
Volume 1 - Capítulo 98
Eu tenho um Super USB Drive
Brando achou que a brincadeira que a empresa pregou a ele naquele dia não era das mais engraçadas.
Há pouco mais de dez dias, ele havia acabado de cumprir a missão de assassinar um líder de um cartel de drogas na fronteira queniana. Foi um assassinato limpo e perfeito.
Brando ia voltar para a Itália de férias, mas recebeu ordens da empresa exatamente quando estava prestes a partir. Foi informado para permanecer no local.
A empresa alegou que haveria uma nova missão para ele e que a remuneração seria excepcional.
Sem escolha, Brando alugou um quarto em um lugar próximo e esperou. Se passaram mais de dez dias desde então.
Quando o agente finalmente apareceu diante de Brando com um passaporte francês e uma passagem para um voo para Namíbia, Brando ficou um pouco irritado.
“Qual o sentido disso?”
Com os dedos, Brando apontou para o local indicado em um papel, com expressão claramente insatisfeita. “Walvis Bay, Namíbia? Blackwatch Biotechnology? Sou um assassino, não tenho o menor interesse em administrar negócios!”
“Caro Brando, não é bem assim.”
O agente informou misteriosamente: “Não se preocupe, você saberá o que fazer quando chegar lá. Garanto que você vai gostar.”
...
Incapaz de resistir à tentação de um pagamento generoso, Brando finalmente embarcou no avião rumo à Namíbia.
Meio dia depois, quando Brando finalmente saiu do aeroporto internacional apertado, quase claustrofóbico, soltou um suspiro de alívio.
As circunstâncias do voo foram suportáveis. Embora Brando tivesse que viajar na classe econômica, era nada comparado ao que ele já sofrera durante as missões. A única coisa que o incomodou um pouco foi a proximidade de sua poltrona com outros estranhos.
As poltronas no voo eram separadas por dois apoios de braço que somavam não mais do que dez centímetros. Para alguém como Brando, que nem ousava fechar os olhos completamente ao dormir, isso era quase tortura.
Quando saiu do aeroporto, era quase meia-noite. Havia uma fila de vans estacionadas à beira da estrada, cada uma com um motorista negro oferecendo caronas em um inglês quase incompreensível.
“Senhor, para onde o senhor vai?”
Enquanto Brando tentava decidir se aqueles veículos, que deviam ter sido sucateados há muito tempo, eram próprios para dirigir, um adolescente negro, que não devia ter mais de treze anos, se aproximou dele.
O jovem olhou para o gigante homem caucasiano à sua frente, que tinha quase dois metros de altura e pulsos mais grossos que a cabeça dele. Perguntou timidamente: “Senhor, dez dólares namibianos até Walvis Bay, o senhor vai?”
Brando se permitiu relaxar ao ver que era uma criança. Pegou um pedaço de papel e apontou. “O endereço diz que há uma empresa chamada Blackwatch por aqui, você sabe onde fica?”
“Ah, o senhor quer dizer o novo centro de pesquisas?”
Os olhos do jovem brilharam. “Claro que sei. O senhor vai para lá?”
“Sim.” Brando não perguntou o preço, mas olhou por trás do jovem: “Onde está o carro dos seus pais?”
“Meus pais? Eles estão no céu. Eu vim dirigindo.”
O jovem parecia imperturbável e deu uma risada. Apertou o botão de uma bicicleta motorizada estacionada perto dali. “Senhor, serão vinte dólares namibianos para eu levá-lo até lá.”
“Por que não.” Brando ficou surpreso ao saber que os pais do jovem haviam falecido, mas não foi tão surpreendente assim.
Histórias como essa eram muito comuns na África. Não importa o quanto alguém fosse rico em compaixão, acabaria ficando insensível à realidade, ainda mais para um mercenário como Brando, que estava acostumado à morte há muito tempo.
Brando esticou a perna e subiu na bicicleta motorizada. Notou rapidamente que, embora a bicicleta fosse muito velha e desgastada, o compartimento reservado aos passageiros estava impecável, sem poeira.
