa. Isso porque ele estava praticando a cópia dos traços de alguns caracteres no livro que ele havia fotografado.
Na noite anterior, ele descobriu que não apenas ele segurava o pincel de caligrafia incorretamente, mas também havia perdido traços importantes ao copiar o texto, o que era extremamente crucial. Assim, em vez de prestar atenção na aula, ele estava praticando a escrita em seu caderno.
Toc, toc, toc.
Esse foi o som da professora de línguas batendo em sua carteira para chamar sua atenção. Surpreso, Zi Han levantou a cabeça, apenas para ser recebido pela professora de rosto gentil, explicando algo para ele.
[1] - Pulseira interespacial: um tipo de acessório mágico que permite armazenar itens em um espaço dimensional extra.