48 horas por dia

Capítulo 1239

48 horas por dia

Ao entrar no museu de arte, Song Jia quase perdeu o equilíbrio com a cena que se deparou.

Embora não trabalhasse com arte, ela já havia ido várias vezes ao museu com os colegas de classe nos momentos de folga. O acervo era riquíssimo e a arquitetura, única, por isso era sempre muito popular entre os visitantes; ela também gostava muito do lugar.

No entanto, ela não esperava que, ao entrar no museu dessa vez, o ambiente se transformasse num verdadeiro matadouro. Havia cadáveres espalhados pelo chão, sangue e cérebro espirrados por todos os lados. Muitas obras de arte estavam destruídas; pinturas que valiam mais de um milhão de dólares estavam jogadas no chão, e as esculturas, estilhaçadas em pedaços.

As únicas pessoas que ainda conseguiam ficar em pé no salão de exposições do primeiro andar eram Olai e Alicia. Eles se apoiavam um no outro e caminhavam lentamente em direção à escada.

“Essas... essas pessoas foram mortas por vocês?”

Song Jia estava em choque. Ela atendeu a ligação de Zhang Heng e correu para lá. Naquele momento, ela não sabia o que tinha acontecido. Ao ver a cena diante de si, pensou que as pessoas ali tinham sido mortas pelos dois inuítes. Afinal, eles pareciam ter acabado de sair de uma batalha sangrenta.

Contudo, Alicia negou com a cabeça: “Não, todos foram mortos pelo seu... seu chefe. Na verdade, nós não ajudamos muito. Ele nos salvou. Ele e o dono do museu estão no segundo andar agora. Vamos subir juntos.”

“Ah, tá, tá.”

Song Jia contornou cuidadosamente as poças de sangue no chão. Então, seguiu Olai e Alicia pelas escadas até o escritório do diretor, no segundo andar.

A porta não estava trancada. Song Jia viu um homem manco sentado num sofá, enquanto Zhang Heng sentava atrás da escrivaninha escrevendo algo em pergaminho com o próprio sangue. Ao vê-la entrar, ele acenou com a cabeça: “Chegou na hora certa. Me ajuda com a tradução. Preciso ter uma boa conversa com o Sr. Sachus.”

Zhang Heng apontou para o homem no sofá enquanto falava.

Este provavelmente sabia que escapar era impossível, então se recompôs. Ao ver Song Jia o olhando, ele até sorriu para a garota. Tem que se dizer que ele não tinha sido dono de museu à toa nos últimos dez anos; o sorriso dele parecia gentil e suave.

No entanto, Song Jia o ignorou. Em vez disso, puxou Zhang Heng para o lado e disse apressadamente: “O que está acontecendo? Quem são aquelas pessoas lá embaixo? Por que você as matou? Meu Deus, quantas pessoas você matou dessa vez?”

“Trinta e sete, mas eu estava apenas me defendendo e salvando pessoas”, respondeu Zhang Heng. “A polícia não vai acreditar que você matou trinta e sete pessoas em legítima defesa e para salvar outras pessoas”, disse Song Jia, ansiosa. “Você está louco? Você sabe quantos problemas isso vai te causar?”

“Relaxa. Enquanto a gente ficar calado, não acho que a polícia vai se importar com isso”, disse Zhang Heng calmamente. “Como assim? Mesmo que a gente não conte para ninguém, é impossível a polícia não perceber o desaparecimento de 37 pessoas.” “Isso é verdade para pessoas comuns, mas esse grupo é diferente. Eles claramente pertencem a alguma seita misteriosa. Acho que a polícia nem sabe da existência deles”, disse Zhang Heng.

“Como você sabe?”

“Eu estou prestes a confirmar isso com o comandante deles.”

“Onde ele está?”

“Ele está no sofá.”

Depois de ouvir isso, Song Jia voltou seu olhar para o homem manco no sofá. Respirou fundo, se acalmou e se virou para Zhang Heng: “Vou te ajudar com a tradução. Não sei o que você quer fazer, mas é muito perigoso ficar com você. Nos conhecemos há menos de meio dia, e já ocorreram duas batalhas seguidas. Além disso, eu vi mais cadáveres do que vi na minha vida toda. Não sei o que mais vai acontecer se eu te seguir. Não se preocupe, fui eu quem quebrou o contrato primeiro. Não quero mais meu salário.” Zhang Heng não fez comentários. Apenas disse: “Você faz a tradução para mim primeiro. A gente conversa depois.”

Song Jia não disse mais nada. Foi até o homem manco.

Este levantou as sobrancelhas e disse com interesse: “Vocês já terminaram de discutir? O que vocês planejam fazer comigo?”

“Eu sou apenas uma tradutora”, disse Song Jia. “Não quero me envolver na sua bagunça.”

“Sinto muito”, o homem manco tocou o queixo. “Tenho medo de que você se envolva querendo ou não. Na verdade, ninguém na ilha consegue escapar.”

“Você não precisa me ameaçar. Não sou eu quem decide o seu destino”, disse Song Jia. “Primeira pergunta: quem são vocês?”

O homem manco ia responder, mas foi interrompido por Song Jia: “Deixa eu te lembrar, é melhor você falar a verdade. Se estiver mentindo, vamos descobrir imediatamente, e então você vai sofrer desnecessariamente.”

“É por causa desse anel?” O homem manco levantou a mão direita. Zhang Heng havia colocado um anel de cobre ali quando entrou na sala, e até cortou o braço dele para pegar um pouco de sangue. “Vocês dois não estão de conchavo com os dois inuítes, estão? Eu sei uma ou duas coisas sobre xamanismo. Pelo que sei, eles não têm os meios para fazer isso.”

“Só... responda às perguntas honestamente. Não faça perguntas”, Song Jia advertiu novamente.

“Interessante. Não esperava que um dia tão agitado chegasse a um lugar tão remoto como a Groenlândia”, murmurou o homem manco. Então, recostou-se no sofá: “Pergunte. Já que estou em suas mãos, claro que vou cooperar. Mas aconselho vocês a não terem grandes expectativas em relação a mim. Por algum motivo, não tenho muitas informações. Tenho evitado contato com aqueles fanáticos todos esses anos.”

“Por quê?”

“Porque estamos vivendo numa ilha chamada Ignorância, cercada por um vasto oceano negro. Alguns de nós são corajosos o suficiente para zarpar e explorar os mistérios do mundo. Os resultados que eles alcançaram promoveram o desenvolvimento da civilização humana. No entanto, um dia, quando esse conhecimento científico isolado for reunido, ele revelará a verdade mais terrível deste mundo.”

“Que verdade?”

“Nós nunca deveríamos saber, porque isso trará medo e loucura sem fim”, disse o homem manco solenemente. Sua expressão não parecia que ele estava brincando, mesmo que as palavras que saíam de sua boca soassem ridículas.

Após uma pausa, ele acrescentou: “Sou diferente daqueles fanáticos lá embaixo, mas é precisamente por isso que tenho vivido tão duramente todos esses anos. Estou realmente tentando convencê-los com boas intenções. Se vocês não quiserem acabar na minha situação, então deveriam sair daqui enquanto ainda há tempo.”


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