Depois de ligar o motor, a bicicleta motorizada fez um círculo no cruzamento e entrou na estrada.
Ao se afastarem do aeroporto, não havia postes de iluminação na estrada. Os faróis da bicicleta motorizada do jovem estavam quebrados havia algum tempo, então ele teve que se orientar pelas estrelas.
Felizmente, o céu noturno da Namíbia se mostrou notavelmente brilhante.
No caminho, como que por tédio, o jovem começou a cantarolar uma melodia de sua cidade natal. Era uma melodia exótica que Brando nunca tinha ouvido. Assim como a vida dessas pessoas, havia alegria na fragilidade e liberdade na dificuldade. Pintava a paisagem da periferia rural.
Brando se lembrou de quando era criança.
Fazia quase trinta anos, ele tinha cerca de cinco anos na época. Naquele tempo, ele passava os dias brincando na fazenda sem se preocupar com o que acontecia no mundo. À noite, quando seu pai terminava o trabalho do dia, ele sentava na garupa da bicicleta do pai e olhava para o céu estrelado acima...
Em um piscar de olhos, seu pai havia sido sepultado e ele se tornara um mercenário endurecido.
“Não há volta...”
Brando suspirou baixinho, sentindo uma emoção que não conseguia descrever crescendo dentro dele.
Em meio ao cantarolar do jovem, a bicicleta motorizada seguiu para oeste por vinte minutos. Brando quase conseguia ver as luzes da cidade não muito longe.
No entanto, quando chegaram a um cruzamento, o jovem virou repentinamente e seguiu por um caminho desconhecido.
“Tem certeza de que está indo pelo caminho certo?”
Como um mercenário que sobrevivera a inúmeros campos de batalha, Brando era cauteloso por natureza. Ao notar a curva repentina do jovem, apalpou a sola do sapato.
Ao longo dos anos, ele sempre escondera uma adaga de marfim na sola do sapato, capaz de passar despercebida nas inspeções alfandegárias.
“Sim, senhor.”
O jovem falou com naturalidade, como se não soubesse o que estava acontecendo. Disse entre o vento: “Esta é uma estrada recém-asfaltada, financiada pelo centro de pesquisas. Liga a entrada principal do centro de pesquisas à estrada principal de Walvis Bay do outro lado.”
Brando parou de questionar depois disso.
Eles continuaram seguindo por aquele caminho. Em pouco tempo, inúmeras estruturas pretas e laqueadas começaram a aparecer de ambos os lados da estrada. A base dessas estruturas consistia em um pilar de dois metros de altura com um enorme painel quadrado em seu topo.
Todos os painéis estavam alinhados e posicionados no mesmo ângulo.
Brando percebeu num instante que eram estruturas de geração de energia fotovoltaica.
Essas estruturas de geração de energia posicionadas lado a lado estavam densamente dispostas de ambos os lados da estrada, quase cobrindo o céu acima.
“Essas também pertencem ao centro de pesquisas?” Brando perguntou.
“Claro. Estamos falando de uma empresa muito, muito rica!”
O jovem continuou com um tom invejoso. “Além de instalar geração de energia solar e pavimentar estradas, eles até recrutaram um monte de gente nas vilas próximas para experimentos. Eu ouvi dizer que cada casa naquela vila recebeu dezenas de milhares de dólares namibianos!”
Assim que o assunto foi mencionado, o jovem contou tudo o que sabia. “Também ouvi dizer que na baía a cerca de dez quilômetros daqui, há um canteiro de obras que também pertence a essa empresa. Eu ouvi dizer que eles vão construir uma usina elétrica lá!”
Brando assentiu. Construir uma usina elétrica em um país tão pobre sem medo de grandes perdas, essa empresa era certamente rica...
“Também dizem que o chefe dessa empresa é chinês.”
O jovem acrescentou. “Certo, senhor. O senhor já esteve na China?”
Brando sorriu com a pergunta. “Não, minha profissão não é exatamente bem-vinda lá.”
“Que pena.”
O jovem expressou tristeza. “Eu ouvi dizer que a China era uma terra sem conflitos, sem pobreza, sem doenças. Se eu pudesse escolher, gostaria de ter nascido lá na minha próxima vida.”
“É...”
Brando suspirou fundo e olhou para as estrelas acima. “Quem não gostaria de viver em um país pacífico?”
Sem perceber, Brando subitamente ficou intrigado com essa empresa chamada Blackwatch.
Um momento depois, vários edifícios com luzes piscando apareceram repentinamente no campo de visão de Brando.
Esses edifícios não eram particularmente altos, mas ocupavam muito mais área do que a maioria dos edifícios comuns. Ele podia ver algumas luzes dentro dos edifícios. Essas eram as únicas fontes de iluminação na estrada.
“Chegamos, senhor.”
Finalmente, a bicicleta motorizada chegou ao fim da estrada. O jovem parou o veículo e apontou para um portão de ferro largo a cerca de dez metros de distância. “Este é o Centro de Pesquisas Blackwatch que o senhor mencionou agora mesmo.”
“Perfeito.” Brando tirou uma nota de dois dólares americanos da carteira e entregou. “Fique com o troco.”
“Obrigado. O senhor é muito generoso!”
O jovem imediatamente se alegrou e agradeceu a Brando. Depois disso, virou-se e voltou alegremente.
Depois que o jovem se foi, Brando não se dirigiu imediatamente para se anunciar. Ele vigilantemente examinou a área e observou a câmera de vigilância piscando no portão antes de se aproximar. Ele pressionou uma campainha com uma placa que dizia “POR FAVOR, TOQUE A CAMPANHA”.
Um momento depois, seguido por passos se aproximando, uma janela no portão se abriu de repente. Um homem negro apareceu do outro lado e perguntou: “Quem você procura?”
“Meu nome é Clark Brando. Sua empresa me convidou para vir aqui.” Brando apresentou o endereço que o agente lhe dera.
“Não conheço nenhum Clark. A regra da empresa proíbe abrir o portão à meia-noite, volte amanhã.”
O homem negro informou de forma pouco amigável e fechou a janela antes que Brando pudesse responder. Brando ouviu passos se afastando.
Uma expressão de desaprovação apareceu no rosto de Brando.
Ele pegou o celular e preparou-se para consultar os agentes, quando percebeu que o celular estava no modo avião desde o voo.
Devido às suas responsabilidades em várias missões, Brando não tinha a dependência usual que outras pessoas tinham de seus smartphones. Portanto, não lhe ocorreu tirar o celular do modo avião até agora.
Assim que Brando desativou o modo avião, várias notificações de chamadas perdidas surgiram.
As chamadas perdidas eram todas de um número desconhecido.
Brando imaginou que este era um novo número que o agente lhe dera após concluir a missão anterior, então não deveria haver problema em ligar para o número.
“Bip... Alô, oi. É o Sr. Clark Brando?”
A chamada foi atendida na primeira chamada com uma resposta abrupta do outro lado. A julgar pela voz, o destinatário devia ter cerca de trinta anos. Além disso, sua pronúncia em inglês não era exatamente padrão, aparentemente com um sotaque chinês.
Brando fez a conexão com a observação anterior do jovem de que a Blackwatch era uma empresa chinesa. Ele respondeu: “Sim, sou eu.”
“Ufa, graças a Deus!”
A pessoa do outro lado parecia finalmente ter se acalmado. “Pode me dizer onde o senhor está agora? Sou seu motorista designado para buscá-lo, estou do lado de fora do aeroporto agora.”
“Já estou na entrada principal da sua empresa”, respondeu Brando.
“... Entendido. Por favor, aguarde um momento. Chegarei imediatamente.”
Houve um breve silêncio antes que essa pessoa falasse. Brando pôde ouvir o som de um motor acelerando pelo telefone antes que a ligação fosse encerrada.